Boletim Novo Brasil (Semana 33): Comunidades da AMACRO enfrentam grilagem e repressão; mobilização nacional denuncia crimes do latifúndio

A semana de 10 a 16 de agosto foi marcada pelo recrudescimento dos conflitos fundiários na AMACRO, onde camponeses enfrentam grilagem, ameaças e violência armada. Na Gleba Novo Natal, o TRF-1 restabeleceu a portaria que arrecadou 28,4 mil hectares como terras da União e permitiu ao Incra retomar a destinação da área às famílias da Comunidade Marielle Franco. No mesmo período, mais de 70 organizações realizaram a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, com mobilizações contra assassinatos, ameaças e ataques do latifúndio, de seus bandos paramilitares e das forças repressivas do velho Estado.
Moradores das comunidades Marielle Franco, Rio Branco e Vila Caquetá bloqueiam a BR-317, no sul do Amazonas, em 18 de agosto, após fiscais do Ibama, apoiados pela Força Nacional, incendiarem o único trator utilizado pelas famílias para serviços nos ramais. (Foto: Banco de dados/AND)
Moradores das comunidades Marielle Franco, Rio Branco e Vila Caquetá bloqueiam a BR-317, no sul do Amazonas, em 18 de agosto, após fiscais do Ibama, apoiados pela Força Nacional, incendiarem o único trator utilizado pelas famílias para serviços nos ramais. (Foto: Banco de dados/AND)
Moradores das comunidades Marielle Franco, Rio Branco e Vila Caquetá bloqueiam a BR-317, no sul do Amazonas, em 18 de agosto, após fiscais do Ibama, apoiados pela Força Nacional, incendiarem o único trator utilizado pelas famílias para serviços nos ramais. (Foto: Banco de dados/AND)

Boletim Novo Brasil (Semana 33): Comunidades da AMACRO enfrentam grilagem e repressão; mobilização nacional denuncia crimes do latifúndio

A semana de 10 a 16 de agosto foi marcada pelo recrudescimento dos conflitos fundiários na AMACRO, onde camponeses enfrentam grilagem, ameaças e violência armada. Na Gleba Novo Natal, o TRF-1 restabeleceu a portaria que arrecadou 28,4 mil hectares como terras da União e permitiu ao Incra retomar a destinação da área às famílias da Comunidade Marielle Franco. No mesmo período, mais de 70 organizações realizaram a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, com mobilizações contra assassinatos, ameaças e ataques do latifúndio, de seus bandos paramilitares e das forças repressivas do velho Estado.

O Boletim Novo Brasil reúne, semanalmente, fatos da luta pela terra e da Revolução Agrária em curso no País.

Na AMACRO – área que abrange partes do Amazonas, Acre e Rondônia –, famílias da Comunidade Marielle Franco enfrentaram novas perseguições enquanto decisão judicial restabeleceu a arrecadação da Gleba Novo Natal, de 28,4 mil hectares, como terra da União. Na mesma fronteira entre Acre e Amazonas, investigações sobre a chacina que matou três camponeses em Lábrea voltaram a expor a atuação de bandos armados e os conflitos envolvendo propriedades atribuídas à família Coelho Diniz. Já no dia 18, moradores de três comunidades bloquearam a BR-317 após uma operação do Ibama apoiada pela Força Nacional destruir um trator usado pelas famílias.

Ao mesmo tempo, mais de 70 organizações realizaram a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo. Os atos ocorreram no mesmo ano em que os assassinatos no campo dobraram, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), e em que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) registrou 258 indígenas assassinados. Lideranças indígenas e organizações camponesas apontaram a organização e a autodefesa das próprias massas como resposta necessária diante de uma violência em que latifundiários, pistoleiros e forças repressivas aparecem reiteradamente envolvidos.

