O lobo e o cordeiro

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As fábulas são eternas e retratam a realidade de cada tempo.
Na do Lobo e o cordeiro, Bush encenou em detalhes para os "Senhores do Império" arranjarem as desculpas que permitiram aos EUA devorar o Afeganistão e o Iraque, que aliás até hoje não conseguiu digerir e estão lhes fazendo muito mal. Com o Brasil não teve a mesma ousadia. Motivo: a forte resistência de setores patrióticos do Estado Brasileiro em se render, não prevista pelos estrategistas do "Consenso de Washington" e pelos táticos do "Diálogo Interamericano" a partir de 1982, quando do início da guerra secreta deflagrada contra o Brasil.

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Mesmo assim, se providências de ordem bélica e estratégica não forem adotadas imediatamente, também vão usá-las, mais cedo ou mais tarde, para atacar militarmente o Brasil, apoiando-se na grande colaboração de seus três últimos presidentes para com o inimigo.

Os sinais internos e externos da preparação desse ataque estão a cada dia mais evidentes. Com que propósito e direito a Assembléia Constituinte de 1988 proibiu o Estado Brasileiro de desenvolver e possuir armamento nuclear?

Com que propósito e direito Fernando Collor de Mello, juntamente com seu Secretário de Ciência & Tecnologia, José Goldemberg, submeteu o Brasil ao Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares? Com que propósito e direito Fernando Henrique Cardoso, juntamente com seu Embaixador, José Viegas, Ministro da Defesa demissionário, submeteu o Brasil ao Tratado do Regime de Controle de Mísseis — MTCR ?

Com que propósito e direito Fernando Henrique Cardoso, juntamente com Ronaldo Sardenberg, hoje Embaixador de Luis Inácio da Silva na ONU, quis submeter o Brasil ao "Acordo de Salvaguardas Tecnológicas" com os EUA?

Com que propósito e direito Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso aniquilaram o emergente complexo industrial militar brasileiro, cortaram as verbas do programa espacial, do submarino nuclear e sucatearam as nossas FFAA?

Resposta: Para levar o Brasil à mortal condição de cordeiro.

Por incrível que possa parecer estas ações foram uma taxa adicional para abertura de crédito que o Brasil pagou para ser obrigado a tomar emprestado, "na marra", moeda podre junto ao sistema financeiro internacional e para seus "estadistas" serem aplaudidos e bajulados em Davos, lecionarem e receberem títulos, prêmios e honrarias em universidades estrangeiras e outras graças mais, tais como um exclusivo escritório em Washington.

A realidade aguça a ficção

Mas, um dos sinais que mais despertou a minha atenção para a realidade dessa quase inevitável guerra veio de um jovem cidadão, civil e até certo ponto comum, Carlos Alberto Bornhofen, nascido em 1973, em São José, Santa Catarina com formação superior em engenharia de produção mecânica e direito na Universidade Federal de Santa Catarina e administração na Universidade do Estado de Santa Catarina através do seu livro recém publicado, intitulado "A guerra da amazônia".

O exemplar me foi enviado pelo autor com a seguinte dedicatória: "Ao compatriota Ronaldo, na luta pela manutenção da soberania nacional!", Carlos Bornhofen, 15 de outubro de 2004, e cuja contra capa assim resume o seu conteúdo:

"A ameaça é real, e sobre todos nós paira a espada da destruição e o medo da guerra. Não é o petróleo que alimenta o combate, mas a água, a biodiversidade e a fartura da floresta amazônica.

O Brasil nunca vai ter guerra! É o que todos dizem enquanto a guerra não vem, mas olhos famintos viram a riqueza verde e o desejo de fortuna trouxe estrangeiros às nossas terras.

O exercito norte-americano já está aqui e a única coisa que o separa de uma esmagadora vitória é a coragem de homens como Ramirez, um tenente do Exército Brasileiro que nos conta esta história. Dias e noites sob o teto da floresta, tiros e palavras que fazem uma guerra. Conheça a história que não queremos que aconteça; conheça a ficção que pode ser o dia de amanhã. Duvide até, se assim o desejar, mas lembre-se: se você quer a paz, prepara-te para a guerra!"

