AC: Povo se reúne e fecha por conta própria aeroporto para se proteger da pandemia

AC: Povo se reúne e fecha por conta própria aeroporto para se proteger da pandemia

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Foto: Saimo Martins

No dia 22/05, moradores da pequena cidade de Santa Rosa do Purus, no interior do Acre, se juntaram e decidiram, por conta própria, fechar o aeroporto da cidade. A razão é impedir que prossiga ocorrendo voos comerciais para bloquear a disseminação do coronavírus na região. 

O município é um dos quatro isolados do estado e já tem dois casos de Covid-19 confirmados; os moradores temem pelos indígenas da região e pela falta de estrutura de saúde.

Os manifestantes alegam que, mesmo com os casos de doença e um decreto que proíbe voos com passageiros, os voos comerciais não foram suspensos.

“Já foram baixados três decretos com essa situação de transporte de passageiros. O decreto diz que os voos continuam, mas somente para transporte de cargas, mas continuam chegando voos com passageiros”, criticou o enfermeiro Mirlan Moura.

O enfermeiro destacou ainda que os dois moradores contaminados com o novo coronavírus tinham viajado para Rio Branco, capital acreana, antes de ficarem doentes. Com isso, ele disse que a população ficou assustada e teme novos casos. De máscaras, faixas, cartazes e distantes uns dos outros, Moura explicou que o movimento também é uma homenagem para as vítimas fatais da doença.

O município confirmou o primeiro caso de Covid-19 no último dia 9: um indígena de 25 anos, que morava em Rio Branco.

Os estados do Norte e do Nordeste, que já enfrentam esgotamento do sistema de saúde frente à pandemia do coronavírus, são os que menos têm leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), respiradores e médicos a cada 100 mil habitantes. A realidade, exposta em dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma aspectos históricos da desigualdade social no Brasil. Os números indicam também que mais da metade das UTIs estão na rede privada. O Sistema Único de Saúde responde por pouco mais de 15 mil vagas, entre as quase 32 mil que existem no país.

O levantamento aponta situação crítica em número de profissionais no Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão e Pará. Nesses três últimos, o cenário está distante do que preconiza a Organização Mundial da Saúde (100 médicos a cada 100 mil habitantes). No Amapá, a proporção é de 95, no Pará está em 85 e no Maranhão em 80.

Os números apresentados pelo IBGE também confirmam que estão no Norte e no Nordeste os estados com menos acesso a respiradores a cada 100 mil habitantes. As menores proporções de distribuição de aparelhos foram registradas no Acre (16,3), Alagoas (15,2), Maranhão (13,9), Piauí (13,7) e Amapá (10,4).

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