Monopólios querem restaurar colônia de 1808

A- A A+

De 26 a 30 de maio, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tornou a abrir suas portas ao Fórum Nacional. Financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por entidades patronais dominadas pelo capital transnacional e associado (FIESP e Fecomercio-RJ) e pelos monopólios Vale, Gerdau, Telefonica, Odebrecht, Bradesco, Ultra, Embraer e Telemar, o convescote anual da grande burguesia cumpriu, mais uma vez, seu papel de trincheira ideológica liberal-conservadora, instância de articulação das classes dominantes e tomada de contas aos gerentes do Estado.

http://anovademocracia.com.br/44/08.jpg

O encontro de 2008 teve uma dimensão especial para os integrantes do Fórum e seus convidados. Além de comemorar os 20 anos do evento, eles celebraram o bicentenário da transferência da corte portuguesa para o Brasil, escolhendo o eixo temático Um Novo Mundo nos Trópicos: 200 Anos de Independência Econômica e 20 Anos de Fórum Nacional.

Ao chamar uma operação arquitetada e empreendida desde Londres (a vinda dos Bragança ao Rio de Janeiro), cujo resultado foi a transformação do Brasil em protetorado comercial inglês por meio da abertura dos portos de "independência econômica", o Fórum Nacional se supera num quesito em que sempre foi mestre: o uso de eufemismos e outros artifícios de linguagem para dissimular seus propósitos. E leva, quase automaticamente, à pergunta: se seu conceito de independência econômica é esse, em que consiste o "novo mundo" que anuncia e qual é o significado das demais palavras de seus conferencistas?

A chave da resposta a essa questão pode ser obtida pela leitura das listas de patrocinadores e de palestrantes do evento. Uma compreensão mais detalhada da estratégia dos setores sociais nele representados (o capital transnacional monopolista e seus sócios internos), porém, requer uma observação mais atenta do que foi dito.

O de sempre

À parte o toque de saudosismo monárquico-colonial — expresso nas homenagens a D. João VI — as linhas-mestras do encontro foram as de sempre: defesa da liquidação da economia nacional e — de forma particularmente obsessiva — dos direitos previdenciários e trabalhistas. Os primeiros foram apontados como causa do suposto descontrole da despesa estatal; os segundos, como raíz da falta de "competitividade" da economia brasileira e de um "ambiente seguro" para investimentos. Este foi o mantra repetido, uma vez mais, pelos intelectuais do capital transnacional: João Paulo e Raul dos Reis Velloso, Affonso Celso Pastore e outros de menor importância.

A reiteração da ladainha repetida há vinte anos não seria sequer notícia, se não fosse um pormenor: Pastore e Raul Velloso disseram isso — a modo de prescrição e sem que fossem questionados — num painel em que tinham como interlocutores os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Dilma Roussef, da Casa Civil.

Na véspera, Luiz Inácio, na sessão de abertura, ouvira coisa semelhante dos economistas Edmund Phelps e Albert Fishlow (da Universidade de Columbia, USA) e do jornalista Roger Cohen (do New York Times).

O painel do qual participaram Dilma e Mantega foi concluído com outro ataque à previdência pública, desfechado pelo coordenador técnico do Plano Diretor do Mercado de Capitais (PDMC), Carlos Antonio Rocca. O PDMC é o dispositivo de lobby que articula junto ao Congresso, ao segundo escalão do Executivo e aos tribunais superiores, a execução do programa econômico do Fórum Nacional.

Pedindo bênção

Rocca dividiu a mesa com o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Membro do conselho diretor do Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE, entidade que organiza o encontro), Mercadante é um dos elos da aproximação entre o PT e o Fórum — na origem, e por definição, um agrupamento de tucanos e remanescentes do ramo civil da Sorbonne (ala-liberal e mais fortemente americanófila do regime de 64, com origem na Escola Superior de Guerra).

A terceira participação de Luiz Inácio e Dilma no evento e a quarta de Mantega são expressões dessa aproximação — ou, melhor dizendo, submissão. Também não faltaram, como de costume, recursos públicos. Além da cessão das instalações do BNDES, o evento contou com o patrocínio da Petrobrás, Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste.

Assine já!

Receba quinzenalmente a edição impressa
do Jornal A Nova Democracia no seu endereço
e fortaleça a imprensa popular e democrática.

Endereços


Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20.921-060
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja
Rafael Gomes Penelas

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait