Declaração de fundação da Organização Maoísta Revolucionária do Iraque

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Afundados na sua maior crise desde que se iniciou a sua grande ofensiva geral contra-revolucionária, na década de 1990, o imperialismo sofre mais um duro golpe, novamente vindo da resistência iraquiana.

A Nova Democracia publica a seguir trechos da declaração de fundação da Organização Revolucionária Maoísta do Iraque, o que demonstra que além de grupos que o imperialismo insiste em apresentar como fundamentalistas e sectários, a heróica resistência iraquiana possui núcleos democráticos e proletários, apesar de todo o peso que tem a religião naquele país. AND já publicou comunicados de frentes da resistência iraquiana que não tinham nenhuma relação com Osama Bin Laden, o Irã ou coisa que desqualificasse a resistência, como os invasores anglo-ianques insistem em fazer.

O povo iraquiano já deu enormes mostras de que é capaz de conduzir a guerra de libertação nacional contra os invasores. A cada dia o monopólio dos meios de comunicação se esforça para encobrir as ações da resistência e enaltecer o poderio bélico dos agressores. Mas as constantes baixas nas forças imperialistas e frequentes ações dos patriotas iraquianos infligem derrotas diárias e desmentem a propaganda imperialista.

http://anovademocracia.com.br/40/19.jpgA declaração

A Organização Maoísta Revolucionária Iraquiana (OMRI) é uma organização marxista-leninista-maoista revolucionária internacionalista que visa organizar as lutas teórica e armada de forma a fazer a revolução socialista e instaurar a ditadura do proletariado. Também visa cumprir as tarefas de construção de uma sociedade socialista humanista e de um mundo civilizado.

O nosso objetivo é pôr fim à exploração e escravidão do homem pelo homem, romper as cadeias e as grilhetas dos que produzem a paz e o pão e que constituem a classe operária. O único caminho para a salvação e a libertação dessa escravidão de classe da burguesia e do capitalismo local e internacional é a luta intelectual para educar a nossa classe operária e o campesinato sobre a desigualdade e a clara escravidão do gênero humano pelo capitalismo imperialista, bem como educá-los sobre a iniquidade da ocupação anglo-ianque e dos fantoches iraquianos que a ela estão ligados, quer sejam fanáticos sectários, nacionalistas, líderes tribais, baathistas, islamitas políticos, ou — mais perigosamente — a esquerda revisionista oportunista que atua como agente da burguesia e dos ianques. A mesma esquerda que antes colaborou com o regime baathista fascista de Saddam está agora a colaborar com a ocupação.

Além de trabalhar para propagar uma consciência política de classe, o nosso movimento tem a sua organização militar, e, por conseguinte uma luta armada, concretizada na Guerra Popular que inclui os operários, os camponeses, os desempregados e os seus aliados entre os estudantes, as mulheres, os sindicatos, os conselhos de operários e as organizações e intelectuais revolucionários.

O nosso movimento está presente nas terras da Mesopotâmia e tem levado a cabo orgulhosas e heróicas batalhas contra os invasores e os seus fantoches, contra a sua polícia, exército e aparelho de segurança mercenários que são lacaios do Mossad, do USA, do Irã e das criminosas milícias sectárias. Nós sacrificamos os nossos mais honrados e glorificados camaradas que têm honrosa e orgulhosamente caído como mártires do espírito patriótico iraquiano, do movimento comunista revolucionário iraquiano, da nossa classe operária iraquiana e do campesinato iraquiano e dos seus princípios e aspirações à justiça e bem-estar, à independência nacional, econômica, social e cultural e à libertação das mulheres iraquianas da injustiça e da desigualdade social.

A nossa Organização Maoísta Revolucionária deu alguns dos seus melhores quadros, heróis imortais entre os quais está o nosso líder, um intelectual comunista revolucionário, o nosso imortal camarada mártir Elwan. Apesar dos seus grandes sucessos acadêmicos, ele tornou-se um exemplo de proletário, pelo que as forças malévolas o assassinaram usando os seus aterradores métodos habituais. A sua vida deixou de pulsar, mas a revolução nunca deixou de vibrar com a sua história imortal, que ele deixou como herança revolucionária aos camaradas que prosseguem no seu caminho.