Decisão pela crise

Coincidentemente, o Jornal do Brasil, do dia 14 de novembro de 2004, publicou uma obra de "ficção", O novo Iraque pode ser aqui, tendo como autores o Tenente-Brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla e Paulo Metri, a qual também julgamos necessária transcrever na íntegra para bem demonstrarmos a nossa tese. "O mar, de tão parado, mais parecia uma grande lagoa. Junto com o reflexo da luz da lua no espelho d'água, transmitia uma aparente sensação de tranqüilidade. Mas o comandante da fragata da nossa Marinha e o seu jovem imediato, que se esforçavam para usufruir dessa visão quase paradisíaca, não estavam tranqüilos. A brisa amenizava o calor asfixiante que reinou durante todo o dia daquele janeiro de 2015, aumentando a ansiedade da tripulação, típica de quem vai para uma frente de batalha. No caso presente, a frente de batalha é que estava vindo em direção ao navio de guerra, estacionado ao lado de uma plataforma de petróleo, algumas milhas distante do litoral, na bacia de Campos.

— Comandante, o senhor acha que os gringos vão retaliar?

— Retaliar, eu não sei, mas da próxima vez vão se prevenir. Afinal de contas, o petroleiro deles foi levado à força para o terminal em terra. Com relação a esse caso, eles irão a tribunais internacionais, mas os próximos cargueiros, a serviço de empresas estrangeiras, que receberem ordem de descarregar o petróleo, mesmo estando em nossas águas, certamente contarão com a proteção da frota de alguma das potências e será muito difícil, para nós, sustentar e fazer cumprir ordens de comando aos petroleiros alienígenas.

— Comandante, como tudo começou?

— Começou em 1995, quando mexeram no artigo 177 da Constituição Federal e, em seguida, em 1997, promulgaram a Lei no 9.478. Assim, criaram um arcabouço jurídico, muito questionado à época, que permitiu a assinatura de contratos de concessão com 30 anos de validade, para empresas privadas explorarem petróleo no Brasil e, na hipótese de descobri-lo, poderem fazer o que bem quisessem com o produto, inclusive exportar. Os dirigentes de então não acreditavam, apesar de alertados, que o petróleo pudesse atingir os atuais patamares de preço, bem como não consideraram que a Petrobrás, com seus orçamentos rotineiramente contingenciados, obtivesse sucesso limitado na descoberta de novas jazidas, a partir de 2005. Assim como não contavam com o sucesso das empresas estrangeiras, a partir da mesma época. E ainda pior, visando melhorar o valor do nosso superávit comercial, para a satisfação do mercado de capitais, determinaram que a Petrobrás exportasse a produção de petróleo excedente. O resultado danoso de tudo isso é que, hoje, a nossa empresa não consegue mais atender a demanda nacional, as empresas estrangeiras exportam a quase totalidade do que produzem, alegando terem contratos de longo prazo, assinados no passado e que devem ser honrados, ocorrendo, como conseqüência, o desabastecimento do país.

— Mas ouço dizer que no passado ocorreu também uma decisão do Supremo Tribunal Federal que contribuiu para entrarmos nessa crise?

— É verdade. O Supremo, em 2004, infelizmente, ao julgar uma ação direta de inconstitucionalidade, referente à Lei do Petróleo, olhando somente para o curto prazo, surpreendeu o país e não acatou a ação interposta. Prendeu-se às questões de marcos regulatórios estáveis e da atração de capitais externos para o país. Não se ativeram às questões geopolíticas e estratégicas, ou seja, como o país iria garantir o seu suprimento nos próximos 15 ou mais anos. É claro que existia a questão puramente jurídica, que dava margem a interpretações alternativas, deixando os ministros livres para considerarem esses e muitos outros aspectos.

— Mas não foi aprovada, recentemente, uma lei que proíbe a exportação de qualquer quantidade de petróleo?

— Ela é a razão exata de estarmos aqui nesse momento. O petroleiro ia levar o petróleo das nossas reservas para o exterior, segundo contratos teoricamente vigentes. Os congressistas, reconhecendo os erros do passado, aprovaram uma nova Lei, mas esqueceram de verificar se as nossas Forças Armadas, seguidamente sucateadas, teriam poder de dissuasão capaz de garantir a sua aplicação. A bem da verdade, as empresas têm, nas mãos, contratos que são atos jurídicos perfeitos e que lhes permitem exportar o petróleo extraído em nossas reservas. Alguns juristas alegam que essa mudança da lei só poderá valer para os novos contratos de concessão, não tendo validade para os antigos.

