BH: Camelôs enfrentam a repressão da Prefeitura

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Informações do Comitê de Apoio ao jornal A Nova Democracia de Belo Horizonte

 Já no início do ano, assim que tomou posse como gerente da Prefeitura de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), baixou um decreto contra os camelôs que trabalham no hipercentro e alguns bairros de Belo Horizonte. De lá para cá, de forma arrogante, aparece nas emissoras de rádio e TV, jornais e revistas, falando que está limpando o centro da capital mineira, alegando que tal medida é “definitiva e sem volta”.

No último dia 03 de julho, a Prefeitura a serviço dos grandes empresários varejistas da cidade e contando com um forte aparato repressivo (BOPE, ROTAN, CHOQUE, GCM, POLÍCIA CIVIL, P2, CAVALARIA e Fiscais da prefeitura), armados até os dentes, com escopetas, submetralhadoras, bombas de efeito moral, gás lacrimogênio, arma de choque Taser, spray de pimenta, helicóptero e blindados, realizou uma verdadeira operação de guerra para impedir os trabalhadores de exercerem o direito ao trabalho.

Foto: Alex de Jesus

Os camelôs resistiram a toda essa força de repressão, impondo uma combativa luta e não aceitando a imposição do gerente Kalil, por entender que no fundo o que ele quer é justamente aplicar uma política higienista, defender os interesses dos empresários e submeter os trabalhadores aos chineses, que controlam o chamado mercado paralelo há 15 anos no hipercentro de BH.

No dia da resistência, o Comitê de Apoio ao AND de BH se solidarizou aos protestos dos trabalhadores camelôs e ouviu a justa indignação do povo. “Eu tenho quatro filhos, pago aluguel de mil reais e trabalho no quarteirão da Rua São Paulo com Rua dos Carijós há 10 anos e não aceito o que o Kalil está propondo, por que nós que vendemos mercadorias simples, não podemos concorrer com os chineses. Eu votei no Kalil achando que ele ia fazer o que prometeu, mas vejo que ele é igual a todos. Vou continuar lutando e não aceito esse sorteio, que colocou muitos camelôs fora”, afirma José Carlos.

Indignada uma jovem fala a reportagem do AND, “Eles não querem que o povo trabalhe, eles querem que o povo roube e se o povo pega umas mercadorias, pra vender nas ruas, eles colocam fiscalização e a polícia pra tomar e agora tão jogando bombas e dando tiros em pais de família. Eu acho tudo isso muito errado, por que eles não atacam os ricos da mesma maneira e ainda tão metendo multa no camelô.” questiona a jovem, cujo pai é camelô.

Segundo o projeto da prefeitura, os camelôs serão transferidos das ruas, para dois Shoppings Populares: UAI Shopping (Rua Saturnino de Brito em frente da Rodoviária) com 676 vagas e 871 vagas para o UAI Shopping Venda Nova (R. Padre Pedro Pinto, 1500). O monopólio de comunicação, juntamente com o Clube dos Diretores Lojistas (CDL), está fazendo uma forte propaganda favorável ao projeto, para que com isso ganhem a simpatia do povo, porém, por mais que eles se esforcem para pinçar alguns a fazerem esse discurso na TV e nos jornais, a massa de trabalhadores desempregada, que não vê nenhuma alternativa para o futuro, apoia a luta dos camelôs e condenam a atitude do gerente Kalil, que chegou à prefeitura, prometendo “trabalhar para os mais pobres”.

Apesar de terem sido retirados a força das ruas de BH pela repressão, que persegue com maior truculência os camelôs de BH, o PL 309/17, de autoria do gerente Kalil, que impõe os shoppings populares aos camelôs, ainda não foi concluído, pois ainda não foi submetido ao plenário da Câmara Municipal de BH, mesmo assim desde o dia 03 de julho, a repressão está perseguindo, prendendo e ferindo camelôs, que resistem bravamente. Desde que foi aberto o “Termo de Adesão” (10 de julho), tem havido poucos camelôs aderindo o remanejamento e há uma disputa no plenário da Câmara entre os vereadores, para obstruir e adiar a “realocação” dos camelôs.

Os camelôs de BH prometem seguir na luta pelo direito ao trabalho, deixando claro que não é a fiscalização da prefeitura, a repressão, ou a multa de R$1.902,00, estipulada pelo gerente Kalil, que fará com que recuem: “Prefiro enfrentar a repressão e essa multa maldita, que me submeter a essa condição que nos colocaram dentro de Shopping. Eles querem é que a gente morra de fome e isso jamais!” Afirma indignado um camelô, que sobrevive há 15 anos nas ruas do centro de BH e agora a prefeitura quer impor que trabalhe no UAI Shopping de frente da rodoviária.

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