Os nossos heróicos camaradas revolucionários da Frente Estrela Vermelha (FEV) maoísta revolucionária iraquiana levaram a cabo várias operações militares contra as forças de ocupação e a estrutura do regime fantoche (exército, polícia e serviços de segurança). Entre essas operações estiveram a Operação Spartakus a 26 de Outubro de 2005 e duas outras operações revolucionárias Pão e Paz na terça-feira, 2 de Março de 2006.

A OMRI está presente entre as fileiras do povo, do proletariado, do campesinato, dos estudantes, das mulheres, das organizações sindicais e de trabalhadores e dos intelectuais do Iraque. A nossa atividade política é clandestina devido à situação que a ocupação nos impôs e devido à política antipopular dos seus agentes nazi-fascistas. Nós declaramos claramente que trabalhamos completamente em segredo com um aparelho de segurança para assegurar a continuidade da nossa atividade política defendendo os princípios comunistas revolucionários, bem como para assegurar a proteção e o fortalecimento da nossa organização armada, permitindo aos nossos camaradas expandirem a nossa frente, a FEV, numa frente de um imortal heroísmo reconhecido nacional, regional e internacionalmente.

Apesar da nossa organização ter sido, e ainda ser, clandestina e independente e de não ter nenhuma ligação organizativa ao Reagrupamento de Revolucionários marxista-leninistas Iraquianos (RRMLI), esta última tomou a iniciativa e sugeriu uma coordenação entre nós ao nível da informação e da comunicação social. Infelizmente, o RRM LI explorou essa coordenação à custa da luta dos nossos camaradas conscientes, daqueles que participaram no estabelecimento do nosso movimento de guerra popular do proletariado iraquiano, a FEV. Não podemos desperdiçar esta oportunidade de saudar o nosso camarada Hamorabi, pelo seu heróico papel revolucionário de vanguarda ao abraçar a estratégia armada do Marxismo-Leninismo-Maoísmo, uma estratégia seguida pelos nossos imortais mártires nesta longa marcha; o seu profundo conhecimento do Marxismo-Leninismo-Maoísmo e das circunstâncias excepcionais do Iraque na atual fase, uma fase de ocupação ianque que precisa de um estudo e de uma análise da luta de classes e das classes que têm interesse em se libertarem da exploração de classe e da ocupação imperialista e das que não o têm.

A partir dessa análise, pode-se deduzir a palavra de ordem estratégica que representa os objetivos do movimento maoísta iraquiano. Lenin disse corretamente: "Ao longo da história, todas as classes que quiseram vencer tiveram que ter entre as suas fileiras dirigentes políticos, representantes de vanguarda capazes de organizar o movimento e de o dirigir". E acrescentou: "Os dirigentes efetivos e experientes do partido forjam-se lentamente e com dificuldade. Sem isso, a ditadura do proletariado e a sua unidade de vontade não são mais que vazias de qualquer significado".

Por isso, os marxista-leninistas vêem o partido revolucionário como um verdadeiro estado-maior do proletariado; esse partido tem que resolver corretamente a relação entre os dirigentes e o partido, as classes, as massas e as organizações segundo os princípios do Centralismo Democrático. Esse partido tem que ter um núcleo dirigente relativamente estável composto por dirigentes experientes capazes de manter a unidade entre a verdade universal do Marxismo-Leninismo-Maoísmo e a prática diária da revolução. Esses dirigentes emergem da luta de classes e do movimento revolucionário do povo, e quer sejam membros do Comitê Central ou dos Comitês locais do Partido, são absolutamente leais ao seu sangue e carne, as massas. Esses dirigentes têm a capacidade de exprimir concretamente a vontade das massas e colocar coerentemente as suas idéias em prática. Esses dirigentes são verdadeiros representantes das massas. O Partido Comunista da China sempre salientou a teoria marxista-leninista no que diz respeito ao papel das massas e dos indivíduos na história, à relação entre os dirigentes e o partido, as classes e as massas e à ligação dessas relações com o princípio do Centralismo Democrático dentro do partido.

