Rebelião em Hamburgo: 'Pedras voam e vocês gritam'

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Reproduzimos a tradução da nota 'Pedras voam e vocês gritam' publicada pelo site Dem Volke Dienen sobre a campanha de criminalização e perseguição promovida pelo monopólio de imprensa alemão após as massivas e combativas manifestações contra o G20 que aconteceram em Hamburgo, Alemanha.

 

"O povo morre e vocês fazem silêncio, as pedras voam e vocês gritam" (Foda-se o G20)

 

Em relação à caça às bruxas que prevalece no momento na mídia burguesa, citamos aqui uma explicação da Ação vermelha Colônia (Roten Aktion Köln):

"Ficaram para trás exaustivos, violentos e intensos dias em Hamburgo e a luta ainda não acabou. Na cúpula do G20, os representantes políticos dos países mais poderosos do mundo se reuniram e discutiram sobre o saque e exploração do planeta e das classes trabalhadoras. Estes dias deixaram as coisas muito mais claras para nós: o Estado alemão, sua polícia e aparato de inteligência não deixam dúvidas sobre eles; seu trabalho é proteger a ordem dominante e esmagar a crítica consequente com força bruta, a imprensa do Springer (monopólio da mídia, nota nossa) está organizando a propaganda massiva contra a resistência, é o órgão das autoridades de repressão e mostra de maneira prática a hipocrisia deste sistema decadente.

 Este fim de semana, as linhas da luta de classes na Alemanha mostrou claramente - quem está no lado da ordem estabelecida e quem está do lado dos oprimidos. Nestes dias também ficaram demonstrados: que a resistência no coração da besta é possível, que ela estava lá e isso foi um problema para a ordem vigente. Em um número incrível de lugares as pessoas fizeram frente ao aparato de violência, promovendo resistência e não deixaram-se expulsar. Chamamos a sua atenção especialmente sobre os feridos e os prisioneiros e para expressar-lhes todo o nosso respeito. Como revolucionários, é importante para nós, não só organizar a resistência consequente, mas também para colocar nossas energias para o tratamento de prisioneiros e feridos!

Claro, irrompe no público depois de um evento deste tipo o - ocasionalmente emergente - "debate sobre a violência." Os governantes não podem aceitar a resistência militante e a violência dos oprimidos, eles têm que difamar estes, achar os "culpados" e denunciar e restaurar a calma em seu quintal. Não deixamo-nos, com estas difamações, perder esta calma, porque só pode ser a única resposta da nossa perspectiva dos oprimidos: a rebelião se justifica. A violência dos oprimidos contra os opressores se justifica. Não deixemo-nos dividir e estamos solidários com as vítimas da repressão. "

Para enfatizar este último ponto, citamos o Presidente Mao Tsetung, a partir do "Relatório Sobre uma Investigação Feita no Hunan a Respeito do Movimento Camponês" de março 1927.

"A Questão dos 'Excessos'

     Há outros que dizem: 'Sim, as associações camponesas são necessárias, mas estão a cometer realmente muitos excessos'. É a opinião dos centristas. Mas qual é, afinal, a situação real? É verdade que, em certo sentido, no interior do país os camponeses agem um pouco 'sem regra'. Convertidas em autoridade suprema, as associações camponesas não permitem uma palavra aos senhores de terras, abatem-lhes o prestígio, o que é o mesmo que atirá-los ao chão e pôr-lhes um pé em cima. Os camponeses ameaçam ('vamos inscrever-vos os nomes no 'outro' registro'), aplicam multas aos déspotas locais e aos maus nobres, exigem-lhes contribuições e desmantelam-lhes os palanquins. As massas irrompem pelas casas dos déspotas locais e maus nobres opostos às associações camponesas, abatem-lhes os porcos e tomam-lhes o arroz; inclusivamente chegam a deitar-se uns minutos nas camas luxuosas reservadas às senhoritas e às jovens senhoras das mansões dos déspotas locais e maus nobres. Frente às provocações, os camponeses procedem a detenções, coroam os detidos com altos carapuços de papel e levam-nos em desfile pelas aldeias, dizendo: 'Mau nobre, agora já ficas a saber quem somos nós!'. Fazendo o que bem lhes apetece, revolvendo tudo, os camponeses instauraram uma espécie de terror nas zonas rurais. É isso que alguns definem como 'excessos', como 'entortar no ato de endireitar', como 'abusos'. Aparentemente, todos esses ditos são razoáveis, mas, na realidade, estão igualmente errados. Em primeiro lugar, foram os déspotas locais, os maus nobres e os senhores de terras sem lei quem forçou os camponeses a agir assim. Geração após geração, eles vinham usando do seu poder para tiranizar os camponeses e mantê-los de baixo da bota; essa a razão por que estes se lhes opõem agora com tanta violência. Sem exceção, as revoltas mais violentas e as desordens mais graves têm ocorrido nos lugares onde os déspotas locais, os maus nobres e os senhores de terras sem lei cometeram as piores violações. Os camponeses veem claro, sabem quem é mau e quem não é, quem é o pior e quem não é assim tão perverso, quem merece castigo severo e quem merece certa clemência, sabem fazer boas contas e é muito raro que as penas excedam os crimes. Em segundo lugar, uma revolução não é o convite para um jantar, a composição duma obra literária, a pintura dum quadro ou a confecção dum bordado; ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. Uma revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba outra. A revolução no campo é a revolução por meio da qual a classe camponesa derruba o poder da classe feudal dos senhores de terras. Sem empregar um máximo de força, os camponeses não podem liquidar a autoridade dos senhores de terras, autoridade milenar e profundamente enraizada. As regiões rurais necessitam duma enorme onda revolucionária, já que só isso pode despertar o povo por milhões e convertê-lo numa força poderosa. Todos os 'excessos' que mencionámos atrás são um efeito da força despertada entre os camponeses pela enorme onda revolucionária que se desenrola no campo. Era absolutamente necessário que tudo isso se desse no segundo período do movimento camponês (no período da ação revolucionária). Em tal período, impunha-se estabelecer a autoridade absoluta dos camponeses. Era preciso proibir a crítica malévola às associações camponesas. Impunha-se liquidar toda a autoridade dos nobres, atirá-los ao chão e pôr-lhes, inclusivamente, um pé em cima. Há um significado revolucionário em todos os comportamentos, 'excessos', desse período. Para falar franco, é necessário, durante um breve período, instaurar o terror em todas as regiões rurais, pois doutro modo será impossível liquidar as atividades dos contrarrevolucionários no campo e derrubar a autoridade dos nobres. Endireitar implica entortar, sem entortar não é possível endireitar'. Os ditos dos que criticam os 'excessos' são, à primeira vista, diferentes do 'muito mau' a que nos referimos mais atrás, mas, na essência, partem todos dum mesmo ponto, são a teoria dos senhores de terras, uma teoria que protege os interesses das classes privilegiadas. Como essa teoria impede a expansão do movimento camponês, como nas suas consequências sabota a revolução, não podemos deixar de opor-nos firmemente a ela."

Os revolucionários na Alemanha denunciam mais uma vez os social-patriotas nacional-alemães que são contra excessos. Esta sujeira, mais uma vez mostra que eles não têm nada a ver com o maoísmo. Os revolucionários proletários neste país condenam qualquer pessoa que espalha a propaganda reacionária anti-maoista internacionalmente.

Escrito por Dame
13 julho de 2017

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