Papa bom ou ruim é papa

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Depois de dedicar toda a sua vida à causa do imperialismo, quando ainda se preparava para bater as sandálias, Karol moribundo deve ter entendido que a quietude física com a qual diziam cercá-lo era pura hipocrisia. Viu sua carcaça ser arrastada até uma das janelas do palácio episcopal. Mais tarde, desenganado, cada minuto do seu sofrimento foi transformado em peça de merchandising. Nesse caso, ninguém propôs apressar a subida do piedoso pontífice ao céu, provocando a inanição para diminuir sua agonia — a exemplo do que fizeram com a jovem Terry Schiavo, providências que mais parecem um sinal verde para por em prática o programa de eugenia destinada às UTIs da América Latina.

À medida em que se agravava terrivelmente o quadro clínico de Vojtyla — desde 31 de março, cessando apenas em 2 de abril — o monopólio mundial dos meios de comunicação se desmanchava em ecumênico choro, pleno de paspalhices lamuriosas. Nem assim o público respondia com a afluência esperada. Preferia-se, vez ou outra, a imagem imóvel, foto de um evento passado na praça de São Pedro, mais atraente e repleto de fiéis, até que o largo campo se tornasse repleto de fato. Papa morto, a atrapalhada ópera "midiática" enaltecia a "democrática escolha" de um outro, como se tivesse esquecida que o Vaticano (expressão abreviada, que significa sede central da Igreja católica) é um Estado teocrático; o mais absolutista e medieval do planeta.

A menção de fortes candidatos da metrópole foi discretamente abandonada, ou evitada o quanto pode, em razão da imagem terrivelmente abalada por seguidas acusações de pedofilia, cuja situação é privilegiada na justiça ianque, a começar pelo fato de nenhum cardeal estar respondendo a processo.

Os vaticanistas também cedo abandonaram nomes diversos que, oriundos do quartel general do clero, fossem classificados como progressistas, caracterização sem muito futuro. As conjecturas voltaram-se, ao final, para o terceiro mundo.

— E que tal um africano? Um negro! No entanto, na ONU, por exemplo, já havia um fantoche africano, como o foram (uns mais, outros menos) os presidentes passados desse supra-governamental diretório pró-ianque, de nada importando a cor da pele, mas o tipo de ideologia que um homem verdadeiramente adota. Cedo, um papa africano se tornaria um assunto azedo. — Um latino então? Voto num latino, de preferência brasileiro. Seria ótimo pra nós — transmitiam na semicolônia os credenciados repórteres da saturação televisiva, fingindo consenso e voz própria.

A bem da verdade, acima do poder decisório dos cardeais, a escolha de cada novo autocrata, com poderes absolutos e ilimitados, assim como a política a ser exercida desde a sede da Santa Sé, é decisão privativa, saída de acordos secretos entre as potências imperialistas.

Fiel em cada época

A Igreja católica é a única a possuir um Estado — que é membro da Organização das Nações Unidas. Por suas mãos extremamente privilegiadas e zelosas passam todas as "políticas sociais" a serem adotadas pela ONU.

A Santa Sé ainda existe porque consegue servir aos planos dos grupos poderosos do momento. O santo pontífice e todos os seus bispos (como os generais, magistrados, detentores de cargos eletivos etc., etc., bons ou maus), são tão assalariados do capitalismo quanto o guarda-noturno, com ou sem vínculo empregatício — como lembram os clássicos.

O cristianismo foi sancionado como religião de Estado 250 anos depois de seu nascimento. O concílio ecumênico de Nicéia (no noroeste da Turquia atual), em 325, adotou o cristianismo como religião oficial do Estado, contra a vontade do 33º papa, Silvestre I (que não compareceu ao concílio), mas teve que se submeter às ordens de Constantino, imperador romano, onde foi repelida a doutrina herética de Arius. Em Nicéia também se incorporou sistematicamente as novas bases da organização e da tática da Igreja.

A religião de Estado novamente se transformou na Idade Média, seguindo o desenvolvimento do feudalismo, correspondente a esse modo de produção. Essa mesma Idade Média na Europa tinha anexado todas as outras formas de ideologia (filosofia, política, jurisprudência) e as submetido como meras subdivisões da teologia. Igualmente, todos os movimentos sociais e políticos adquiriram forma teológica, inclusive os interesses das massas eram forçados a se apresentar sob a máscara da religião — explica Engels em Ludwing Feuerbach e o fim da ideologia clássica alemã, 1886.

Em 1815, ao se estabelecer a Santa-Aliança, em Paris, após a vitória sobre Napoleão, quase todos os estados europeus aderiram a ela. Mas quando propuseram ao 249º papa, Pio VII (pontificado de 1800 a 1823), Luigi Barnabà Chiaramonti, que a Igreja se tornasse a armadura dos estados europeus, ele foi coerente e radicalmente contra, alegando ser outro o papel da Igreja.

