AM: Camponeses ameaçados pelo latifúndio estão desaparecidos

AM: Camponeses ameaçados pelo latifúndio estão desaparecidos

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Da esquerda para a direita temos os camponeses Flávio de Souza, Marinalva de Souza e Jairo Pereira desaparecidos há 20 dias

Os camponeses Flávio de Lima de Souza, Jairo Feitosa Pereira e Marinalva Silva de Souza estão desaparecidos desde o dia 14 de dezembro do ano passado, quando foram vistos pela última vez fotografando e demarcando a área do Igarapé Araras para um processo em curso no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os três são lideranças ameaçadas pelo latifúndio por conta da ocupação do Igarapé Araras, situado no quilômetro 56 da BR-319, em Canutama, no sul do estado do Amazonas na divisa com Rondônia. Flávio de Souza é presidente da Associação dos Produtores Rurais da Comunidade da Região do Igarapé Araras (Aspocria), enquanto Marinalva de Souza é a vice-presidente.

Entre os dias 20 e 24 de dezembro, o Exército chegou a realizar buscas na região, mas os camponeses não foram encontrados. Os familiares descartaram a hipótese dos três terem se perdido na área de floresta, pois eles conheceriam bem o local. Flávio de Souza foi chefe do esquadrão brigadista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Parque Nacional Mapinguari, situado entre os municípios de Canutama e Lábrea, no Amazonas, e Porto Velho, capital de Rondônia.

Após a pressão exercida por familiares e companheiros dos desaparecidos, que chegaram a interditar a BR-319 na tarde de 19 de dezembro por várias horas, a juíza Joseilda Pereira Bilio da Comarca de Canutama expediu no dia 28 de dezembro mandados de prisão preventiva para os latifundiários Antônio Mijoler Garcia Filho e Rinaldo da Silva Mota por serem suspeitos no desaparecimento dos três camponeses, além de mandados de busca e apreensão para as suas residências e fazendas.

Os camponeses do Igarapé Araras desde 2015 resistem as ameaças e intimidações de latifundiários da região. Em 1º de dezembro do ano passado, Flávio de Souza chegou a procurar a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Rondônia para relatar ameaças e intimidações proferidas por capangas da fazenda Shalom contra os camponeses do Igarapé Araras e contra a sua vida.

O Igarapé Araras, ocupado por cerca de 316 famílias que vivem na área e se organizam por meio da Aspocria, está situado em uma área pública de nove mil hectares, que é requerida pela fazenda Shalom, pertencente a um latifundiário que reside em Porto Velho ligado ao Grupo Master Holding S/A.

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