Latifúndio quer abrir terras indígenas para a agropecuária

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Indígenas protestam em Brasília contra abertura de terras indígenas para o latifúndio (agronegócio). Foto do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

No dia 18 de outubro ocorreu uma audiência pública na Câmara dos Deputados que discutiu a liberação do arrendamento de terras indígenas para a exploração das atividades agropecuárias do latifúndio (agronegócio). Do lado de fora, cerca de 100 indígenas foram atacados por policiais quando tentaram entrar na audiência.

O evento foi proposto por Nilson Leitão/PSDB – presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) – e convocado pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, visando atender uma antiga demanda de latifundiários: a legalização da exploração agropecuária em terras indígenas. Não contentes em invadir, explorar ilegalmente os recursos naturais das terras indígenas e bloquear os processos demarcatórios, os latifundiários querem se apoderar, por meio das mudanças na legislação, das terras indígenas, retirando ou dificultando o acesso dos povos indígenas ao seus territórios tradicionais.

“A Frente Parlamentar Agropecuária”, denunciou a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) em nota, “jamais irá desistir de seus propósitos de tomar conta das terras e territórios indígenas, seja para a expansão do agronegócio, da pecuária e exploração dos bens naturais, ou para a implantação de grandes empreendimentos, incluindo o extrativismo minerário industrial”.

Enquanto os representantes dos latifundiários debatiam a abertura das terras indígenas na audiência, os indígenas contrários a esta medida eram  atacados pelos policiais com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além do uso de spray de pimenta.

Quatro indígenas – dois kaingang, um guarani-nhandeva e um terena – chegaram a ser detidos pelo Departamento de Polícia Legislativa (Depol). Três deles serão acusados de “dando ao patrimônio público” pelo Depol. Uma criança e uma mulher passaram mal devido a inalação dos gases tóxicos. As vidraças da entrada do edifício Anexo III da Câmara dos Deputados foram quebradas e veículos estacionados foram danificados.

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