Obama manda mercenários promoverem novas guerras

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Em gravações secretas obtidas na segunda semana de maio pelo repórter estadunidense Jeremy Scahill, a conhecida empresa de mercenários Blackwater revelou planos para iniciar guerras no Iêmen, Somália, Nigéria e Arábia Saudita, com autorização do governo do USA. A denúncia foi publicada na revista The Nation e nas páginas na internet El Corresponsal e Rebelión, pelo jornalista Ricardo López Dusil.

Conforme as gravações, no começo serão executadas ações clandestinas contra "terroristas", através de tropas mercenárias armadas da Blackwater (que agora se chama Xe Services), que entrarão naqueles países com "visto bom" do governo do USA. Ou seja: com autorização de Obama.

As gravações foram obtidas por Scahill em 14 de janeiro passado, quando o presidente da Blackwater, Erik Prince, reuniu-se a portas fechadas na Universidade de Michigan com empresários da indústria armamentista, militares da ativa e veteranos.

Conforme Prince, o objetivo inicial das missões mercenárias na Nigéria, Iêmen, Somália e Arábia Saudita seria combater a influência do Irã na região e, no caso de Nigéria, também "salvar" o petróleo que está se perdendo devido aos contínuos atentados da insurgência nigeriana.

O que Prince não disse, mas sim AND , é que essas guerras mercenárias "contra o terror" nada mais são que um lançamento de bases para uma nova e gigantesca frente de ocupação imperialista. Ao indicar os quatro países, a Blackwater mostrou que AND teve toda a razão ao denunciar a existência de uma "receita de expansão das ocupações apenas a países chefiados por classes dominantes prontas a colaborar com o imperialismo, tendo em vista que, por ora, o USA não tem coragem de entrar em países como o Irã ou a Coréia do Norte".

Também no Paquistão

Outro disfarce de Obama flagrado na reunião na Universidade foi o caso paquistanês. A Casa Branca vem jurando que não possui operações no Paquistão, mas nas gravações obtidas por Scahill, o presidente da Blackwater afirmou que estava sim realizando ações naquele país. E mais: com o financiamento do Pentágono e da CIA.

Quanto à escolha dos demais quatro países é preciso relembrar o que AND já informou anteriormente:

1) Desde o ano passado os ianques já tinham definido o Iêmen, rico em petróleo e governado por uma monarquia vende-pátria, como seu novo alvo.

2) A Arábia Saudita, também com seus reis vendilhões e muitos petrodólares, faz parte do projeto ianque de ocupação dos estratégicos golfo de Aden e estreito de Bab-El-Mandeb.

3) A Somália, igualmente estratégica devido à passagem de navios petroleiros pelo Bab-El-Mandeb, incomoda o imperialismo pelos grupos de resistência, notadamente a Guarda Costeira Voluntária, apelidada de "pirata" pelas potências internacionais e sua imprensa.

4) Na Nigéria, o povo em armas enfrenta com bravura as transnacionais sugadoras de seu petróleo, e por isso está na lista, como admitiu o chefe da Blackwater.

Segundo as gravações, Prince assegurou que a Blackwater está executando um plano "mestre" para organizar uma rebelião xiita na região. "Não vão conseguir resolver o problema (do Irã) com soldados uniformizados. É (uma situação) muito sensível. O setor privado, porém, pode operar ali com presença quase invisível", disse ele, agregando que o uso de agentes privados contra o Irã seria muito mais econômico do que uma guerra tradicional.

No que toca à Nigéria, Prince defendeu o uso de mercenários armados porque, como disse, grupos guerrilheiros do país conseguiram diminuir dramaticamente a produção de petróleo e gás. Indiretamente reconheceu a eficácia da guerrilha, pois informou que os rebeldes estão se apossando de meio milhão de barris de petróleo cru por dia.

Prostituição

Jeremy Scahill, que conseguiu as gravações secretas, é autor do livro Blackwater: o auge do exército mercenário mais poderoso do mundo . Recentemente o jornalista publicou um artigo dizendo que a empresa de mercenários está executando operações clandestinas também no Afeganistão, conforme o próprio Prince.

São "operações de ofensiva", feitas através de bases militares controladas pela Blackwater naquele país."Nós construímos quatro bases militares, as equipamos e as dirigimos", disse Prince. Uma das bases, a FOB Lonestar, está a menos de 10 km da fronteira com o Paquistão, o que enche Prince de vaidade: "Quem mais poderia construir uma base de operativos de ofensiva tão perto da rota de infiltração dos talibãs?"

Permitir a particulares operar "bases militares" em um país estrangeiro no contexto de uma guerra viola a Convenção de Genebra e leis internacionais. Mesmo assim, Obama não suspendeu as operações. Desde 2002, o governo do USA vem fazendo contratos que já somaram mais de 2 bilhões de dólares com a Blackwater / Xe Services.

Erik Prince, tido como um cristão radical que pertenceu a uma equipe de operações especiais das Forças Armadas do USA (leia-se operações escusas), fundou a firma de "segurança" Blackwater en 1997. A empresa é uma importante financiadora das campanhas eleitorais do Partido Republicano, e Prince um protegido e cúmplice do ex-presidente George Bush pai.

Em março de 2009, dois meses após a posse de Obama, Prince anunciou que estava abandonando o cargo de diretor geral da Blackwater. A decisão, anunciada depois de denúncias de ações imorais, ilegais e terroristas feitas por seus mercenários na guerra no Iraque, na realidade foi um disfarce: Prince continua mandando e a Blackwater apenas mudou de nome (Xe Services).

Segue sendo o grupo privado com a relação mais importante dentro do Departamento de Estado do USA, comandado pelo "pacífico" Obama. Cerca de 90% de seus lucros atuais procedem de contratos com o governo ianque

No Iraque, a firma goza de impunidade absoluta, já que seus "soldados" não podem ser julgados, segundo um decreto do ex-comandante gringo Paul Bremen, a quem os mercenários protegiam pessoalmente.

Em dezembro de 2006, um membro da Blackwater matou um guarda do vice-gerente iraquiano Al-Mahdi. Em menos de 36 horas o Departamento de Estado o tirou do país, recomendando que a empresa pagasse 250 mil dólares à família do guarda. No fim, somente lhe deram 15 mil. O serviço diplomático ianque afirmou que se a Blackwater pagasse mais, não faltariam iraquianos "que se deixassem matar" para que suas famílias pudessem cobrar recompensas de alto valor.

Segundo uma reportagem do canal de tevê MSNBC, baseada em declarações de dois empregados da Blackwater à justiça, a empresa utilizou prostituição infantil em sua sede na fortificada Zona Verde de Bagdá. As testemunhas afirmaram que crianças iraquianas foram envolvidas em atos sexuais com membros da Blackwater a troco de um dólar. E que Erick Prince não fez o menor esforço para "deter o uso de prostitutas, incluindo a prostituição infantil, por parte de seus homens". Em outras declarações à Corte de justiça, os dois empregados informaram ainda que a CIA contratou a Blackwater para um programa secreto de assassinatos políticos.

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Fonte: Artigo de Ricardo López Dusil, da equipe do sítio elcorresponsal.com , publicado na revista The Nation (USA) e sítio rebelión.org

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