Militarização nas favelas é crime contra o povo

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Foto: Severino Silva

Desde a publicação da última edição de AND (nº 199) - quando publicamos a matéria Prossegue o terror contra o povo pobre no Rio -, no fim de outubro e início de novembro, inúmeros crimes cometidos pelas forças repressivas do velho Estado contra os pobres voltaram a ocorrer no Rio de Janeiro como parte do incremento da guerra civil reacionária desencadeada pelas classes dominantes no Brasil.

No último mês agentes da repressão realizaram uma operação de terror na comunidade do Complexo do Lins, localizada no bairro do Méier, zona norte do Rio de Janeiro, sob a justificativa de procurar os criminosos que assaltaram e mataram o comandante do 3° batalhão do Méier. Sendo este morto na verdade em um acerto de contas, segundo relatos do Ministro da "Justiça" Torquato Jardim, e não em um assalto provocado por traficantes locais.

Além disso, o famigerado Batalhão de Operações Policiais (Bope) lançou guerra contra o povo na Ladeira dos Tabajaras, no dia 01/11. Comerciantes e moradores, acompanhados de seus filhos, se reuniam em um pagode quando foram barbaramente agredidos,torturados,tendo seus pertences roubados. Segundo denúncias dos moradores aos colabores de AND, o batalhão agredia quem estivesse pela frente.

Em AND 199 apontávamos: ”Com a falência das UPPs, agora os gritos histéricos são pela atuação das Forças Armadas, por mais intervenção militar nas favelas, como se a continuação da política de repressão sob a batuta do Exército fosse resolver os problemas da violência, que têm suas raízes na condição semicolonial e na crise do capitalismo burocrático no Brasil”. Esse tipo de intervenção das Forças Armadas ocorreu seguidas vezes na Rocinha e, nos dias de conclusão da última edição do jornal, ocorria no Complexo do Lins, em operação conjunta com as polícias.

Na manhã de 7 de novembro, soldados do Exército, da Força Nacional de Segurança e das polícias Militar, Civil, Rodoviária e Federal realizaram uma Megaoperação no Complexo do Salgueiro e na comunidade Anaia, na cidade de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Ao todo, 3,5 mil militares, 24 blindados e 18 embarcações das Forças Armadas atuaram.

Os moradores da região amanheceram surpresos com o números de agentes de repressão nas ruas e denunciaram que, quem passava por eles tinha bolsas e mochilas revistadas durante a megaoperação que teve como pretexto o “combate ao crime organizado”. Duas pessoas e algumas drogas foram apreendidas, pouca coisa para um grande teatro armado no intuito de amedrontar a população.

Desavenças entre “autoridades”

Em meio a crise do capitalismo burocrático - que atinge com mais força as massas pobres que vivem no Rio de Janeiro - e com a total decadência da “segurança pública” do estado e da militarização das favelas, no fim de outubro, o ministro da “Justiça”, Torquato Jardim, fez um pronunciamento que alvoroçou as “autoridades” fluminenses. Ele teceu críticas à “segurança pública” e afirmou que a Polícia Militar do Rio não é controlada pelo gerente estadual Luiz Fernando Pezão, mas sim por um "acerto com deputado estadual e o crime organizado".

Em nota, o funcionário da grande burguesia Pezão afirmou - talvez em forma de deboche ou para contrariar o que é de conhecimento público - que o governo estadual e o comando da PM não negociam com criminosos. Oficiais da PM ficaram consternados e pedem providências à “Justiça” e ao Ministério Público Federal. Enquanto se engalfinham, é o povo pobre das favelas e bairros pobres quem continua tendo o sangue derramado.

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