Donos do Estado enquadram o servil gerente

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Em poucas oportunidades tivemos uma demonstração inequívoca de quais as forças que realmente dominam o Estado Brasileiro. Os episódios do envio ao Congresso de uma nova versão do III Plano Nacional de Direitos Humanos e a decisão do STF de considerar cobertos pela anistia os crimes praticados pelos gorilas durante o regime militar de 1964 a 1985, nos dão de bandeja esta demonstração.

No final de 2009 Luiz Inácio manda para o congresso o Plano Nacional de Direitos Humanos com algumas diretrizes de arranhavam o verniz da dominação dos grupos de poder do velho Estado, nada que mexesse nas estruturas.

O Plano propunha (nada com nem uma sombra de que ia ser cumprido), entre outras coisas, a apuração das circunstâncias em que ocorreram as torturas e assassinatos no período do regime militar fascista pós-1964; a descriminalização do aborto; a possibilidade de se estabelecer um leve controle sobre os monopólios de comunicação e o estabelecimento de audiências prévias para efeito de reintegração de posse no campo. Foi o suficiente para que se levantassem as labaredas do círculo de fogo da reação, em forma de campanhas nos monopólios de comunicação, devidamente bancadas por entidades patronais dos banqueiros, das transnacionais e do famigerado agronegócio; movimento nos quartéis e nos sites dos milicos de pijama; gritaria do latifúndio entrincheirado no carcomido parlamento e o ranger de dentes dos carolas e padres reacionários.

Como resultado tivemos o envio pelo servil gerente Luiz Inácio de uma segunda versão acatando todas reclamações dos grupos de poder. Concomitante o STF decide deixar fora de qualquer possibilidade de julgamento os torturadores e assassinos dos mártires do povo brasileiro na luta contra o regime militar fascista, que por mais de vinte anos infelicitou a nação, servindo à exploração do imperialismo, da grande burguesia e do latifúndio. Todo este alarde e suas consequências revelam o quadro de atraso secular da sociedade brasileira que tem incrustada na estrutura do Estado uma escória que só pode ser varrida por um processo revolucionário, haja vista sua impermeabilidade a qualquer mudança. Aliás, neste episódio, fica bastante clara a condição semicolonial e semifeudal, características do capitalismo burocrático vigente em nosso país.

Julgamento na OEA

A Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) iniciou neste mês de maio o julgamento dos crimes cometidos pelas forças de segurança no Brasil, no enfrentamento com o Partido Comunista do Brasil na região do Araguaia, durante a gerência militar (1964-1985). Como os autores já foram beneficiados pela polêmica decisão do STF, os oportunistas do gerenciamento petista, tendo à frente Nelson Jobim, já se adiantaram em afirmar que não acatarão o veredicto do julgamento da OEA. É ou não é uma demonstração da mais elevada sabugisse?

O que a história nos mostra

Quando renunciou em agosto de 1961 Jânio Quadros atribuiu a forças ocultas e terríveis o móvel que o levou tomar tal atitude. Pelas posições que assumiu, principalmente em política externa, com aproximação de Cuba, China e União Soviética, em plena guerra fria, já dá para supor a origem de tais forças que, na verdade, não são nada ocultas. Jânio não quis passar o recibo de que ocupava apenas a gerência de um Estado cujo caráter burguês-latifundiário serviçal do imperialismo não permitia a existência de um governo independente e soberano.

De repente a movimentação nos quartéis, as campanhas na imprensa, as reuniões nas entidades das "classes produtoras" e os sermões nas igrejas vão fechando o círculo de fogo que protege os interesses do polo dominante na sociedade. Jânio, tal como Getúlio, não se curvou, mas, também, não confiou na força do povo, escusando-se de convocá-lo para enfrentar as forças da reação. Quase três anos depois o mesmo círculo de fogo volta a fechar-se, desta feita em torno de João Goulart e suas reformas de base, e novamente a conspiração nos quartéis, as campanhas da imprensa, a ingerência da embaixada ianque, as articulações patronais puxadas pelas transnacionais e a marcha da família com deus pela liberdade mostraram ao vivo e à cores os grupos de poder dentro do apodrecido Estado brasileiro. Getúlio, Jânio e Jango pela sua extração de classe eram extremamente vacilantes em relação ao povo, na verdade, só conseguiam enxergar as massas pelo filtro das manipulações eleitorais e, nenhum deles se aventurou a acender o estopim por terem a certeza de que perderiam o controle da situação e seriam, eles mesmos, atropelados pelos acontecimentos. Preferiram sair de cena a enfrentar os donos do Estado.

Gerente da espinha mole

Diferentemente das situações relatadas acima em que os gerentes de turno ainda tinham alguma dignidade e não se curvaram, agora, ocupa o posto um gerente da espinha mole. Tão logo surgiu o alvoroço veio a notícia de que ele tinha assinado a mensagem ao congresso sem lê-la e, em seguida, baixada a poeira envia uma segunda mensagem retirando todos os itens impostos pela reação.

A verdade é que nunca na história deste país jamais se viu tanto acoelhamento e tanta subserviência.

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