Homenagem à Norman Bethune: exemplo de abnegação

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Norman Bethune trata de guerrilheiro ferido durante resistência contra a invasão japonesa
 
Em 3 março de 1890 nasceu Henry Norman Bethune, em Ontário, Canadá. 
Brilhante médico, ocupando cargo de chefia em um dos mais importantes hospitais do seu país, se imbuiu do mais alto sentimento de internacionalismo proletário, tendo a coragem, abnegação e a generosidade de largar tudo para, em um primeiro momento, ir ajudar os que lutavam contra o fascismo na guerra civil espanhola e depois colaborar com os chineses nas tropas comandadas pelo Presidente Mao Tsetung durante a guerra de resistência contra a invasão japonesa.
Reproduzimos a seguir o artigo escrito pelo Presidente Mao Tsetung em 21 de Dezembro de 1939 em homenagem a este brilhante médico internacionalista.
À Memória de Norman Bethune1
 
Mao Tsetung 
O camarada Bethune, membro do Partido Comunista do Canadá, tinha pouco mais de cinquenta anos quando foi enviado para a China pelo Partido Comunista do Canadá e pelo Partido Comunista dos Estados Unidos. Bethune não hesitou um só momento em transpor milhares de quilômetros para ajudar-nos na Guerra de Resistência contra o Japão. Chegou a Ien-an pela Primavera do ano passado, indo depois trabalhar no Vutaixan onde, para grande pesar nosso, veio a encontrar a morte, no seu posto. Aí está um estrangeiro que, sem qualquer interesse pessoal, fez sua a causa da libertação do povo chinês. De que espírito estava ele animado? Do espírito do internacionalismo, do comunismo, o espírito que todo e qualquer comunista chinês deve assimilar. O Leninismo ensina-nos que a revolução mundial só pode triunfar se o proletariado dos países capitalistas apoiar a luta de libertação dos povos das colônias e semi-colônias e o proletariado das colônias e semi-colônias apoiar a luta de libertação do proletariado dos países capitalistas2. O camarada Bethune pôs em prática essa linha leninista. Nós, membros do Partido Comunista da China, devemos proceder do mesmo modo. Devemos unir-nos ao proletariado de todos os países capitalistas, ao proletariado do Japão, da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Itália e dos demais países capitalistas; só assim será possível abater o imperialismo, libertar-se a nossa nação e nosso povo e libertarem-se as demais nações e povos do mundo. Tal é o nosso internacionalismo, o internacionalismo que opomos ao nacionalismo e patriotismo estreitos.
O espírito do camarada Bethune, esquecimento total de si próprio e devoção pelos outros, manifestava-se num profundo sentido das responsabilidades em relação ao trabalho e num ilimitado afeto pelos camaradas e pelo povo. Todos os comunistas devem tomá-lo como exemplo. Não são poucas as pessoas a quem falta o sentido da responsabilidade em relação ao trabalho; preferindo as cargas leves as pesadas, escolhem as leves e deixam as pesadas para os outros. Seja para o que for, tais pessoas pensam primeiro em si próprias e só depois nos outros. Assim que fazem um pequeno esforço, incham-se de vaidade e gabam-se, com medo de que os outros não reparem nisso. Não têm o menor carinho pelos camaradas e pelo povo, tratando-os até com frieza, com indiferença e insensibilidade. No fundo, não são comunistas ou, pelos menos, não podem considerar-se como verdadeiros comunistas. Entre os que regressavam da frente não havia quem, ao falar-se de Bethune, não manifestasse admiração por ele e não estivesse sensibilizado pelo seu espírito. Entre os militares e civis da região fronteiriça Xansi-Tchahar-Hopei, de todos aqueles que pessoalmente foram tratados pelo Dr. Bethune ou viram com os próprios olhos o trabalho deste, não há quem não se sinta emocionado com isso. Todos os membros do Partido devem assimilar esse espírito autenticamente comunista do camarada Bethune.
O camarada Bethune era médico, fazia da arte de curar a sua profissão; aperfeiçoando-se constantemente, distinguiu-se pela aptidão em todo o serviço médico do VIII Exército. Isso constitui uma excelente lição para todos aqueles que pensam em mudar de ofício assim que entreveem uma possibilidade de exercer outro, ou desdenham o trabalho técnico considerando-o insignificante, sem futuro.
Estive com o camarada Bethune uma só vez. Depois, ele escreveu-me diversas cartas. Mas, assoberbado pelo trabalho, só lhe respondi uma vez e nem sei mesmo se recebeu a minha carta. A sua morte causou-me profundo pesar. Agora, ao celebrarmos a sua memória, podem ver-se quão profundos são os sentimentos que o seu espírito nos inspira. Todos devemos aprender dele o espírito perfeito de abnegação. Assim cada um poderá vir a ser de grande utilidade para o povo. Seja qual for a capacidade dum indivíduo, basta-lhe que possua esse espírito para ser um homem de nobres sentimentos, um homem íntegro, de alta moral, destituído de interesses vulgares, um homem útil ao povo.
Notas:
(1) Obras Escolhidas de Mao Tsetung, Tomo II (Edições do Povo, Pequim, Agosto de 1952). 
(2) Ver J. V. Estáline “Fundamentos do Leninismo”, VI parte: “A Questão Nacional”. (retornar ao texto)

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