O mito da imaculada concepção - Estudo de mitologia comparada

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O presente texto de Paul Lafargue revela como (e porque) as mulheres são representadas em religiões antigas e atuais. O subtítulo “estudo de mitologia comparada” é oportuno, uma vez que as religiões antigas e principalmente a Igreja Católica (que explora a lenda da Virgem Maria) sobrevive impondo a ignorância acerca das relações entre os homens. As divindades do mundo antigo mencionadas no texto, por falta de espaço, não podem ser explicadas como convém. Ao contrário da apologia anarquista da promiscuidade, Lafargue deixa claro que, desde o aparecimento da sociedade de classes, os exploradores necessitam manter sempre o véu místico com que refletem e tentam conservar as relações de produção de sua época e, desesperadamente, buscam apresentar como natural e divina a posição subalterna e submissa da mulher.

Em um estudo sobre o mito Adão e Eva publicado na "Revue Socialiste" e em outro artigo publicado na revista de Londres (Times, setembro de 1890), tentei utilizar fatos comuns sobre as sociedades primitivas, novamente estudadas, para explicar o tema bíblico Adão e Eva e a homérica e inexplicável trindade, denominada divindade, nascida três vezes, que a Ilíada e os cantos orfeônicos dão à Atenas.

Neste estudo, aplicarei o mesmo método à lenda cristã da Virgem Maria, mãe de Cristo.

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Antes de tudo, é preciso questionar se o cristianismo é a única religião que se apoderou do mito da imaculada concepção.

Encontra-se este mito em todas as principais religiões do Mediterrâneo e podemos dizer, talvez em todos os povos.

Três deusas gregas, Juno, Minerva e Diana1, são conhecidas como deusas partenogêneses virgens. Portanto Juno teve muitos filhos e Minerva, a virgem por excelência, também teve vários filhos. Segundo Cícero e Aristóteles, ela teve Apolo (protetor dos pais). Vulcano, nestas circunstâncias, foi seu marido, portanto a violou, o que o favoreceu a compartilhar com ela, no templo da acrópole em Atenas, as festas dos lampadários em homenagem a Minerva e a Vulcano. Sendo Netuno um deus marinho, era-lhe permitido violentar muitas mulheres, sendo a deusa ateniense uma de suas vítimas; mas a Terra foi obrigada a levar em seu ventre o filho de Minerva e de Netuno, Erictônio.

Apesar dos filhos, a deusa continuava sendo considerada virgem; e seu templo na acrópole, Erecteu, era consagrado a Minerva com o filho não fecundado, a mãe virgem. Ela era a deusa protetora das mulheres violentadas, numerosas nas tribos primitivas da Grécia, como nas tribos australianas. Aethra, violentada por Netuno na ilha de Sphérie, constrói um templo a Minerva traída. Quando Hércules homenageou a raínha das amazonas, consagrando a ela a coroa que lhe havia tirado, no dia do seu casamento, as noivas de Trézenne homenagearam Minerva com suas coroas.

Na cabeça dos gregos, a idéia de virgindade e de maternidade não eram diferentes. Veremos mais à frente que mãe-virgem quer dizer aquela que não tem um homem, como é o caso da Virgem Maria: mas nos tempos primitivos se referia à mãe que não era casada. É o que explica o caso das Euménides, de Ésquilo, em que Minerva diz que "qualquer homem que ela amasse, com ele nunca se casaria". Na Grécia, chamava-se filho de virgem o filho de uma moça solteira. A mulher era considerada virgem quando não era casada.

A Grande Mãe dos deuses, cujo culto, retomado na Ásia antiga, entra na Itália no decorrer do século II a.C., tinha também uma virgem-mãe, como Minerva. "A mãe dos deuses - diz o imperador Juliano -, é a deusa que engravida com o grande Júpiter, que dá a existência e organiza os seres com o pai de todos; esta virgem sem mãe está sentada ao lado de Júpiter, porque é realmente a mãe de todos os deuses." Então, o que se verá mais tarde, o grande Júpiter tinha uma posição muito humilde ao lado dela; pois não era seu esposo, assim como José. A mãe dos deuses continuava sempre virgem, apesar de grande progenitora, porque não era casada.

Seguramente, a idéia de virgem-mãe teve início na época em que o casamento de casal, de par, diz Morgan, substituia o casamento por grupo ou por clãs: uma mulher continuava virgem mesmo depois de ser mãe, enquanto ela não tivesse um casamento monogâmico. Minerva e a mãe dos deuses, que pertenciam a mais antiga geração divina, deviam ser divindades dos gregos e dos frígios porque tinham os la ços de casamento iguais aos dos povos polinésios.