— O preço do petróleo está na estratosfera e só tende a subir, pois a produção mundial está caindo. Não entendo como, no passado, não pensaram em preservar o petróleo nacional. Como o Brasil vai conseguir se abastecer, com esses preços e ameaças, no conturbado e belicoso mercado mundial? — Não sei. Vamos cumprir com o nosso dever. Se a negociação resultar em nada e se for necessário enfrentar o adversário, vamos oferecer o máximo de resistência possível. Mas, seria bem melhor se os governos desses últimos 20 anos tivessem liberado mais recursos para as Forças Armadas."

Essa alternativa de futuro não é desejada pelos autores, mas, despertando a consciência adormecida da sociedade, talvez sirva para alertar sobre a importância de algumas decisões que, tomadas na atualidade, atuarão em detrimento da tranqüilidade futura e da própria soberania da nação brasileira. Esse pode não ser o cenário mais provável, mas, certamente, ele é possível.

A Amazônia é do Brasil

Também em outro recente livro intitulado Coletânea VII - Amazônia II, editado pelo NEEMA (Núcleo de Estudos Estratégicos Mathias de Allbuquerque) Movimento Nativista, encontramos em sua abertura:

"A principal ameaça sobre a Amazônia é a campanha conduzida no âmbito internacional de forma sistemática, insidiosa e permanente, buscando convencer a opinião pública mundial de que as questões nesta pródiga e cobiçada área são do interesse da humanidade e não do Brasil.

A adoção de uma estratégia de defesa da Amazônia não é responsabilidade exclusiva dos militares. Pelo contrário, a Amazônia só estará salva com a promoção do seu desenvolvimento, que é a garantia efetiva de tê-la integrada ao restante do País, o que implica ações governamentais em todos os campos do Poder.

Conferir à Amazônia um status privilegiado não é favor nenhum e, sim um dever, porque o futuro do Brasil está indissoluvelmente ligado ao futuro da Amazônia".

Assinado: General de Exercito Luiz Gonzaga Schrorder Lessa.

Dentre os 25 artigos compilados nessa publicação, todos convergentes, destacamos um, A Articulação da Autodeterminação no Anteprojeto de Declaração dos Povos Indígenas, por Caroline E. Foster, com tradução de Flávio Figueiredo Jorge de Souza, cabendo aqui uma colocação muito importante, uma mensagem deixada por Orlando Villas Boas um pouco antes de sua morte, ocorrida em dezembro de 2003 no documentário Expedições, transmitido pela TV Educativa em 15 de junho de 2003:

— Os americanos levaram para os EUA 15 chefes ianomâmis, tanto brasileiros como venezuelanos, para lá aprenderem o inglês e serem treinados politicamente, para que ao retornarem criem um contencioso internacional com o objetivo de fazer com que a ONU declare a criação de um Estado "Índio", tutelado pelos EUA, cujo território seria delimitado pelas áreas das atuais reservas ianomâmis no Brasil e na Venezuela. Vocês pensam que eles fazem isto por amor aos ianomâmis? Não, é porque em Roraima estão as maiores reservas de urânio do mundo. Eu provavelmente não viverei para ver isto, mas vocês com certeza testemunharão.

Os sinais de invasão são cada vez mais claros e frequentes.

As "Ongs" , as "fundações" , assim como as "missões religiosas" que atuam na Amazônia, no Pantanal, na Mata Atlântica e em outras áreas de interesse estratégico, financiadas pelo Banco Mundial, por inocentes úteis e por Fundações internacionais sob manto da prática da caridade e da ajuda na preservação do meio ambiente são na verdade os batedores e a vanguarda do exército norte-americano.