Em Pernambuco, mais de 70 famílias do Engenho Fervedouro resistiram à ordem de despejo; povos indígenas realizaram bloqueios e mobilizações contra o Marco Temporal e a abertura de seus territórios à mineração; no Maranhão, 200 famílias enfrentam o avanço da soja financiado por R$ 44,3 milhões; e, no Pará, 188 famílias ribeirinhas conseguiram manter dentro de seu assentamento uma área pretendida pela Cargill para instalar um terminal portuário. A edição traz ainda novos dados sobre o avanço da soja sobre a produção de alimentos na Amazônia Legal, trabalho escravo ligado à extração mineral, mineração sobre assentamentos e os efeitos de Belo Monte sobre a Volta Grande do Xingu.

Confira a última edição do Boletim Novo Brasil:

Boletim Novo Brasil (Semana 32): Tribunal Popular do MATOPIBA inicia mobilização para julgar crimes do latifúndio; camponeses bloqueiam Ferrovia Norte-Sul no Tocantins – A Nova Democracia
A semana de 3 a 9 de agosto foi marcada pela Oficina de Iniciação ao Tribunal Popular do MATOPIBA, realizada em Balsas (MA). O encontro reuniu 62 participantes de 31 localidades e abriu um processo de mobilização, levantamento de denúncias e realização de audiências que deverá culminar, em abril de 2027, no julgamento político dos crimes praticados contra camponeses, indígenas, quilombolas e demais povos da região. Um dia depois do intervalo formal desta edição, mais de 100 camponeses de aproximadamente 15 comunidades ocuparam as margens da Ferrovia Norte-Sul, nas proximidades do terminal de Palmeirante (TO), para exigir que o governo federal conclua a aquisição da Fazenda Recreio/Freitas e crie o Projeto de Assentamento Gabriel Filho.
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AC e AM: comunidades enfrentam grilagem e perseguição na AMACRO

Mais de cem famílias da Comunidade Marielle Franco, no sul do Amazonas, seguem mobilizadas em uma das regiões de maior agudização da guerra pela terra no País: a AMACRO, onde camponeses, indígenas e quilombolas enfrentam a expansão da fronteira agrícola do latifúndio agroexportador. No dia 14 de agosto, Paulo Sérgio Costa Araújo denunciou a perseguição aos camponeses que enfrentam a grilagem e questionou “até quando continuará o clima de perseguição às famílias e a sua criminalização por grileiros no poder”.

No dia 18, já no início da semana seguinte, moradores das comunidades Marielle Franco, Rio Branco e Vila Caquetá bloquearam a BR-317, no km 90, após denunciarem que fiscais do Ibama, apoiados pela Força Nacional, incendiaram o único pequeno trator utilizado pelas famílias para reparar varadouros e executar serviços nos ramais. O bloqueio começou por volta das 9h, formou filas de caminhões e outros veículos e teve como palavra de ordem “Queremos justiça!”. Moradores também denunciaram que pessoas foram amordaçadas por policiais durante a operação e que câmeras teriam sido desligadas.

Protesto na Amazônia Ocidental: no dia seguinte à queima do trator, moradores da Comunidade Marielle Franco fecham a BR-317 – A Nova Democracia
Após fiscais do Ibama queimarem trator de uso geral, moradores da Comunidade Marielle Franco, de Rio Branco e Vila Caquetá se uniram para fechar o tráfego na rodovia BR-317, na manhã de 18 de agosto.
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Documentos obtidos por AND esclarecem outro desenvolvimento decisivo do conflito. Em recurso apresentado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) suspendeu provisoriamente uma decisão que havia paralisado a Portaria Incra nº 1.003/2025. A portaria arrecadou como terra devoluta a Gleba Novo Natal, onde se encontra a Fazenda Palotina, e a incorporou ao patrimônio da União. A documentação registra ainda que foi aberta matrícula imobiliária da gleba em nome da União.

Com a decisão do TRF-1, voltou a produzir efeitos a portaria que permite ao Incra realizar cadastramento, diagnóstico, mediação, regularização e destinação fundiária. O Incra informa que a Gleba Novo Natal possui 28,4 mil hectares e deverá receber o assentamento da Comunidade Marielle Franco. A decisão é provisória e não resolve definitivamente a disputa dominial, mas retirou a barreira que impedia o órgão de prosseguir com a destinação da área.

