Crise imperialista sacrifica o emprego de milhões de trabalhadores

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A crise geral do capitalismo mostra estar dando apenas os seus primeiros passos. Segundo pesquisas divulgadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 50 milhões de trabalhadores podem perder o emprego ainda em 2009, elevando para 230 milhões o total de desempregados no planeta, o que representa 7% da população mundial. No Brasil, segundo o IBGE, a taxa de desemprego teve o segundo aumento consecutivo em três meses.

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Greve dos trabalhadores da Pirelli em Santo André, SP

Como era de se esperar, trabalhadores do mundo todo continuam pagando com seus empregos pela crise imperialista. No Brasil, pesquisa divulgada pelo IBGE revela uma alta de 0,3% ao mês na taxa de desemprego, que em dezembro era de 7,9% e subiu para 8,2% em janeiro e 8,5% em fevereiro. Já o Dieese afirma que a taxa de desemprego, que era de 13,1%, subiu para 13,9% em fevereiro. Todos os dias trabalhadores estão sendo demitidos em indústrias de grande e pequeno porte por todo país.

No final de fevereiro a indústria de produtos eletrônicos Britânia anunciou a demissão de 370 operários da sua fábrica de Camaçari, região metropolitana de Salvador. Também no final de fevereiro, a distribuidora de aço e fabricante de tubos Zampronga anunciou a demissão de 25% dos operários da fábrica de Porto Alegre, que possui 1.100 trabalhadores. A fabricante de máquinas agrícolas AGCO localizada no noroeste gaúcho, que já havia demitido 151 operários em dezembro de 2008, anunciou a demissão de mais 138 pessoas do quadro de 750 funcionários.

No sudeste, desde o final de 2008, a autopeças francesa Valeo, demitiu 226 operários na sua fábrica em Guarulhos, a GM, demitiu 802 funcionários em janeiro, a fabricante de autopeças Magneti Marelli, demitiu 480 operários das suas três fábricas no ABC paulista, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), até agora já demitiu 300 funcionários da sua unidade de Volta Redonda, Rio de Janeiro. Na Baixada Santista, a KS Pistões já desligou 200 operários, a Tecumseh, fábrica de compressores de São Carlos, já demitiu 180 funcionários, a empresa do setor químico Lanxess, com fábricas no Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul, já mandou embora 400 pessoas, a empresa Eatom, produtora de sistemas hidráulicos, demitiu 272 trabalhadores, entre muitas outras. Em Minas Gerais, a Vale do Rio Doce já desempregou cerca de 1.300 funcionários, assim como a Perdigão, que já dispensou 233 pessoas.

No Sul do país, a Sadia mandou embora 350 operários da sua fábrica no Paraná. O mesmo aconteceu com a Volvo, que até o momento já demitiu 450 trabalhadores de sua unidade em Curitiba. Mais recentemente, a indústria naval de Niterói, responsável por quase 40% da produção local anunciou o desligamento de 4 mil operários ou 22,2% do quadro geral de funcionários. Percebe-se que o quadro se agrava a cada mês, não só no Brasil, mas por todo mundo, onde fábricas inteiras estão fechando suas portas e milhões de trabalhadores perdendo os empregos.

Na Austrália, a mineradora Rio Tinto anunciou o desligamento de 14 mil trabalhadores. No inicio do mês de março, depois de reunião realizada pelos diretores da montadora alemã Volkswagem, na sede da empresa, foi anunciada a demissão de 16.500 em todo mundo, além do fechamento da unidade mexicana por três semanas, devido à recessão do mercado automobilístico no USA. O grupo francês PSA PegeoutCitroën, que já demitiu 18 mil nos últimos dois anos e 2.700 operários somente no final de 2008, anunciou outras 11 mil demissões somente para o primeiro semestre de 2009. A ArcellorMittal, maior siderúrgica do mundo, com sede na França, anunciou o desligamento de 9 mil.

Imperialismo ianque entra em colapso e milhões de operários são demitidos

No USA os efeitos da crise mostram-se cada vez mais devastadores, e, como no mundo todo, os trabalhadores continuam pagando com seus empregos. Somente em fevereiro, cerca de 700 mil foram demitidos em todos os setores no país, elevando para 2 milhões o número de pessoas que perderam o emprego desde o início de 2009. E não é só a onda de demissões que assusta o proletariado no USA. Segundo dados da companhia de consultoria ianque Automátic Data Processing (ADP), em fevereiro o setor privado no país contratou 697 mil trabalhadores a menos que no mês de janeiro.

No setor de serviços, até a ultima contabilização, mais de 350 mil pessoas já haviam perdido o emprego. Na área industrial, as demissões também se aproximam da faixa de meio milhão. Algumas empresas transnacionais a beira da falência vêm colocando milhares de operários no olho da rua. É o caso da gigante no setor de fabricação de maquinários agrícolas e de construção Caterpillar, que com um déficit de 32,2% na produção em 2008 em relação a 2007, já demitiu mais de 30 mil trabalhadores. A gigante holandesa Philips, depois de um prejuízo de 186 milhões de euros em 2008, já demitiu cerca de 10 mil operários no país. O grupo holandês de bancos e seguros ING anunciou o corte de 10 mil postos de trabalho em 2009. A General Motors, que já demitiu cerca de 10 mil em janeiro e fevereiro, anunciou outras 3 mil demissões em março e o fechamento por uma semana de 14 das 24 unidades de montagem, não só no USA como em toda a América do Norte.

Outras empresas com 500 trabalhadores ou mais, cortaram 121 mil empregos e aquelas que têm entre 50 e 499 pessoas trabalhando demitiram 314 mil trabalhadores em fevereiro.

A onda de demissões no USA desvenda também a preferência dos patrões na hora de cortar empregos. No primeiro trimestre de 2009 a taxa de desemprego entre hispânicos e negros foi de 9,7% e 11,5%.

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