"Dever da polícia": pistolagem na Paraíba

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Na manhã do dia 2 de maio, 60 famílias que haviam tomado o latifúndio Cabeça de Boi, no município de Pocinhos – PB foram surpreendidas por tiros, vários policiais e pistoleiros cercando o acampamento. De acordo com a denúncia dos camponeses, os policiais invadiram a área sem mandado judicial e atearam fogo nos pertences e barracos.

O latifúndio Cabeça de Boi foi declarado para fins de reforma agrária através de um decreto presidencial de 4 de dezembro de 2008 e ainda encontrava-se sob a posse do latifúndio.

As famílias, organizadas pelo MST, haviam tomado as terras por volta da meia-noite anterior e, cerca de três horas depois, os policiais e pistoleiros chegaram para fazer o despejo. Os camponeses denunciaram que os policiais chegaram atirando, só havendo tempo de retirar as crianças e mulheres da linha de fogo.

Durante a ação ilegal de despejo, dezenas de pessoas foram brutalmente espancadas e sete camponeses foram presos e transferidos para o Presídio Monte Santo, em Campina Grande.

Um protesto reuniu 150 famílias na delegacia de Poçinhos que partiram em marcha até a praça central da cidade exigindo a libertação dos companheiros presos.

Na própria página na internet do Governo da Paraíba, é dada a versão de que camponeses foram presos no acampamento e, sabe-se lá como (aliás, sabe-se muito bem de que forma são extraídas confissões do povo) extraíram uma confissão de que ao tomar as terras do latifúndio, os camponeses teriam ateado fogo na sede da fazenda. O sítio do governo ainda publica a declaração do representante da Superintendência da Polícia Federal da Paraíba, Gustavo Gominho, que disse: "Os dois foram autuados por causar incêndio em casa habitada, que prevê pena de 3 a 6 anos de reclusão, e por esbulho possessório, que pode levar ao cumprimento de 1 a 6 meses de detenção. Enfim, as confissões confirmam a necessidade da ação da PM, que nada fez além de cumprir o seu dever".

Em nota divulgada após a ação truculenta da polícia, a direção do acampamento denunciou que o ataque de policiais e pistoleiros se deu no momento em que as famílias montavam os barracos.

Os camponeses ainda denunciaram que o veículo que servia de apoio ao movimento foi queimado e que o fogo colocado pelos pistoleiros feriu várias pessoas que estavam construindo seus barracos.

A nota revelou ainda que a ação ilegal de despejo ocorreu por volta das 3 horas da madrugada do sábado, quando "a Polícia Militar fardada, sob o comando do Tenente Jonat Midore Ysak, cerca o acampamento e exige que os Sem-Terra desocupem a propriedade. (...) Sete acampados são presos e levados para uma casa (...) querosene é colocado [sobre eles enquanto um tinha] uma queimadura de terceiro grau no braço.

(...) Depois os trabalhadores presos são levados para a delegacia de Poçinhos, onde dois ainda permanecem presos e cinco foram liberados após muitas agressões. No sábado, por volta das 22 horas, os dois presos realizaram [exame de] corpo de delito, apresentando várias marcas no corpo, um deles apresenta fratura na costela".

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