Pau D'Arco: Laudos comprovam execução dos camponeses

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               Camponeses retomam latifúndio Santa Lúcia após Chacina que resultou no assassinato de dez camponeses em Pau D'Arco.

Na tarde de 28/08, em Belém, foi divulgado o resultado da perícia realizada na fazenda Santa Lúcia, local da Chacina de Pau D’Arco, que reafirmou a responsabilidade das Policias Civil e Militar pelo bárbaro crime que assassinou dez camponeses no dia 24/05 deste ano.

As conclusões da perícia divulgada pela Polícia Federal e pela Secretária de Segurança Pública do Pará, comprovam que a ação criminosa das forças policiais do velho Estado foi premeditada e planejada. Os policiais invadiram o acampamento dividido em grupos, sendo que um seguiu a pé e os outros em veículos, buscando cercar e encurralar os trabalhadores que ocupavam a fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco.

A falsa tese de que teria ocorrido um confronto entre camponeses e policiais foi mais uma vez desmentida, agora pelos resultados da perícia (antes por organizações populares e democráticas e pelos próprios depoimentos de camponeses e testemunhas).

Já em 24/05, mesmo dia em que ocorreu a sórdida Chacina, a Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres e a LCP de Pará e Tocantins declaravam: "As mentiras começam com a DECA informando que os policiais foram recebidos a tiros e reagiram! Mentirosos! Assassinos! Canalhas!". E denunciavam: "A DECA, outras polícias, pistoleiros e seguranças particulares estavam na área para fazer segurança para o latifundiário. E fizeram a chacina para vingar a morte de um suposto pistoleiro que teria morrido na região. A DECA foi a Pau D`arco para matar camponeses. A companheira Jane, presidente da associação dos camponeses que lutava pela área foi assassinada. Sete camponeses de uma mesma família também o foram."  A nota intitulada 'Chacina de Pau D'Arco no Pará é crime de Estado!' concluía ainda apontando os culpados pelos vis crimes contra os camponeses no Pará:  "A culpa é do governo do Estado, Simão Jatene, PSDB! A culpa é da DECA!  A culpa é do latifúndio! A culpa é da quadrilha de Temer, Meireles e desse congresso de bandidos!"

Também no dia 06 de julho, 1 mês e meio antes da divulgação do resultados da perícia, um representante da Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres (LCPs) declarava em entrevista exclusiva ao AND:

— Todos os elementos comprovam que não houve aquela resistência. Agora nós perguntamos o seguinte: será que quando a DECA foi fazer a operação, não sabia o que ia encontrar? Sabia! Porque se é uma delegacia especializada em conflitos agrários, a DECA sabia que iria encontrar camponeses os quais ela poderia assassinar. Porque sabia que não havia nenhuma organização daqueles camponeses para resistir à esses ataques armados.

Os peritos não encontraram vestígios de pólvora nas mão dos trabalhadores assassinados. Nenhum policial saiu da ação ferido e os seus coletes não tinham marcas de tiros.

Ainda segundo os dados divulgados, nesse crime hediondo praticado pelo velho Estado, ao menos seis armas foram utilizadas pelos policiais para assassinar os camponeses. Nove vítimas foram alvejados no peito e a presidente da associação dos trabalhadores, Jane Júlia de Almeida, foi executada com um tiro à queima-roupa na cabeça. Cinco camponeses foram assassinados por uma pistola .40 que não foi entregue a perícia.

As necropsias revelaram que alguns camponeses apresentavam ferimentos nos braços devido as algemas, outros receberam golpes na cabeça e tiveram costelas quebradas, compatíveis com ferimento de chute ou uso de espingarda ou fuzil.

De acordo com depoimentos de testemunhas, os policiais teriam utilizado as próprias armas dos camponeses para assassiná-los.

Camponeses denunciam TRAIÇÃO DA FETRAF

Camponeses falam sobre a retomada de Pau D'Arco

Judiciário manda soltar policiais responsáveis pela Chacina

Na madrugada de 09/08, 13 policiais responsáveis pela Chacina de Pau D’Arco foram soltos pelo judiciário do velho Estado.

A decisão do juiz substituto da Vara Criminal de Redenção, Jun Kubota, suspendeu a prisão preventiva dos 11 policiais militares e dois policiais civis envolvidos na chacina, que assassinou dez camponeses no dia 24/05 na fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco. Os policiais estavam presos desde o dia 10/07 por decisão do juiz da mesma vara, Haroldo Silva da Fonseca.

Ainda no dia 09/08, o judiciário negou o pedido do Ministério Público do estado de prorrogação das prisões com a alegação de que não há necessidade de manter os policiais presos.

 

Temor de novos assassinatos e ataques

Os camponeses que retomaram a fazenda Santa Lúcia no dia 13/06 temem que a liberação dos policiais possam gerar novos ataques e assassinatos contra os trabalhadores acampados e os familiares dos camponeses assassinados. Nos últimos meses, uma série de ameaças de morte contra os camponeses e testemunhas envolvidas no caso foram denunciadas. Uma lista com nomes de camponeses do Acampamento Jane Júlia e de familiares dos trabalhadores assassinados estaria circulando na região.

No dia 07/07, o dirigente camponês Rosenildo Pereira de Almeida, de 44 anos, havia sido assassinado no município de Rio Maria. O companheiro Rosenildo era militante da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Pará e Tocantins e um dos coordenadores do Acampamento Jane Júlia, situado na retomada da Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco.

Cobertura de AND sobre a Chacina de Pau D'Arco

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'Chacina de Pau D'Arco no Pará é crime de Estado!' (Liga dos Camponeses Pobres)

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