De fato, a aliança entre estados é temporal — não clerical e não religiosa —, cujo laço é a diplomacia, enquanto que interessa à Igreja que o laço entre os povos se estabeleça sob a "forma cristã universal", e infalível, principalmente. Ao não se impor a idéia da Igreja universal e eterna, ela se desmorona. Destrói-se um Estado, cria-se outro. Mas o que será do sistema de exploração sem a Igreja? Que instituição poderá assegurar a fé na doutrina que consola os escravos (ao invés de animá-los a lutar contra a escravidão), proporcionar total segurança ao uso que se faz dos sentimentos do povo, mediante a representação da religião, para fazer progredir as relações de exploração no mundo?

Como em Nicéia, considerada boa ou má a argumentação do santo pontífice, fez-se o que as classes dominantes exigiram, uma vez que a Igreja é um instrumento do Poder. Porém, não de um poder transitório, regional, mas instrumento de poder das classes que dirigem esse Poder no mundo em que o clero, faz tempo, deixou de ser classe social. Pio VII, a burguesia haveria de reconhecer, tinha descortinado a única maneira possível de "separação" entre a Igreja e o Estado, como forma de todos se submeterem ao catolicismo (vocação de universalidade) de Roma e ao Estado "protetor".

Apontam e disparam

Passados dois meses do falecimento de Wojtyla, não cessam as edições especiais, impressas ou televisivas, elogiosamente biográficas ou tendenciosamente proféticas, repletas de notícias que sugerem atualizar as "análises de conjuntura" sobre o Vaticano.

Quando Joseph Ratzinger — ex-militante das juventudes hitlerianas, filho de um oficial de justiça de Hitler — surgiu substituindo Wojtyla, só então boa parte dos cristãos progressistas se deram conta do significado das ofensivas da tal ordem universal. Muitos foram tomados de pavor. Outros tentam consolar inutilmente os primeiros que se perguntam: "Mas se, jovem, era tão ingênuo e nada sabia acerca do fascismo, por que se tornou depois um prefeito do Opus Dei, por que se meteu a dirigir a A Congregação para a Doutrina da Fé (antiga Inquisição), condenando mais de 130 religiosos? Por que é tão temido na cúria?"

Óbvio que algumas (poucas) publicações deixaram transparecer preocupações com o crescente poder dos ultra-reacionários na Igreja e as consequências funestas que se avizinham. Todavia, descrevem os acontecimentos como se João Paulo II e o atual Bento, nada mais representassem do que pura e simplesmente a ascensão da direita em relação aos antecessores, principalmente os "bonzinhos" João XXIII, Paulo VI etc.

Resulta que essa crítica "alternativa" nada mais faz que o trabalho dos teólogos porque oculta o verdadeiro papel do Vaticano, como da ordem que o sustenta, o protege, que confia a ele inúmeras das mais criminosas tarefas. A abordagem estilo "terceira via", sobretudo, é a que separa o Vaticano da história da luta de classes, da base econômica da sociedade, da superestrutura correspondente aos modos de produção que deram vida à Igreja, em toda a sua complexidade. De que outra forma encontramos a Igreja feudal, a do tipo burguês (protestantismo) e a atual que congrega todos os sacerdotes da contra-revolução — entre os ideólogos e executivos (civis ou militares), militantes das diferentes áreas da contra-insurgência — em meio ao mais degenerado e putrefato momento do imperialismo?

De 1846 até o momento, a política do Vaticano continua sendo a expressão fervorosa dessa fase suprema e última do capitalismo, notadamente da sua força hegemônica, já insana, fundamentalista. O imperialismo necessita, como nunca, divinizar o regime de rapina no mundo, reforçar a secular estratégia de desarmamento ideológico do povo sem faltar, óbvio, o essencial trucidamento físico e material (não apenas a perseguição, o aprisionamento, a tortura e o assassínio), na proporção geométrica da guerra total contra os povos.

Tal como seu antecessor e mentor Wojtyla — que desempenhou preponderante papel ao final da Guerra Fria, com inestimáveis serviços prestados ao capital —, Ratzinger é o quadro contra-revolucionário em cuja formação acresce também maior conformidade para operar as disputas inter-imperialistas que começam a tomar corpo no mundo.

Seguem algumas, entre as incontáveis, diabruras dos papas — desde a Primeira Grande Onda Revolucionária do Proletariado (1848 – 1976) aos dias de hoje, não sendo objeto deste artigo discutir religião, nem mesmo preocupar-se em responder se um único desses pontífices acreditava ou não no Divino.

Giovanni Maria Mastai Ferreti

Consideram seus biógrafos que ele foi eleito pelo setor mais progressista da hierarquia eclesiástica. A encíclica Noscitis et nobiscum surge em 1849, um ano depois da Liga dos Comunistas ter lançado o Manifesto do Partido Comunista, redigido por Marx e Engels. Mas a tentativa de afrontar o brado de Proletários de todos os países, univos foi respondida por outras revoluções proletárias, ainda no pontificado de Ferreti: as de 1848/9 ("início da guerra declarada do Capital contra o Trabalho"como recorda Lênin); a expulsão de Ferreti de Roma, após o assassinato do ministro Rossi (15 de novembro de 1848) — apesar da sua recondução ao posto pelas tropas francesas —; a perda dos estados pontifícios na campanha pela unificação italiana (tomada de Roma, 20 de setembro de 1870); a Comuna de Paris, 1871 e outros acontecimentos revolucionários.