Os nossos camaradas, tornados mártires, planejaram o trabalho entre as massas, bem como o programa político, prático e teórico, adotando a estratégia da luta armada para derrotar o inimigo capitalista, interno e externo, uma estratégia baseada na psico-tecnologia: a utilização da comunicação social para debilitar psicologicamente o inimigo de classe. Porém, o RRMLI quis impor a sua vontade sobre as nossas decisões e os nossos artigos publicados na Discussão Moderna, bem como na sua página na internet. A maioria desses artigos foi escrita por Quadros Políticos da OMRI, apesar das alterações, omissões e erros que fizeram sem nos consultar. Além disso, lhes enviamos muitos artigos que se recusaram a publicar sem darem qualquer justificação. Apesar dessa prática, nós decidimos não expor esses atos e tivemos em conta a situação política e prática dos nossos camaradas na OMRI e na sua organização armada FEV, bem como a situação do nosso heróico povo iraquiano. Uma situação determinada sobretudo pela opressão e escravização da nossa classe operária e camponesa.

Nós decidimos, apesar de tudo isto, que era impróprio expor a descortesia e o comportamento de não-camaradagem de que não beneficiam a luta comunista revolucionária nem a classe operária e camponesa local e internacional. Não procuramos atacar abertamente aqui os camaradas do RR MLI, não é esse o nosso objetivo aqui. Porém, gostaríamos de salientar o fato de que estivemos, e ainda estamos, no terreno, presentes em todos os aspectos da luta: teórico, social, econômico e militar. Há uma diferença, a de que nós estamos presentes nas terras da Mesopotâmia e não apenas nas páginas da internet. Nós compreendemos a realidade tal como ela é no terreno e não como é mostrada nos canais de televisão por satélite e na internet. Nós não estamos a viver na Europa, a sonhar com a Revolução Socialista e a ditadura do proletariado sem ter qualquer camarada ou apoiador na pátria. Seguramente, isso seria um sonho que não se basearia numa análise dialética, numa análise marxista-leninista revolucionária.

Entretanto, os nossos camaradas que estabeleceram a FEV — que está levando a cabo a guerra popular proletária maoísta armada — estão atualmente trabalhando, com espingardas nos ombros, para expandir e desenvolver a luta revolucionária e, portanto, para desenvolver a revolução proletária e a capacidade subjetiva de a levar a cabo, bem como para elevar os nossos métodos organizativos em todas as áreas. Nós devemos ser um núcleo organizado e uma faísca da primeira revolução popular proletária maoísta no Oriente Médio, uma vanguarda dos movimentos do Oriente Médio com todas as elevadas responsabilidades consequentes e tudo o que isso implica em termos de luta e combate. Nós percebemos que a nossa faísca tem brilhado no Oriente Médio e no mundo e que será o exemplo de uma firme aderência ao Marxismo-Leninismo-Maoísmo revolucionário como vanguarda do oriente! Os nossos quadros políticos e a liderança da FEV mostraram ser dignos desde que desbravaram o caminho, na sua fase mais difícil, da primeira revolução popular proletária maoísta armada iraquiana!

Nós sabemos que a nossa voz e a nossa luta atraíram a atenção dos governos nazis anglo-ianques de Jaafari e Maliki, o que explica as imundas conspirações fascistas que eles planejaram com o objetivo de aniquilarem os nossos quadros e destruírem o nosso movimento. Porém, o nosso movimento está a crescer e a ficar cada vez mais forte e as suas escolas revolucionárias estão a competir. Essas escolas, que hoje estão a esmagar as conspirações fascistas, esmagarão amanhã o seu domínio sanguinário selvagem.

Por isso, porque continuaremos a nossa luta e manteremos aos nossos princípios, prometemos aos nossos mártires levar avante a causa e colocar em ação os seus testemunhos revolucionários como garantia de que suportaremos as difíceis circunstâncias e que vingaremos o seu martírio.

