Santa Marta cada vez mais cercada

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Para além da violência cometida contra os professores, o mês de setembro terminou com dois exemplos claríssimos da truculência da gerência estadual do Rio de Janeiro contra o povo que vive nas favelas da capital fluminense.

O primeiro deles ocorreu nas imediações do morro Santa Marta, favela "modelo" para implementação das assim chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Encravada na zona Sul da cidade, a favela vem sendo palco de uma série de abusos policiais, muitos deles denunciados aqui nessas páginas, assim como fizemos seis meses antes da tragédia no Morro da Providência, onde três jovens foram assassinados em decorrência da ocupação militar.

No dia 12 de setembro, Marco Antonio Ferreira Junior, de 23 anos, foi agredido com um tapa na cara por policiais militares na Rua Real Grandeza, em Botafogo, onde fica encravado o morro Dona Marta. De acordo com seu relato, o rapaz, negro, foi abordado de forma desrespeitosa por dois policiais militares. Marco disse que eles jogaram a viatura em sua direção, atingindo sua perna.

"Que palhaçada é essa?", perguntou Marco. Diante de suas reclamações, os policiais desceram do carro e o agrediram verbalmente. Marco conta ainda que foi algemado e levado para a 10ª DP, tendo sido agredido no caminho. Já na delegacia, enquanto relatava o caso ao escrivão, Marco foi novamente agredido com um tapa no rosto. De acordo com seu depoimento, o policial justificou a agressão com o seguinte argumento: "Tá cheio de marra com a polícia? Então toma!".

Por fim, Marco disse ter sido obrigado a assinar um documento de desacato contra os policiais como condição para ser liberado e retornou para casa sem ser submetido a exames de corpo delito. Procurado pela reportagem, o delegado responsável pela 10ª DP alegou desconhecer o episódio.

O caso de Marco foi encaminhado para o núcleo de direitos humanos da Defensoria Pública, que também vai analisar outras três denúncias de moradores do Santa Marta: Valdeci Santos Oliveira, que alega estar sendo perseguido por policiais militares; o rapper Fiell, que relatou ter sido vítima de sucessivas revistas vexatórias; e Victor Hugo, que denunciou agressão por parte dos policiais militares que ocupam a favela. Sobre este último caso, o Ministério Público já se pronunciou confirmando o abuso policial.

Outro problema que tem afligido e revoltado a população do Santa Marta é a instalação de sete câmera de vídeo no morro para vigiar os moradores 24 horas por dia. Essa medida das forças repressivas pegou de surpresa a população que tenta se mobilizar contra o que já chamaram de "Big Brother Santa Marta".

Agora, além de cercados pelos muros de Luiz Inácio, Paes e Cabral, os moradores passarão a ser vigiados em tempo integral sem saber qual é o real alcance do equipamento, quem terá acesso às imagens, por quanto tempo elas ficarão armazenadas e onde. Realmente assistimos a um refinamento do fascismo para uma política velha: o confinamento de indesejáveis em guetos.

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