Thiers havia proclamado na Comissão de Instrução Primária: "Quero fazer com que a influência do clero seja todo-poderosa, pois conto com ele para propagar essa boa filosofia que ensina ao homem que ele está aqui para sofrer, e não essa outra que, pelo contrário, diz a esse mesmo homem: ‘Divirta-se’ — conta Paul Lafargue em O Direito à Preguiça, 1849.

Depois de 1870 surge a "Luta pela Cultura" (Kulturkampf), uma desastrosa intervenção contra o clericalismo e o partido católico alemão, liderada pelo chanceler protestante Otto von Bismark. Ferreti consagrou o dogma da Imaculada Conceição (Maria concebe sem o auxílio do "pecado original", 8 de dezembro de 1854) — além da profunda antipatia que a hierarquia católica nutre pelas mulheres, especialmente pelo matrimônio em bases igualitárias — o que já havia antecipado na encíclica de 1847, Ubi primum ("Onde primeiro"), proclamação papal da Imaculada Conceição Beatíssima Virgem Maria.

Na encíclica Quanta Cura ("Quantos cuidados"), exatamente dez anos depois, e no Siilabus ("Sílabo dos erros", anexado à encíclica Quanta Cura), Pio IX condenou as liberdades de culto, de opinião e de imprensa, afirmando que a liberdade de pensamento somente existe como "liberdade de perdição". Ao quinto aniversário dessa encíclica, 1869, convocou o Concílio do Vaticano I, proclamando a "infabilidade papal" e o primado do papa sobre toda a Igreja, pastores e fiéis.

Pio IX confinou judeus no gueto de Roma, proibiu que se testemunhasse na justiça contra cristãos ricos, determinou prisões, torturas, assassinatos — inclusive na guilhotina como as execuções realizadas na Piazza deI Popolo. O anti-semitismo, próprio do catolicismo oficial, assim como o corporativismo, ganha um novo status sob o pontificado de Pio IX. Durante o sepultamento de Ferreti, um motim popular é reprimido no momento em que as massas tentavam lançar seu corpo no rio Tibre.

Vicenzo Gioachino Pecci

Leão XIII promulgou uma encíclica, em 1888, destinada à hierarquia católica brasileira, que exigia o fim da escravatura africana no Brasil, e uma outra, sobre o mesmo tema, dirigida a todos os bispos. Depois, conciliou-se com a Igreja protestante alemã, pondo fim ao Kulturkampf e expediu várias encíclicas sobre as "novas questões sociais".

Em 4 de abril de 1901, nas Filipinas, os ianques armaram uma cilada e assassinaram o herói nacional Emílio Aguinaldo. Eles se apossaram da produção agrícola, mas não tocaram nos latifúndios da nobreza e do clero católico. Da Igreja, os ianques compraram vastas áreas de terra, entregando parte delas aos trustes do USA e, outra parte, aos ricos nativos em sociedade. O papa Leão XIII recebeu dos ianques US$ 7 milhões pelas terras do Vaticano, além do povo filipino agora escravizado e uma aristocracia servil devidamente educada pela Igreja. Pecci "ignorou" solenemente uma a uma as atrocidades cometidas pelo USA naquele país, durante todo o seu episcopado. Em troca, reconheceu que os ianques haviam livrado as Filipinas de uma autêntica revolução agrária. Vinte anos depois de covardemente esmagada a Comuna de Paris, Leão XIII concebe a encíclica De conditione opficium, ou "Das coisas novas", mais conhecida como Rerum Novarum (15 de maio de 1891). Ela se opõe à insurgência dos explorados e oprimidos e calunia o socialismo científico, enquanto se arvora em interpretar "os direitos e deveres que devem, ao mesmo tempo, reger a riqueza e o proletariado, o capital e o trabalho".

Encomendada pela burguesia, também essa encíclica reitera a teologia da exploração do trabalho e surge como uma entre tantas "contribuições à reorganização do Estado" na fase inicial do imperialismo. Em Rerum Novarum, a quem oficialmente lhe atribuem autoria, Pecci meteu-se a expedir um mandado com o qual a burguesia e seus lacaios, até hoje, insistem em proscrever a teoria e a prática do proletariado revolucionário e a "proclamar" inutilmente o fim da revolução proletária, sempre que ela sofre uma derrota significativa. Atribui-se a Ferreti, e não a Pecci, os fundamentos ou o esboço da Rerum Novarum. Alguns dizem ser outros os autores.

