Cida Moreira para todos os tempos

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Ah! Como são maravilhosos esses nossos artistas!

Com uma voz belíssima e uma postura artística impecável, a cantora e pianista paulista, também atriz, Cida Moreira, segue sua carreira cantando um repertório muito pessoal dentro do que há de melhor na canção brasileira, que inclui Chico Buarque, Tom e Vinícius, Joraci Camargo, Custódio Mesquita, Noel Rosa, Villa-Lobos, Adoniram Barbosa, Hekel Tavares e muitos outros. Cida também realiza trabalhos inovadores e não comerciais, que são os discos temáticos e um projeto para fazer um CD contendo somente modinhas imperiais recolhidas por Mário de Andrade, em 1936. Pura pesquisa.

Cida Moreira começou sua carreira no final da década de 70, trabalhando em teatro e musicais. Com um belo repertório que inclui o melhor da música brasileira e mundial, ela sabe trabalhar aquilo que é arte cultural e não apenas musical. O seu primeiro disco, Summertime, em 1981, gravado independentemente e ao vivo, contém clássicos do blues e do jazz, além da versão censurada da música Geni e o Zepelim, de Chico Buarque.

Abolerado Blues, segundo disco, lançado em 1983, veio com músicas como: Surabaya Johnny, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, Deixe-me rapaz, de Renato Teixeira; Arranha-céu, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa; Singapura, de Eduardo Dusek e Não Quero Você Assim, de Paulinho da Viola. O disco seguinte foi Cida Moreira, 1986, com: O Mandarim, de Jussi Campelo; Vocalise, de Arrigo Barnabé; Mais que a lei da gravidade, de Capinan e Paulinho da Viola; De Presente, de Altay Veloso; Maçãs de Vitrine, de Claúdio Rabello e Dalto, entre outras.

Uma das coisas que Cida mais gosta de fazer é o trabalho de pesquisa, sempre presente em seus discos. Um dos mais extraordinários é Cida Interpreta Brecht, 1988, um disco com canções de Brecht e Kurt Weill, como: Moritat (Die Moritat Von Mackie Messer); Alabama-Song; Canção do Vendedor de Vinho (Das Lied Von Branntweinhandler); Benares-Song1; Havana-Lied; Bilbao Song (Das Lied Von Bilbao Song); Jenny dos Piratas ou Sonhos de uma Camareira (Die Seerauber-Jenny); Canção de Salomão (Solamo-Song); e Um Berço Tão Dourado, ambas de Brecht/Weill e Luiz Galizia; Balada do Soldado Morto (Legende Vom Toten Soldaten) e Balada dos Piratas (Ballade Von Den Seeraubern), de Brecht e Kurt Schwaen.

— Continuo a trabalhar Brecht. Em junho participei do lançamento de uma revista sobre teatro na PUC/SP, em que cantei Brecht. Também fiz uma direção musical para um espetáculo do Brecht, aqui, em São Paulo, e em outubro estou indo para Alemanha realizar outros trabalhos ligados a ele. Me coloco, como artista, na posição de uma estudiosa que ama estudar tudo que faz. Até porque a música é de uma generosidade absoluta, e quanto mais se quer conhecê-la, mais maravilhas se conhece. Isso é sem fim — expõe Cida.

— Lamento é que em nosso país, não podemos registrar tudo o que aprendemos, cantando tudo o que descobrimos, realizando todos os projetos, passando conhecimento para as outras pessoas, porque não tem patrocínio. O projeto de um CD contendo somente modinhas imperiais, por exemplo, estou tentando realizar há três anos e ainda não encontrei nenhum tipo de patrocínio, público ou privado — diz.

Cida Moreira Canta Chico Buarque, 1993, traz canções como: Estação Derradeira; Morte e Vida Severina; Morro Dois Irmãos; Bom Tempo; Valsinha, em parceria com Vinícius de Moraes; Choro Bandido, com Edu Lobo; e Soneto (Tatuagem), com Ruy Guerra.

O quinto disco, Na Trilha do Cinema, é uma parada das mais belas e marcantes canções que fizeram parte de filmes nacionais, em homenagem aos 100 anos do cinema brasileiro. Nele estão, entre outras: Perseguição, de Sérgio Ricardo e Glauber Rocha; Minha Desventura, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes; Noites do Sertão, de Milton Nascimento e Tavinho Moura; O Ébrio, de Vicente Celestino; Você Já Foi À Bahia?, de Dorival Caymmi; Mulher Rendeira, baião tradicional de autor desconhecido; Dolores Sierra, de Wilson Batista e Jorge de Castro; Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira; O Que Será-A flor da pele e A Volta do Malandro, ambas de Chico Buarque e Bye Bye Brasil, de Chico com Roberto Menescal.

