Leitura para libertação do povo

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Disposto a beneficiar pessoas que não têm condições de comprar livros e ao mesmo tempo proporcionar um engrandecimento intelectual e político para o povo, o jovem Eduardo Donaire da Silva criou a biblioteca popular Zumbi dos Palmares. Natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, residindo em Araraquara por conta dos estudos de administração pública, Eduardo seleciona livros que tratam temas, personagens e a história do país e do mundo em geral, do ponto de vista dos oprimidos. 

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Projeto independente, que sobrevive com dedicação, tem como objetivo politizar o povo
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— Sempre tive a ideia de fazer uma biblioteca popular e em junho de 2014 comecei a colocar em prática, surgiu a Zumbi dos Palmares. Havia procurado alguns livros do meu interesse nas livrarias e constatei que aqueles que tratavam de assuntos primordiais para o entendimento do Brasil eram muito caros, sem falar dos que falavam da questão racial, que sempre foi o meu enfoque principal – conta Eduardo.

— Sem outra saída, passei a frequentar os sebos e quando soube que eles trocavam livros de qualquer tipo por outros muito bons que tinham, comecei a passar de porta em porta das casas pedindo livros. As pessoas me doaram e fui trocando nos sebos de Ribeirão Preto, e assim juntando livros conscientes, que poderiam ser distribuídos para o povo em eventos.

— Isso porque percebi que se os livros eram caros para mim, que estou em uma universidade mesmo sendo pobre, imagina para o povo que não tem condição nenhuma. E imagina para o povo que não tem interesse pela leitura, por não ter sido incentivado, com certeza não iria adquirir. Esse questionamento me fez pensar: “tenho que despertar o interesse pela leitura no povo e promover o acesso a ela” – explica.

A primeira edição da biblioteca popular Zumbi dos Palmares aconteceu no evento Arena Hip Hop, no teatro de arena de Ribeirão Preto.

— Nesse evento teve batalha de rima e se apresentou o grupo de rap mais famoso da cidade, o Consciência X Atual, e também outros MCs independentes. Foi gratuito e bem frequentado pelo público da periferia, então decidi fazer ali a primeira edição.

— E logo nesse primeiro evento conheci o Daniel e a Ana, um casal negro, e passei a ter uma parceria muito forte com eles. Estavam organizando ali a primeira edição do sarau preto, de poesia, literatura, com foco na questão racial, para discutir o Brasil e o mundo, tratando o negro como ator principal – relata.

A leitura é aquilo que prepara o terreno para a ação do povo. Faz conhecer o inimigo, como ele age e o que ele controla, para depois se organizar e fazer a revolução

 Eduardo acredita que a leitura é algo fundamental na libertação de um povo.

— Se o povo quer ser livre precisa ler, conhecer de fato a história do país e se conhecer, porque sem isso não consegue sua liberdade. Meu objetivo imediato é levar o conhecimento até o povo e despertar o hábito pela leitura, para que ele aos poucos possa procurar se informar por si mesmo, se elevando intelectualmente, detendo o conhecimento, surgindo assim uma consciência coletiva.

— Procuro promover o autoconhecimento do povo negro e o conhecimento da África e da história afro-brasileira, isso é algo essencial. É germinar a ideia do que significa a África e os movimentos sociais revolucionários, e como isso pode inspirar alguém a querer transformar a realidade, se unir e lutar por seus direitos – expõe.

Pequenas ações e grandes resultados

— O livro que me transformou, que me fez perceber que a leitura é importante, foi Malcolm X Uma Vida de Reinvenções, que é a biografia dele. É curioso que ele tem uma frase que diz que as pessoas não são capazes de perceber que um único livro é capaz de transformar a vida de um homem. Foi isso que aconteceu comigo, porque quando li sobre suas ideias, vi o quanto permanecem atuais e pensei que mais pessoas precisavam conhecê-las – recorda.

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