Operações impõem cotidiano de guerra às favelas

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Quatro moradores foram alvejados por disparos em ações da PM

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Passageiros se protegem de tiros da polícia no BRT, em Praça Seca
Passageiros se protegem de tiros da polícia no BRT, em Praça Seca

No início do mês de abril, a Polícia Militar (PM) e a Polícia Civil, dirigidas pelas Forças Armadas na pessoa do general interventor Braga Netto, executou operações que deixaram ao menos duas pessoas mortas e duas baleadas, na Baixada Fluminense e na capital do Estado.

No dia 5 de abril, quando ainda amanhecia, a polícia chegou à favela Parque Colonial, no bairro Parque Roseiral, em Belford Roxo (região metropolitana) invadindo casas e revistando moradores. Um homem foi baleado e moradores acusam policiais pelo disparo. Ele chegou a ser levado pelos PMs ao Hospital Municipal de Belford Roxo, no bairro Vila Medeiros, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O local do crime não foi periciado e o caso foi registrado como auto de resistência – quando a vítima morre, supostamente, em uma troca de tiros com policiais.

No dia seguinte (6), milhares de moradores saiam para trabalhar nas favelas Fallet, Fogueteiro, Prazeres e Coroa (Santa Teresa, região central do Rio), quando policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e o Batalhão de Choque da PM chegaram nos acessos ao Complexo pela Rua Barão de Petrópolis iniciando um intenso tiroteio. Imagens de trabalhadores se atirando no chão dos ônibus e procurando abrigo pelas ruas ganharam os noticiários locais e deram uma pequena mostra do terror vivido por milhares de pessoas. Um homem foi morto e ainda não foi identificado e inúmeras violações foram relatadas por moradores pelas redes sociais.

— Helicóptero, dois caveirões [veículo blindado da polícia], muitos tiros, policiais entrando nas casas sem mandado, caveirão destruindo carros, moradores presos nas ruas sem conseguir sair para o trabalho e nem voltar para casa. Muitos tiros na Barão de Petrópolis. Mais de 20 carros da polícia — relatou um morador em mensagem que chegou à Redação de AND.

Operação fere mulheres em Madureira

Duas mulheres foram baleadas durante uma operação do 9º Batalhão da PM no Morro da Serrinha, bairro de Madureira, coração da Zona Norte do Rio, no dia 9 de abril. Operação que, a propósito, não apreendeu nada.

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Uma das vítimas tem aproximadamente 40 anos e estava em casa na Rua Riacho Doce, no bairro de Oswaldo Cruz, no momento em que foi atingida na perna. Socorrida por uma ambulância, ela foi levada para o Hospital Estadual Carlos Chagas e passa bem.

A outra vítima é Elisângela Bayerl, de 46 anos. Ela estava na rampa de saída da estação de trens de Madureira, ao lado do Morro da Serrinha, quando foi atingida no pé no momento em que acontecia a operação. Levada para o Hospital Norte D’Or, em Cascadura, ela foi liberada momentos depois e passa bem.

— Foi horrível. Pessoas correndo no meio dos tiros, comércio baixando as portas, gritaria, rajadas de fuzil. Eles [policiais] chegaram bem cedo e ficaram aqui a manhã inteira. A gente fica refém dessa situação, tendo que ficar preso em casa por causa de uma guerra que não é nossa — denuncia uma moradora, em mensagens enviadas à redação de AND. E prossegue:

— Se você dá de cara com um policial, ainda tem que ouvir insulto, gracinha, provocação, porque eles não respeitam ninguém. Parece que favelado é tudo bicho— conclui.

O ano de 2018 certamente será lembrado como um ano sangrento na história do Rio de Janeiro, agora submetido às baionetas e ao mando das Forças Armadas. Em janeiro, o então secretário de segurança pública, Roberto Sá – exonerado com a intervenção –, informou que uma das metas do governo seria diminuir em 20% o indicador de mortes oriundas de intervenção policial em 2018. Pura falácia. Ainda estamos em abril e o número já ultrapassa a marca de 250 mortos. Segundo dados do próprio ISP – Instituto de Segurança Pública – desde 2003 que a polícia não mata tanto no período entre janeiro e abril.

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