Todavia, o objetivo principal da burguesia que ingressava na nascente etapa do capitalismo monopolista e do imperialismo, na doutrina supostamente elaborada por Pecci, era o de lançar os fundamentos modernos da política contra-revolucionária — em parte, a doutrina é assimilada, três décadas depois, pelo Estado contra-revolucionário moderno —, por uma única e superior razão: os grandes patrões monopolistas haviam entendido que definitivamente passara a época das "desordens operárias" com suas greves e levantes, mas chegara a etapa das revoluções proletárias que anunciavam sua iminente tomada do Poder.

A partir do pontificado de Pecci, cada papa, obrigatoriamente, lança uma encíclica em comemoração à Rerum Novarum, como uma carta de fidelidade à fase imperialista do capitalismo.

Giuseppe Melchior Sarto

Em Motupropio (18 de dezembro de 1903) Pio X fez recordar os "princípios cristãos sobre a propriedade, a familia e a sociedade"; desenvolveu o culto da Eucaristia (comunhão frequente, 1905); desfez-se a concórdia com a França (1905); reformou a liturgia e a música sacra (1906); condenou o modernismo (1907) e os "excessos da emancipação econômica e intelectual" (1910), exigiu a comunhão das crianças (a partir dos 7 anos) e a adoção de nomes cristãos (1910). Na encíclica Singularí quadan encorajou a expansão dos sindicatos confessionais, perseguindo os que não fossem exclusivamente católicos. Aliou-se à Action Française, organização nacionalista de direita, monarquista, anti-semita, que teve início no século XIX. Embora condenada no segundo pontificado depois de Pio X, em 1926, continuou a influenciar o governo como mais tarde o de Vichy, pró-nazista e trotskysta, durante a Segunda Guerra. Pio X criou uma polícia secreta conhecida como Sodalitium Pianum (Liga de S. Pio V) na Igreja e implantou o terror na própria hierarquia eclesiástica.

Giacomo DelIa Chiesa

Bento XV pronunciou-se contra a violação dos "direitos humanos" durante a primeira guerra. Mas, intermediário para as potências em conflito, foi sumariamente excluído por decisão das partes após a decretação do armistício. Em Ad beatissimi (encíclica de 1914), invoca a obediência à hierarquia e na de 1920, Pacem Dei, pede a reconciliação dos povos. No mesmo ano canoniza Joana d’Arc para restabelecer relações diplomáticas com a França. Ainda em 1917, o clero monta o logro conhecido como episódio dos Segredos de Fátima, em Portugal, visando aliciar parte do movimento operário que crescia e ameaçava a burguesia na Europa. Mais tarde, Bento XV promove encontros secretos entre Mussolini e o cardeal Gaspari, o que resultaria no Tratado de Latrão. Abençoa o Partito Popolare, do socialismo clerical e latifundiário de Don Luigi Sturzo. Bento XV, que havia se destacado como o braço direito de Sarto na repressão ao "modernismo", exigiu que se demandassem esforços para a imediata criação de um clero nativo nos países colonizados como aprimoramento da administração da Igreja.

AchiIIi Ratti

No seu pontificado, Pio Xl exigiu um juramento contra o "modernismo", que incluiu o reconhecimento da "existência de Deus conhecida e comprovada pela razão natural, que milagres e profecias são sinais seguros da revelação, que a Igreja como instituição foi fundada por Jesus Cristo" etc. Primeira encíclica, dezembro de 1923, Ubi arcano Dei consilio ("Onde está o plano oculto de Deus"); Quadragesímo Anno (1931), em comemoração aos 40 anos da Rerum Novarum; organizou a participação dos leigos no apostolado da hierarquia (a Ação Católica); fez subir o número de sacerdotes ordenando padres nativos nas colônias e semicolônias das potências imperialistas de quase três para sete mil sacerdotes.

Foi Ratti quem firmou os acordos políticos no Palácio de Latrão (11 de fevereiro de 1929), pelos quais o "Estado-Cidade do Vaticano", entidade política que governa o território onde se localiza a Santa Sé, foi declarado estado "soberano, neutro e inviolável", com privilégio de extraterritorialidade. Isso inclui palácios, jardins, a vila papal, basílica de São Pedro, museu, biblioteca, rádio e centro de televisão, correio, jornal, estação rodoviária, observatório, diversos escritórios, em todo o grande quarteirão fincado na zona oeste de Roma — que em boa hora havia se tornado o ultimo território pontifício sobrevivente permitido pela unificação italiana concluída em 1870 —, além de prédios fora dos limites da Santa Sé e mais um investimento financeiro de 1,75 bilhão de liras, cínica "indenização" paga ao papado pelas suas perdas durante a unificação italiana.

Na realidade, o Tratado de Latrão não se limitou a uma aliança de Benito Mussolini e Achille Ratti — Pio XI ("na época o povo os amava" , insistem os biógrafos da Igreja). Foi uma concordata firmada pelas superpotências capitalistas no momento mais dinâmico dos acordos pela partilha do mundo, até o deflagrar da Segunda Guerra Mundial, o que fez do Vaticano parte destacada da sofisticada máquina de repressão ideológica, do aparato de espionagem, de transferências e investimentos financeiros secretos etc., etc.

