Nuremberg, Nuremberg!

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O texto que publicamos nesta edição é constituído por trechos extraídos do artigo que aparece, na íntegra, em el Diario Internacional, dirigido pelo peruano Luís Arce Borja, em Bruxelas, editado em 24 de abril de 2003. O artigo é de autoria de Federico Fasano Mertens, diretor do diário La República, Montevidéu. Seu título original é Bush es pior que Hitler, uma contundente resposta à ousadia do embaixador ianque no Uruguai, Martin Silverstein, por ter interpelado o diretor do diário uruguaio, que comparou Hitler a Bush.

Ao fim desta edição, foi confirmado que Xiitas, Sunitas, e outras minorias nacionais reúnem-se numa frente patriótica para dar novo impulso à resistência. O Presidente Saddam encontra-se vivo e, de local ignorado, enviou carta ao povo iraquiano ordenando o combate até a expulsão total do invasor.

O senhor embaixador dos Estados Unidos de Norteamérica no Uruguai, Martin Silverstein, há poucos dias me enviou um cvomunicado acusando o diário La República — publicação que me honra dirigir — de carecer "de toda medida de integridade jornalística" ao comparar seu presidente, George Bush com o chanceler do Terceiro Reich alemão, Adolfo Hitler.

Não pude responder-lhe antes porque o ato de pirataria internacional que seu país cometeu ao atacar — com o mais formidável maquinário de matar que possa recordar a história universal — um povo indefeso e quase desarmado, me obrigou a destinar mais tempo que o rotineiro na preparação das edições especiais sobre a matança. Também me encontrava ocupado em fazer condenar penalmente os torturadores uniformizados que foram treinados no USA e estavam me caluniando, tarefa que levei a cabo com êxito nesses dias.

Porém, lamentavelmente, para o embaixador sua sagacidade não o impediu da desdita de representar o 43º presidente de sua nação, George Bush (filho), um fanático paranóico, intoxicado de messianismo; menos esclarecido que uma lesma, alcoólatra de poder como antes foi de álcool e legalmente condenado por isto, em 4 de setembro de 1976, quando conduzia ébrio e a toda velocidade seu automóvel; advertido também pelo famoso predicador Graham, que lhe disse: "Quem és tu, para te acreditar Deus", militante da Christian Right, a direita cristã texana e sulista; um racista apaixonado pela pena de morte, sobretudo contra os negros. Enfim, o pior presidente norte-americano da última centúria, o que maiores tragédias desencadeará sobre o seu próprio povo, o reverso do homo sapiens, a encarnação do homo demens. Além disso, misógino, como um bom racista. Ninguém esquece as humilhações públicas que ele submete sua esposa Laura Bush.

O tema é a comparação entre Adolfo Hitler e George Bush.

Óbvio que existem diferenças. A primeira delas é que o criminoso de guerra, genocida do povo judeu e do povo soviético, ganhou por angustiante maioria os comícios alemães, enquanto o criminoso de guerra genocida do povo iraquiano chegou ao poder de forma fraudulenta, em meio ao maior escândalo eleitoral da história norte-americana. Desde o ponto de vista teórico, a comparação entre Bush e Hitler é correta. Os cientistas têm definido o nazismo como a ditadura terrorista do capital financeiro em expansão. Bush — ao pôr-se à margem da lei e invadir uma nação indefesa que não o agrediu para ficar com sua riqueza petrolífera, a segunda maior do mundo, e anunciar que depois o seguirão outras nações petrolíferas — se aproximou da definição de ditadura terrorista do capital financeiro. Ainda que não queira aceitá-lo.

George Bush já levava em seu gen a matriz nazista

Seu avô, Prescott Bush, era sócio de Brown Brothers Harriman e um dos proprietários da Union Banking Corporation. Ambas as empresas tiveram um papel chave no financiamento de Hitler em seu caminho até o poder alemão.

