Pé na rua ao encontro do povo

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Fundado há 11 anos, em Belo Horizonte, com a idéia de unir pessoas em torno do exercício teatral, através de pesquisas, incentivo a criação, formação de público, partindo para o campo do teatro de rua, O Galpão Cine Horto ou centro cultural do grupo Galpão, importante cia. teatral, tem se mostrado um espaço aberto à comunidade, proporcionando troca de idéias e acúmulo de conhecimento, em prol da cultura brasileira e do povo.

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O Cine Horto, Pé na Rua, em Sonho de uma noite de São João, Belo Horizonte, Minas Gerais

Entre muitas atividades e projetos culturais, o Cine Horto realiza em sua sede oficinas, seminários, palestras, debates abertos à comunidade ou no próprio meio artístico, dependendo do perfil de cada evento, e um importante trabalho de formação de público apreciador das artes cênicas.

— Através do projeto 'Conexão Galpão', recebemos alunos da rede pública de ensino para assistirem espetáculos teatrais, filmes, com a intenção de formar espectadores dessas linguagens e garantir um futuro com a existência de pessoas com nível cultural e senso crítico, além de despertar talentos — fala Leonardo Lessa, coordenador geral do Galpão Cine Horto.

E muitos talentos são aproveitados anualmente no 'Oficinão', mais um importante trabalho do grupo, que visa a reciclagem e formação de atores, combinando com a montagem de um espetáculo de rua que circula por Belo Horizonte, interior e outros estados, quando lhe é dado oportunidade.

— O 'Oficinão' faz parte do projeto 'pé na rua', que levamos para festivais e eventos diversos, ou a qualquer momento, em qualquer parte da cidade, dando preferência a locais públicos. O 'pé na rua' extrapola os limites do nosso espaço e circula, tendo uma inserção muito forte na comunidade local aqui do bairro onde estamos, e das 'praças' por onde passamos — diz Leonardo.

— Procuramos ir onde o povo está, já que muitas vezes não podem, por questões sociais, vir até o nosso teatro. O 'pé na rua' tem um significado muito importante no sentido de retomar ou reencontrar as origens do próprio grupo Galpão, que surgiu na rua, dedicando-se a pesquisa em teatro popular, para fazer espetáculos com maior possibilidade de circulação. A nossa proposta é circular o máximo possível, e temos conseguido isso — continua.

O grupo está na quinta edição do 'pé na rua', sempre com um grande envolvimento e reconhecimento dos muitos que aplaudem as atividades da trupe.

— As quatro primeiras edições foram dirigidas por atores do grupo Galpão, que participam na parte de concepção artística dos projetos, mas o elenco de atores dos espetáculos são todos oriundos do 'Oficinão' — explica.

— Os temas levantados nas peças dependem de cada produção, não tendo nada pré-estabelecido. A que estamos apresentando atualmente é baseada no 'Sonho de uma noite de verão', do Willian Shakespeare, mas com temática regional, virando 'Sonho de uma noite de São João', ganhando uma roupagem voltada para a questão das festas juninas — acrescenta.

O espetáculo do ano passado foi 'Arande Gróvore', montagem infantil para rua que fala sobre o universo dos contos populares, com muita música e empenho de todos os atores, chamando atenção de um grande número de pessoas.

Cultura acessível

Segundo Leonardo, o Galpão Cine Horto tem uma política de acessibilidade muito clara, sempre dando preferência por realizar todas as suas atividades gratuitamente ou a preço razoável.

— Queremos facilitar o acesso do povo ao teatro, para democratizar isso da melhor forma possível, no que está ao nosso alcance. E também oferecemos nossos espaços para outros grupos se apresentarem e realizarem suas oficinas, seminários, debates, através do 'Galpão convida' ou mesmo quando eles nos procuram, e isso acontece constantemente - fala.

Recentemente o Galpão Cine Horto recebeu a visita do importante grupo paulistano Cia. do Latão, que tem como foco principal o estudo da obra de Bertolt Brecht e seu teatro dialético.

— Temos um público fiel tanto entre os artistas mineiros e de fora, quando entre os espectadores em geral, sempre prestigiando nossos projetos próprios e dos convidados. Pessoas de todas as camadas sociais e principalmente das mais populares, circulam pelo nosso espaço, assistem aos espetáculos, frequentam eventos, oficinas e cursos — conta.

— Isso para nós é muito gratificante, porque gostamos mesmo de diversificar o nosso público e, inclusive, também os nossos atores, já que participam do 'Oficinão' pessoas de toda parte e de vários níveis de experiência, uma turma heterogênea, permitindo que possamos contemplar diversos perfis de atores em formação — acrescenta.

Os projetos do Cine Horto têm periodicidade anual e, sendo assim, já estão sendo pensados trabalhos para 2010, sempre com compromisso com a cultura a sua volta.

— Na medida em que temos diversos processos criativos acontecendo simultaneamente, a cultura popular, o folclore da cidade e do estado está presente, às vezes mais forte em um do que em outro. Alguns falam de uma estética mais contemporânea e outros mais antiga, porque acreditamos que a cultura mineira pode ser entendida sobre vários aspectos, desde regionais bem tradicionais, até do que está sendo dito pelos jovens artistas de hoje. Procuramos levar tudo isso em consideração — finaliza Leonardo Lessa.

O endereço do Galpão Cine Horto é: Rua Pitangui, 3613 — Horto — Belo Horizonte.
www.galpaocinehorto.com.br

Os 25 anos de 'Ói Nóis Aqui Traveiz'

Falando em teatro de rua, lembremos das comemorações dos 25 anos de existência do Ói Nóis Aqui Traveiz, um dos mais importantes grupos desse teatro no Brasil. A trupe gaúcha circula pelo país com temas significativos para uma consciência política do povo.

Por ocasião das comemorações, no último dia 29 de julho, lançou o sexto número da sua revista de teatro Cavalo Louco e apresentou exercícios cênicos A Comédia do Trabalho, com a Oficina Popular da Vila Pinto, e Aquele que diz Sim / Aquele que diz Não, com a Oficina Popular do bairro Restinga, ambos de Porto Alegre, onde funciona a sede da cia.

O grupo tem uma pesquisa teatral própria e desenvolvida na sua Escola de Teatro Popular, dentro da Terreira da Tribo, sua sede, que oferece gratuitamente para Porto Alegre e região metropolitana, oficinas de iniciação teatral, pesquisa de linguagem, formação e treinamento de atores, além de seminários e ciclos de discussão sobre as artes cênicas.

Sua organização é toda baseada no trabalho coletivo, tomando o espaço coletivo como ponto de apoio central em suas atividades. A Terreira da Tribo, gerida pelo Ói Nóis Aqui Traveiz, se tornou uma peça importantíssima para o desenvolvimento do teatro porto-alegrense, sendo que várias de suas manifestações já foram apropriadas pela cidade, como o Teatro de Rua, hoje com vários grupos atuando regularmente.

A Terreira da Tribo, Ói Nóis Aqui Traveis, funciona na Rua Santos Dumont, 1186, bairro São Geraldo, Porto Alegre.

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