Chorando acompanhado

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Exímio instrumentista, o veterano chorão Zé Carlos, ou Zé do Cavaquinho, como é conhecido no meio, juntou um grupo de chorões, incluindo experientes e iniciantes, jovens e bem maduros, para formar o Chorões & Cia. Um grupo diferente, tem uma formação distinta em cada apresentação, dando oportunidades para quem está começando agora. Além de tocar fixo em um bar da capital mineira, o Chorões se apresenta em outros eventos na cidade e viaja pelo interior. 

— Já toquei em diversos bares aqui em Belo Horizonte e fiz apresentações em teatros, até que fui contratado para tocar com um grupo de músicos, em uma casa chamada Dalva Botequim Cultural, nome em homenagem a Dalva de Oliveira. O rapaz queria um nome de qualquer jeito, e o que me veio na hora foi Chorões & Cia. Ele gostou e assim formei o primeiro o grupo — conta Zé Carlos.

— A princípio foi com amigos chorões, o que seria meu grupo oficial, digamos assim, grandes nomes daqui, como Mozart no violão, o Waldir Silva no cavaquinho, o Zito no pandeiro, o Vilanova no bandolim, e foram chegando os amigos. Depois falei para a Lilian Macedo, curadora do projeto Pizindin — Choro no Palco, que é a nossa madrinha:  “Vamos fazer algo interessante? Vou manter o nome, mas quero ir mudando os músicos, e assim dar chance para mais gente” — continua.

Isso acabou ajudando a todos, segundo Zé Carlos, porque os chorões veteranos costumam com muitos compromissos, não podendo ficar presos em um grupo, e os jovens correm atrás de oportunidades.

— Estou tendo o prazer de ir formando grupos, que têm jovens de 18 anos até veterano chorão de 89, caso do Mozart. E vou mesclando, garimpando, chegando a formar um grupo em que o mais novo tem 18 e o mais velho 23 anos. Faço questão de que os ensaios sejam feitos, e gosto muito de obedecer a linha melódica dos autores. Em geral, a garotada respeita muito os chorões veteranos — afirma.

— Além do bar, temos feito apresentações em eventos diversos e festas particulares, como casamentos. Inclusive já fomos para o interior do estado. Posso dizer que tenho uma grande quantidade de músicos cadastrados, incluindo estudantes de música das universidades daqui, e vou montando o grupo dependendo do evento. Geralmente, levo de quatro a oito músicos, porque financeiramente falando, ainda não dá para levar muita gente — explica.

Zé Carlos é um maranhense que já virou mineiro e tem uma vida dedicada ao choro, apesar de ter trabalhado duro, por anos, como técnico químico.

— Nasci em 31 de outubro de 1934, lá em São Bento, no interior do Maranhão. Fui para a capital com onze anos de idade para estudar no colégio interno. Mas, quando jovenzinhos, fazemos as nossas traquinadas, e acabei expulso do internato (risos). Fui morar com meus padrinhos e isso foi bom, porque minha madrinha gostava de tocar violão e cantar umas musiquinhas antigas, e meu padrinho estudava violão erudito — lembra.

— Na casa também morava o irmão de minha madrinha, que era paraplégico. Ele tentava tocar o violão do meu padrinho quando saía, mas tinha muita dificuldade. Vendo isso, minha madrinha comprou um cavaquinho para ele. Deu certo e ele não parava de tocar, o que agradou muito o meu ouvido. Comecei a aprender umas notinhas com ele, umas harmonias, mas fiquei nisso, simplesmente gostando de cavaquinho — continua.

Choro do Maranhão até Minas Gerais

— Passaram alguns anos, até que no final da década de 40, começo de 50, me encantei com um choro do Bonfiglio de Oliveira, chamado Flamengo, gravado pelo Jacob do Bandolim. Depois apareceu o Brasileirinho, do Valdir Azevedo, e vieram surgindo outros, que foram me levando para esse lado — declara.

Além dessas influências, seu padrinho, apesar de ser músico erudito, gostava muito de tocar música popular e fazer uma roda de choro. 

— Ele chegou até a formar um conjunto com doze violões. Tivemos uns grupinhos lá em São Luiz e fazíamos as nossas rodinhas, mesmo de brincadeira. Em 1952, vim para Belo Horizonte e a vocação se consolidou, porque meu pai tinha um bar e o pessoal dos conhecidos Regionais, que tocavam nas rádios Guarani e Inconfidência, frequentava e as vezes fazia um toquezinho informal, e eu participava de tudo — conta.

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— E fui me aperfeiçoando e me entrosando com diversos chorões daqui de Belo Horizonte, e também de várias partes do país, porque por conta do meu trabalho, paralelo à música, em uma grande empresa de tintas, viajava muito e conheci muitos chorões por esse Brasil afora. Pessoal de Belém, Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro. No Rio, conheci o Dino, toquei com o Jorginho do Pandeiro e muitos outros chorões maravilhosos — fala.

O Chorões & Companhia ainda não gravou discos, assim como Zé Carlos que, apesar de veterano, se prepara para gravar seu primeiro CD.

— Nunca me preocupei muito com esse negócio de gravar um disco meu, até por conta das muitas participações que tenho nos de outros chorões. Além disso, depois que me aposentei foi que realmente pude me dedicar à música. Então, agora, estou planejando e deve sair no segundo semestre deste ano — conclui.

Para contatar Zé Carlos e Chorões: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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