Assassinatos, ataques, despejos e ameaças de despejo no campo brasileiro

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Pistoleiros atacam acampamento em Marába, no Pará

 

O mês de julho tem sido marcado pelo aprofundamento da violência do latifúndio e seus bandos paramilitares em conluio com o velho Estado burguês-latifundiário contra as massas do campo (camponeses, indígenas e quilombolas).

 

Assassinatos na Bahia e no Pará

O camponês Magno Sousa de Carvalho, de 40 anos, foi assassinado por pistoleiros no dia 18 de julho no município de Pacajá, no sudoeste do Pará.

O trabalhador saia de sua residência quando dois homens chegaram em uma moto e efetuaram vários disparos contra ele, que estava acompanhado do seu filho de 12 anos de idade. A criança não foi atingida.

Na madrugada de 16 de julho, a liderança quilombola Lindomar Fernandes Martins, de 35 anos, foi assassinado em sua casa na área rural do município de Lençóis, na Bahia.

O quilombola foi assassinado com ao menos seis disparos de pistola após dois homens invadirem a sua casa.

Lindomar Martins era liderança do Território Quilombola de Iúna – com o processo de regularização em curso inicial no Incra –, que conta com 39 famílias.

Na tarde de 13 de julho, o também quilombola José Raimundo Mota de Souza Júnior, de 38 anos, foi assassinado no município de Antônio Gonçalves, na Bahia.

José Júnior era da coordenação estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) na Bahia e liderança da Comunidade Quilombola Jiboia.

A liderança quilombola trabalhava em sua roça acompanhado por um dos seus irmãos e sobrinhos, quando um carro preto com quatro homens armados desceram do veículo já atirando em José Júnior. O quilombola foi alvejado mais de dez vezes e ainda teve a sua cabeça esmagada. O irmão do trabalhador assassinado foi agredido com socos e ameaçado de morte.

O Território de Jiboia também está com o seu processo de regularização em curso no Incra e conta com 224 famílias.

Segundo os dados subestimados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), até 20 de julho deste ano, já foram ao menos 48 assassinatos no campo, entre camponeses, indígenas e quilombolas.

 

Ataques de pistoleiros a acampamentos em Minas Gerais e no Pará

 

A Comunidade Tradicional Pesqueira e Vazanteira de Canabrava sofreu um ataque de 12 pistoleiros armados, que incendiaram criminosamente casas e plantações, na manhã de 20 de julho, em Buritizeiro, no Norte de Minas Gerais.

Esta comunidade já havia sofrido no dia 18 de julho a derrubada ilegal (sem mandado judicial) de algumas moradias pela Polícia Militar do gerenciamento estadual de Fernando Pimentel/PT.

As 45 famílias que compõem a comunidade de pescadores e vazanteiros estão ameaçadas de despejo devido o cumprimento de um mandado de reintegração de posse para os próximos dias.

No dia 17 de julho, um acampamento localizado na Fazenda São José, que integra o complexo de Fazendas Reunidas HD, no município de Coronel Pacheco, também em Minas Gerais, foi atacado pelo pretenso proprietário das terras em conluio com a Polícia Militar.

No ataque, o latifundiário incendiou o capim seco, ameaçando a vida das 350 famílias acampadas no local, enquanto a PM cercava o local com as armas em punho, numa clara expressão de intimidação aos camponeses, que tentavam apagar o incêndio.

No sudoeste do Pará, nos dias 15 e 16 de julho, os camponeses do Acampamento Hugo Chavez, que ocupavam as terras da Fazenda Santa Tereza, em Marabá, foram atacados criminosamente por pistoleiros.

Na noite de 15 de julho, homens em uma caminhonete efetuaram vários disparos de arma de fogo contra a entrada do acampamento. Já no dia 16, o ataque ocorreu na parte da tarde, quando os pistoleiros atearam fogo ao redor do acampamento, atingindo alguns barracos utilizados como armazéns para a estocagem da produção e as pastagens e plantações de arroz, feijão, mandioca e milho cultivadas pelas famílias.

Alguns camponeses, incluindo crianças e idosos, passaram mal com a fumaça.

 

Despejo no Espírito Santo

 

No dia 11 de julho, mais de 200 famílias do Acampamento Fidel Castro foram despejadas violentamente pela tropa de choque da Polícia Militar com o apoio de cavalaria e helicóptero, no município de Conceição da Barra, no Espírito Santo.

Os barracos e as plantações dos camponeses, vinculados ao MST, foram destruídos.

As famílias ocupavam há nove meses as terras da Fazenda Itaúnas, que se encontravam abandonadas.

“O Estado disponibilizou cavalaria, tropa de choque, helicóptero, ambulância, hospital, delegacia, tratores e caminhões para despejar as famílias. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) levou um rolo de lona p cobrir o que sobrou dos barracos destruídos pelos tratores e pelo fogo”, denunciou Adelson Lima.

 

Ameaças de despejo no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Maranhão

 

Os Acampamentos Antônio Conselheiro, que conta com 50 famílias, e o Ondina Dias, que conta com 300 famílias, ambos no município de Nova Venécia, no Espírito Santo, estão ameaçados de serem destruídos pelas forças policiais devido a ação de reintegração de posse que está para ser cumprida.

Os camponeses do Acampamento Aloísio e Maura, situado no Distrito do Açu, em São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, estão sob o risco de sofrerem uma ação de reintegração de posse.

Os camponeses junto com outros moradores do Distrito do Açu lutam há anos contra o Projeto Minas Rio, um megaempreendimento portuário-industrial da Anglo American, que constrói um mineroduto, com 525 km de extensão, ligando o Açu à Conceição do Mato Dentro (MG).

Cerca de 120 famílias do Acampamento Buritina, que ocupam a fazenda Rondominas, em Bom Jesus das Selvas, no Maranhão, estão ameaçadas de despejo pela Polícia Militar.

As famílias ocupam a área há quatro anos. As plantações das famílias correm o risco de serem destruídas. A empresa Suzano, que arrenda (aluga) as terras, há anos ameaça os camponeses.

 

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