Na madrugada do dia 4 de novembro, o policial militar Olímpio Gomes Maia foi preso, acusado de assassinar brutalmente sua então esposa Camila Vitória Frihs da Silva com um tiro na cabeça no condomínio que ambos moravam na Zona Norte de Manaus. O motivo do crime, segundo as investigações, seria o fato de Maia não aceitar o término do relacionamento.
Ouvida exclusivamente pelo AND, uma familiar da vítima confirmou que Camila já havia denunciado o PM por violência doméstica e nenhuma medida para sua proteção foi tomada.
Policial é acoitado por colegas
No momento de sua prisão, foi praticamente escoltado pelos colegas de farda com muita tranquilidade, sem o uso de algemas ou das habituais truculências da Polícia Militar. Os vizinhos, entretanto, gritam revoltados durante a escolta, chamando o policial de “assassino” e dizendo que o mesmo “tem que morrer logo”. Nesse mesmo momento, os moradores relatam que as agressões contra Camila eram frequentes.
Nas redes sociais, logo que o vídeo de sua prisão viralizou, internautas rechaçam não apenas o assassino, mas também todo o tratamento diferenciado que o mesmo recebeu dos outros policiais. “O jeito que a polícia protege os seus é absurdo!”, comentou uma internauta. Em outros comentários, lê-se “Mais uma mulher morta!! e ele vai sendo conduzido como se nada tivesse acontecido” e mesmo “se fosse negro e pobre já estava algemado, né? Não precisaria nem resistir à prisão, mas é discrepante a forma de tratamento da polícia, por quê?”.
O Estado do Amazonas e a violência contra as mulheres
Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP), apenas em 2022, o Amazonas registrou 4.691 casos de violência contra mulheres, sendo a maioria na faixa etária entre os 10 aos 14 anos (26,1%).
As pesquisadoras do tema apontam, entretanto, que esses números provavelmente são muito maiores, dado a imensa subnotificação desses eventos.
O velho Estado não consegue proteger as mulheres
Em entrevista ao AND, o Movimento Feminino Popular (MFP) já denuncia sobre o brutal tratamento que as mulheres vítimas de violência recebem do Estado brasileiro. Segundo a organização:
“(…) este Estado não cumpre as medidas ‘protetivas’ previstas em tal lei. E o próprio tratamento desprezível que dispensam aos casos de violência contra mulheres deixa patente o vínculo existente entre a opressão da mulher e a dominação de classe”
Classifica-se assim o Estado brasileiro igualmente como culpado onde, nos bastidores, expõe, dificulta denúncias e trata com marasmo todos os crimes cometidos contra as mulheres do povo. Nesse caso, há ainda um agravante: o assassino e agressor era um policial militar, um agente do próprio Estado.