2 moradores são mortos e 4 ficam feridos na 16° operação policial consecutiva no Jacarezinho

2 moradores foram mortos e 4 ficaram feridos em operação policial no Jacarezinho. Moradores protestaram na favela e no Hospital Municipal Salgado Filho contra a operação.
Operação baleou seis pessoas, das quais duas morreram. Foto: Reprodução

2 moradores são mortos e 4 ficam feridos na 16° operação policial consecutiva no Jacarezinho

2 moradores foram mortos e 4 ficaram feridos em operação policial no Jacarezinho. Moradores protestaram na favela e no Hospital Municipal Salgado Filho contra a operação.

Dois moradores foram mortos e quatro ficaram feridos no dia 16 de janeiro durante a 16° operação policial consecutiva na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro. Moradores protestaram contra a ação policial que ocorre na favela há mais de duas semanas que levou ao assassinato e ferimento dos moradores, além de uma série de violações dos direitos dos trabalhadores que residem na favela. Os protestos ocorreram nas ruas do Jacarezinho e no Hospital Municipal Salgado Filho, para onde os feridos foram levados. Na favela, os militares reprimiram o protesto com tiros de arma de fogo. 

A operação policial ocorreu logo nas primeiras horas da manhã, horário em que trabalhadores começam a sair de casa. Imagens mostram veículos e tropas militares nos becos da favela, bem como dentro de comércios invadidos e usados de tocaia pelos PMs. Outros vídeos mostram, após a operação, cenas dos moradores forçados a limpar as ruas ensanguentadas. 

O cotidiano de cerco, violência e restrição de direitos tem gerado grande revolta nos moradores, e o assassinato e ferimento dos seis atingidos no dia 16/01 foi um estopim. Moradores da favela protestaram em um beco em que os PMs recolhiam algum morador, ferido ou morto, para dentro de um veículo. Segundo alguns dos gritos, os moradores exigiam passar pela região para dar conta de seus afazeres. O PM respondeu com truculência, e logo disparou com o fuzil contra os manifestantes. 

Mas esse tipo de truculência, rotineira nas favelas, não tem efeito de intimidação contra os moradores. O protesto continuou e um outro grupo de residentes da favela foi até o Hospital Municipal Salgado Filho. Lá, seguiram a denunciar, aos gritos de revolta e a olhos vistos dos outros pacientes e trabalhadores da saúde, as ações violentas da PM que levaram ao quadro de seis moradores alvejados. 

Jacarezinho sob 16 dias de operação

A favela do Jacarezinho está há 16 dias sob um insuportável cerco policial, marcado por manhãs, noites e madrugadas de tiros na favela, invasões de comércios e restrições aos direitos dos moradores, como de ir e vir, trabalhar, estudar ou ter momentos de lazer. 

“Muito triste a nossa situação aqui no Jacarezinho, já são mais de 16 dias de tiroteio. Vidas ceifadas, comércios fechados, direitos sendo violados, crianças sem férias, moradores com pânico, dormindo e acordando ao som de bala, a bala autorizada pelo Governador Cláudio Castro”, afirmou uma internauta na rede social X. 

Outros moradores denunciam a rotina ao som de trocas de tiros e o terror constante imposto pelo trânsito dos policiais, conhecidos pela violência sistemática contra os moradores, na favela. Os efeitos de rotinas como essas sobre os moradores são vários. No ano passado, uma pesquisa do Cesec confirmou que moradores da favela têm riscos muito mais elevados de desenvolver hipertensão, depressão, insônia prolongada, tremores, faltas de ar e taquicardia por conta das operações policiais. 

A mesma internauta completa a denúncia referindo-se à falta de luz e ao projeto “Cidade Integrada” do governo do Rio, responsável pela ocupação militar do Jacarezinho. “Vários pontos da comunidade sem luz, calor de 34º e a Light não pode entrar. Somos + de 90 mil habitantes, trabalhadores, artistas, donas de casa, crianças e senhores de idade que não tem nada a ver com essa guerra INJUSTA e INEFICAZ. A favela modelo do Programa Cidade Integrada”.

Em entrevista ao programa A Propósito de AND no dia 11/01, uma moradora, sob condição de anonimato, denunciou que “eles fazem tipo um cordão de isolamento para entrar na comunidade. Ontem mesmo foi a noite inteira. Hoje de novo, 06h30 da manhã, mandaram [os policiais] os moradores saírem da rua. E já houve um forte tiroteio agora por volta de 14h. É ‘caveirão’ entrando e saindo, lotado de polícia… e assim, ninguém está conseguindo trabalhar, as pessoas estão com suas lojas fechadas, as pessoas não podem trabalhar esse tempo todo. Até para voltar do trabalho está difícil, ontem teve uma moradora que foi atingida”, concluiu ela. 

Segundo uma outra pesquisa, realizada também pelo Cesec em 2023, trabalhadores de somente duas favelas do RJ (Complexo da Penha e Manguinhos) perderam um total de R$ 14 milhões pelos prejuízos causados pelas operações policiais. Pequenos comércios chegaram a perder em média mais de 50% do faturamento. Dentre outros prejuízos estão a proibição de sair da favela para trabalhar e o roubo de materiais como celulares, cordões, objetos eletrônicos, dinheiro e até mesmo alimento pelos policiais. 

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