Chacina de Pau D'Arco: ‘A FETRAF traiu os camponeses’

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No dia 6 de julho, ativistas da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e familiares das vítimas da Chacina de Pau D’Arco estiveram presentes na redação de AND, no qual concederam entrevistas sobre a retomada da Fazenda Santa Lúcia, as perseguições e ameaças de latifundiários (e seus bandos de pistoleiros) e policiais, além de falarem sobre a importância dos eventos de solidariedade que estão ocorrendo por todo o país em apoio às famílias que prosseguem a luta por um pedaço de terra dos seus companheiros e companheiras assassinados pelo velho Estado burguês-latifundiário.

 

Foto: Ellan Lustosa
Foto: Ellan Lustosa

 


Pelé, dirigente da LCP do Pará e Tocantins, em entrevista concedida ao AND denunciou a atuação oportunista da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF) do estado do Pará, ligada a CUT, junto aos camponeses que ocupavam a Fazenda Santa Lúcia.

– A FETRAF traiu os camponeses. Afirma Pelé. A FETRAF fez uma nota falando que os camponeses estavam armados, que ela estava saindo, entregando os camponeses que estavam armados. Ela falou para a Deca [Delegacia de Conflitos Agrários] que não tinha mais responsabilidade por aquelas famílias, [a FETRAF entregou as informações das famílias] ao Deca, ao Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] e ao Estado. O que ela fez foi uma deduração [contra] os camponeses que estavam ali. Após 20 dias aconteceu esse massacre, onde foram executados pela polícia, pela Deca.

O dirigente camponês se refere à nota lançada pela FETRAF no dia 4 de maio, que criminaliza os camponeses em luta. A nota pode ser lida abaixo:

 



José Carlos, da Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), denunciou ao AND que a FETRAF receberia terras em negociação feita com o Incra e com a família do falecido latifundiário Honorato Babinski.

– Uns vinte dias antes do ocorrido, no dia 24 de maio em que acontece o massacre em Pau D’Arco, a FETRAF solta uma nota, falando que a resistência dos camponeses contra a reintegração de posse, era uma luta armada, e a FETRAF, não poderia aceitar aquilo, e, portanto, estava se retirando e recuando da luta. Ou seja, a FETRAF havia negociado junto com o Incra e a fazenda, em troca de uma quantidade de lotes, que renderia para a FETRAF, em torno de um milhão de reais, essa é a verdade, e diante da situação do impasse da negociação, entre Incra e fazendeiro, um impasse ridículo, diante das proporções do que era aquela massa lutando. Elas se retiram porquê?  Porque as massas decidem lutar, e isso é a pratica do oportunismo na luta pela terra – denunciou José Carlos.

O representante da Comissão Nacional da LCP ressaltou que os camponeses foram executados pelos policiais e não mortos em confronto como diz a versão veiculada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará. José Carlos também afirmou que a nota da FETRAF foi uma espécie de “senha” para o ataque das polícias civil e militar, em ação coordenada pela Deca.

– Todos os elementos comprovam que não houve aquela resistência, as armas dos camponeses, que eles colocaram, um monte de espingarda velha tudo junto, quem vê, parece o quê?

Eram camponeses com todas aquelas armas contra policiais, mas aquilo era um monte de espingarda velha, de em torno de 200 famílias, não era um poder de fogo concentrado, e aquilo não era poder de fogo, perto do armamento da Deca, que é a Delegacia especializada em conflitos agrários, agora, nós perguntamos o seguinte, será que quando a Deca, foi fazer a operação, ela não sabia o que iria encontrar? Sim, sabia, porque se é uma delegacia especializada em conflitos agrários, a Deca sabia que iria encontrar camponeses, os quais ela, poderia assassinar, porque sabia que não tinha nenhum movimento, que luta de forma organizada, e que organize os camponeses para resistir a esses ataques, e a essas pressões, então essas famílias foram atacadas, porque a Deca sabia, que o movimento que estava organizando-as, era a FETRAF, e a FETRAF não organizava [e não organiza os camponeses para] resistência as covardias policiais. Inclusive, essa nota serviu pra isso, o ataque só foi feito, porque tinha essas notas antes, então é isso que denunciamos, que essa é a pratica do oportunismo, quando as massas decidem lutar, e procurar se organizar para poder realmente conquistar, e não para ser massa de manobra, em qualquer tipo de negociata ou negociação. - relatou José Carlos.

Mesmo após criminalizar os camponeses em luta pela terra, a FETRAF buscou se reaproximar das famílias, que rejeitaram.

– Depois disso eles não tem vergonha, falaram que queriam voltar, querendo tornar a colocar a área na pauta dele. Os camponeses disseram que não queriam eles coordenando. Eles [os camponeses] procurou nós [a LCP] pedindo apoio, nós estamos hoje com essas famílias dando apoio quando aconteceu a ocupação novamente ali. E nós vamos estar lá defendendo os trabalhadores, lutar pelos direitos, pela organização, também exigir punição de políticos, fazendeiros, do governador, que é culpa deles. – relatou Pelé.

Pelé frisou que a Chacina de Pau D’Arco foi um crime de Estado, sendo responsabilidades das gerências estadual e federal de Simão Jatene/PSDB e Michel Temer/PMDB, respectivamente.

– Por que a gente fala o governador? Quem manda na polícia do estado? Não é o governador? Não sendo culpa só do governador do estado, é culpa do governo federal. Não dá para falar que é só culpa da polícia, do governo estadual, o governo federal é culpado no massacre que aconteceu lá – acusou Pelé.

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