Direção do MST do Paraná age como máfia e expulsa famílias da terra

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Camponeses denunciam colaboração entre a direção estadual do MST no Paraná e o Incra para expulsar nove famílias de camponeses do assentamento Antônio Tavares, antiga Fazenda Mitacoré, no município de São Miguel do Iguaçu-PR. As famílias denunciam prática mafiosa dos dirigentes do Movimento dos Trabalhadores sem Terra, que desvia recursos destinados ao assentamento e persegue todos aqueles que discordam da sua orientação.

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Arte publicada em panfleto do Comitê de Apoio

O grupo de nove famílias que ocupava há mais de 10 anos as terras da antiga Fazenda Mitacoré, foram expulsas por dirigentes do MST. O Comitê de Apoio à Luta dos Camponeses de Mitacoré denunciou que seis famílias foram retiradas brutalmente de seus lotes pelos próprios coordenadores do movimento que agiram como policiais em ações de despejo, utilizando de violência física, inclusive com armas de fogo. Uma das famílias foi obrigada a mudar de assentamento, e outras duas, hoje, moram em periferias das cidades.

Coisa de polícia política

Os camponeses relataram que o embuste utilizado pela direção do MST para tentar justificar a expulsão das famílias foi acusá-las de envolvimento com drogas. No entanto, em nota, o Comitê de apoio aos camponeses esclarece que: "nenhuma droga foi encontrada com qualquer uma das pessoas dessas famílias." Foram encontradas drogas na mata do lago de Itaipu, que faz divisa com o assentamento, e alguns membros da direção do MST aproveitaram da situação para acusá-las e expulsá-las.

Ainda em nota o Comitê de Apoio à Luta dos Camponeses da Mitacoré protesta contra a expulsão afirmando que:

"Estas famílias, expulsas do MST, tinham divergências na forma com que a coordenação do movimento vinha organizando a luta. O estopim da desavença foi quando 33 famílias, dentre elas as nove expulsas, entraram com uma denúncia no Ministério Público Federal que consistia em um pedido de investigação sobre verba liberada pelo Ministério das Cidades e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) com a finalidade de construir habitação para os assentados.

Estas famílias afirmam que o valor total liberado para cada uma delas, através da Caixa Econômica Federal, (R$ 7.422,31) não bate com o que eles receberam, e que o material de construção constante nas notas tinha um preço muito superior ao de mercado, o que indica superfaturamento. Cabe ressaltar que em nenhum momento estas famílias apontaram culpados, apenas pediram esclarecimentos ao Ministério Público."

Uma mãozinha do Incra

A nota do Comitê acrescenta:

"Após serem expulsas, em outubro de 2007, seis famílias entraram na justiça exigindo o direito de retornar para seus lotes, uma vez que possuem contratos de parceleiros com o Incra (esse contrato é temporário e após 10 anos o assentado recebe a posse definitiva da terra). Em setembro de 2008, a justiça expediu liminares garantindo o retorno de duas das famílias expulsas do assentamento. Em dezembro mais uma liminar foi expedida dando direito a mais uma família retornar ao seu lote.

Apesar das liminares, até o momento nenhuma delas foram executadas. O Incra, alegando evitar o conflito, propõe que as famílias expulsas vão para outros assentamentos começar tudo de novo e esquecer os 10 anos que viveram e construíram suas vidas no assentamento. Tal proposta serve para demonstrar o conchavo existente entre o Incra, e a coordenação do MST.

Todo respeito aos lutadores que estão na base do MST e que enfrentam no dia-a-dia as batalhas contra o latifúndio. Nossa indignação e nosso repúdio aos coordenadores do MST, pois eles implantaram uma ditadura no assentamento Antônio Tavares, agindo como o latifúndio e perseguindo os camponeses que se rebelam contra os seus desmandos."

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