Mais tarde, sem dúvida, o nome de virgem-mãe toma um outro sentido e significa mãe sem intervenção de homem. Juno se vangloriava por ter tido Marte e Hebé, sem qualquer macho, era sua maneira de responder a Júpiter que se glorificava de ser o responsável pelo nascimento de Minerva. Isis, a grande deusa do Egito inscreveu fervorosamente em seu templo: "Eu sou a mãe do rei Hórus e ninguém levantou minha roupa."

Se das margens do Mediterrâneo, passarmos ao extremo norte, à Finlândia, encontraremos o mesmo mito. No Kelevala, o poema nacional dos finlandeses, há referência a três virgens que foram fecundadas pelo ar. Isnatar, a "bela-virgem", canta: "eu sou a mais velha das mulheres, eu sou a primeira mãe dos humanos, fui casada cinco vezes e noiva seis vezes"; mas continuou virgem, era só se divorciar para voltar a ser virgem. Os Argianos afirmavam que a deusa protetora da cidade, Juno, ia todos os anos se banhar na fonte Canatos, em Nauplie [primeira capital da Grécia e pequeno porto Mediterrâneo], para recuperar sua virgindade. Talvez as mulheres de Argos se banhavam na fonte de Canatos para se divorciarem.

É bem provável que, como sempre, o que os deuses faziam era reproduzir os hábitos dos humanos, porque os mortais tinham igualmente a vantagem de concepções imaculadas. O velho poeta de Kelevala, Wänamoinen, é o filho da virgem Luounotar, filha de Ilna, mãe dos heróis, que foram fecundados pelo mar. Uma inscrição de Sargon, um dos mais antigos reis da Caldéia, que Lenormand descobriu em 3.800 a.C., diz: "Sargon, rei poderoso, rei de Agade [cidade ao norte da Babilônia], meu! - minha mãe me concebeu sem a participação de meu pai."

As fêmeas dos animais tinha também o privilégio de concepções imaculadas. Os jumentos de Rhésus, "mais brancos que a neve e mais rápidos que o ar", foram fecundados pelo zéfiro, na beira do mar. Boreal, o vento do norte, exercia esta função para os cavalos de Erictônio. Os jumentos da Capadócia, do Tage, e de outros lugares, procriavam desta maneira curiosa.

Horapolo diz que o abutre nos hieroglifos egípcios, que representa a vitória, simboliza também a mãe, porque na espécie dos abutres não se encontra o macho, e para serem fecundadas, basta as fêmeas exporem seus órgãos sexuais ao vento norte.

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O homem, invejoso da pretensão da mulher de não precisar dele para perpetuar a espécie, afirma que ele também pode procriar sem a intervenção da mulher. Júpiter, no Olimpo, fecundou Minerva. Santo Agostinho conservou na Cidade de Deus um verso de Soranus, no qual Deus é chamado de "o pai e a mãe dos deuses". Medalhas de Melissa representam Júpiter barbudo e portando dois seios descobertos.

Noum, um dos deuses do Panteão egípicio e um dos agentes da criação, botou de sua boca um ovo de onde nasceu Phtah,o criador dos astros.

O escaravelho, de acordo com São Clemente de Alexandria, simbolizava na escritura hieroglífica, o sol e o pai. "Ele representa, diz Horapolo, o ser nascido de um só ser, porque ele nasceu dele mesmo e não veio do ventre de uma fêmea. Foi assim sua origem: pega o escremento do boi, que, movimentando com suas patas traseiras adquire uma forma redonda, que é a do mundo. Seu pequeno globo assim formado, ele o esconde na terra... e no 29º dia ele o abre e o joga na água... e então surge um novo escaravelho. O escaravelho simboliza o pai, pois nasce só do macho; o mundo, porque o globo onde o embrião se forma tem o figura do mundo, e o homem, porque não existe escaravelho fêmea, dizem os egípcios".

Imbuído pelo desejo de tirar da mulher sua grande função reprodutora, o homem afirmou que ela tinha simplesmente o papel de receptora. Nas Eumênides, Apolo se encarrega de expor a teoria masculina: "Não é a mãe que dá a vida a seu filho; não é ela que nutre o germe colocado dentro dela. Quem lhe dá a vida é o pai. A mulher, como um simples depósito estranho, recebe de outro o germe, e quando agrada a Deus, ela o conserva. A prova do que afirmo é que pode-se tornar pai sem que haja uma mãe: testemunha Minerva, a filha de Júpiter. Ela não foi alimentada no seio materno."