Uma canção pelo ar...

O último CD de Cida Moreira é Uma canção pelo ar..., 2004 — a continuação de um trabalho que vem fazendo há bastante tempo, de recolher canções muito antigas, modinhas imperiais e acoplando a estas, outras mais contemporâneas.

— Há muito eu vinha fazendo discos temáticos. Tinha feito o do Brecht, do Chico e o do cinema. Uma canção pelo ar ..., apesar de não ter um compositor específico, considero também temático, porque diz respeito a um repertório de canções primeiramente antigas, com excessão de O Tempo é Artista, de 1993. O disco faz parte de um show que tenho de modinhas imperiais — conta Cida. — Escritas por compositores brasileiros, do Rio de Janeiro, ligados à corte de Dom Pedro II, são, na verdade, um primeiro registro da música brasileira. Elas fazem parte de uma facção de música erudita, que eram cantadas na corte para distrair as pessoas de lá, e foram encomendadas por D.Pedro II, porque, até então, eles só se utilizavam de música portuguesa e francesa. Elas são uma espécie de primeiro repertório de músicas compostas por brasileiros. Algumas delas já foram gravadas, mas de maneira esparsa, nunca ninguém fez um disco específico para essas modinhas, como desejo fazer um dia, não como um CD comercial, mas como um histórico, um documentário — acrescenta.

— A idéia de documento eu comecei a trabalhar com as modinhas em show e acoplando a ele outras músicas que eu gostaria de cantar, tecendo inclusive nos gêneros musicais. Os primeiros sambas, os primeiros choros, as primeiras canções, as primeiras toadas, no que deu neste cd Uma Cançao pelo ar.... No disco tem uma toada do João Pernambuco, chamada Estrada do Sertão, que é de 1946. Tem Casinha Pequenina, que é uma das primeiras músicas brasileiras a serem editadas, em 1906. Tem Chuá, Chuá,uma canção popular, transformada em uma canção para teatro no Rio de Janeiro, em 1925 — descreve.

— Tem compositores notáveis da primeira parte do século passado, como: Hekel Tavares, Joraci Camargo, Villa-Lobos, Noel Rosa e Valdir Azevedo, que é o choro em estado mais extraordinário, uma linguaguem importantíssima no Brasil, e que está sendo cada vez mais valorizada, uma maravilha. Mais para o nosso tempo, eu trouxe do Tom Jobim e do Vinícius a primeira parceria que fizeram, para um musical chamado Pobre Menina Rica: Se Todos Fossem Iguais a Você, 1956, que é pré bossa nova. O disco é uma viagem musical que eu termino com a canção do Chico Buarque, O Tempo é Artista — acrescenta Cida.

Cida conta que nesta música Chico faz uma análise que considera maravilhosa sobre o tempo e o artista, falando que o imagina em um anfiteatro onde o tempo é a grande estrela e que vê o tempo obrar a sua arte. Algo em que acredita muito:

— É absolutamente estemporâneo, levando em consideração os tempos em que nós estamos vivendo, e eu não estou falando da crise política, e sim de um Brasil que veio vindo com a ditadura, que não se acerta e não se cumpre, e só se descaracteriza cada vez mais. Um espelho muito forte disto, é o comércio da música hoje, do qual não faço parte, porque não tenho um temperamento que me faça achar que tal coisa possa, de alguma maneira, valer a pena para mim.

E Cida Moreira explica:

— É uma posição política que tenho como artista mesmo, em relação ao fato de ser artista. Tenho um respeito muito grande pelo fato de ser uma artista. Acho que nasci com esse dom e procuro cumpri-lo. Mas acredito que a questão filosófica do ser isso ou ser aquilo, e no meu caso, ser artista, tornou-se hoje algo quase irrelevante, infelizmente. Evidentemente que estou falando de um país onde as pessoas, de repente, resolvem que serão artistas. E é dentro desta irrelevância que coloco a mim e ao meu trabalho, que tem um propósito muito forte, claro e maduro de crença, de fé na arte, de um desejo e um direito de exercer isso. E é o que diz a música do Chico.