O governo norte-americano ordenou, em 20 de outubro de 1942, o confisco de Union Ranking Corporation, propriedade de Prescott Bush e considerou incapaz a Corporação de Comércio Holando-estadunidense e a Seamiess Steel Corporation, ambas administradas pelo banco Bush-Hamman. Em 17 de novembro desse mesmo ano, Franklin Delano Roosevelt confiscou, por violação à lei de comércio com o inimigo, todos os bens da Silesian American Corporation, administrada por Prescott Bush. O bisavô de nosso George, o guerreiro de Deus, Samuel Bush, pai do nazista Prescott Bush, foi a mão direita do magnata do aço, Clarence Dillon, e do banqueiro Fritz Thyssen, que escreveu o livro I Paid Hitler (Eu financiei Hitler), afiliando-se em 1931 ao partido nazista (Partido Operário Nacional Socialista Alemão).

E se o senhor embaixador tem alguma dúvida sobre a espúria aliança dos Bush com Hitler, lhe peço para ler o lúcido ensaio de Victo Thorn. Disse Thorn: "Uma parte importante da base financeira da família Bush foi constituída por meio de sua ajuda a Adolfo Hitler. O atual presidente dos Estados Unidos, assim como seu pai (ex-diretor da C.I.A., vice-presidente e presidente), chegou ao ponto máximo da hierarquia política norte-americana porque seu avô, pai, e sua família política ajudaram e alentaram aos nazistas." Tudo isto sem contar as fraudes e desfalques da família Bush em 4,5 milhões de dólares ao Broward Federal Savings em Sunrise, Flórida, ou as fraudes contra milhares de clientes de poupança do Banco de Poupanças Silverado (Denver, Colorado).

Bisavô nazista, avô nazista, pai que não teve tempo de ser nazista porque já Hitler se havia suicidado nos jardins da Chancelaria em ruínas, Bush ainda se beneficiou da maléfica fortuna de seus ancestrais.

Porém, não condenemos nosso homo demens por seus gens sinistros

Vamos julgá-lo apenas pelo que fez. E comparemos. Apenas comparemos. Como crê o senhor embaixador que o delirante cabo austríaco alcançou o mais elevado poder público? Porque Hitler chega ao poder através de eleições limpas, porém, se depara com a Constituição de Weimar impondo-lhe limites que sua onipotência o impede de aceitar. Planifica então o incêndio do Reichstag e em uma só noite é ungido decisor da guerra e da paz. Para o senhor embaixador, esses fatos não procedem? A criminosa demolição das Torres Gêmeas trouxe a mesma lama que o incêndio do Reichstag. Obviamente não vou cometer a ousadia de me filiar às teses dos que acusam o grupo belicista bushiano de haver orquestrado esse massacre ou não ter impedido quando sabia que era preparado.

Não havia nem um só iraquiano

Algum dia, quando o povo norte-americano recuperar totalmente a liberdade de informação e investigação sobre a terça-feira negra do 11 de setembro, hoje manietada pela lei patriótica aprovada com o único voto contra de uma mulher, símbolo da dignidade nacional norte-americana, será possível saber por que tanta indiferença diante dos numerosos indícios e impressões digitais deixadas por todo o país anunciando o magnicídio. Será possível saber por que demoraram 80 minutos em acionar os aviões militares para interceptar as aeronaves sequestradas quando de imediato se soube que os aviões comerciais que saíram de Boston foram sequestrados e se dirigiam a Washington, quando o manual prevê a intervenção da Força Aérea, no caso de sequestros, em menos de cinco minutos.


... e admitiram a única verdade real:
"queremos ocupar o território iraquiano,
aconteça o que acontecer..."


Será possível saber por que ocultaram os restos do suposto avião que colidiu com o prédio do Pentágono. Será possível saber por que foi enviada de Islamabad ao USA a soma de 100 mil dólares, para Mohammed Atta, chefe do operativo suicida contra as Torres Gêmeas de Nova York — depoimento, em Washington, do diretor do serviço secreto paquistanês à Tenet, chefe da C.I.A., como informa o diário conservador The Wall Setreet Journal. Sobre este dado aterrador está proibido investigar ao serem suspensas as liberdades civis no USA, à partir da Lei Patriótica.

Será possível saber, enfim, por que 15 dos 21 integrantes dos comandos suicidas eram originários da Arábia Saudita, principal aliado do USA no golfo Pérsico. Não havia nem um só iraquiano. Nem por casualidade.

Assim como Hitler, que rodeou-se de uma turma de facínoras, como ele, fascinados pelo poder da força — como Goering, Goebels, Himmler, Mengele, Eichmanm -, o presidente texano buscou a couraça protetora de uma guarda de ferro, por momentos mais belicista que ele, que lhe impedem a tentação da dúvida e portam, como ele, uma marca: todos são petroleiros.

