RS: Apoiadores de AND entrevistam grevistas da Refinaria de Canoas

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Apoiadores do jornal A Nova Democracia de Porto Alegre (RS) visitaram petroleiros da refinaria Alberto Pasqualini (Refap), mobilizados durante a paralisação de 72h em Canoas, região metropolitana da capital sul-riograndense, no dia 30 de maio.

A greve, que terminou com a renúncia do presidente da Petrobras, Pedro Parente, neste dia 1º de junho, contou com a mobilização de centenas de trabalhadores da refinaria.

Na ocasião os petroleiros foram entrevistados pelos apoiadores de AND e falaram sobre a mobilização, as reivindicações da categoria, a solidariedade à greve dos caminhoneiros e a resistência contra a repressão da PM no dia 30/05. Também foram distribuídos exemplares da edição n° 207 de AND, que tiveram ótima receptividade entre os trabalhadores.


Mobilização, reivindicações e solidariedade de classe

Segundo o relato dos grevistas, a paralisação abrangiu pelo menos 6 estados e somente na Refap chegou a contar com mais de 80% dos trabalhadores.
As reivindicações da categoria consistiam na redução dos preços dos combustíveis, mudança da política de preços da Petrobras e contra a venda da Petrobras. Também foram pontos de reivindicação a saída do presidente da Petrobras, Pedro Parente - que naquele momento ainda ocupava o cargo - e também a saída do gerente federal Michel Temer/PMDB.

Os trabalhadores afirmaram que a categoria começou as discussões sobre a possibilidade da greve já no final do mês de abril deste ano e que a parada das atividades estava inicialmente prevista para o mês de junho. Porém, devido a greve dos caminhoneiros, os trabalhadores resolveram antecipar o início do movimento com o objetivo de se somar a luta dos motoristas que bloquearam as avenidas de todo país.

"A greve dos caminhoneiros é justa e apoiamos, mas repudiamos estes pequenos grupos que reivindicam intervenção militar.", afirmaram na entrevista.

Durante a greve nacional dos caminhoneiros, a Refap também foi um ponto de concentração dos manifestantes que chegaram a bloquear a entrada da refinaria para impedir a saída dos veículos, situação que favoreceu o contato entre ambos os movimentos grevistas e a consequente solidariedade entre as categorias.

Os petroleiros contaram ao AND que as mobilizações preparativas para os 3 dias de paralisação total da refinaria tiveram início no dia 26/05 pela manhã, período do auge da mobilização dos caminhoneiros.

As grandes mobilizações dos caminhoneiros e petroleiros receberam amplo apoio popular. Na  noite de 29/05, um caminhão-tanque chegou a colidir contra duas viaturas policiais após ter os cabos de freio arrancados por um homem que subiu em cima do caminhão, em frente à sede de uma distribuidora de combustíveis localizada nas proximidades da Refap.



Covarde ataque da Brigada Militar

Uma manifestação em apoio a greve dos petroleiros bloqueou a BR-116, avenida que dá acesso à refinaria de Canoas e foi violentamente atacada pela Brigada Militar do gerente estadual Sartori/PMDB no dia 30/05. 

Os grevistas relataram que policiais lançaram bombas de efeito moral contra os manifestantes que erguiam faixas e cartazes em apoio à greve dos petroleiros. Relatos dão conta também que a covarde repressão foi respondida com pedras.

"A repressão começou quarta-feira de manhã, na frente da estação Petrobras. Descendo da estação, já se via o exército, com caminhões e caminhonetes e as patrulhas da Brigada Militar."Professores do CPERS [Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul/Sindicato] e estudantes que participavam da passeata e se dirigiam a Refap em apoio a greve foram atacados.", denunciaram os petroleiros na entrevista.

Apesar da forte presença dos aparatos de repressão estadual e do exército - tentativa clara de intimidação - os grevistas permaneceram nos pontos de concentração.

Foram várias as denúncias à reportagem de AND do papel que cumpriram as Forças Armadas contra a greve. "É como se estivessem se preparando para uma guerra, o exército entra e sai da refinaria escoltando os caminhões. Entrando como bem entendem na refinaria.", denunciaram os petroleiros.

Embora não houvesse uma ocupação por parte do exército no local, alguns funcionários relataram: "Eles tratam a refinaria como quartel deles.". Uma outra grevista que não quis se identificar declarou: “Eles [militares do exército] desfilam por aí com os caminhões entrando e saindo armados como bem entendem.”.

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