Igor Mendes publica nota em resposta a ataques do monopólio de imprensa

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O livro A Pequena Prisão, com prefácio escrito pela professora Vera Malaguti, foi lançado em setembro de 2017. Foto: Bruna Freire


A 'Folha de SP' publicou em seu site, no dia 20 de fevereiro, uma matéria contendo entrevista concedida pelo militante e ex-preso político Igor Mendes a jornalista Eliane Trindade sobre seu livro A Pequena Prisão. No dia seguinte (21), porém, a mesma 'Folha de SP' publicou em sua edição impressa uma versão deturpada desta mesma matéria, no intuito de atacar o ativista e criminalizá-lo. 

Reproduzimos a seguir a nota escrita por Igor Mendes e publicada na página de divulgação de seu livro em esclarecimento sobre o fato.


Esclarecimento sobre matéria da Folha de SP acerca de 'A pequena prisão'

Sou obrigado a vir a público protestar contra a matéria publicada hoje, 21/02, na edição impressa do jornal Folha de SP, com o título “EM LIVRO, MANIFESTANTE ‘BLACK BLOC’ DIZ TER SIDO PRISIONEIRO POLÍTICO NO RIO”. Jamais, em momento algum, me declarei “black bloc” e nunca, até hoje, conseguiu o Ministério Público do Rio, na sua sanha punitiva, comprová-lo - a meu respeito ou de qualquer dos 23 ativistas processados. Mais do que isso: considero que o ÚNICO responsável pelos conflitos nas manifestações de 2013 e 2014 foi o próprio Estado e os governantes que enxergam a repressão como o meio para lidar com os protestos populares.

Além disso, lê-se num trecho da matéria:

“Igor foi acusado pela promotoria de posse de artefato explosivo, dano básico e qualificado, resistência e lesão corporal, entre outros crimes. Também teria descumprido medida cautelar de não comparecer a manifestações”.

Não sei que mente fantasiosa criou, para mim, esta robusta folha corrida. Jamais fui pego em flagrante ou acusado de qualquer ato a que este trecho se refere. NENHUM. Isto qualquer pessoa pode verificar pela leitura dos autos. (processo número 0229018262013.8.19.0001, no site do TJRJ). Quem ler “A pequena prisão” saberá que eu respondo por um único “crime”: associação criminosa, artigo 288 do Código Penal. Lei draconiana, cuja nova redação foi aprovada ainda em 2013 e usada, crescentemente, para perseguir os movimentos populares, sobretudo aqueles que não se prestam a ser meras correias de transmissão de projetos de conciliação de classes.

Ademais, a minha prisão, bem como a de Elisa e Karlayne, foram decretadas EXCLUSIVAMENTE pelo fato de termos comparecido a uma manifestação cultural na Praça Cinelândia, em 15/10/2014, como fica demonstrado no próprio decreto de prisão preventiva cujo teor reproduzo no livro.

Aproveito a oportunidade para acrescentar que essa prisão também foi considerada ilegal, desta feita pelo STJ, que, além de nos conceder o habeas corpus, anulou a malsinada medida cautelar que nos proibia de frequentar protestos e manifestações, por considerá-la INCONSTITUCIONAL.

É inaceitável que o monopólio de imprensa use “A pequena prisão” para requentar novas e velhas acusações contra a geração de lutadoras/es que ousou ocupar as ruas nas Jornadas de Junho de 2013 e nelas permanece até hoje. A nossa perseguição é que foi criminosa, ilegal, imoral, e boa parte dos governantes-carcereiros que a ordenaram encontram-se hoje às voltas com os tribunais, como notoriamente é o caso do governo do Rio e dos figurões da máfia da FIFA. Enquanto isto, a luta popular não cessa, e anuncia, para futuro não muito distante, a derrubada desta ordem que transforma a vida da maioria dos brasileiros num imenso presídio. Como diz um provérbio de prisão, “a cadeia pode ser longa, mas não é perpétua”. Avante!

Igor Mendes,

21/02/2018


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