O processo também registra a criminalização sofrida pelas famílias. A decisão de primeira instância posteriormente suspensa pelo TRF chamou os posseiros de “invasores (posseiros ainda clandestinos)” e qualificou a ocupação destinada à regularização como “clandestina e violenta”, embora o próprio texto registrasse agressões provenientes também do latifundiário e a prisão em flagrante de um de seus familiares.

A disputa da família Zamora pela Fazenda Palotina se insere num quadro mais amplo de avanço do latifúndio na fronteira entre Acre e Amazonas. Em outra área da região, famílias camponesas enfrentam há anos conflitos envolvendo propriedades do grupo empresarial Coelho Diniz. Em 25 de abril, Josias Albuquerque de Oliveira, Antônio Renato Vieira de Souza e Arthur Henrique Ferreira Said, de 14 anos, foram assassinados em uma emboscada na zona rural de Lábrea. Um dos executores presos afirmou inicialmente à polícia que trabalhava para os Diniz e apontou Moisés Diniz como mandante; em audiência de custódia, depois, disse ter sido pressionado a fazer a acusação. Moisés Diniz nega qualquer participação e a investigação sobre possíveis mandantes permanece em andamento.

A motocicleta usada no ataque estava registrada em nome do administrador da Agropecuária CD, empresa de Moisés Diniz com filiais em Lábrea. Segundo depoimento policial obtido pela Folha de S.Paulo, os autores disseram após a prisão que os “Diniz” também haviam fornecido armas e munições. A família possui ao menos quatro propriedades na região e acumula multas do Ibama por desmatamento ilegal que chegam a R$ 29 milhões.

‘Todos os que apontam grileiros no poder são criminalizados, presos ou mortos’ – lamenta líder camponês no Acre e Amazonas – A Nova Democracia
“Até quando continuará o clima de perseguição às famílias e a sua criminalização por grileiros no poder?”
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As denúncias alcançam outros pontos da AMACRO. No Ramal do 52, um camponês relatou ao Jornal O Futuro que, em 2018, homens armados acompanhados por policiais militares expulsaram cerca de 25 famílias depois da expedição de uma liminar judicial. O veículo registra ainda denúncias de ameaças, expulsões e homicídios em Bom Lugar e outras comunidades, onde camponeses afirmam conviver há pelo menos oito anos com conflitos envolvendo propriedades atribuídas à família Coelho Diniz.

O mesmo cenário aparece do lado acreano da AMACRO. Em Acrelândia, o Projeto de Assentamento Porto Dias concentra há mais de uma década conflitos fundiários, denúncias de violência contra famílias e sucessivas operações repressivas do velho Estado burocrático-latifundiário.

Agro esconde mazelas do latifúndio na região da Amacro  – A Nova Democracia
Pistoleiros, latifundiários e policiais acusam, sem provas, a LCP de crimes na região do Amacro. Enquanto isso, CACs a serviço do latifúndio seguem livres na região, e conflitos agrários aumentam.
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AC: Porto Dias enfrenta grilagem, bandos armados e criminalização da luta camponesa

O Projeto de Assentamento Porto Dias, em Acrelândia, possui 22 mil hectares e está no centro de uma disputa fundiária que se arrasta há mais de uma década. Em outubro de 2024, durante a Operação Usurpare, seis presos foram apresentados como supostos integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP). Dirigentes camponeses do Acre e de Rondônia negaram ao Varadouro qualquer participação da organização nos crimes investigados. A vinculação pública dos presos à LCP inseriu novamente a organização camponesa no enquadramento criminal dado pelas forças repressivas aos conflitos fundiários da região. Entre outubro de 2024 e março de 2025, as operações Usurpare I e II prenderam dez pessoas.