O vice-presidente Dick Cheney esteve no grupo Halliburton Oil; o chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld na pretrolífera Occidental. A Conselheira de Segurança Nacional, a solteirona impiedosa Condoleeza Rice (por uma ironia seu nome significa "com doçura") integrou o diretório de Chebron e tem navios petroleiros com seu nome. Também a secretária do Interior, Gale Norton está vinculada ao petróleo. Bush pai esteve no grupo petrolífero Carlyle e o atual presidente, Bush filho, na Harkins Oil.

Este quinteto da morte que rodeia o guerreiro Bush, uma verdadeira mafiocracia, semelhante ao quinteto que se fundiu com Hitler, se nutriu de uma Bíblia muito especial. Disse o vice-presidente Cheney diante desta guerra santa: "O USA não tem que enrubescer por ser uma grande potência e tem o dever de atuar com força para construir um mundo a imagem do USA." Mesmo que o chefe do Estado fosse mais claro, ainda assim não o entenderíamos. Rumsfeld cita a frase preferida de Al Capone: "Com uma palavra amável e um revólver se consegue mais que com uma palavra amável apenas."

A característica essencial da linguagem do bando de Bush, similar à linguagem nazista, é a simplificação, o reducionismo e a intimidação. A linguagem deste grupo depredador é uma linguagem esquemática, emocional, carregada de preconceitos que incitam a exaltação dos sentimentos mais nobres do povo. Não tenho dúvidas de que Bush se nutre da linguagem nazista.

Decretou (ele) que todas as reuniões de seu Gabinete fossem iniciadas com uma oração religiosa. E disse haver consultado Deus para atacar o Iraque, depreciando a posição da maioria das nações do planeta — de 90% dos seres humanos. Trata de imitar o presidente William McKinley invadindo as Filipinas para evangelizar os nativos e culpando Deus, que lhe deu a ordem de entrar a pontapés nesse país.

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A tática da guerra preventiva

Prossigamos verificando as similitudes entre o guerreiro da raça ariana e o guerreiro de Deus, como Telma Luzzani bem qualificou o exaltado texano. Bush proclama urbi et orbe a guerra preventiva. Dwigth Eisenhower, em 1953, não teve dúvidas a respeito: "A guerra preventiva é um invento de Adolfo Hitler, francamente eu não levaria a sério ninguém que viesse me propor uma coisa semelhante." Porém, guerra preventiva contra quem?

É fato, a primeira vítima de uma guerra é a verdade. E a primeira coisa que Bush fez para fabricar sua guerra preventiva — depois do "incêndio no Reichstag" — foi mentir à maneira de Goebels num grau tão primitivo que nada de novo foi criado. Primeiro disse que o Iraque apoiava o Al Qaeda. Quando comprovado o ódio irreconciliável entre Saddam Hussein e o ex-empregado do USA, Osama Bin Laden, Bush apelou para incluir o Iraque na corrente fundamentalista muçulmana. Difícil de crer, em se tratando do país mais laico do mundo árabe. Apelaram, então, para a existência de armas de destruição massiva. Afirmaram que o Iraque não ia permitir as inspeções, quando as permitiu; asseveraram que não iria permitir que a ONU entrasse nos Palácios e outros lugares preservados; quando também se revelou ser falsa tal negativa, disseram que as armas estavam bem ocultas. Finalmente, não encontraram uma sequer. Quando todos os argumentos foram sepultados, pediram a renúncia ou o exílio de Saddam Hussein e admitiram a única verdade real: "queremos ocupar o território iraquiano, aconteça o que acontecer e decidir quem vai governá-lo". Democracia planetária, dizem. A mesma operação de desinformação que Hitler lançou contra Tchecoslováquia, Áustria e Polônia.

Bush fez a ONU em pedaços, atraindo para si a maior oposição contra um país desde a fundação da ONU: 170 países não apóiam a guerra contra apenas 30 — a maioria destes sem peso algum e procedentes da desarticulada União Soviética, que se vende à melhor oferta. A Bush, como a Hitler, não deteve nem mesmo a maior derrota diplomática do USA, desde a fundação da ONU. Hitler jamais se incomodou com a rejeição dos povos do mundo inteiro. Bush tenta superar o teutônico.

