Moclate lança moção de apoio a luta do povo pela terra em Correntina

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Segue para repercussão a nota enviada a redação de AND do Moclate (Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação) a respeito do apoio a luta do povo por direito a água e ao uso da terra em atendimento de interesses coletivos, na cidade de Correntina - Bahia.

CERRADO É VIDA! AGRO É MORTE!

O MOCLATE- Movimento Classista dos Trabalhadores da Educação de Goiás vem manifestar o seu apoio à população da cidade de Correntina-BA, maioria composta de ribeirinhos, que no dia 02 de novembro de 2017, ocuparam as Fazendas Igarashi e Curitiba, no distrito de Rosário, município de Correntina, na região do Oeste da Bahia, como forma de protesto, diante da omissão dos governantes e da ganância do capital estrangeiro através do agronegócio que vem aos anos destruindo o Cerrado. As plantações nativas dessa região estão sendo substituída pela monocultura para a exportação, causando o desmatamento e acabando com a riqueza da fauna, flora e secando os rios de água doce como é o caso do Rio Arrojado e demais rios dessa região.


A população de Correntina vem organizando vários atos como “S.O.S O Rio de Correntina é Nosso!” no ano de 2015, também denunciaram na TV Senado sobre A Situação Socioambiental do Oeste da Bahia, em novembro de 2016, assim como, denunciaram aos órgãos competentes, aos governantes da Bahia, na tentativa de barrar o agronegócio que está acabando com o Cerrado. Entretanto, nada foi feito, ao contrário, a eles foram permitidos a utilização de pivôs que retiram uma quantidade ainda maior de água. O Oeste da Bahia, já sofre com a estiagem das chuvas, agora o agronegócio retira a água por ganância, e para enriquecimento próprio, pois em nada beneficia o povo da região.

Os monopólios dos meios de comunicação, o Estado e seus governantes acusaram a população de Correntina de vândalos e terroristas pelo o ocorrido no dia 02 de novembro. Mas quem são terroristas e vândalos nessa história? A população de Correntina ou os latifundiários do agronegócio?

VÂNDALOS são os que estão matando e destruindo os gerais do cerrado, veredas e cabeceiras dos nossos rios, acabando com a vegetação nativa, com os animais, destruído a vida dos ribeirinhos que trabalham embaixo de um sol ardente para trazer para mesa da população o alimento saudável sem agrotóxico. Ao contrário da propaganda veiculada, os alimentos consumidos pela grande população, são provenientes da lavoura dos pequenos agricultores de Correntina e das outras cidades vizinhas.

TERRORISTAS são aqueles que estão retirando o sono da população Correntinense e regiões vizinhas, pois estes estão a cada dia percebendo os seus rios secando, que em um futuro muito próximo não poderão mais comer o pequi, o buriti, o caju e vários outros frutos do Cerrado, não poderão mais pescar e nem comer os peixes dessa água doce, não poderão mais banhar nos rios, não beberão mais dessa água, não alimentarão os animais e nem comerão dos alimentos plantados e colhidos com suas próprias mãos.

O MOCLATE também vem repudiar os monopólios dos meios de comunicação que não falaram a verdade, veicularam enganações e somente insultaram os trabalhadores, chamando-os de vândalos. Deveriam ir ao fundo do problema e denunciar os verdadeiros criminosos. Repudiamos os governantes que acusaram os ribeirinhos de terroristas, pois os terroristas são quem desviam o dinheiro público, doam as terras públicas para o agronegócio, e para o imperialismo, que ficam do lado dos grandes empresários e latifundiários, e demais classes dominantes.

Quem nesse momento está precisando receber intimação são os grileiros, os latifundiários, as empresas internacionais, que roubam o bem mais precioso da humanidade, como diz a música de Henrique Soares, eles são “morcegos metálicos”, “vampiros mecânicos” e “vão sugando o sangue dos rios”.  

Segundo o professor, antropólogo, arqueólogo baiano e grande estudioso do bioma do Cerrado “o cerrado do oeste da Bahia é de fundamental importância para a recarga do aquífero Urucuia, através da absorção das águas das chuvas”. As águas desse aquífero sustentam os rios que correm paralelamente encaixados e que são os responsáveis diretos pela vida e perenizarão do Rio São Francisco, considerado um “patrimônio nacional”.

No dia 11 de Novembro a população de Correntina e as regiões vizinhas que também serão prejudicados, se uniram e fizeram um grandioso ato, com passeata onde reuniram aproximadamente 6 mil pessoas, para DENUNCIAR ao Brasil e ao mundo o descaso que os governantes e os órgãos competentes do meio ambiente estão fazendo com os recursos naturais, matando o Cerrado, a fauna, a flora e as cabeceiras dos rios, exigiram que fiscalizem e obriguem o agronegócio a parar com a destruição do Cerrado, com o consumo desproporcional de água. Mesmo o governador enviando tropas de policiais militares para intimidar a população na intenção de fazer com que eles recuassem, o efeito foi contrário, aliás a população foi mais fervorosa ainda para a manifestação.

Mais uma vez, comprova-se que este “Estado Democrático de Direito”, só serve para os grandes burgueses, aos latifundiários e ao imperialismo. Como diz o lema estampado nas camisetas desse grande ato “SEM CERRADO, SEM ÁGUA, SEM VIDA”. 


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