AL: Camponeses da Área Revolucionária Renato Nathan encampam luta pela eletrificação em defesa de suas terras

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Nota da Redação: Reproduzimos nota da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Nordeste sobre a importante campanha realizada no mês de abril pelos camponeses da Área Revolucionária (AR) Renato Nathan, situada no município de Messias, Alagoas, que exigem do velho Estado ter energia elétrica em suas terras tomadas do latifúndio.


CAMPONESES DA ÁREA REVOLUCIONÁRIA RENATO NATHAN ENCAMPAM LUTA PELA ELETRIFICAÇÃO EM DEFESA DE SUAS TERRAS

Uma grande campanha democrática em defesa dos interesses dos camponeses da AR Renato Nathan se iniciou neste mês de abril, com o objetivo de defender com unhas e dentes as terras que são suas posses de fato, os camponeses do Lajeiro em conjunto aos camponeses da AR Rosalvo Augusto expandiram sua mobilização para fortalecer a aliança operária e camponesa. Manifestações e audiências públicas estão correspondendo com uma grande repercussão que ecoa, fazendo ampliar o apoio nas cidades à justa luta por terra, pão, justiça e Nova Democracia. Em Messias são mais de 120 famílias que vivem e produzem a mais de dez anos nas terras do Lajeiro, que se levantam em repúdio a mais uma tentativa da Usina Utinga Leão de despejar ilegalmente as famílias de trabalhadores honestos, que reafirmam não abrirem mão de suas conquistas fruto de muito suor. Ao contrário dos interesses do latifúndio de novo tipo (agronegócio), os camponeses pretendem continuar criando seus filhos com dignidade, com isso, os camponeses exigem a imediata eletrificação de suas casas para garantir o avanço de sua produção, o que, consequentemente, representa alimento em fartura e mais barato para os trabalhadores da cidade.

Aliás, quem em sua sã consciência daria cana de Usina para alimentar seus filhos?

 

Se camponeses não plantam a cidade não almoça nem janta!

Por isso, os objetivos dos camponeses representam uma luta política de interesse coletivo, a regulamentação da posse dos camponeses em repúdio a tentativa de despejá-los, como também, a eletrificação do Lajeiro estão diretamente ligadas a vida de quem mora na cidade e sabe o que representa cada centavo de aumento nos produtos da feira. Justamente, por conta deste entendimento, no dia 3 de abril a manifestação, que ocorreu em Messias, foi saudada por onde passou, aplausos em apoio e palavras de solidariedade foram algumas das manifestações de apoio durante todo o percurso. No dia eram dezenas de camponeses perfilados com bandeiras vermelhas e faixas, as palavras de ordem que entoavam no carro de som denunciavam os 10 anos de ilegalidade do processo judicial de despejo e em contraponto ao objetivo da Usina, os camponeses, também, defendiam a eletrificação para fincarem mais fundo o pé na AR Renato Nathan. A manifestação, que iniciou na própria área, teve seu término em ato em frente à Prefeitura.

Foram diversas as falas da massa cobrando uma posição do prefeito Luiz Emílio frente a ameaça de despejo da Usina Utinga Leão e sobre a antiga promessa da prefeitura de eletrificação das casas do Lajeiro. Companheiros da Área Revolucionária José Ricardo, que vieram em delegação de Lagoa dos Gatos [município de Pernambuco] para reforçar a luta em Messias, também interviram em defesa não apenas de uma área mais em defesa da justa luta camponesa que cresce neste país. Companheiros do MLT, também estiveram presente nesta mesma proposição, demonstrando a força de uma classe unida e combativa. Não demorou muito para que o prefeito, logo quando a manifestação chegou em frente à prefeitura, mudar de opinião e chamar uma comissão.