A Santa Sé tornou ilimitados os seus direitos de receber fabulosas quantias em "donativos", fazer transações diretas e indiretas, afora as contribuições permanentes em que o USA e a Alemanha (desta, houve uma breve interrupção nos instantes finais do III Reich) sagraram-se como os maiores doadores, apesar de suas preferências pelo protestantismo. As reservas do Banco do Vaticano (mais conhecido sob a pudica denominação de Instituto para Obras Religiosas) chegaram a alcançar a soma de 11 bilhões de dólares em 1986, além de garantida sua participação em inúmeros bancos, propriedades imobiliárias etc., em todo o mundo capitalista.

A partir de Latrão (nunca revogado, mas ratificado em 1945, com apenas alguns termos alterados 40 anos mais tarde) foram anuladas todas as leis anti-clericais — na Itália e nos países sob forte influência do catolicismo. Ganharam ainda mais liberdade os tentáculos do imperialismo, dos criminosos de guerra do mundo inteiro, e foram asseguradas a continuidade e a sofisticação do fascismo, mesmo após a "reestruturação democrática" da Europa, cessada a guerra.

Pio XI instalou a Rádio do Vaticano (1931) e, no mesmo ano, dissolveu, com Mussolini, a Juventude Católica da Itália, transferindo sua militância para o Partito Nacionale Fascista. O Partito Populare (abertamente latifundiário, inspirado no corporativismo católico e na forma ideológica do "socialismo cristão e feudal") também havia cedido todos os direitos para o partido de Mussolini, colocando em prática a capacidade de aquiescência, "sacrifício", "renúncia" e extremo zelo do Vaticano em servir ao imperialismo.

Experiência idêntica ocorre na Alemanha, durante o seu pontificado. Em 1929, Ratti estabeleceu outros acordos com mais 20 Estados e, em 1933, com Hitler e seu Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (sigla adotada depois de 1º de abril de 1920), enquanto abafava a oposição interna na hierarquia clerical, denunciando-a ao nazismo e, em 1938, aos fascistas italianos. Pio Xl também apoiou Franco e a intervenção nazista na Espanha.

O episódio dos partidos clericais doados às frações mais reacionárias da burguesia, assim como a presença discreta da Igreja no aparato de Estado, revela as intenções da hierarquia clerical em não expor a Igreja como instrumento das classes exploradoras, seus negócios particulares e os inconfundíveis rastros de corrupção do clericalismo.

Eugenio Pacelli

Seu pontificado percorreu toda a Segunda Guerra. Lançou as bases da "renovação" que ocorreria no Concílio do Vaticano II (1962 – 1965). Ainda cardeal e secretário de Estado, tornou-se responsável pelas concordatas com a Áustria e a Alemanha nacional-socialista, em 1933. Enquanto a corrente nazista do imperialismo estava na ofensiva, Pacelli cumpria a função diplomática das manobras da coalisão, como "promotor da paz", sem jamais denunciar os agressores dos povos. Em junho de 1940 a Itália entrou na guerra e, em agosto, Pio XII fez um apelo radiofônico em nome da paz, invocando um acordo internacional que conferiu a Roma o status de Cidade Aberta que no entanto não abrigava os partigiani, comunistas e quem mais fosse desprovido de salvo-conduto passado pelas potências imperialistas.

Pacelli, embora não representasse qualquer organização aliada, na Conferência de Casablanca, janeiro de 1943 (desse encontro não participou o Marechalíssimo Stálin), opôs-se ostensivamente à rendição incondicional do nazi-fascismo, condição já estabelecida pelos aliados. Em 1944 e 1946, Pio XII, resolutamente, absolveu o III Reich de qualquer responsabilidade pelas atrocidades nazistas, alegando que o Poder do proletariado era o "pior inimigo".

Com Mystici Corporis Chrísti ("Do corpo místico de Cristo"), 20 de junho de 1943, Pacelli reafirmou a estrutura hierárquica institucional da Igreja e insistiu na sua dimensão interior e carismática. Em Divino Afflante Spírítu("Inspirados pelo espírito divino"), 1941, comemora o quinquagésimo aniversário da Rerum Novarum. Sua encíclica Mediator Dei ("Mediador de Deus"), 20 de novembro de 1947, reforçou a política de aliciamento de pessoas sob a influência do catolicismo para a condição de leigos, estabelecendo, para tanto, bases pastorais e teológicas. Reativou o Santo Ofício, promovendo perseguições aos teólogos, ainda que não os levasse à fogueira. Na encíclica Humani generis ("Do gênero humano"), 12 de agosto de 1950, condenou tentativas para se estabelecer uma nova teologia e instituiu que, em assuntos controvertidos, o papa tinha a palavra final.

Em Munificientissimus Deus, novembro de 1950, definiu o dogma da assunção corporal de Maria ao céu (aprofundando as raízes da escravização das mulheres pela religião) e proferindo coisas como ser Maria "a principal proteção contra o comunismo ateu". Proclamou o incentivo à devoção de Nossa Senhora de Fátima, como contribuição à ditadura salazarista, instituiu a criação de um imenso contingente de cardeais originários de vários países do mundo (1946 e 1953); estabeleceu uma encíclica como orientação reacionária destinada aos novos meios de comunicação de massas (especialmente ao rádio, cinejornais e à televisão), a Miranda prorsus ("Para provocar grande admiração"), em 1957.