Assim como Hitler invadiu a Europa em busca de seu lebensraum, de sua expansão territorial e das urgentes matérias primas de que necessitava para o desenvolvimento alemão e a construção do novo império germano que vingaria a afronta do Tratado de Versalhes, Bush vai também em busca de seu próprio lebensraum. Um lebensraum que, no mundo globalizado de hoje, não se mede mais por quilômetros de territórios fisicamente ocupados, mas pelo domínio econômico e político que se exerce sobre eles, dirigido à distância desde os centros financeiros internacionais.

Os objetivos do novo Hitler são múltiplos. Em primeiro lugar, apoderar-se do tanque de gasolina do capitalismo mundial que outra coisa não é senão o Golfo Pérsico. Bush sabe que em 10 anos o petróleo que produz seu país, locomotiva do mundo, se esgotará irremediavelmente. Em 40 anos não existirá mais petróleo no planeta. É uma carreira contra o relógio. Segundo Statical Review, diminui de forma alarmante o descobrimento de reservas energéticas. Na última década cresceu apenas 5% contra os 45% da década anterior. Os 65% das reservas estão concentradas no Oriente Médio. Dos 77 milhões de barris que se produzem diariamente no mundo, o USA consome 20 milhões por dia. Apenas 10 milhões são produzidos pelos próprios norte-americanos, que dependem dos demais para seguir se mantendo como uma potência imperial. O objetivo do ataque ao Iraque, segunda reserva mundial de petróleo, é o de controlar esses depósitos, controlar seu preço e controlar sua produção. Que armas ocultas coisa nenhuma. Como disse Galeano, se o Iraque produzisse rabanetes em lugar de petróleo, a quem ocorreria invadir esse país?

Uma nova partilha do mundo

A segunda jogada de Bush é disciplinar seu aliado, a Arábia Saudita, primeiro produtor mundial de petróleo e máxima reserva energética do mundo, cujos preços não satisfazem ao USA. O terceiro objetivo, como reelou em fevereiro deste ano o subsecretário de Estado, John Bolton, é invadir o Irã e a Síria que formam, juntos com a Coréia do Norte, o "eixo do mal", e se a conjuntura for favorável, incluir a Líbia no santo santorum. O quarto passo é destruir a OPEP e apoderar-se dos combustíveis fósseis do mundo. Se não expropria os fósseis e não encontra a tempo alternativas energéticas, o capitalismo norte-americano deverá modificar o modelo de consumo de seu povo e com isso pode perder o ponto de apoio de sua hegemonia mundial. O quinto objetivo são os suculentos negócios da reconstrução do Iraque sobre os quais se lançaram muitas das 500 transnacionais que dominam o mundo — a maioria norte-americanas. Não menos importante é o sexto objetivo, de utilizar a indústria bélica para superar a profunda recessão em que se afunda a economia norte-americana, com crescimento zero. Não nos esqueçamos que uma guerra se ganha, não quando se impõe a supremacia militar sobre o adversário, mas quando se obtém os ganhos econômicos,que são a razão última de seu desencadeamento. Não podemos deixar de mencionar um último objetivo e, quem sabe o mais importante desta guerra: impor a supremacia do dólar frente ao euro, que nos últimos tempos vem dando uma surra no dólar de forma surpreendente, pondo em perigo o privilégio do peso norte-americano na comercialização do óleo bruto. O dólar foi depreciado em relação ao euro, em cerca de 17% — cifras inimagináveis desde a criação da moeda única européia.

A invasão tem seu antecedente mais arraigado na necessidade de uma nova partilha do mundo ao fracassar os acordos da tríade (USA, Europa e Japão), em 1998, na reunião da OCDE, em Paris e em 1999, na reunião da OMC, em Washington. Não houve acordo na partilha do mercado mundial assediado pela diminuição da porcentagem do Produto Mundial Bruto, que chegou a 50%, concentrado nas mãos da tríade e suas transnacionais no fim do século.

A Europa não aceitou os termos da partilha e investiu com o seu euro. O USA replicou com a razão das bestas e, caso consiga lograr o controle dos lagos negros, terá óleo cru barato e abundante, enquanto seus aliados o receberão caro e em conta-gotas, fazendo padecer suas economias.