O trabalho de Cida nunca foi comercial. Sempre teve um sentido de documento, que faz com que o povo brasileiro conheça a sua música e também a boa música mundial, como o blues e jazz. Pela ligação que Cida fez entre música e teatro, seus discos parecem verdadeiros musicais. Tudo que fez e faz de teatro é ligado à música.

Vida de artista

Maria Aparecida Guimarães Campiolo, a Cida Moreira, nasceu em São Paulo, no dia 12 de novembro de 1951. Começou a estudar música aos cinco anos de idade, quando ganhou um piano alemão de seu pai. Com a mesma idade mudou com a família para a pequena cidade de Paraguaçu, SP, onde viveu até os doze anos.

— Cheguei no final dos anos 50, época em que as rádios do interior eram muito fortes, com programas de auditório de música. Nesses eu comecei a cantar. Tudo o que fazia era ligado à música: estudava piano e cantava em rádio, na igreja e em procissões. Uma vida interiorana, mas muito rica — lembra feliz.

Cida conta que sua vida sempre foi ligada a boa música e que isso lhe ajudou muito. — Eu tive como mãe uma mulher muito culta, com um bom gosto muito grande. Por isso, cresci ouvindo músicas muito boas. Isso para mim é um privilégio. Meu pai, um imigrante italiano, apesar de não ter sido, exatamente, um homem culto, sempre respeitou o gosto pela música. Tanto que mandou buscar da Europa um piano para mim. Posso dizer que tive um respaldo muito delicado que me fez ir para frente.

Aos doze anos a família mudou novamente, desta vez para Londrina, Paraná. Lá, onde morou até os dezoito anos de idade, Cida Moreira passou a ter o estudo formal da música, entrando em um conservatório para estudar piano, voltando-se para a música erudita, e se tornando pianista de coral, onde também cantava:

— Esses meu anos em Londrina foram fundamentais no desenvolvimento estético, no conhecimento da música, de história da música, de música erudita e tudo mais — constata.

Londrina foi onde Cida teve os primeiros contatos com o teatro, começando a fazer teatro amador. Com dezoito anos voltou para São Paulo, a fim de fazer cursinho pré-vestibular, e para espanto de muitos escolheu cursar psicologia:

— Sou psicóloga formada, com mestrado. Trabalhei como psicóloga de 1978, quando me formei, até 1983, com consultório e lista de pacientes. Curioso é dizer que quando vim fazer cursinho preparatório para a universidade, não trouxe o meu piano. Entrei na faculdade e passei três anos aqui em São Paulo fazendo o curso sem tocar. Tocava somente quando ia visitar a família em Londrina. Não abandonei o piano, mas deixei de lado — conta Cida Moreira, que continua:

— Mas em 1977, no último ano na universidade, recebi um convite para fazer teatro aqui em São Paulo, e na sequência disso, um convite para fazermos um espetáculo das canções do Brecht e Weill. Naquela ocasião, eu tinha ido para a Europa e trazido partituras, discos de Brecht e Weill, algo que muitas pessoas quase não conheciam por aqui. Então mandei buscar o meu piano e retomei a minha vida musical de uma outra forma, passando a tocar de uma maneira nova. E a arte teve mais peso nas escolhas decididas de Cida:

— Montamos esse espetáculo e eu comecei a viver do meu trabalho de música e de psicóloga. Mas em 1981, quando gravei meu primeiro disco, decidi abandonar a Psicologia, porque para continuar na profissão precisaria me dedicar a um estudo maior, e com a vida que eu estava levando com música e teatro, não daria conta. Então fiz uma escolha, da qual não me arrependo. Na verdade, não era nada a mais do que voltar ao meu trajeto inicial. Voltei ao que eu era aos cinco anos de idade e tornei isso minha profissão.

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Sobreviver da música

Apesar de não se arrepender da escolha, Cida diz que é difícil e inglório viver da música no Brasil. Ela até se considera uma privilegiada por conseguir trabalhar muito, quando sabe que muitos companheiros de profissão, com muito talento, passam por dificuldades financeiras sérias, sem dispor de qualquer espaço para apresentar a sua arte.

— É uma escolha, um privilégio, mas às vezes fico pensando que determinados artistas, que fazem um trabalho maravilhoso, se vivessem em um outro país, e tivessem feito a metade do que fizeram no Brasil, estariam respeitados e milionários — comenta.