Angelo Giuseppe Roncalli

João XXIII foi nomeado para várias funções por Ratti. Roncalli reabilitou bispos que apoiaram o nazismo durante a ocupação da França. Adotou o nome João XXIII de um antipapa, buscando apagar o episódio do Grande Cisma do século XV. Nomeou bispos que atuavam na clandestinidade nos países socialistas. Em Mater et Magistra, 15 de maio de 1961, por ocasião das comemorações do septuagésimo aniversário da Rerum Novarum, "atualizou a doutrina católica sobre a propriedade, os direitos dos operários e as obrigações do governo". Pacem in terris, de 11 de abril de 1963, é a segunda mais destacada encíclica de Roncalli.

Ao acentuar-se as contradições entre as nações oprimidas e semicolonizadas com o imperialismo, ao chegar às últimas consequências a exploração do homem pelo homem, a hierarquia clerical busca desesperadamente um verniz progressista para não perder o rebanho.

Poderoso instrumento político — que exerce destacado papel no arsenal ideológico, político e organizativo do imperialismo, esforçando-se para tornar estável a sua administração, principalmente através da Igreja católica —, o clericalismo contemporâneo se transforma em ponto de encontro de teorias revisionistas e da reação, enquanto que as primeiras vão se constituir nas mais danosas teorias contra-revolucionárias. A corrente do clericalismo exerce a intriga, a chantagem, a espionagem nos movimentos populares e democráticos. Apresenta-se como mediadora entre a revolução e o Estado opressor. Luta obstinadamente para "exercer o monitoramento" dos movimentos por liberdades democráticas. Infiltra-se nas organizações revolucionárias e nas suas forças em armas e, tal como os generais mais covardes, não vacila em negociar a vida de seus oficiais e soldados.

Assim, com João XXIII, o clericalismo inaugura uma nova ofensiva da "Igreja social". Investe em organizações confessionais ramificadas, funda "organizações de jovens" e partidos de "trabalhadores", controla a parte social da políticas públicas dos governos nacionais e locais etc.

As encíclicas — que significam princípio, circulares do bispo de Roma a toda Igreja, cujos temas podem ser morais, doutrinais, pastorais ou disciplinares — eram, até 1963, dirigidas apenas aos bispos e outras autoridades eclesiásticas. Com Pacem in terris, de João XXIII, elas passaram a ser abertas a todos os "cristãos não-católicos", e às "pessoas de boa vontade" em geral, pela sua disposição de inculcar o anticomunismo entre a juventude estudantil, entre a intelectualidade e principalmente entre os trabalhadores da frente produtiva.

Nessas condições, o pontificado de Roncalli é marcado pela convergência do clero com o revisionismo no poder — que coincide com o início do retorno ao capitalismo na URSS, tendo à frente da burguesia burocrática o traidor Nikita Kruschov (cuja administração, iniciada em 1953, termina com um golpe de Estado, em 15 de outubro de 1965, quando se encontrava de férias no Cáucaso). Em 7 de março de 1962, João XXIII recebeu a visita da filha e do genro do primeiro-ministro Kruschov, já como "sinais de reconciliação definitiva", sintomática revelação da pugna e conluio entre o social-imperialismo russo e o imperialismo sob a hegemonia do USA. O apelo do papa, em 25 de outubro do mesmo ano, em que exortava prudência na chamada "crise dos mísseis" — considerou a imprensa imperialista —, permitiu que o primeiro ministro "soviético" atenuasse sua perda de prestígio. Em troca, ainda em 1962, João XXIII recebeu o Prêmio da Paz na URSS.

A imagem do "mais progressista papa da Igreja católica", na pessoa de João XXIII não passou de uma farsa sustentada tanto pelo imperialismo liderado pelo USA quanto o foi pelo social-imperialismo russo e todo o revisionismo moderno, dentro e fora do poder. Nessa época, proliferam conceitos revisionistas que promoveram teologias e pastorais à condição de "progressistas", servindo para esvaziar a caracterização precisa do fascismo, como de resto outras formulações científicas que o social-imperialismo russo entendeu de abolir dos dicionários políticos por ele editados, até o seu desmoronamento completo em 1991. Roncalli, sem se afastar de seu reconhecido tradicionalismo, administrou admiravelmente as contradições entre a Igreja e o povo, afirmando que a hierarquia eclesiástica "deveria adaptar-se às exigências da época".

Giovanni Batista Montini

Em 1966 recebe o Ministro do Exterior, Gromiko, e o presidente da URSS, Pogorny (1967), novamente Gromyko em 1970. Empreende sistematicamente viagens pelo mundo. Seu modelo de papa não seria João XXIII, mas Pio XII, com quem tinha mais afinidades. Deu prosseguimento ao Concilio. Suas encíclicas foram heterogênas, tanto quanto os disfarces utilizados, no período, pelo imperialismo e o social-imperialismo em nome da paz.

