Índia: Polícia massacra multidão para deter a rebelião popular

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A mando de monopólio, massacre policial não parou as massas, que responderam

A polícia indiana abriu fogo contra uma massiva manifestação e massacrou ao menos 13 pessoas, na cidade portuária de Thoothukudi, no sul de Tamil Nadu, no dia 22 de maio. Além dos manifestantes mortos, ao menos 102 pessoas ficaram feridas. O protesto exigia o fim da fundição de cobre pela empresa Sterlite Copper, subsidiária pertencente ao monopólio de mineração imperialista inglês chamado Vedanta Corporation, por contaminar o ambiente (sobretudo a água), deixando a comunidade local sem acesso a estes recursos.

Segundo relatos e vídeos na internet, os policiais (todos à paisana) apareceram em cima de veículos atirando diretamente contra a multidão. A maioria dos disparos atingiram os manifestantes na parte superior do corpo, com o claro objetivo de massacrá-los. Uma das testemunhas disse que um dos atiradores estava no terraço de um escritório da empresa Vedanta – reforçando a tese de que a ação foi executada como fruto de um conluio da polícia com o monopólio. Muitos dos manifestantes foram espancados até a morte.

“Eles estavam atirando no alto de uma van. A polícia sequer usava uniformes e não deram nenhum aviso.”, disse um homem de 43 anos que identificou-se como Gopal, em entrevista ao monopólio da imprensa The Week.

“Eles começaram a atirar em nós sem qualquer aviso. Eles vieram com a intenção de matar como se fôssemos terroristas.”, disse K. Selvam, de 47 anos, um trabalhador que se juntou ao protesto e foi baleado na perna, ao mesmo veículo.

O argumento da polícia – de que atirou para “controlar a multidão” – foi desmentida por mais de 16 testemunhas, que afirmam que outros recursos, chamados de “não letais” e para “dispersão” (como gás lacrimogêneo e outros) sequer foram usados.

No mesmo dia do massacre, o ministro-chefe do estado, Edappadi K. Palaniswami, defendeu a ação genocida da polícia. Outro ministro estadual, D. Jayakumar, também elogiou a ação e qualificou-a de “inevitável”. Dias depois, as “autoridades” arrependeram-se e passaram a recusar falar sobre o assunto.

Revolta violenta

O protesto foi repleto de revolta popular. Mais de 50 mil pessoas participaram, quando era estimada a participação de apenas 2 mil. Várias viaturas policiais foram incendiadas e o grande número de manifestantes reagiu a toda a agressão policial com paus e pedras. Alguns edifícios de órgãos governamentais e da companhia monopolista Vedanta foram invadidos e destruídos impiedosamente pelos populares.

A fundição Sterlite Copper é uma das duas principais empresas de fusão de cobre da Índia e anunciou planos de duplicar sua capacidade, o que implicaria prejuízos para as condições de sobrevivência da comunidade local.

Ao fim do protesto, apesar das baixas, as massas conquistaram seu objetivo: a unidade em questão será fechada permanentemente.

Democrata defende o direito à rebelião

O presidente da Frente Democrática Revolucionária da Índia, Varavara Rao (poeta e escritor) defendeu o direito ao protesto violento, pegando como exemplo este.

“Será que esse tipo de ataque brutal, calando vozes dissidentes, leva pessoas comuns a pegar em armas contra o Estado?”, sugere Varavara Rao.

“As pessoas protestam e o governo, as classes dominantes, a casta superior e a maioria religiosa só fazem atacar os direitos dos trabalhadores e reprimi-los. A luta armada é uma necessidade para o povo trabalhador.”, conclui, citando a guerra popular dirigida pelo Partido Comunista da Índia (Maoista), que tem expulsado as mineradoras e o latifúndio de vastas regiões do país.

Policial, à paisano, atira para matar contra multidão, em defesa de monopólio imperialista

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