França: Protestos celebram os 220 anos da queda da Bastilha

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Paris fazia preparativos para enfrentar as tropas reais. Em 14 de julho de 1789, divulgaram-se rumores de que canhões da velha fortaleza-prisão real, a Bastilha, estavam apontados contra a cidade. Ouviu-se um grito: "à Bastilha!". Quatro horas durou o sítio sangrento da Bastilha, porém chegaram os guardas com os canhões. Ao ver que a rendição era inevitável, o comandante da Bastilha, com uma mecha acesa, lançou-se ao depósito de pólvora para fazer saltar a fortaleza. Foi detido pelos soldados, que abriram as portas da Bastilha. O comandante foi morto. Por todas as ruas e praças ouviam-se os gritos de: Vitória! Vitória!"
História Moderna - N. Efímov (Editorial Vitória)

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"A liberdade guiando o povo", de Delacroix,
representaçã da revolução burguesa

Era a revolução burguesa, que estremecia a França e os países mais desenvolvidos da Europa. A burguesia vivia seu florescimento intelectual, que amadurecia desde o Renascimento, e deu origem às idéias de liberdade política e econômica, defendidas pela burguesia. Os filósofos e economistas que difundiam essas idéias julgavam-se propagadores da luz (contra o antigo regime que seria as trevas) e do conhecimento, sendo, por isso, chamados de iluministas. Assim desenvolveram-se as idéias contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contra o absolutismo do rei e os privilégios da nobreza e do clero. Nesse dado momento histórico, a burguesia era uma classe progressista e revolucionária, lutava pela derrubada do feudalismo e era fundada nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

A Bastilha foi uma das primeiras grandes prisões políticas da história, se não a primeira. Com oito torres e muralhas de 25 metros de altura cercadas por fossos, essa masmorra encarcerou os inimigos políticos do sistema e aqueles que se opunham  à religião oficial. Era símbolo maior do terror feudal na França do século XVIII.

A tomada da Bastilha significou um importante golpe na ordem feudal, um verdadeiro símbolo da revolução burguesa na França.

As revoluções burguesas cumpriram, através da violência revolucionária, o papel histórico de reduzir a pó a velha ordem feudal. No entanto, logo do triunfo da revolução, a burguesia desarma e trai as amplas massas de camponeses e artesãos nas quais se amparou para galgar o poder, convertendo-se em classe reacionária, exploradora e opressora da força de trabalho da classe operária para extrair a mais-valia.

Hoje na França

Na madrugada do dia 14 para o dia 15 de julho deste ano, como há 220 anos atrás, as massas revoltadas saíram às ruas em toda França para reviver a vitoriosa Tomada da Bastilha e protestar contra o gerenciamento fascista de Nicolas Sarkozy, onde a prioridade é a perseguição pontual aos imigrantes, ao povo pobre e aos movimentos populares.

Nas ruas de grandes cidades francesas, como Lille, Lyon e da capital Paris, estudantes e trabalhadores organizados, ergueram barricadas e enfrentaram corajosamente a tropa de choque da polícia de Sarkozy. Ao menos 13 policiais ficaram feridos e mais de 317 carros foram queimados pelos manifestantes, mais de 200 deles somente nas periferias da capital. No bairro pobre de Montreuil, aconteceram os protestos mais combativos e, após uma tentativa da policia de dispersar a massa com balas de borracha e spray de pimenta, manifestantes responderam atirando uma chuva de bombas e pedras contra a tropa, ferindo vários repressores.

A grande maioria dos piquetes aconteceu no subúrbio de Paris e de outras cidades no interior da França, onde há décadas agrava-se a condição de vida da maioria de seus habitantes, composta por imigrantes, seus descendentes e demais trabalhadores pobres. Nessas regiões — onde o desemprego já atinge 40% da população —, combativas manifestações estão sendo deflagradas com frequência, reflexo da miséria em que vive o povo pobre em todo o país.

No total, 240 manifestantes foram presos nos protesto que, como acontecem todos os anos, agitaram a França na mesma madrugada da Tomada da Bastilha, em 1789. No ano passado, 219 carros foram queimados e 120 pessoas foram presas, dado que revela um avanço nas mobilizações ano após ano, nessa data que demarca uma das maiores vitórias do povo francês contra o feudalismo e o absolutismo.

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