O povo da Grécia não se dobra

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Na edição de março, este jornal noticiou a greve geral levada a cabo pelas massas trabalhadoras da Grécia no último dia 24 de fevereiro, quando milhares de pessoas saíram às ruas com altivez e destemor, marchando contra as medidas anti-povo decretadas pela gerência dita "socialista" daquele Estado que ocupa posição subalterna na conformação da Europa do capital. O parlamento grego foi cercado e os manifestantes chegaram a erguer barricadas para deter as forças de repressão atiçadas contra eles. Naquela feita, AND informou: "A Greve Geral durou 24 horas e foi encerrada com o anúncio de novas mobilizações".


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Pois elas não tardaram! Na verdade, desde a Greve Geral do dia 24 de fevereiro os gregos não arredaram pé das ruas, principalmente das ruas da capital do país, Atenas. As confrontações entre o povo em luta e a polícia mandada para tentar conter o agigantamento das massas organizadas e inquebrantáveis se agudizaram outra vez a partir de 5 de março, quando uma nova grande greve e novas manifestações aconteceram um dia depois de o governo Giorgos Papandreu ter acrescentado outras medidas anti-povo — aumento dos impostos e confirmação do corte dos salários dos funcionários públicos — ao pacote draconiano que anunciara em janeiro, e que já havia suscitado a fúria popular.

Enquanto os financistas sob o comando de Papandreu anunciavam novos achaques, políticos alemães ligados a Angela Merkel exortavam a Grécia a vender monumentos do seu patrimônio histórico-cultural e até parte do território do país para saldar as dívidas que atormentam seus gerentes, em uma afrontosa provocação ao povo grego.

Naquela quinta-feira, as massas cheias de revolta e ânimo para enfrentar os poderosos locais e estrangeiros arrancaram os mármores das escadarias do prédio do banco central, em Atenas, atirando-os contra a polícia. Carros e lixeiras foram incendiados e a juventude voltou a montar barricadas nas ruas. Na sexta-feira, dia 6 de março, o parlamento grego aprovou o plano do governo que visa restaurar a saúde das finanças do país às custas dos trabalhadores, desafiando as classes populares revoltosas e chamando-as para o confronto.

As greves, os protestos e o corajoso enfrentamento à repressão fascista não cessaram nas semanas seguintes. Ao contrário, intensificaram-se, acuando a gerência grega e preocupando os chefes da União Européia. Rapidamente, no dia 14, os serviços de contra-informação do fascismo soltaram uma pesquisa fajuta segundo a qual a maior parte dos gregos acredita que as "medidas de austeridade" impostas pelo governo Papandreu são necessárias, e que os sindicatos não deveriam organizar as massas contra elas "de forma muito agressiva".

O engodo apregoado aos quatro ventos tentou emplacar a mentira de que cerca de 40% dos gregos disseram que os sindicatos deveriam buscar a "paz social", enquanto outros 35% teriam dito que os trabalhadores deveriam expressar sua oposição "sem provocar conflitos". Ora, basta olhar para as ruas da Grécia para saber o que as massas pensam, querem, exigem. O povo respondeu à descarada patranha com mais greves e mais levantes. Pararam os trabalhadores do serviço público de saúde, da estatal de energia DEH — cujos funcionários ocuparam a sede da companhia -, os ferroviários, e até os advogados.

Acossados, os gerentes gregos e os cabeças das potências européias não sabem mais o que fazer para tentar aplacar as ruas. Eles ensaiam, mas não conseguem se entender a respeito de manobras para tentar gerir a crise. Batem cabeça para acertar um "pacote de socorro", já se especulou sobre a criação de uma versão européia do FMI, e a Alemanha chegou mesmo a insinuar a possibilidade de expulsar a Grécia da União Européia. Tudo como se a agonia econômica imposta pela crise geral do imperialismo e as fraudes fiscais fossem exclusividades gregas. Querem é mascarar a sofreguidão do conjunto dos Estados falidos, coisa que a Grécia não vem conseguindo fazer muito bem.

Enquanto isso, os grandes bancos europeus especulam com a crise grega, jogando fichas em um instrumento da farra financeira chamado "Troca de Crédito por Inadimplência", que consiste em nada mais do que apostar na moratória de uma empresa ou, no caso, de um país, esperando lucrar com ela. São os mesmos bancos que ajudaram a deixar a Grécia no vermelho, e que agora, querendo trocar crédito por inadimplência, dificultam a vida dos gerentes gregos, que correm atrás de dinheiro emprestado para rolar a crise. Quem vai querer emprestar se uma eventual quebradeira já oferece maiores possibilidades de ganhos? Como disse um sincero banqueiro alemão ao jornal The New York Times, "é como comprar o seguro de incêndio da casa do seu vizinho e criar um incentivo para pôr fogo nela". É a Europa do capital se afundando em suas próprias contradições!

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