Copa do mundo e olimpíadas - Festa da burguesia é terror para o povo

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No dia 29 de julho, durante o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo, no Rio de Janeiro, enquanto figurões dos monopólios e seus papagaios de pirata se esbaldavam em festividades que custaram mais de R$ 30 milhões dos cofres públicos, as vítimas das criminosas remoções de favelas e bairros pobres levadas a cabo pela prefeitura, trabalhadores sem-teto, além de professores da rede estadual em greve, além de vários outros setores dos movimentos populares protestaram.

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Protesto durante sorteio das eliminatórias da copa

Cerca de mil manifestantes bloquearam a Avenida Infante Don Henrique, um dos acessos à Marina da Glória, local do sorteio. Mesmo com o forte aparato policial mobilizado para reprimir possíveis protestos, o protesto foi mantido.

— O dinheiro é do povo e o povo é quem tem que decidir o que tem que ser feito com ele. Eles não podem fazer o que querem com o nosso dinheiro. O povo não é bobo. Queremos resposta — disse a presidente da associação de moradores da favela Estradinha 1014, Maria de Fátima. Desde o ano passado, a Estradinha, na zona Sul do Rio, é um dos principais alvos dos tratores da prefeitura, que já removeu 230 das cerca de 300 famílias que viviam no local.

— Eu não sabia que pra gente ter os jogos, as Olimpíadas, a Copa aqui no Brasil precisaria remover as comunidades, limpar a fachada do Rio de Janeiro. Afinal, essa Copa é pra mim ou é para os gringos? Esse Rio de Janeiro grande e bonito foi construído pelos pobres das encostas. Se as encostas estão ocupadas pelas favelas é porque o pobre veio para cá construir as casas dos ricos. Agora que as casas dos ricos já estão construídas, os pobres não podem mais viver nas encostas? — pergunta a Irmã Fátima.

Com o acesso à Marina da Glória bloqueado pela polícia, os setores mais combativos do movimento permaneceram obstruindo a rua até a chegada de alguma 'autoridade' os ouvisse. Demonstrando indiferença, um representante do Ministério dos Esportes, comandado pelo arqui-revisionista pecedobê, foi ao local e ouviu as reivindicações dos grupos que estavam protestando.

Os atingidos pelas obras das olimpíadas e da copa do mundo tem grandes enfrentamentos pela frente.  Planos de novas remoções estão em curso em todo o país e milhares de famílias estão diante da perda iminente de suas moradias.

— Esse ato de hoje serviu pra dar visibilidade para as favelas e ocupações urbanas do Rio, onde têm acontecido despejos forçados. Nas comunidades eles expulsam os trabalhadores e ainda destroem as suas moradias. Sem contar que 30 milhões é muito dinheiro para gastar com esse evento de hoje. Tem muito dinheiro sendo gasto enquanto podiam estar investindo em habitação para o povo, reajustando o salário dos professores. O objetivo dos trabalhadores aqui é encampar uma luta mais para frente, uma luta mais agressiva, uma greve geral e parar o Rio de Janeiro —disse o representante da Frente Internacionalista dos Sem-teto, Renato Dória.

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Protestos e greves contra remoções e exploração

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Remoção de moradias em Porto Alegre para obras da copa

A pomposa festança armada pela burguesia que se valeu de todo tipo de macacos de auditório e para a qual são abertos os cofres, tanto os públicos quanto os privados, para saques bilionários tem um custo muito mais alto e este não é revelado no monopólio das comunicações.

Remoções de bairros pobres e favelas estão em curso há meses e milhares de famílias têm a perda de suas moradias anunciadas.

Um relatório da ONU citou falta de transparência, de diálogo e negociações na remoção de famílias e aponta que "a rapidez com que pretendem conduzir as obras é um passo para negligência". A Anistia Internacional também alertou para as remoções relacionadas aos Jogos Olímpicos e ao Mundial e a violação de Direitos Humanos. No trecho sobre o Brasil no Informe 2011 da instituição, divulgado no final de maio, o documento aponta que "comunidades tiveram que enfrentar ameaças de despejos em função dos projetos de infraestrutura planejados para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016".

4.500 famílias devem ser removias para a execução das obras de duplicação da avenida de acesso ao estádio Beira-Rio, onde acontecerão os jogos em Porto Alegre – RS.

As 500 famílias moradoras dos bairros Cristal, Cruzeiro e Divisa, que serão atingidas imediatamente, já se mobilizam para protestarem e resistirem.

Ao longo da Avenida Voluntários da Pátria, que dá acesso à futura Arena do Grêmio, também em Porto Alegre, 800 famílias devem ser removidas. Outras duas obras, a primeira à margem do Arrioio Cavalhada, na Zona Sul da cidade, e de ampliação da pista Salgado Filho devem atacar respectivamente 1.746 e 170 imóveis.