— Isso é um problema cultural. Vejo que a ditadura criou um abismo na vida do Brasil, no desenvolvimento geral do país, dificultando muito a vida cultural. Houve um corte em algo que estava acontecendo e neste muita coisa se perdeu irremediavelmente. Ela teve esse papel de ruptora, além do seu papel em si, e seus efeitos aparecem até hoje. Acho que culturalmente o Brasil perdeu muito. A impressão que tenho é que afetou um determinado mundo do sonho das pessoas, da linguagem mais simbólica, com a decadência imensa do ensino, e consequentemente da cultura, da formação.

Cida concorda que no período da ditadura houve uma grande invasão do estrangeiro na cultura brasileira e em praticamente todos os setores da vida do brasileiro, mas acha que esta invasão continua, e não está restrita somente ao Brasil, mas a grande parte dos países do mundo:

— Intromissão do imperialismo é mundial. Estive na Itália, recentemente, conversando com um jornalista da Calábria que me contou sobre a decadência social e cultural por lá, quando a música italiana de hoje está muito ruim. A descaracterização, desculturalização é geral. Continua a intérprete:

— É um deserto que estamos atravessando e são vários os motivos, inclusive motivos atualizados e em movimento, que levaram e levam o país a esse deserto. Acredito, por exemplo, que uma coisa que faltou acontecer na época da ditatura, e ainda hoje, foi o fato de muitos brasileiros 'fincarem o pé', 'resistirem', e isso ajudou em muito a invasão imperialista. Inclusive, ainda temos muitos rescaldos das figuras da ditadura na nossa vida política, e os novos que apareceram e estão aparecendo, continuam brincando com a nossa vida.

E em meio a esse deserto, segundo Cida, o Sindicato dos Músicos de São Paulo não faz nada em favor de cantores e compositores da música cultural brasileira.

— O presidente do sindicato, Sr. Wilson Sândoli, está no poder há 35 anos, e foi colocado pela ditadura. Quando tem eleição, ele é o único candidato. Isso é de tal modo constituído que ninguém consegue tirá-lo de lá. E além de ser presidente do Sindicato dos Músicos de São Paulo, é também presidente da Ordem dos Músicos do Brasil, sem fazer nada em benefício dos músicos. Até agora ninguém conseguiu mexer nessa estrutura que está grudada — declara.

Preferência brasileira

Cida conta que poucas rádios têm a política de tocar música popular brasileira autêntica. A maioria toca o que está dentro de um pacote que lhe é enviado pelas grandes gravadoras de capital estrangeiro.

De fato, há uma proliferação de sambão jóia, sambão bobo-alegre, lambada, sertanejo de chapéu texano etc, etc. que, despudoradamente, se apresentam como "opção" ao ritmo brasileiro — com o propósito de veicular doutrinas decadentes, plenas de conformismo, de valores comezinhos, de grosserias, pornografias etc. Ao lado, jingles em idioma nativo aproximado ou, ocupando quase todo o espaço, os made in USA — sem qualquer valor musical ou cultural. Cida revela se sentir constrangida quando vê o que o monopólio dos meios de comunicação faz com o povo, fazendo-se passar por algo que o brasileiro realmente goste, "músicas" que ainda por cima aparecem nos primeiros lugares das tais paradas de sucessos.

Ela viaja pelo Brasil fazendo shows e vê o quanto o brasileiro é apaixonado pela música brasileira, de Chico Buarque, de choro, etc, quando tem oportunidade de conhecê-la. — Existe um público imenso para a música brasileira. Em julho, por exemplo, eu cantei em Itabira, MG, no Festival de Inverno de lá, e semanas antes da apresentação uma pessoa, que trabalhou no evento, me ligou dizendo que já estava completamente lotado o teatro de 350 lugares. E olha que eu nunca tinha ido na cidade. Quer dizer, o público existe, só que não é oferecido a ele todas as opções que poderia. Se oferece muito pouco a boa música. As opções são niveladas por baixo mesmo. Além disso, as pessoas no momento não têm dinheiro para ver tudo que tem.

Mas Cida Moreira explica também que a música brasileira vai além das dificuldades:

— ... a criação da música brasileira continua existindo bravamente, no país inteiro. Tem compositores maravilhosos em todos as partes do país. No Maranhão, no Ceará, no Rio Grande do Sul, no Rio Grande do Norte, em Minas Gerais, e em todos os lugares, temos muita gente boa fazendo músicas de qualidade, que quase ninguém conhece, mas que estão aí. Isso é um fato. Cida é outra intéprete séria a afirmar também que no exterior as pessoas ouvem muito música brasileira, condiderando-a de alta expressão artística e que, por isso mesmo, alguns artistas brasileiros estão gravando CDs em outros países:

— A música no exterior, em sua maioria, é ruim, tirando algumas excessões. Eles ficam maravilhados quando ouvem música brasileira. Empresários japoneses, por exemplo, têm vindo para o Brasil contratar músicos para gravar e serem lançados no mercado de lá, onde o artista brasileiro é profundamente respeitado, valorizado e bem pago — comenta.

