MG: Pimentel segue ratificando os crimes do regime militar

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Por Comitê de Apoio à Luta pela Terra de Belo Horizonte

  O Comitê de Apoio à Luta pela Terra de Belo Horizonte realizou uma vigorosa panfletagem e denúncia em defesa dos posseiros de Cachoeirinha durante o lançamento do relatório da “Comissão da Verdade de Minas Gerais (Covemg)” na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na manhã de 13 de dezembro.

  O relatório, com 1.781 páginas, dividido em cinco volumes, foi produzido com base em dados coletados em várias cidades mineiras e detalha os crimes de Estado cometidos no período em que o país esteve sob o gerenciamento militar-fascista. Crimes contra o povo que continuam a ser praticados sob os diferentes gerenciamentos de turno sob a máscara do falso "Estado Democrático de Direito", verdadeira ditadura para o povo e democracia para as classes dominantes.

  Durante o evento, além de distribuir boletins denunciando a situação dos posseiros de Cachoeirinha – vítimas da covarde ação do velho Estado burguês/latifundiário, que está sob a gerencia de Pimentel (PT) – , os apoiadores da luta camponesa estenderam uma faixa com os seguintes dizeres: “PIMENTEL CADÊ O COMPROMISSO COM OS CAMPONESES DE CACHOEIRINHA?”. Na seção estava presente o deputado estadual Durval Ângelo/PT, também cúmplice desse crime.

 O boletim foi muito bem recebido pela plateia e inclusive comentado na mesa dirigente dos trabalhos, pelo coordenador da Covemg, Robson Sávio Souza, que relatou sua visita à região de Cachoeirinha, localizada no município de Verdelândia, onde pôde ouvir os relatos de sobreviventes do “massacre de cachoeirinha” (1967).Durante sua exposição Robson também destacou a dificuldade em obter informações dos órgãos repressivos do velho Estado (policias civil, militar e Forças Armadas), afirmando que o relatório foi produzido com base nos depoimentos de sobreviventes.

  Outra a saudar a presença do Comitê de Apoio à Luta pela Terra, foi Emely Vieira Salazar, ex-presa e torturada, por lutar contra o regime fascista/militar. Em sua fala, Emily deixou claro que contar a sua história e a experiência nas câmaras de torturas do DOPS “seria falar de uma coisa pessoal”, mas que a história deveria ser recontada para que tais atrocidades não ocorram novamente. Em seguida mirou a faixa do erguida pelo Comitê de Apoio à Luta pela Terra e saudou a justa luta dos camponeses de Cachoeirinha “esse povo sofrido, mas que segue lutando!”.

  Durante a tarde , o Comitê de Apoio à luta pela Terra foi até a portaria do Palácio da Liberdade, região da Savassi, onde uma cópia do relatório da “Comissão da Verdade” seria entregue ao gerente estadual Fernando Pimentel/PT em uma sessão reservada à escolhidos. Lá, os ativistas prosseguiram a distribuição dos panfletos e denunciaram a hipocrisia do gerente Pimentel que, apesar de receber o relatório sob a alcunha de “grande democrata”, na prática segue ratificando os crimes do regime fascista/militar, permitido que 200 policiais fortemente armados executassem no dia 21 de novembro último a reintegração de posse da Fazenda Vera Cruz (acampamento Nova Cachoeirinha) em Cachoeirinha, no Norte de Minas Gerais.

Ataques contra os camponeses de Cachoeirinha tem a conivência do velho Estado

  Durante a reintegração de posse da Fazenda Vera Cruz, o aparato repressivo do velho Estado fez cerco ao acampamento e usou de todo tipo de fustigação para aterrorizar as famílias que lá encontravam. Durante os dias 20 e 21 de novembro fizeram uso de helicópteros, atiraram bombas de gás e de efeito moral contra os camponeses.

As famílias resolveram deixar a área, de forma organizada, sob a promessa de voltarem de forma definitiva em breve pois a Fazenda Santa Cruz faz parte da histórica área disputada pelos posseiros de Cachoeirinha, cujo o então gerente estadual Tancredo Neves, havia assinado um decreto reconhecendo o direito de posse dos camponeses de Cachoeirinha.

  Oportunista, sem nenhum constrangimento nem compromisso, o gerente Pimentel/PT, que teve a chance de impedir a reintegração de posse, nada fez, bem como os seus pares. Todos estes foram procurados pelo Comitê de Apoio à Luta pela Terra de Belo Horizonte, tanto em visita à sede da Secretaria de Estado e Desenvolvimento agrário (SEDA) para levar as denúncias até o professor Neivaldo, quanto na ALMG para denunciar a covarde ação que estava para ocorrer.

  No mesmo dia em que os deputados, se quer estavam na ALMG e o professor Neivaldo estava “viajando”, as tropas repressivas com 200 homens cumpriam a ordem de reintegração, cometendo as mais bárbaras ações contra homens, mulheres e crianças, fustigando e apavorando-os com bombas e barulhos para não deixarem as pessoas dormirem. As famílias resistiram bravamente por mais de 18 horas.

ATO em belo horizonte PRESTOU SOLIDARIEDADE E APOIO AOS CAMPONESES DE CACHOEIRINHA

 Diante desses dos covardes crimes contra os Camponeses de Cachoeirinha um grupo de lideranças de diversas entidades e movimentos populares, atendendo ao chamado do Comitê de Apoio, realizaram um ato na sede do Sindados de Minas Gerais.

  O ato contou com a presença de representantes da LPS, Liga Operária, LCP, Sindados, Marreta, Sind Saúde, Sintect, Sind Ute – Vespasiano, Centro Cultural José Marti, IHG, MEPR, Moclate entre outros. No evento foi apresentada uma versão do vídeo Memórias da Terra, produzido em Goiânia pelo grupo de comunicadores populares do Desneuralizador. Após o vídeo, ocorreu um debate, que forjou ainda mais a unidade do Comitê de Apoio à Luta pela Terra de BH e principalmente, a compreensão maior da necessidade de apoiar essa justa luta dos posseiros de Cachoeirinha e a Revolução Agrária em curso no país.

O ato terminou saudando todos os heróis do povo através dos companheiros Saluzinho, Jader e Sula, que seguem presentes na luta, através de seus descendentes, que seguem firmes há mais de meio século e com as consignas: Viva os 50 anos da heroica resistência dos posseiros de Cachoeirinha! Viva a Revolução Agrária!

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