Antes de começar a matança, o exército iraquiano foi sangrado como fazem nas touradas os piqueteiros tão logo entram na arena, para que o matador corra menos riscos. Uma década de sanções econômicas, embargos, a carência de aviões, escassos tanques, poucas baterias antiaéreas e apenas equipado com velhos fuzis de assalto AK 47, tem posto de joelhos o touro iraquiano. O toureiro apenas tem que fincar sua espada até o fundo e esperar a agonia.

As últimas notícias da frente, todavia, revelam que, mesmo sangrado, o touro está disposto a vender caro sua vida.

Bush entra a sangue e fogo no berço da humanidade

O vagabundo vem disfarçado em profeta da raça ariana. Adolfo Hitler investiu sem respeitar os grandes tesouros da humanidade, destruindo cidades prodigiosas, culturas irrecuperáveis e fantásticos monumentos criados pelo homem ao longo dos séculos.

Imitando o protegido de sua família, George Bush entra a sangue e fogo no berço da humanidade, no Mesos Potamos — assim se chamava o Iraque há oito mil anos, "terra entre rios" -, onde foi fundado o primeiro estado, a primeira civilização agrária e a escritura cuneiforme. Na terra da legendária biblioteca de Nínive, da Torre de Babel, dos jardins suspensos da Babilônia, entre o Eufrates e o Tigre, Bush se lança impiedosamente na primeira guerra preventiva do século XXI.

Deverá responder também pelos tesouros culturais que arrasou. Seu homo demens terá que render contas ao homo sapiens. Como Hitler teve que se render ante a história e seus sequazes ante Nuremberg.

Convém precisar, além disso, de que é falsa a afirmação de que o USA liberou a Europa e mais além na heróica entrega de vidas dos soldados norte-americanos na guerra com o Führer alemão. O ingresso na conflagração aconteceu tardiamente, quase ao final do conflito, quando a Alemanha estava desgastada pela resistência soviética, que enfrentou 95% do potencial bélico nazista concentrado na frente oriental. O USA foi o único beneficiado com a Segunda Guerra Mundial. Durante e depois do conflito. Durante, como bem explica Heinz Dieterich em A República, porque desenvolveu longe dos campos de batalha sua indústria e agricultura, aumentando os salários reais em 27%, de 1941 a 1945, gerando 17 milhões de novos postos de trabalho e oferecendo, em 1944, mais produtos e serviços à sua população que antes da guerra.

Depois da guerra, cobrou dez por um sua participação, e em Yalta se erigiu como a potência mais forte do planeta, ultrapassando a Inglaterra, ainda que temendo a União Soviética, seu novo contrapeso histórico.

Como pode nos parecer estranha esta conduta por parte de um governante que resiste a salvar o planeta da devastação, negando-se a firmar os protocolos de Kyoto, aprovados unanimemente pela comunidade internacional? Um governante que rechaçou o controle de armas bacteriológicas, porque estimou que o acordo para evitar a proliferação destes arsenais era prejudicial para seu país. Um governante que exige que as nações independentes firmem um documento renunciando ao seu direito de julgar cidadãos norte-americanos por delitos cometidos no estrangeiro. Um governante que se nega a firmar e a participar na Corte Penal Internacional, criada recentemente pela comunidade mundial para julgar os crimes de lesa humanidade — ao repudiar uma instituição aprovada por mais de 190 paí-ses e somente sete contra coincidiu seu voto com o do invadido Iraque, que tampouco quer que exista no mundo uma Corte Penal integrada por 18 juristas independentes, para impedir legalmente que sigam cometendo os crimes de guerra que tanto os governos do USA e do Iraque têm cometido.

E esse imenso movimento mundial contra Bush somente comparável ao movimento mundial contra Hitler, tem a seu favor o clássico estrabismo dos messiânicos, que lhes impede ver a realidade.

Não há que temer esses gigantes que ignoram as leis da história. Aplicam a astúcia mais que a inteligência.

Sabemos que uma guerra injusta é uma catástrofe que paralisa o encontro do homem com a humanidade. E une suas mãos planetárias para dizer ao sicário da Casa Branca que há uma vida e uma raça menos sórdida que a sua. E que vale a pena pormo-nos de pé para defendê-la. Esta é minha resposta, senhor embaixador.


Dr. Federico Fasano Mertens, diretor do diário La República

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