Outra armadilha adotada no governo FHC que visa à criação de mais um contencioso internacional como justificativa para a invasão, além de facilitar negociatas, foi a adesão do Brasil em 1997, ao MDL — Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

O MDL submete regiões dos países em desenvolvimento como o Brasil ao controle internacional porque estes, ao aceitarem o investimento estrangeiro em projetos de redução de emissões pelo seqüestro de carbono, como no caso do reflorestamento, perdem o controle sobre estas áreas como o que hoje já esta acontecendo na Serra do Mar e no litoral sul, por exemplo.

Hollywood também já entrou nesta guerra onde, recentemente, em um episódio da série Super Homem, levada ao ar pela rede SBT, uma Ong denominada Rainforest, com sede nos Estados Unidos da América, controlava todas as atividades na Amazônia, inclusive na brasileira, tendo sido mostrado uma bandeira do Brasil e um mapa da região incluindo aí a cidade de São Luis no Maranhão e assim também, por tabela, o município de Alcântara, onde está localizvxada a nossa base aeroespacial.

O produtor da tal serie se chama Robert Singer.

Dia 6 de novembro de 2004, a rede Globo de televisão, em seu telejornal da noite, apresentou duas reportagem intrigantes.

A primeira, sobre a compra de grandes glebas de terras no Centro-Oeste do país por investidores norte-americanos.

Mostrou como exemplo o caso de um texano chamado John Cain, veterano da primeira guerra do golfo, que adquiriu 8 mil hectares para o plantio de soja e criação de gado.

Disseram que em média são vendidas para eles 10 fazendas por mês, pagas à vista.

80.000 hectares por mês.

Um milhão de hectares por ano.

A quanto tempo isto já vem acontecendo? Por quanto tempo mais vai continuar a acontecer? Qual é hoje o estoque de terras brasileiras só nas mãos dos sobrinhos de Tio Sam ?

Isto sem falar na compra de terras no Estado do Mato Grosso do Sul, em área de fronteira, pelo famoso sul-coreano, muito apreciado pela CIA, conhecido como Reverendo Moon, o que de acordo com a legislação em vigor é ilegal, fato este já explorado pela imprensa e ainda não esclarecido pelo governo federal.

Lembrem-se, um "Estado Nacional" pode ser criado a partir de outro valendo-se desse mecanismo, e a ONU o reconhece.

A segunda foi sobre uma nota do Departamento de Estado norte-americano recomendando a seus cidadãos para que não visitem o Brasil alegando que o índicie de criminalidade aqui é muito alto e que na Amazônia eles estão sendo expulsos com violência das terras indígenas por funcionários da FUNAI, notícia esta que só vem endossar as palavras do General Lessa:

— A principal ameaça sobre a Amazônia é a campanha conduzida no âmbito internacional de forma sistemática.

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Preparando a guerra de resistência

O jornal Correio Brasiliense, de domingo, 10 de outubro de 2004, assim resume um artigo sobre o tema:

"...O Exército brasileiro está se preparando para a guerra. Dentre os cenários de possíveis conflitos armados, o que mais tem mobilizado as Forças Armadas nos últimos anos é o da invasão da Amazônia pelos Estados Unidos. Sim, as Forças Armadas brasileiras treinam para a eventualidade de um dia terem de lutar contra soldados norte-americanos para defender o principal patrimônio natural do país..."

E mais, agora quem se manifesta é o próprio Exército brasileiro. Em 3 de novembro de 2004, através do seu Centro de Comunicação Social, por intermédio da sua "Resenha Diária", que contém as principais notícias de interesse da Força, publicou o seguinte texto:

Operação Militar em Defesa da Amazônia

Trezentos oficiais do Exército participam desde ontem de ação para proteger o maior patrimônio natural brasileiro de possível invasão. O treinamento envolveu três mil pessoas e foram usados 200 veículos e 170 embarcações. O Comando Militar da Amazônia iniciou ontem a Operação Ajuricaba III, manobra para treinar militares do Exército brasileiro na execução de operações de defesa da Amazônia, além de estabelecer atualização dos planejamentos operacionais para o emprego de forças na região. A operação vai até 15 de novembro. "A ação começa pelo município de Nova Timboteua, nordeste do Pará. Ao todo, 300 oficiais participam do treinamento. Esta operação é uma preparação para uma outra maior, que vai acontecer no ano que vem e deve envolver toda a tropa", explicou o Major Falcão. O exercício militar tem a participação de comandos e tropas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e contará com apoio da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira. Sua execução permitirá a avaliação de procedimentos operacionais em áreas urbanas e rurais, controle de deslocamento terrestre, comando, inteligência, assuntos civis, apoio logístico e comunicações.