Um mito grego mostra o desprezo que os homens e os deuses tinham pela função procriadora da mulher. Júpiter, Netuno e Minerva, para recompensar Eunápio, um dos filhos de Baco, pela hospitalidade que lhe havia dado, disseram-lhe para fazer um pedido. Ele pediu um filho e os três deuses urinaram na pele do boi que Eunápio havia matado para os presentear, a enterraram, e nove meses depois nasceu Orion, que Júpiter coloca no céu.

Estes mitos mostram que os povos primitivos tinham vaga noção sobre a procriação dos seres e que os dois sexos, num momento do desenvolvimento histórico, tornam-se rivais para saber qual dos dois tinha o papel mais importante na geração.

Os deuses, não satisfeitos de privar as deusas de seu papel na geração, tomam suas formas, seus costumes e seus atributos. Vestem-se de deusas. Havia na Lacedemônia, um Apolo vestido de mulher e trazendo em suas mãos a arma das amazonas, o bipene [machadinha romana com dois gumes]; Júpiter, o rei do Olimpo, não acreditava que perderia sua grandeza vestido com trajes femininos; assim como aparece em várias medalhas vestido de mulher, cheio de fitinhas e com mamas. A águia, seu símbolo, era para completar a fantasia e lhe dar um aspecto de mãe.

A águia, que se parece com o abutre, é o símbolo de Isis, mãe. Pode-se confundir as espécies de um país ao outro; espécies intermediárias, tais como falcões, abutres, águias, são parecidas. A águia, assim como o abutre e outros pássaros de garras, possuem, dizem, certas particularidades, as fêmeas são mais robustas e mais audaciosas que os machos.

Esta troca de sexo tinha por fim tirar as deusas de seus templos. O deus entrava timidamente de fantasia feminina para ser adorado e expulsar a divindade feminina. No templo de Hierápolis a estátua de Júpiter se encontrava ao lado de Juno, mas lhe era prestado um culto secundário; oferecia-lhe sacrifícios em silêncio, sem cantos e sons de flautas que reverenciavam a sua esposa. Quando saíam com as estátuas do recinto sagrado, era a deusa que ia na frente. Apolo teve mais sucesso que Delfos, que tinha tido o templo da terra e suas filhas Titânides, Têmis e Febe (Ésquilo, As Eumênides). Pan lhe ensinou a arte de profetizar, e se rendeu a Delfos, matou a serpente Python, que protegia a caverna, ridiculariza o nome de Febe e se apodera do oráculo.

Era, de fato, para despojar as mulheres de seus bens e da posição superior que ocupavam na família matriarcal, que os homens, seguindo os deuses, encenavam a comédia da troca de sexo e da gravidez simulada.

As mulheres responderam a estes atentados contra os seus direitos e bens simulando os atributos do outro sexo. Havia em Chipre uma estátua de Vênus com barba: os homens lhe ofertavam sacrifícios vestidos de mulheres e as mulheres vestidas de homem. Santo Agostinho relata que em Roma adorava-se uma Fortuna barbada. Isis e muitas deusas do Egito se apresentavam com órgãos sexuais dos homens: Isis adotou como símbolo o abutre e o escaravelho para provar que ela tinha os dois sexos. Os hinos orfeônicos dão à Minerva o apelido de macho e fêmea. Baal, que os Israelitas adoravam, era também uma divindade bissexual; também a tradução grega dos Septante o chamava de o, ou de a Baal. A divindade torna-se hermafrodita, como a lebre que, de acordo com Pline, reunia os dois sexos. O terceiro hino religioso do bispo de Ptolemais, Sinésio, diz do espírito infinito: Tu és o pai, tu és a mãe, Tu és o macho, tu és a fêmea.

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Euzébio tratava com desprezo o culto egípcio da "sabedoria do escaravelho". E entretanto, o mito da Virgem Maria não é mais que uma reminiscência do Nilo.

Osíris era representado na terra pelo boi Apis: mas como Osiris foi concebido pela sua mãe Isis, sem a intervenção de qualquer Deus, sua representação terrestre devia igualmente nascer de uma vaca virgem sem a intervenção de um macho. Heródoto afirma que a mãe de Apis foi fecundada por um raio de sol e, segundo Plutarco, por um raio de lua. Inscrições hieroglíficas confirmam esta origem celeste: "Seja eu própria - diz uma inscrição numa coluna de Menfis - oh, Apis viva, tu que não tens pai."