Com Popularum progressio ("Sobre o progresso dos povos"), 26 de março de 1967, deplorava a existência de "nações ricas e pobres", para se opor ao conceito científico de nações exploradas. O novo nome da paz, disse Paulo VI, "é o desenvolvimento", uma extensão mundial da "política desenvolvimentista", já adotada pelos ianques na América Latina. Em Humanae Vitae, de julho de 1968, condenou o uso de preservativos, por não serem naturais, quando a Igreja adotara o controle da natalidade por uma Comissão Papal. Além do mais, o Vaticano tinha interesses em laboratórios transnacionais. Data também dessa época a Teologia da Libertação , do Encontro de Puebla.

Aborrecido com os protestos do USA e de países na Europa, outra vez saídos do próprio clero, acerca de sua oposição aos preservativos, Paulo VI jurou nunca mais publicar uma encíclica. Publicou, valendo-se de outras denominações e, com a assiduidade dos antecessores, presenteou a reação internacional com a Octagesima adveniens — "Chamado à ação", nos 80 anos da Rerum novarum, 1971, e Evangeli nuntiandi, "A evangelização do mundo contemporâneo", 1975 — quando tem início a política de Direitos Humanos do imperialismo ianque, ao iniciar-se sua quinta estratégia de dominação mundial.

Tanto o pontificado de Roncalli quanto o de Montini são marcados por forte reação imperialista e social-imperialista no mundo. Sucedem-se golpes de Estado em todo o mundo, particularmente na América Latina.

Albino Luciani

João Paulo I, papa por apenas 33 dias, na quarta votação no conclave recebeu 90 votos, Lorscheider apenas um (do próprio Luciani) e 20 votos em branco do mais retrógrado, o cardeal Siri. Se é quase certo que tenha sido assassinado, as condições em que seu corpo foi encontrado é um tão flagrante desmentido às versões oficiais do Vaticano, que nenhum investigador mais honesto concluiria seu trabalho sem exigir que recolhessem os depoentes imediatamente à cadeia. {mospagebreak}

Karol Joseph Wojtyla

João Paulo II cumpriu brilhantemente o papel de papa ultra reacionário. Considerada sua mais humana encíclica, a Centesimus Annus comemora 110 anos da Rerum Novarum, 35 anos de retorno ao capitalismo na Rússia, 15 anos de restauração do capitalismo na China e a implantação de governos fascistas nesses dois países. O mesmo ocorre na sua versão sobre o papel da família, um preceito moral que reafirma o propósito de substituir o valor de uso que lhe dão (sustentado pela Igreja feudal) pelo de troca no direito burguês e levado às últimas consequências na fase imperialista. Esperto, Karol tece críticas aos hábitos morais que os povos condenam, mas silencia ante a inusitada e estrondosa promoção desses mesmos hábitos da qual a burguesia decadente é devota fervorosa.

Em 1982, personalidades do alto clero tinham se envolvido na falência fraudulenta do Banco Ambrosiano. Somente em 1987 a justiça da Itália ordena a prisão do cardeal Paul Marcinkus, secretário do Estado do Vaticano e diretor do Instituto de Obras Religiosas, instituição financeira que era a principal acionista do Banco Ambrosiano. Baseando-se na concordata, em que a Itália não tem jurisdição sobre o Vaticano, a Suprema Corte Italiana... absolve Marcinkus. Seis anos antes, Mehmet Ali Agca, turco, comete um atentado contra Karol, na Praça São Pedro. Pela irrefutável tentativa de assassinato, merecidamente Ali Agca deveria ser condenado, o que aconteceu. Pena: prisão perpétua, pouco importando, daquela vez, o fato da Suprema Corte julgar e condenar um crime que aconteceu no Estado do Vaticano.

Karol, de forma insolente, promove as beatificações dos criminosos Pio IX e do fundador do Opus Dei, José Maria Escrivá Balaguer. Em 1993, o Vaticano enfrenta um défict de US$ 91,7 milhões, cuja Prefeitura de Assuntos Econômicos enfrenta comercializando a imagem do Papa. A encíclica Evangelium Vitae,1995, condena veementemente o a eutanásia, mas se "esquece" de sustentar críticas à forma com que sentenciam prisioneiros à pena de morte, particularmente, de criticar a Corte tradicionalmente assassina do USA.

Michel Candessus, por treze anos um impiedoso diretor do FMI — no período o FMI submete aos povos a desnacionalização das economias agravando a exploração e a miséria dos países sob a tutela do imperialismo —, é nomeado por Karol para conselheiro da Pontifícia Comissão de Justiça e Paz do Vaticano, em meio à campanha do perdão da dívida externa. O Vaticano não explica porque reconhece a dívida e demagogicamente apenas pede que os financistas renunciem à sua cobrança. Como não o fazem e Deus não foi ouvido, paciência, porque o Vaticano cumpriu com o seu papel. Aliás, nessa época, João Paulo pede perdão a Galileu, aos indígenas da América, aos judeus da Europa etc. Até o clero argentino pede perdão (é fato plenamente conhecido, não podia negar) por ter participado de torturas infringidas aos presos políticos.

