Policia Ambiental dissemina terror em Rondônia

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A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia mobilizou-se em repúdio à ação de um grupo de 15 policiais ambientais que, aliados a conhecidos pistoleiros da região de Jacinópolis, em 22 de novembro invadiu a área do Acampamento José e Nélio. Fortemente armados, eles tinham a clara intenção de matar o camponês José Carlos Costa Figueiredo.

Às 10h 40min da manhã, Carlos, que plantava café, percebeu a tempo que vinham pegá-lo e fugiu debaixo de tiros, embrenhando-se na mata durante dois dias, para não morrer.

Durante esse tempo, seus companheiros acreditavam que tinha acontecido o pior, até porque um deles, que tinha ido buscar o almoço, chegou a ver os invasores abrindo fogo. Um grupo de 80 camponeses foi organizado para a busca, tendo se dirigido à sede da fazenda Condor, onde funciona um posto da Polícia Ambiental para obter informações, mas os policiais que lá estavam negaram o ocorrido.

No segundo dia, mais de 300 camponeses poram procurar o companheiro, que, enfim, reapareceu, enquanto o comando da Polícia Ambiental em Candeia do Jamari reiterava nada saber acerca desta tentativa de sequestro.

Campanha difamatória

Os camponeses pobres estão vivendo nesta área há mais de um ano. Plantam e colhem, constróem estradas, pontes, levam progresso à toda a região. O monopólio dos meios de comunicação, entretanto, informa ao povo do interior e das grandes capitais que lá ocorre exatamente o contrário.

O jornal Folha de Rondônia empenha-se em tachar os camponeses pobres de "bandoleiros", "invasores", "bandidos", e que "andam encapuzados e armados". Tudo para facilitar a ação da polícia contra os trabalhadores rurais e suas lideranças, que têm feito reiteradas denúncias sobre a existência, na sede da fazenda Condor, de uma pista de pouso clandestina para o tráfico de drogas, armas e munições, e de servir ao contrabando de veículos roubados, contando com a proteção da Polícia Ambiental e outras.

No dia 22 de novembro de 2007, o jornal Folha de Rondônia e o sítio de notícias Rondoniagora publicaram matérias caluniosas contra a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, afirmando, em editorial e na reportagem Invasores aterrorizam Jacinópolis que "os proprietários de áreas na região de Jacinópolis é que são vítimas do terror implantado", "quem pode acabar preso é quem defende o que é seu"; "camponeses deixam clima de terror" e "destroem áreas de preservação ambiental".

Fazenda Condor

Indagam desde quando pode ser considerada vítima um "proprietário" como Geraldo Coletto (fazenda Condor) sobre o qual consta que grilou 40 mil alqueires de terras da União, utiliza trabalho escravo, perseguiu, torturou, mutilou e assassinou brutalmente famílias inteiras de camponeses.

O noticiário segundo o qual a Liga é responsável pela destruição de áreas ambientais é desmentido pelas evidências de que as áreas de desmatamento na região estão dentro das fazendas do Catâneo, Amorim, Amir Lando e Geraldo Coletto. A verdade que o jornal esconde é que os camponeses de Jacinópolis nunca cortaram um palmo de terra dentro de reservas ambientais.

A Polícia Ambiental, segundo o sitio de notícias Rondoniagora, acusa a LCP de vinculação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. A Liga protesta, dada a total inexistência de provas e denuncia que a Polícia Ambiental possui uma base dentro de uma fazenda, a pretexto de proteger o parque estadual Guajará-mirim que está a 30 quilômetros de distância.

Não faltam vestígios de que os meios de comunicação empenham-se para justificar e legitimar a matança de camponeses que lutam por um pedaço de terra para morar e plantar.

Em Rondônia, está viva na memória de todos a ação de milícias armadas por latifundiários no acampamento Flor do Amazonas, em Candeias do Jamari, em Ariquemes Cujubim, Buritis e outras regiões. Esses elementos perseguem, torturam e assassinam os camponeses. E quando prevalece a resistência dos trabalhadores, recorrem à Polícia Militar, Federal, Florestal, Civil e até ao Exército, sem combater a entrega de nossas terras e riquezas a estrangeiros e à biopirataria.

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