AND participa de debate sobre a repressão durante o regime militar no Norte de Minas

AND participa de debate sobre a repressão durante o regime militar no Norte de Minas

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Foto: Comitê de Apoio ao AND – Norte de Minas

Na última quarta-feira, 24 de abril, apoiadores do jornal A Nova Democracia estiveram presentes na terceira e última atividade do evento Encontros com a História, promovido pelo Programa de Pós-Graduação de História (PPGH) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) que, na atual edição, teve como tema central os “55 Anos do Golpe Militar”.

Os debates durante a atividade do dia 24 se deram em torno das repercussões do regime militar fascista iniciado em 1964 no Norte de Minas. Compuseram a mesa do evento a senhora Jaci Ribeiro, hoje com 90 anos de idade, cunhada do célebre intelectual progressista montes-clarense Darcy Ribeiro; o historiador Guilherme Pimentel, mestre em História Social pelo PPGH/Unimontes; e a advogada Maria Tereza Queiroz Carvalho, representando a Comissão da Verdade e Memória Grande Sertão.

Dona Jaci falou principalmente sobre a prisão de seu ex-marido, Mario Ribeiro, hoje já falecido. Ele foi perseguido e preso logo após o desatar do golpe de 1964, injustamente acusado de ser comunista devido aos posicionamentos políticos progressistas que sustentava. Relatou sobre os sofrimentos pelos quais passaram a família, mas ressaltou, principalmente, o aprendizado que tiveram no período: “A ditadura nos ensinou muitas coisas (…) recebemos muita solidariedade, vimos o outro lado da existência, a realidade nacional”.

O historiador Guilherme Pimentel apresentou dados de sua dissertação intitulada O sonho vigiado, que busca compreender como se deram as ações dos comunistas e dos grupos de resistência armada durante o período do regime militar no Norte de Minas, particularmente na cidade de Montes Claros.

Já a advogada Maria Tereza Queiroz apresentou os dados preliminares do levantamento iniciado pela Comissão da Verdade e Memória Grande Sertão, ressaltando os crimes cometidos pelos latifundiários e o processo de expulsão de comunidades camponesas, quilombolas e povos indígenas da região, além da grilagem de terras públicas pelo latifúndio no período do regime militar.

Um membro do Comitê de Apoio ao jornal AND fez o uso da palavra, ressaltando a continuidade dos crimes do velho Estado no atual cenário político e a necessidade de resistir ao golpe de Estado contrarrevolucionário preventivo ao inevitável levantamento das massas em curso no Brasil. O companheiro utilizou como exemplo o recente episódio em que soldados do Exército reacionário fuzilaram o carro de uma família trabalhadora com mais de 80 tiros no Rio de Janeiro, resultando na execução do músico Evaldo dos Santos Rosa.

O apoiador do A Nova Democracia destacou ainda: “Os crimes do Estado contra o povo seguem sendo cometidos, da mesma forma, impunemente, como ocorria durante o regime militar. Vejam o exemplo do assassinato de Cleomar Rodrigues, coordenador político da Liga dos Camponeses Pobres no Norte de Minas, em outubro de 2014. Os pistoleiros e policiais que participaram deste crime político seguem impunes e os nomes dos latifundiários mandantes sequer constam no processo”.

Ao final da atividade, realizando um breve balanço do evento, a Dra. Cláudia Maia, coordenadora do PPGH/Unimontes, ressaltou: “Não podemos deixar nossa memória ser negada, deturpada, apagada. Temos de ter a coragem de dizer a verdade diante uma situação de risco”.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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