Por volta de 2000, o Vaticano retomou a lorota da "descoberta da América", não importando se facilmente refutável, mas pela conveniência de justificar 500 anos de domínio clerical e colonização, além da oportunidade de lançar os fundamentos da "nova evangelização", sob dois aspectos:

1modificações na teologia em vigor em razão das novas necessidades da contra-revolução;

2 a auto-valorização da hierarquia eclesiástica diante do patrão ianque, porque metade da população cristã (e metade da sua paróquia) está na América Latina, consequentemente "a metade do bastão que sustenta o seu poder",como diz o pensamento da revolução peruana.

Por essas razões, a Renovação Carismática Católica RCC — movimento que tem sua origem no USA, atuando fora dos padrões tradicionais do protestantismo e abrange várias seitas com rituais semelhantes aos das igrejas pentecostais — foi eleita pelo Vaticano como doutrina mais adequada para substituir a Teologia de Libertação.

Em dezembro de 1989 a Polônia caía em mãos do imperialismo ianque. Em 45 anos de sucessivos golpes, que se fortaleceram desde 1956, ano em que Gomulka é eleito e liberta o criminoso Stefan Wyszynski, cardeal e chefe da Igreja católica, o revisionismo ganha força na Polônia, sua economia é dirigida de forma a fortalecer a pequena-burguesia e as organizações contrarevolucionárias, esvaziando o modelo de "república democrática". Cedo, greves despontam na Polônia contra o governo revisionista, sem contudo prevalecer as forças autênticas do proletariado.

A Igreja sabota facilmente as conquistas democráticas e o país experimenta profundas crises. Karol "visita" a Polônia sob os aplausos dos fascistas contemporâneos. Ao provocador de nome Lech Walesa atribuem-lhe características de lide-rança, enquanto promovem a organização Solidariedade, no campo e na cidade — uma versão polonesa do PT, também criada para rivalizar com a corrente mais conseqüente que surgisse entre os comunistas —, ao tempo em que facilitam a paralisação do estaleiro Lenin, em 1980.

Novas concessões, em 1983, são feitas à direita e, em 1989, o Vaticano encontra-se "mediando" divergências entre o Solidariedade e o governo, enquanto que, na ex-URSS, o representante da burguesia burocrática, Michail Korbachov, inicia descara-damente o último processo de restauração capitalista. No ano seguinte, a Polônia se entrega ao FMI e imediatamente é arrastada à miséria.

O Solidariedade se transformou em partido político, subdividindo-se em várias legendas, enquanto que o anticomunista Walesa, que chegou à presidência em 1990, ao disputá-la novamente em 2003 já não alcançava 1% dos votos. O clero, então, podia doutrinar, mas os revolucionários proletários, não. A hierarquia clerical alardeia neutralidade, mas aceita monitorar os "movimentos populares" e intermediar desavenças entre os trabalhadores e os exploradores.

Sobre as consequências desses e outros "grandes feitos" da reação na Polônia, onde o santo Wojtyla foi figura destacada, pesa um profundo silêncio.

Durante todo o seu episcopado sequer se deu ao trabalho de acusar o agressor, mas sempre ocultou a agressão ao afirmar que os povos é que são violentos, pregando descaradamente o "desarmamento ideológico". Como um bom papa, como todos os papas, também Wojtyla, que está prestes a ser canonizado, jamais conclamou os cristãos a escorraçar o imperialismo de seus países — pelo simples fato de que se o fizesse a Igreja igualmente seria escorraçada.

Papas 1846 a 2005
Ordem Título Nome pessoal Pontificado
253 Pio IX Giovani Mª Mastai Ferreti 16/06/1846 a 07/02/1878
254 Leão XIII Vicenzo Gioachino Pecci 20/02/1878 a 20/07/1903
255 Pio X Giuseppe Melchior Sarto 04/08/1903 a 20/08/1914
256 Benedito XV Giacomo Della Chiesa 03/09/1914 a 22/01/1922
257 Pio XI Achille Ratti 16/02/1922 a 10/02/1939
258 Pio XII Eugenio Pacelli 02/03/1939 a 09/10/1958
259 Jõao XXIII Angelo Giuseppe Roncalli 28/10/1958 a 03/06/1963
260 Paulo VI Giovanni Batista Montini 21/06/1963 a 06/08/1978
261 João Paulo I Albino Luciani 26/08/1978 a 28/09/1978
262 João Paulo II Karol Wojtyla 16/10/1978 a 02/04/2005
263 Bento XVI Joseph Ratzinger 19/02/2005

Os números à esquerda são uma projeção que corresponde à ordem cronológica de cada pontificado, segundo L. Cristiane, em Ecclesia, obra editada em Paris, 1928.

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