A disputa, porém, prosseguiu. O Incra registrava cerca de 30 ocupações consideradas irregulares no assentamento em 2013; dois anos depois, eram aproximadamente 70. Em março deste ano, o órgão ampliou de 95 para 240 o número previsto de famílias assentadas. No fim de julho, o Ministério Público Federal (MPF) cobrou da Polícia Federal, Ibama, Incra, Batalhão de Policiamento Ambiental e Instituto de Meio Ambiente do Acre a realização de operações mensais em Porto Dias, sob o argumento de que ações esporádicas não conseguiram interromper ocupações e desmatamentos. Os órgãos deverão apresentar um cronograma, a ser discutido em 1º de setembro.

Desde 2024, o PA Porto Dias, em Acrelândia (AC), é alvo de sucessivas operações conjuntas de órgãos federais. Apesar da presença repressiva, persistem as denúncias de grilagem e atuação de bandos armados na disputa pela terra. (Foto: Ascom/PFAC)

A repressão atingiu também famílias que permanecem na área. Após uma operação do Ibama em julho, que aplicou cerca de R$ 100 mil em multas e destruiu acampamentos, moradores denunciaram que veículos utilizados no trabalho foram destruídos e celulares e documentos pessoais queimados.

Enquanto os órgãos do velho Estado preparam a ampliação das operações repressivas, denúncias de violência armada ligada à disputa da terra permanecem sem solução. Vídeo divulgado em junho registra homens apontados por trabalhadores como responsáveis pela destruição de casas e plantações negociando terras dentro do assentamento, enquanto os presentes mencionam uma espingarda calibre 12, uma pistola e outras armas. Em 2025, a CPT contabilizou 75 conflitos no campo no Acre, 72 deles por terra e envolvendo mais de 30 mil pessoas; Acrelândia concentrou o maior número de ocorrências.

Mobilização nacional denuncia escalada da violência reacionária no campo; camponeses e indígenas afirmam necessidade da autodefesa

Entre 10 e 14 de agosto, mais de 70 organizações realizaram a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, com mais de 20 atividades em diferentes regiões. No dia 14, representantes de comunidades ameaçadas levaram ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) denúncias de assassinatos, tentativas de assassinato, ameaças, cercamentos, grilagem e privação de água, alimentos e medicamentos nos territórios.

Os atos ocorreram depois de a Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrar 26 assassinatos em conflitos no campo em 2025, o dobro dos 13 registrados em 2024. Dezesseis dos 26 assassinatos ocorreram na Amazônia Legal. Dois massacres, um no Pará e outro em Rondônia, deixaram três mortos cada. No mesmo período, a CPT registrou 502 manifestações de resistência realizadas por povos e comunidades do campo. Na Amazônia Legal, foram registradas 776 ocorrências de violência contra pessoas, atingindo 419 vítimas. Entre elas estavam 133 casos de intimidação, 85 ameaças de morte e 39 tentativas de assassinato. Latifundiários foram apontados como responsáveis por 14 dos 26 assassinatos registrados no País.

A violência também apareceu no relatório anual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), lançado em 13 de agosto. A entidade contabilizou 258 indígenas assassinados em 2025, contra 211 no ano anterior, alta de 22,3%. Houve ainda 169 conflitos territoriais, 210 registros de invasão, exploração ilegal de recursos ou danos ao patrimônio e 897 terras indígenas com pendências na regularização.

O secretário-executivo do Cimi, Luís Ventura, apontou como protagonistas dos ataques o latifúndio, seus grupos armados e, em numerosos casos, as próprias forças repressivas do velho Estado. Boninho Kaiowá relatou que comunidades Guarani e Kaiowá organizam sua própria proteção porque os mesmos agentes estatais que supostamente deveriam protegê-las participam de ações repressivas: “É muito importante essa autodefesa, fazendo a nossa segurança. O Estado que deveria proteger, [ele] mesmo que ataca”. Marta Tipuici Manoki relatou protocolos comunitários de controle, vigilância territorial e acompanhamento de entradas nos territórios.