Gravadoras nossas

No Brasil existem algumas gravadoras que ajudam a valorizar a música brasileira no país, como a Acari, a Biscoito Fino e a Kuarup, onde Cida gravou o seu último CD, mas, conforme conta, apesar dessas gravadoras terem uma importância artística e cultural extraordinária, infelizmente, muitas vezes não conseguem penetrar no interior do país.

— Elas não conseguem fazer frente ao lobby das grandes gravadoras que vendem para os compradores de lá, no que chamamos de 'baciadas'. São lotes de CDs por um preço minimo. Ao passo que os produtos da Biscoito e da Kuarup, por exemplo, têm um custo um pouco maior, e como não se vendem de baciada, não se compra. É uma luta — afirma.

Cida confirma que existe uma grande persistência e teimosia infinita por parte dos artistas enganjados na música brasileira, para que consigam sobreviver do seu trabalho e para que a própria música brasileira se desenvolva. Aliás, desse contingente de artistas, honrosamente, Cida faz parte. Mas a que custo? Fácil responder, porque relatos não faltam, como uma passagem do Projeto Pixinguinha, em que ela conta que, há poucos dias, passou por uma grande barreira quando viu esse projeto, do qual participará juntamente com o músico Henrique Cazes, cancelado por falta de verba:

— Nós estávamos indo para o projeto Pixinguinha em julho, pelo Nordeste. A dez dias da nossa viagem fomos comunicados de que tinham cancelado o projeto, porque a verba não chegou na Funarte.

Sem desprezar os méritos das pessoas, a intérprete põe as coisas no seu devido lugar: — A Ana de Holanda, coordenadora da área de música da Funarte, uma pessoa de valor imenso, saiu a campo e conseguiu da Petrobrás um pedaço de patrocínio. Assim, fomos comunicados que faremos o projeto em setembro. A Ana batalhou severamente para que conseguíssemos fazer o projeto, porque a Funarte não tinha como inventar um dinheiro que não entrou, tomando atitudes que nos permitiu continuar um pouco mais, o que já é um mérito muito grande, neste deserto em que vivemos.

Mesmo com o deserto

Apesar da sua música não estar dentro dos pacotes vendidos para as rádios, ou inserida nas 'baciadas' remetidas para as grandes cidades e interior do Brasil, ela é muito procurada para shows, dona de um imenso prestígio.

— Tenho um mercado muito bom. Posso dizer que sou uma privilegiada por isso. Talvez por causa dos 25 anos de trabalho duro, sério, de pesquisas em música, e na arte em geral. Costumo dizer que prefiro ficar em casa com dignidade do que fazer shows e gravar discos contendo músicas ruins. Prefiro não trabalhar e ficar dando aula de canto em minha casa, como já faço, do que compartilhar asneiras — declara.

Para este segundo semestre do ano, Cida pretende fazer o Projeto Pixinguinha e uma viajem para a Alemanha, onde deve trazer mais material de Bertolt Brecht e Kurt Weill, para um possível novo CD, além de dar continuidade aos shows de seu último CD e das modinhas imperiais brasileiras. No show, Cida apresenta esse gênero dramático, que mistura a música européia com a sensibilidade brasileira. Entre outras, Cida canta: Si te adoro — anônimo (recolhida por Mário de Andrade); Quem sabe — Carlos Gomes/Bittencout Sampaio e Viola Quebrada — Mario de Andrade/Heitor Villa-Lobos, entre outros.

— Insisto na idéia de gravar um CD contendo somente essas modinhas, mas para o momento estou me dedicando ao Projeto Pixinguinha, acreditando que será maravilhoso. Nele, eu e o Henrique Cazes, vamos fazer um show dessas canções antigas brasileiras e de choros seus. Ele é uma pessoa que eu respeito muito e com quem já trabalhei, aqui, em São Paulo, há anos. Quero ver como seremos recebidos no Nordeste com esse tipo de repertório — finaliza Cida.

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