Centenas de pais, estudantes e professores da rede pública de ensino denunciaram no último mês a situação precária da estrutura de refrigeração de suas escolas. Sob o pesado verão amazônico, os alunos são forçados a assistir as aulas nas péssimas condições das sucateadas escolas públicas do estado.
Em um período onde a temperatura da cidade de Manaus chegou a 37,8°C e a sensação térmica a 43°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, os estudantes afirmam ser impossível ter uma aula de qualidade sem aparelhos de ar condicionado decentes. Frente essa situação os estudantes chegaram a ter aulas em quintais, gramados ou mesmo refeitórios.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), o seu canal de comunicação recebeu, apenas em agosto, mais de 100 denúncias de escolas da capital e dos interiores. Ainda de acordo com os trabalhadores, o problema não é novo, mas se agravou com as altas temperaturas do verão.
A entidade relatou que há cerca de duas semanas houve um incêndio em uma escola em Humaitá (AM) por conta da fiação elétrica ligada aos ar condicionados. O Sinteam afirma também que, mesmo com as tentativas de contato com o governo, não há diálogo e as comunicações perduram sem resposta por longos períodos.
Sucateamento histórico
Há um histórico que deve ser rememorado sobre essa questão. Em 2017, uma escola na Zona Norte estava adotando a política de dispensar seus alunos duas horas mais cedo das aulas por conta do calor.
Em 2018, pais e mães de uma escola também na Zona Norte da cidade fizeram um abaixo assinado exigindo aparelhos de ar condicionado que dessem o mínimo de conforto para seus filhos e filhas.
Contratos milionários e o problema permanece
Segundo o portal Radar Amazônico, o Governo do Estado em abril de 2023 renovou o contrato por mais doze meses da empresa terceirizada responsável pela manutenção, instalação e avaliação dos aparelhos.
O contrato em questão teve o valor de R$ 7,6 milhões e foi destinado a empresa Palácio de Material de segurança Ltda. Ao todo, os gastos com essa pasta ultrapassam R$ 29 milhões em um período de cerca de 2 anos. Contudo, o problema continua sem resolução, e os estudantes e professores são obrigados a aturar as jornadas de aula e trabalho sob as terríveis condições de calor extenuante.
Estudantes reagem
Em 2015, estudantes e professores organizaram um protesto em uma escola na Zona Norte da cidade reivindicando aparelhos de refrigeração. Segundo eles, há tempos a secretaria de educação já havia sido informada e não tomava providência nenhuma a respeito.
Diante da perdura das condições insalubres, a pauta continua viva para os estudantes atualmente. Em entrevista exclusiva ao AND, ativista do movimento estudantil secundarista de Manaus denuncia: “Na minha escola é corriqueiro a falta, ou falha dos existentes, de ar condicionado. Tornando a permanência nas salas quase impossível, é extremamente comum que alunos deixem de ir à escola ou até faltem às aulas pelo calor”.
A ativista denuncia ainda que, em algumas instituições, a direção escolar não toma atitudes frente ao sucateamento por parte do Estado: “Os gestores pouco se importam em resolver a situação, além de cobrar uma presença assídua dos alunos, mesmo não oferecendo as condições mínimas para que se possa, de fato, estudar e frequentar a escola. Os deveres exigidos são inversamente proporcionais à concessão de direitos, esses que são constantemente negligenciados, como o direito de ter uma sala minimamente climatizada”.
Por fim, a aluna afirma que: “Diante da incapacidade, ou falta de empenho, da direção da escola em sanar nossas necessidades, só nos resta a organização de base no meio estudantil, só por meio dela conseguimos reivindicar algo dentro do espaço institucional que é a escola, só com mobilização, protesto e conscientização dos alunos, podemos conquistar o que é nosso por direito”.