Cimi lança relatório em Brasília; ao AND, indígenas defendem autodefesa e retomadas diante da guerra reacionária do latifúndio e do velho Estado – A Nova Democracia
AND cobriu o evento e entrevistou lideranças Guarani-Kaiowá e Manoki e o secretário-executivo do Cimi, que denunciaram ataques às retomadas e a atuação das forças de repressão junto a bandos armados do latifúndio; levantamento registra 258 assassinatos de indígenas, alta de 22,3%.
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A Liga dos Camponeses Pobres (LCP), após ataques contra Barro Branco, em Pernambuco, também defendeu a elevação da autodefesa de camponeses, indígenas e quilombolas e, diante de agressões armadas, o direito à autodefesa armada. Em Barro Branco, as famílias organizaram resistência depois de sucessivos ataques atribuídos ao bando paramilitar latifundista “Invasão Zero”.

A Semana retomou ainda a impunidade no assassinato do advogado do povo Gabriel Sales Pimenta, morto em 1982 após atuar ao lado de posseiros no Pará. Em dezembro de 2025, o grupo de trabalho criado após condenação internacional do velho Estado brasileiro entregou relatório final sobre o caso, enquanto a Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta (ABRAPO) manteve a denúncia da violência do latifúndio contra advogados e dirigentes populares.

Povos indígenas ocupam ruas, rodovias e Brasília contra o Marco Temporal

Indígenas de diferentes regiões mantiveram mobilizações durante toda a semana contra a desfaçatez do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu analisar a portas fechadas (em plenário virtual) processos relacionados à Lei 14.701/2023 e ao Tema 1.031, que ameaçam usurpar mais direitos dos povos originários.

Em Brasília, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), suas organizações regionais e a Mobilização Nacional Indígena reuniram no dia 11 aproximadamente 150 dirigentes e representantes de povos de todas as regiões sob a campanha “Nosso Território, Nossa Vida”. Lideranças Guarani e Kaiowá viajaram de Mato Grosso do Sul para acompanhar o julgamento e exigir demarcações.

Lucini Guarani e Kaiowá, do tekoha Laranjeira Nhanderu, relacionou a demarcação diretamente ao acesso à educação, saúde e futuro das crianças e denunciou ataques de latifundiários e pistoleiros contra os tekoha. Acadêmicos Guarani e Kaiowá também exigiram participação indígena efetiva nos julgamentos que decidem sobre seus territórios.

No dia 12, uma delegação Guarani e Kaiowá esteve na Funai para cobrar a formação e continuidade de grupos técnicos de identificação de territórios. No dia 13, representantes Guarani e Kaiowá e Terena apresentaram ao CNJ denúncias sobre ataques e atuação das forças repressivas de Mato Grosso do Sul. Em 14 de agosto, dirigentes cobraram do Ministério da Justiça a publicação das portarias declaratórias das Terras Indígenas Iguatemipeguá I, que inclui Pyelito Kue, e Dourados-Amambaipeguá I; novas reuniões foram marcadas para setembro.

Na Bahia, indígenas Pataxó bloquearam a BR-367, entre Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, no dia 13, em protesto contra o Marco Temporal. Em Rondônia, integrantes do povo Guarasugw’E divulgaram uma ação com cartazes como “Marco Temporal não!”, “Não existe futuro com Marco Temporal” e “Demarcação já!”. No Sul, o povo Laklãnõ-Xokleng mobilizou-se em defesa da demarcação e contra novas restrições aos direitos territoriais.

PE: resistência das famílias força reversão da ordem de despejo no Engenho Fervedouro

Mais de 70 famílias camponesas do Engenho Fervedouro, em Jaqueira, na Mata Sul de Pernambuco, iniciaram a semana sob ameaça de expulsão depois que a 11ª Vara Federal determinou a imissão de posse sobre toda a área do imóvel e autorizou apoio policial para o cumprimento da ordem. As famílias vivem e produzem no local há cerca de 80 anos e reivindicam há pelo menos uma década a destinação das terras.

A decisão atingia 213,955 hectares ocupados pelas famílias, além de casas, lavouras, escola municipal, igrejas, sede da associação e estradas. Em maio, outra decisão havia preservado essa área e proibido despejos e demolições; a nova determinação revogou as garantias e excluiu do processo a associação comunitária, a CPT e o Incra.