Na conversa Luiz Emílio declarou apoio aos camponeses e que a eletrificação estava já encaminhada com a Eletrobrás, no momento da conversa o prefeito mostra um áudio no celular que um responsável da companhia de energia responde à pergunta de como está o projeto de eletrificação do Lajeiro dizendo: "sabe, está pronto... só falta o prefeito assinar", "se preferir eu mando o projeto, você digitaliza ele assinado... daí nem precisa você vir aqui”. A reivindicação por energia do Lajeiro é uma bandeira antiga dos camponeses, só o grupo reeleito nas suas duas campanhas eleitorais fez a promessa de instalação elétrica no Lajeiro mais de 5 anos, isso sem levar em questão a promessa da família ao longo destes 10 anos de luta camponesa organizada pela Liga. A última promessa ocorreu em março do ano passado, no qual o secretário de finanças, Mano Pichilau, e o chefe de gabinete, Júnior, disseram em uma assembleia para dezenas de camponeses que “em uma semana a energia estaria instalada, pelo menos até a sede” (local próximo onde está sendo construída a casa de farinha), passou mais de uma um ano e essa tal semana nunca chegou.

 

Camponeses seguem firmes em sua luta!

Em decorrência da manifestação do dia 03/04 foi marcada uma audiência pública, os camponeses exigiram que a prefeitura se posicionasse publicamente sobre o apoio e sobre o andamento do projeto de eletrificação, por não bastar para os camponeses organizados uma conversa aligeirada com uma comissão. Assim, no dia 24 de abril foi realizada na Câmara dos Vereadores de Messias uma audiência pública como a cidade de Messias ainda não tinha presenciado. Na mesa estava a Liga dos Camponeses Pobres coordenando toda a atividade e as principais falas foram dos camponeses em luta e de seus apoiadores, que estavam entre companheiros da AR Renato Nathan e AR Rosalvo Augusto (Canoé e Várzea Grande), companheiros do MLT (União dos Palmares e Branquinha), estudantes do MEPR, a Associação de Moradores do Bairro do Antônio Rodriguez, a Associação de Mototaxista de Messias, o Sindicato Rural de Messias, companheiros de outros assentamentos de Messias, companheiros do Conselho de Saúde de Messias, apoiadores da cidade, a Rádio Messias FM, com transmissão ao vivo também na internet. Alguns vereadores de Messias também compareceram e declaram seu apoio.

O prefeito que se comprometeu no dia 3 de abril a comparecer na audiência dos camponeses, não veio. O prefeito improvisou a vinda de um representante, o chefe de gabinete, Júnior, que depois de diversas falas de camponeses e apoiadores cobrando da prefeitura uma posição, declara em nome do prefeito publicamente posição em favor dos camponeses, contudo se esquece de falar da principal pauta dos camponeses naquele momento, a eletrificação. Mas os camponeses fizeram questão de o lembrar, e de forma atrapalhada diz que o projeto é burocrático, que demora, mas que está encaminhado. Quando questionado sobre a conversa do prefeito e o áudio da Eletrobrás no dia 3 de abril depois da manifestação, Júnior apesar da dificuldade de organizar sua fala de forma coerente afirma: “inclusive o prefeito não veio hoje porque está na Eletrobrás resolvendo, justamente esta questão da eletrificação do Lajeiro”, “provavelmente no fim do dia ou mesmo amanhã o prefeito entrará em contato com os coordenadores do Lajeiro para dar a notícia”, e segue dizendo, que “com certeza o prefeito estará na próxima quinta-feira (dia 26 de abril), na reunião ordinária dos vereadores para mostrar para todos o projeto assinado e já encaminhado”. Essa promessa o próprio Luiz Emílio faz no dia 3 de abril, mas o prefeito se comprometeu em trazer o projeto assinado em nossa audiência pública, o que ocorreu foi a presença do chefe de gabinete pedindo mais prazo.

Assim os camponeses e o comitê de apoio a luta camponesa criado nesta audiência se organizam para estarem na reunião ordinária dos vereadores no dia 26 de abril.

 

ELETRIFICAÇÃO DO LAJEIRO JÁ!

ABAIXO AS REINTEGRAÇÕES DE POSSE ILEGAIS!

TERRA É DE QUEM NELA VIVE E TRABALHA!

 

Liga dos Camponeses Pobres do Nordeste – LCP-NE

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