Jesus, como Apis, não tinha pai, e foi concebido por um raio descido do céu. Apis era um boi que representava um deus, que era representado por um carneiro. Ora, Osiris é sempre representado por uma cabeça de cordeiro. O deus egípcio Osiris tornou-se conhecido entre os povos do mediterrâneo com o nome de Adônis, de Atys, de Tamuz, cuja morte foi chorada no templo de Jeová pelas mulheres de Jerusalém (Ezequiel, VIII, 14).

A deusa síria Mâ, cujo culto se espalhou por todos os lados, caiu do céu dentro de um ovo chocado por uma pomba que habitava as montanhas da Frígia, (muitas deusas primitivas viveram nas florestas e nos rochedos, por exemplo, Minerva). Seu nome, em frígio, significa mãe e ovelha. A intervenção da pomba no mito cristão dá-lhe um cunho asiático: na Ásia Menor, a pomba era muito venerada em lembrança de Semíramis e de sua mãe Decerto.

A nova religião, que deu origem ao cristianismo, formou-se com a mistura dos mitos de todos os povos conquistados pelos romanos -ela tomou seus símbolos: a árvore, por exemplo, no Egito era representada por um cipreste, e no Extremo Oriente por uma cruz - precisamente porque a religião cristã foi formada por mitos dos diversos povos existentes naquela época.

Nos primeiros séculos era difícil distinguir os cristãos dos seguidores de outros cultos, que haviam assimilado os mitos. Houve um engano: o imperador Adriano escreveu a um de seus administradores dizendo: "Este Egito que tu me cedeste, eu o encontrei inconsistente e inconsequente... Os que adoram Serapis2 são cristãos e os bispos cristãos são devotos de Serapis... Um patriarca chegou ao Egito, uns dizem adorar Serapis, outros a Cristo."

Osiris, assim como Jesus, teria que sofrer e morrer a fim de merecer a honra de dividir com a mãe Isis as homenagens dos mortais.

O mito da imaculada concepção não é uma invenção do primeiro século do cristianismo, mas um dos mais antigos: deve ter sido elaborado pelo homem, para se apoderar dos bens e da autoridade da mulher na família matriarcal, reduzindo seu papel na procriação, e ela respondia a estes atentados contra os seus direitos e sua função demonstrando que não tinha necessidade da intervenção do homem para conceber.

O renascimento do mito da imaculada concepção se dava no momento que a sociedade antiga hesitava sobre suas bases: a familia patriarcal se extinguia e a mulher do mundo grego-latino se emancipava do pesado jugo matriarcal que pesava sobre ela há vários séculos. As religiões femininas da época matriarcal, nas quais as deusas dominavam os deuses, que se perpetuava no Egito e na Ásia Menor, se introduziam e se expandiam nas nações, onde mesmo depois de muito tempo os deuses masculinos tinham despojado as deusas de suas antigas prerrogativas. Era a revanche, anunciada por Prometeu, que devia "despojar Júpiter de seu cetro e de suas honras". (Ésquilo).

Mas o triunfo teve curta duração. As mulheres perderam novamente os direitos que começavam a reconquistar. A religião cristã, retomando e colocando com honra o mito da virgem-mãe, parecia querer ajudar na emancipação das mulheres, se transforma e o torna um instrumento de opressão. Não se disputa mais com a mulher o seu papel na procriação, mas fazia-se mais, tentava despojá-la de sua qualidade de ser humano.

Um concílio se reuniu para discutir se a mulher era um animal inferior, desprovido de alma; e foi somente com a maioria dos votos que a Igreja cristã, fundada sobre o antigo mito feminino de imaculada concepção, decidiu que a mulher tinha uma alma como a do homem.


*Paul Lafargue - (1842-1911) Nasceu em Cuba. Era médico e publicista que trabalhou ao lado de Marx e Engels. Casou-se com Laura, filha de Marx. Lafargue teve participação ativa em inúmeros acontecimentos revolucionários de sua época, inclusive na Comuna de Paris, na Primeira Internacional e no início da Segunda. Traduzimos os nomes das divindades gregas escritas em latim pelo autor, em referência às notas abaixo.
Notas do autor :
1 Uso os nomes latinos para as divindades do Olimpo grego, porque são mais conhecidos, embora seja errôneo designá-los ainda que dando o nome de Deus ao Jehovah judeu, ao Pai eterno cristão e a entidade metafísica panteísta.
2 "A maior parte dos padres egípcios, diz Plutarco, querem que o nome de Serapis seja formado do de Apis e de Osiris, fundamentado sobre o ponto da doutrina que Apis é a imagem mais bela de Osiris (Iside)

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