A volta da gafieira junta o jovem e o antigo na capital mineira

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Orquestra Senta a Pua se apresenta no Espaço Centoequatro em BH

Retomando a música instrumental de qualidade e a dança de salão, muito fortes há mais de cinquenta anos na zona boêmia da capital mineira, a gafieira Centoequatro e o grupo Senta a Pua despertam o prazer de frequentar o centro da cidade, proporcionando o contato de jovens com a boa música e a lembrança dos mais antigos, com saudade do tempo que existiam muitas gafieiras na cidade e reúnem um público diversificado através da dança e da música.

— O espaço Centoequatro é um antigo galpão de tecidos bem no centro da cidade, que foi revitalizado e transformado em centro cultural. O projeto de gafieira, que acontece no local, procura resgatar essa área aqui do centro, que já foi da boemia. Dessa forma, estamos reinventando a história da gafieira em Belo Horizonte. Ela já aconteceu em algumas casas tradicionais daqui como Estrela e a Elite, porém, estava desaparecendo — explica Rodrigo Torino, músico e idealizador do grupo Senta a Pua.

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— Esse projeto da Gafieira Centoequatro está fazendo um resgate completo do que seria um baile de gafieira. Tem os dançarinos picotando o cartão, vendendo dança, enfim, tudo como era feito antigamente. E nós, do Senta a Pua, estamos fazendo um trabalho de música voltado para a gafieira, e junto com o pessoal da dança. Para nós, é um projeto que uniu o útil ao agradável, porque queremos trabalhar, o espaço é interessante e a região é inspiradora — declara Rodrigo com alegria.

Segundo Inês Rabelo, que responde pela gafieira, a Centoequatro surgiu com a intenção de abrir as portas para a ocupação artística, o debate e a formação. Muitos eventos acontecem por lá. O espaço é ao mesmo tempo café, cinema e galeria, e assume uma programação de duas vias, com projetos próprios e intervenções propostas por organizações, coletivos e indivíduos comprometidos com a cultura e a produção artística.

Além da Centoequatro, o grupo se apresenta em outras casas noturnas de Belo Horizonte. E já participou dos festivais de inverno de Diamantina e Ouro Preto, e do festival Choro Livre.

— Com esse projeto da Centoequatro, outros espaços estão surgindo por aqui. E a cena da gafieira está se fortalecendo com o aparecimento dessas casas e bailes. Com isso, o Senta a Pua é solicitado para muitos eventos. Já vínhamos fazendo um trabalho de música há uns quatro anos e sentimos que agora está crescendo mesmo — fala Rodrigo.

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— Os jovens estão redescobrindo a gafieira. Na Centoequatro, ou em qualquer apresentação, vemos uma grande quantidade de jovens interessados. Mas tem também pessoas de todas as idades. É um ambiente bem eclético e muito interessante. Acredito que, daqui para frente, isso só vai melhorar — continua.

O Senta a Pua é um grupo de gafieira. Além da obra autoral, a banda instrumental também toca choros, maxixes, sambas e tudo o mais de grandes nomes, como Paulo Moura, Raul de Barros, Zé da Velha e Silvério Pontes, Chico Buarque, João Bosco, etc.

— Tocamos samba, choro, maxixe, salsa, bolero, forró e mais gêneros, mas tudo com a linguagem da gafieira. Com metais, com baixo, com bateria, violão e cavaquinho. Não somos um grupo de samba de raiz ou um regional de choro que tem que ter um formato mais acústico, e sim uma banda com formato mais arrojado. Um dos significados de Senta a Pua é fazer algo com afinco, com ênfase, por isso, escolhemos esse nome, que tem a ver com a nossa formação instrumental — fala Rodrigo.

Pesquisando e trabalhando gafieira

A banda é formada por amantes do samba e do choro que preferiram investir na popularização da música de boa qualidade, ao invés de se afogar em modismos.

— Somos em seis componentes fixos: Juventino Dias, no trompete; Tiago Ramos, saxofones; Gustavo Grieco, bateria; Pablo Malta, cavaquinho e bandolim; Rodrigo Torino, violão de 7 cordas; e Aloísio Horta, baixo. Também convidamos outras pessoas para participar conosco, dependendo da apresentação — fala o baixista Aloísio Horta.

— Todos nós compomos alguma coisa, mas a maioria das obras são do Rodrigo Torino. É dele toda a ideia, o projeto do Senta a Pua. Ele foi para o Rio de Janeiro pesquisar toda essa música que amamos, que é o samba, o choro, tudo que é da gafieira. Estudou com o mestre Maurício Carrilho, na Escola Portátil de Choro. Isso em 2006 — continua Aloísio.

 Rodrigo Torino explica que seu período no Rio foi para se aprimorar, conhecer melhor, voltando para Belo Horizonte com uma grande vontade de colocar em prática tudo isso

— Tenho deixado fluir o que aprendi, direcionado minhas composições para esse caminho da gafieira, esse tipo de pegada. E estamos em um momento muito interessante de trabalho e entusiasmo, que é a fase da pré-produção do nosso primeiro cd, previsto para ser lançado este ano ainda, apenas com composições minhas. A direção musical e arranjos são do Eduardo Neves, que é um grande músico do Rio de Janeiro, uma grande referência para nós — fala Rodrigo.

— Além disso, temos muitos shows previstos para este ano e já nos apresentamos com pessoas como o maestro Paulo Moura e a cantora Elza Soares. Temos a alegria de estar sendo referência de gafieira em Minas Gerais e poder trabalhar com esses mestres — declara.

  — Também temos trabalhado com o Zé da Velha e Silvério Pontes, e realizado uma parceria bem próxima com o Eduardo Neves. Inclusive, temos uma apresentação marcada para o dia 28 de maio com o Eduardo, no Parque Municipal, aqui em Belo Horizonte. É um projeto que abarca vários estilos e tendências da música feita em Minas — conclui Rodrigo Torino.

Para contatar a gafieira Centoequatro e o grupo Senta a Pua: (31) 3222-6457


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