O nome da operação é uma homenagem ao índio Ajuricaba, chefe da tribo Manaés, que, no século 18, resistiu à tentativa portuguesa de escravizar a população indígena na Amazônia. Depois de muita resistência, Ajuricaba foi aprisionado e, ao ser conduzido para Belém, onde seria julgado, preferiu a morte à escravidão, jogando-se, ainda acorrentado, às águas do rio Amazonas.

A Operação Ajuricaba tem como objetivo preparar o Brasil para uma possível invasão da Amazônia por estrangeiros...

As Forças Armadas não admitem oficialmente, mas o perfil do invasor — um país militarmente muito mais forte — e o conhecido interesse norte-americano pela riqueza amazônica indicam que os Estados Unidos são o inimigo hipotético.

Por sua vez, a edição de 14 de novembro de 2004 da Folha de S.Paulo, traz importante reportagem analisando as preocupações dos centros de ensino e pesquisa do Exército, os que pensam a questão militar no Brasil, sobre a defesa da Amazônia:

"Comandante da mais alta academia de formação do militar brasileiro, a Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, 53, pega na sua mesa um exemplar do livro O Vietnã Segundo Giap, numa edição de 1968 da editora Saga, que condensa ensinamentos do general vietnamita Von Nguyen Giap, considerado um dos maiores estrategistas do século passado, artífice da derrota americana na década de 70.

Rocha Paiva abre o livro na página em que o autor explica a importância do apoio da população local para o sucesso de uma "guerra de resistência" ou "guerra de guerrilha". O parágrafo foi assinalado a caneta pelo general.

Longe de se tratar de mero interesse pessoal do general, a "guerra de resistência" contra um possível invasor na Amazônia é hoje tema recorrente no Exército. Rocha Paiva, que comanda a escola do Rio freqüentada por 285 alunos graduados, revela que a guerra de guerrilha tornou-se parte fundamental da doutrina militar brasileira e passou a ser, como prioridade, ensinada e analisada nas escolas militares."

Cientes de que o possível exército invasor seria bem mais estruturado que o brasileiro, os militares têm estudado uma estratégia incomum para uma força regular.

"(A guerra de resistência) é de aplicação em qualquer parte do território nacional onde exista a presença de um poder político, militar, (contra o qual) você não tenha condições, com seus meios convencionais, de fazer face a ele. Não é só isso, mas, em síntese, é a guerra de guerrilha. O que nós estamos fazendo aqui (na Eceme) é estudando e vendo como ela pode ser adaptada para a nossa realidade", explicou Rocha Paiva.

A escola recorre às experiências do Afeganistão, durante a invasão da União Soviética (1978-1992), e do Vietnã. A doutrina trabalha com um cenário no qual a Amazônia é invadida por uma coalizão de países que declararia a região de "interesse internacional".

Essa hipótese catastrófica tem outra vertente: um ataque prévio da coalizão contra alvos no Sul e no Sudeste, com vistas a enfraquecer o Exército na Amazônia e facilitar a invasão pelo norte.

"Subterrânea"

A doutrinação dos novos militares é seguida de medidas muito concretas do Exército: o efetivo na região amazônica cresceu de 6 mil homens, nos anos 70, para 25 mil neste ano.

A preocupação chega aos alunos. Das 388 monografias aprovadas pela Eceme entre 2000 e 2002, pelo menos 41 trataram da Amazônia e temas correlatos, como o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e o projeto Calha Norte. Muitas dessas teses foram declaradas "reservadas", e o acesso é negado aos civis — como a intitulada A Aplicação da Estratégia de Resistência na Amazônia e seus Efeitos nos Campos Não Militares do Poder Nacional Brasileiro, de Ricardo Célio Chagas Bezerra.

Em sua tese de formatura em 2002, o coronel de infantaria Alei Salim Magluf elenca 23 ações que, para ele, o Exército deveria empregar já, como a criação de baterias de artilharia antiaérea, uma por comando de brigada.

