Crise imperialista segue sacrificando o emprego de milhões

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Frente ao agravamento da crise e o declínio do império, milhões de trabalhadores seguem sentindo os efeitos das manobras patronais que todos os dias cortam salários e contratações e engrossam incessantemente a massa de desempregados entregues à miséria. Paralelamente, o povo se rebela nos quatro cantos do mundo.

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Operários invadem sede de empresa em Luxemburgo

Estudo realizado no final de abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que, no Brasil, 80% dos empresários já adotaram medidas contra a crise. Em uma análise mais específica a pesquisa revelou que 54% dos patrões optaram por realizar demissões, 53% deles suspenderam novas contratações e 32% decretaram férias coletivas. Participaram dessa pesquisa 431 empresas de 30 setores industriais em 24 estados do país.

Como revelam os números e os fatos, as demissões em massa seguem sendo a medida mais comum adotada pelo patronato em todos os setores. No período que vai de setembro de 2008, até março de 2009, o Ministério do Trabalho já contabiliza mais de 750 mil trabalhadores demitidos, somente no mercado formal. Em todo o mercado de trabalho o número já ultrapassa os 2 milhões de desempregados. Segundo dados divulgados pelo IBGE no final de abril, a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre) atingiu 9% em março, o pior índice desde 2007.

Alguns estados que têm o seu setor industrial mais atrelado às exportações estão sendo mais afetados pela crise, como o Rio Grande do Sul que somente nesse período demitiu 17 mil trabalhadores. No Amazonas, apenas na indústria de eletroeletrônicos, 27,2 mil postos de trabalho foram eliminados. E no ABC paulista, mesmo depois do anúncio do governo de uma série de benefícios fiscais para as indústrias automobilísticas — como a redução do IPI —, cerca de 18 mil demissões foram anunciadas no setor. O que também aconteceu no sul do país, para onde Luiz Inácio anunciou a injeção de 12,6 bilhões de reais em crédito na agroindústria, que em seguida demitiu 340 pessoas — por intermédio da fábrica de tratores americana AGCO, em Canoas (RS) — que se somam aos 2 mil que já foram mandados embora no setor.

No início de abril, a empresa de telefonia Oi — que no final de 2008 havia comprado a concorrente Brasil Telecom anunciou a demissão de mais 500 trabalhadores, que se somam aos 400 operadores de vendas que já haviam sido demitidos anteriormente.

Os Frigoríficos Independência e Marfrig, localizados no Mato Grosso do Sul — dois dos maiores do Brasil — anunciaram no último dia 22 de abril a demissão de mais de 8 mil funcionários. O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Mato Grosso do Sul — FTIA/MS, Vilson Gimenez Gregório, disse que a categoria já prepara uma maratona de greves e mobilizações em resposta às demissões.

Dois dias depois (24) a rede de lojas Casa & Vídeo divulgou a demissão de 600 trabalhadores em suas filiais no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Já no final do mês de abril, o presidente da Copel (Companhia Paranaense de Energia), Rubens Ghilardi, anunciou a demissão de mil técnicos de nível médio e engenheiros, que podem parar de trabalhar a qualquer momento.

Pelo mundo, empregos continuam desaparecendo

E ao redor do mundo a situação não é diferente. Países da Europa e USA — onde o desemprego já ultrapassa os 16% —, além de diversas outras potências, todos os dias anunciam sequências de demissões a longo prazo, tanto nas matrizes, quanto nas filiais, na sua maioria localizada em semicolônias, como o Brasil.

No dia 14 de abril, a companhia aérea australiana Qantas — que em 2008 já havia demitido 1,5 mil trabalhadores — anunciou a demissão de mais 1.250 pessoas até o final desse ano.

No dia seguinte (15), o banco suíço UBS anunciou que até o final de 2010 irá demitir 8,7 mil trabalhadores em cerca de 50 países, devido a um déficit de cerca de 2 bilhões de francos suíços apenas no primeiro trimestre desse ano. No mesmo dia, o sítio online de leilões Ebay anunciou o desligamento de cerca de mil trabalhadores até o final de 2009.

No dia 17 de abril, a gigante Sony Ericsson, pioneira na produção de telefones celulares, anunciou a demissão de dois mil funcionários em todo mundo até o final de 2009. No mesmo dia, a diretoria da japonesa Toshiba outra mega-indústria do setor tecnológico — disse que até março de 2010 irá demitir quase 4 mil trabalhadores em todo o mundo.

A montadora para competições automotivas da Toyota, localizada na Alemanha, anunciou no último dia 20 a demissão de 150 pessoas até o final de 2009. Apenas dois dias depois, a Volvo AB, segunda maior fabricante do mundo de caminhões pesados, prometeu mandar embora 1.543 funcionários de sua fábrica na Suécia até o final desse ano, assim como o grupo americano Yahoo, que no mesmo dia anunciou o desligamento de 700 trabalhadores em todo o mundo em menos de um mês.

Na última semana de abril, a filial da General Motors no USA, anunciou a demissão de 1,6 mil funcionários nas montadoras locais, como parte do plano de demitir mais de 19 mil trabalhadores em todo o mundo, ironicamente até o dia 1º de maio. Os donos da GM ainda pretendem fechar uma série de fábricas no USA além de demitir outros 21 mil trabalhadores até 2011.

Na mesma semana, Robert Bosh, dono da indústria de autopeças que leva o seu sobrenome, anunciou que irá aumentar a lista de 3 mil operários que já foram demitidos pela empresa desde o início da crise. Somente no Brasil foram 300 demissões.

No dia 29 de abril, a Nokia — outra multinacional do setor de telefonia móvel — anunciou que o número de demissões até o final de 2010 subirá de 1.700 para 2.150 trabalhadores em todo mundo. No dia anterior, a indústria sueca de embalagens e produtos de higiene Svenska Cellulosa anunciou o fechamento de 11 fábricas de embalagem e a demissão de 14% de seus trabalhadores na Europa, o que representa 2,2 mil operários.

Na primeira semana de maio, os diretores da gigante Microsoft fizeram o anúncio da demissão de 5% do quadro de funcionários da empresa nos próximos 18 meses e disseram que o Brasil está na lista de países afetados.

No dia 11 de maio, a construtora aeronáutica francesa Dassault Aviation anunciou a demissão de 2 mil trabalhadores em suas montadoras no USA e na França, onde também haverá uma paralisação de três dias e meio ao mês na produção de várias fábricas. No mesmo dia a Japan Airlines (JAL), maior companhia aérea japonesa, disse que irá mandar 1.200 trabalhadores embora somente em 2009.

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