181 famílias que viviam na Vila Chocolatão, na região central de Porto Alegre, já haviam sido removidas para outra vila na Zona Norte de Porto Alegre. Membros do GAJUP, grupo que atua no Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS apontaram falhas graves nesse processo. Grande parte dos moradores da vila trabalhavam com coleta de materiais recicláveis no centro da cidade e foram deslocados para um local distante, carente de postos de saúde, escolas e com alta densidade populacional.

Os números apontam que mais de 10 mil famílias serão removidas na capital gaúcha.

No Rio de Janeiro, no mês de abril, 60 famílias moradoras do entorno da Marquês de Sapucaí, no centro da cidade , foram removidos para distantes habitações do 'Minha Vida' no conjunto Oiti, em Campo Grande, na zona oeste.

As moradias onde viviam na Rua Tomás Rabelo e Travessa Pedregais estão no plano de demolições e para a chamada "revitalização" e ampliação do Sambódromo e para a realização de obras do "Transcarioca" — corredor exclusivo para a circulação de linhas de ônibus articulados que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Tom Jobim, que deverá ser inaugurado até dezembro de 2013, em tempo para a Copa do Mundo de 2014.

Os prédios onde as famílias viviam, uns dos primeiros construídos no século XX na cidade, eram tombados pelo patrimônio público. Para cumprir os anseios do festim olímpico, em 2010, o gerente municipal Eduardo Paes (PMDB) os retirou da lista de imóveis tombados para poder demoli-los.

No rio de Janeiro, cidade em que se concentram diversos eventos como os jogos militares, pré-olímpico, olimpíadas, para-olimpíadas, copa das confederações, copa do mundo, "Rio + 20" (reedição da 'Eco-92') entre outros, concentram-se duros ataques contra a população mais empobrecida e os moradores de favelas. Questionado sobre as remoções, os secretário municipal de habitação, Jorge Bittar declarou: "Ninguém gosta de ser reassentado. A pessoa pergunta: 'logo a minha casa?' Mas a vida é assim". Eis a sentença dada pelo gerenciamento antipovo às massas.

Em Fortaleza – CE, 2.700 imóveis estão na mira das obras do Veículo Leve Sobre Trilho – VLT. Mais uma obra da copa. O trem urbano atravessará 22 bairros da cidade no trecho Parangaba-Mucuripe e custará R$ 265,5 milhões.

Em São Paulo, movimentos populares e moradores de Itaquera, na zona Leste da capital, protestaram contra o uso de verbas públicas em obras para a Copa do Mundo de 2014 e as remoções possivelmente decorrentes dessas obras.  Mais de R$ 400 milhões em orçamento da prefeitura foram destinados às obras do estádio em Itaquera e o governo de São Paulo ainda investirá R$ 70 milhões na construção de uma arena, que será privada. No total, o estádio está orçado em R$ 820 milhões.  Os moradores e organizações populares, como o Comitê Popular da Copa de São Paulo, denunciam que as altas quantias investidas em obras da Copa do Mundo poderiam ser revertidas em construção de escolas, hospitais públicos e outros benefícios para a população.  A população da região denuncia ainda que na área será construída uma ligação entre duas avenidas de acesso à região. Essa obra ameaçará casas de cerca de mil famílias.

No Mato Grosso, na capital Cuiabá, 5 mil pessoas, entre moradores e comerciantes, estão nos planos de remoções do gerenciamento estadual.  Centenas de pessoas se reuniram em um protesto contra as remoções em meados de julho na capital matogrossense.

Em Belo Horizonte – MG, calcula-se que 2.600 famílias sejam removidas para a execução de obras da copa do mundo. Na capital mineira já ocorreram duas impactantes greves operárias nas obras da copa. A primeira, no estádio Mineirão, ocorrida no mês de junho, mobilizou centenas de operários em luta contra as péssimas condições de trabalho, exigindo reajuste e o pagamento de horas-extras, equipamentos de segurança, entre outras reivindicações. A segunda greve paralisou as obras nas avenidas Antônio Carlos e Pedro I. Os operários reivindicavam os mesmos ganhos alcançados pelos trabalhadores das obras do Mineirão.

Operários também se levantaram contra a exploração e ganância patronal nas obras da copa em Fortaleza - CE nas obras de recuperação do estádio Castelão, no dia 14 de junho, denunciando o atraso do pagamento dos salários do mês de maio e que os trabalhadores eram obrigados pelas empreiteiras a trabalhar aos sábados, domingos e feriados sem receber horas extras.

Em Recife, no dia 30 de junho, cerca de 700 operários das obras da Arena Pernambuco, também deflagraram greve denunciando a extenuante jornada de trabalho e o descumprimento de direitos trabalhistas além do arrocho salarial.

São as primeiras batalhas dos trabalhadores brasileiros que, além de não receberem nenhum benefício com a exploração de nosso país para a realização dos jogos olímpicos e da copa do mundo, são brutalmente atacados e expulsos de suas moradias.


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