Outra medida seria "manter a ênfase no adestramento voltado para a Estratégia da Resistência, aprimorando o preparo para a guerra irregular" e "emprego de forças especiais e irregulares". O coronel propõe executar, permanentemente, "operações psicológicas visando atingir os seguintes públicos-alvo: organizações não-governamentais, comunidades indígenas, garimpeiros, organizações religiosas, contraventores em geral e a população como um todo, principalmente no interior da Amazônia".

Operações psicológicas, segundo o site oficial do Exército, são um "conjunto de ações de qualquer natureza (políticas, econômicas, psicossociais e militares) destinadas a influir nas emoções, nas atitudes e nas opiniões de um grupo (inimigo, hostil, neutro ou amigo), com a finalidade de obter comportamentos predeterminados e favoráveis ao objetivo que se pretende atingir".

Em sua monografia Apoio ao Movimento na Amazônia: Estrutura, Missões e Emprego da Arma de Engenharia naquela Área, de novembro de 2002, o major de engenharia Marcelo Pagotti João explica que "esse assunto tem a relevância evidenciada à medida que o Exército brasileiro experimenta novas concepções estratégicas".

A tese do major de infantaria Marcelo Soneghet Pacheco detalha a atividade de uma "Força Marupiara" na Amazônia, que existe em cada batalhão de infantaria de selva e faz um exercício de terreno por mês. O trabalho dessa força consiste em "atuar na seleção e catalogação de elementos civis que poderão integrar uma Força de Sustentação ou Força Subterrânea" e de "planejar, conduzir e realizar operações de inteligência e de reconhecimento profundos e de longa duração".

O marupiara (pessoa feliz na caça ou na pesca) entrega à sua unidade militar uma "carta de situação da área", na qual indica "os eixos já reconhecidos, a catalogação dos recursos locais, o levantamento de recursos sensíveis e a catalogação de elementos civis".

O major acrescentou uma fotografia de um exercício dos marupiaras: dois soldados barbados, descalços e de bermuda, sem nada que os identifique como militares em ação.

Povoar,desenvolver, integrar e defender

A defesa da Amazônia, pois, não é tarefa só para os militares. A participação do povo é decisiva, já que só ele poderá ocupá-la, através de uma economia que corresponda às suas necessidades mais prementes, que são, em última instância, as necessidades nacionais. É a única forma ordeira possível de combater o latifúndio e a invasão estrangeira que, quase sempre, agem usando o Incra e outros setores do Estado como biombo.

Povoar a região, porém, não significa levar para lá o camponês, sem as menores condições de existência, como ocorreu no passado. Também, preservar a região, hoje, é incompatível com a preservação de métodos pré-históricos de produção. Há que se empregar os recursos mais avançados para o seu desenvolvimento, pois a via racional de resolver a contradição entre a natureza e a sociedade é através do desenvolvimento das forças produtivas.

O principal mecanismo dos EUA para garantir seu domínio econômico e geopolítico, em síntese, é expandir sua força militar em todo o mundo, o que representa um grande perigo para a humanidade. Mas, provavelmente poucos serão aqueles que já se conscientizaram da verdadeira e assustadora realidade dessa autêntica conspiração internacional, que já deixou a sua fase prospectiva e já está em avançada fase executiva, cuja realização prática e coerente por parte dos últimos presidentes dos Estados Unidos merece uma abordagem mais detida, porque tem estrita relação com a pretendida. Por isso, face as ultimas atitudes do governo norte-americano com relação as nações desarmadas do planeta e as cabais evidências apresentadas anteriormente, quantas provas mais precisa a sociedade brasileira para exigir que o Congresso Nacional estabeleça imediatamente uma nova política de Defesa Nacional e esta passe a ser um projeto prioritário de Estado, que denuncie o Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares, o Tratado do Regime de Controle de Mísseis - MTCR e a todos os outros impedimentos internos e externos que não nos permitam dissuadir ou mesmo repelir um ataque militar do abutre norte-americano.

Selva!


Ronaldo Schlichting - Administrador de empresas e membro da Liga da Defesa Nacional
www.ligadadefesanacional.org.br

 

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