Saudamos calorosamente o camarada Hamorabi pelo seu heróico papel de dirigente proletário revolucionário na fundação da nossa organização e do seu braço armado FEV.

Viva o movimento maoista iraquiano e internacional!

Viva os operários e os camponeses iraquianos!

Honra e glória aos mártires imortais da organização maoista revolucionária iraquiana!

Viva a guerra popular maoista proletária iraquiana!

Viva a resistência nacional libanesa contra os invasores sionistas israelitas e norte-americanos!

Viva a resistência do povo palestiniano contra os criminosos ataques selvagens israelitas!

Quadros Políticos da Organização Maoísta Revolucionária Iraquiana
Frente Estrela Vermelha
15-Agosto-2006

Extratos dos comunicados da Frente Estrela Vermelha reivindicando ações armadas.

20 de outubro de 2007:
Os rebeldes maoístas atacaram um comboio militar do governo iraquiano e executaram todos os mercenários que o constituíam. (...) Em longo termo, malgrado todas as dificuldades, a resistência acabará por vencer pela via da luta armada revolucionária.

1 de outubro de 2007:
Os rebeldes maoístas da FEV atacaram um caminhão lança-foguete militar americano, na região de Abu Ghraib, o que causou sua explosão e a morte de seu condutor. O grupo de rebeldes, em seguida, retirou-se sem ter nenhuma perda.

22 de setembro de 2007:
Os revolucionários maoístas retornaram sãos e salvos às suas base após haver vitoriosamente atacado e destruído um caminhão militar ianque e executado todos seus ocupantes, em Sadat Al Hindia. (...) O povo iraquiano está aterrorizado pelos continuados ataques contra seus homens, mulheres e suas moradias, pelos sequestros de suas crianças que são "guardadas" sob a vigilância das forças de ocupação. A ocupação é o problema principal do país e nós devemos combatê-la de todos os modos possíveis, inclusive mesmo pela força. É por isso que o povo iraquiano deve sobrepujar as tensões sectárias, étnicas, religiosas e estar o mais unido possível contra a ocupação. E é por isto que as diferentes organizações de esquerda, marxistas, leninistas e revolucionárias devem desenvolver uma frente militar unida contra o inimigo a fim de libertar nossa terra da ocupação e libertar nossos recursos da economia do capitalismo nacional e internacional.

21 de junho de 2007:
Pela primeira vez, um heróico grupo de rebeldes da FEV lançaram obuses sobre os quartéis generais onde se entrincheiravam o governo fantoche de Maliki e seus mestres, os ratos ianques. Hoje, a "zona-verde" deles tornou-se negra! Este ataque é a primeira ação efetuada pelos revolucionários dentro do centro da cidade de Bagdá. Nós saudamos a coragem e a altivez de nossos compatriotas e das massas que nos forneceram toda a ajuda necessária para o cumprimento desta operação.

6 de junho de 2007:
Os rebeldes comunistas da FEV efetuaram uma operação contra um caminhão militar ianque no setor de Salman Pak, fora dos limites da cidade de Bagdá. Os foguetes lançados por nossos camaradas causaram a destruição de um caminhão e a morte de seu condutor. (...) O Iraque não tem outra saída a não ser a luta armada popular.

26 de maio de 2007:
Nossos camaradas revolucionários fizeram uma emboscada em Almahmoudia à um grupo de milicianos aliados à Al-Qaeda dirigida por Hatem Abdel Razaq, um homicida que trabalha para os ianques. Os heróis da FEV fizeram explodir as bases deles utilizando-se de bombas, de foguetes e de fuzis e executaram a totalidade do bando terrorista que era formado por quinze sectários homicidas pró-ianques. Este comunicado serve para advertir aos agentes da ocupação anglo-ianques e iraniana que não podem se aproximar das posições de nossos camaradas revolucionários maoístas, para cessar seus selvagens ataques sectários e para parar de matar e de torturar os bravos homens e mulheres do povo iraquiano, ou nós lhes prenderemos e os atacaremos dentro de suas tocas.

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