Argentina declara emergência alimentar até 2022

Argentina declara emergência alimentar até 2022

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Foto: AFP

Argentina está, por lei, em emergência alimentar até 2022. A lei aumenta em 50% os fundos que o velho Estado destina aos restaurantes populares. Ela foi aprovada no dia 18 de setembro, em meio ao agravamento da pobreza, em um quadro de elevada inflação e crescente tensão social com grandes protestos nas ruas, pouco mais de um mês antes das eleições gerais de outubro.

Com a inflação em 54,5%, o desemprego em 10,6% e 32% da população abaixo da linha da pobreza, a lei de emergência alimentar se fez necessária para “apaziguar” os milhares de argentinos que protestavam incansavelmente contra a crise.

A intenção era tirar a fome da agenda pública e desmobilizar as massas que estão nas ruas há semanas, exigindo mais recursos para as cantinas populares. A necessidade de uma campanha eleitoral sem manifestações populares convenceu todas as forças políticas do Congresso, que rapidamente aprovaram a lei. 

O povo míngua, os monopólios enriquecem

Quando a economia argentina havia começado a tomar os rumos da crise atual, em 2018, dados daquele ano mostram que, não só os lucros exorbitantes dos bancos e das multinacionais continuaram apesar da crise, mas também como eles só se mantiveram.

O portal argentino iProfesional, em uma matéria chamada Os ganhadores da era Macri, mostra que foram três os setores mais beneficiados com o governo de turno vende-pátria e anti-povo de Macri: petrolífero, bancário e energético.

Enquanto, ao final de 2018 e início de 2019, a inflação chegava à 47,6% e o PIB havia contraído 2,5%, a Bolsa de Comércio de Buenos Aires mostrou que 40 empresas e bancos haviam aumentado seus lucros durante o ano de 2018, em relação ao de 2017. 

As empresas e entidades do setor bancário que foram rentáveis no ano de 2018 acumularam um lucro total de 253 milhões de dólares, enquanto as que sofreram com a crise registraram perdas de 27 milhões.

Os setores, dos três, que alcançaram o melhor desempenho estão ligados à energia e às finanças, e totalizam 80,04 bilhões de dólares em lucros.

A YPF, maior empresa de hidrocarbonetos do país, conseguiu no ano passado aumentar seus lucros em 204% em relação a 2017, fechando seu balanço patrimonial com rentabilidade de 38,6 bilhões de dólares. A principal razão pelo crescimento do monopólio está ligada a aumentos constantes dos preços dos combustíveis, que terminaram em 2018 com um aumento de pouco mais de 70%.

Isso mostra que o setor mais robusto dos grandes capitalistas se tornam ainda maiores durante as crises, pois eles se apoderam dos capitais mais fracos, concentram e incorporam-os. Além de lucrarem diretamente com o custo de vida mais elevado (como o exemplo da gasolina), os monopólios lucram ainda com a crescente retirada de direitos e demissões em massa dos trabalhadores.

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