Grande resistência camponesa em Barro Branco, Pernambuco, frustra ataques de pistoleiros armados do latifúndio – A Nova Democracia
Depois da batalha, os camponeses realizaram uma assembleia com mais 100 pessoas, reafirmando que esta luta está apenas começando. Eles reafirmaram que os posseiros continuariam na região até que todas as terras da antiga Usina Frei Caneca estejam nas mãos do povo. 
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Em vez de abandonar a terra, a comunidade iniciou reuniões e anunciou que resistiria a uma eventual operação. Correspondente local de AND informou que a ordem de despejo havia sido derrubada e que a mobilização das famílias e a repercussão política do caso, intensificada no período da farsa eleitoral, aumentaram a pressão pela reversão.

Fervedouro integra o mesmo complexo territorial da antiga Usina Frei Caneca em que se encontra a comunidade de Barro Branco. Na região, as famílias denunciam há anos ameaças, destruição de lavouras, contaminação de fontes de água, pistoleiros e ataques do bando paramilitar Invasão Zero. A Agropecuária Mata Sul, que arrendou terras da antiga usina, foi condenada politicamente no Tribunal Popular de Barro Branco pelos crimes denunciados pelas comunidades.

Vitorioso Tribunal Popular de Barro Banco – A Nova Democracia
Ao final, o Tribunal Popular condenou os crimes dos responsáveis pela empresa latifundista Agropecuária Mata Sul a 103 anos e 6 meses de reclusão. A decisão foi comemorada pelos camponeses em luta.
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MA: após despejo e casas incendiadas, famílias de Bom Acerto conquistam terra e reconstroem comunidade

Famílias da Comunidade Bom Acerto, em Balsas, no sul do Maranhão, retomaram a produção de mandioca, farinha e milho depois de conquistarem cerca de 70 hectares para reconstruir a comunidade. Casas já foram erguidas, um poço foi perfurado e uma casa de farinha começou a funcionar, atendendo inclusive camponeses de comunidades vizinhas que levam mandioca para beneficiamento.

A situação é resultado de anos de resistência. O conflito se agravou em 2015, quando apareceu um suposto proprietário reivindicando a área. Em 11 de agosto de 2020, uma operação de despejo chegou à comunidade com policiais, oficial de justiça, caminhões e tratores e destruiu casas, roças de mandioca, hortas e sistemas de água. As famílias, que afirmavam não ter sido previamente notificadas do processo, foram expulsas em plena pandemia.

Os ataques continuaram mesmo depois do retorno das famílias. Em agosto de 2023, casas foram incendiadas com os pertences ainda no interior e animais morreram queimados; moradores atribuíram o ataque a grileiros da região. Naquele mesmo ano, um acordo garantiu às famílias uma nova área agricultável e sem litígio. A conquista permitiu recompor a comunidade e recuperar uma produção que inclui mandioca, milho, farinha, buriti e pequi.

Lucilene Nunes, nascida em Bom Acerto e participante da luta, resumiu o fator decisivo da conquista: “O que nos levou até o final vitorioso foi a luta de mãos dadas”. As mulheres tiveram papel destacado na resistência, entre elas Norinda, a Noquinha, que mantinha as famílias mobilizadas nos momentos de maior pressão. Depois de despejo, destruição das lavouras, ameaças e incêndios, Bom Acerto permanece reunida e produzindo sobre terra conquistada pela sua própria luta.

Mais de 1 mil estudantes tomam parte do 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia em São Luís – A Nova Democracia
Realizado durante cinco dias na Universidade Federal do Maranhão, o 43º ENEPe colocou no centro do debate a intervenção do Banco Mundial na educação brasileira, as contrarreformas da formação docente e o papel dos estudantes na defesa do ensino público, gratuito e científico.
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RO: Purubora denunciam invasão, explosão diante de escola e sequência de ataques ao território

A Associação Maxajã, do povo Purubora, denunciou em 17 de agosto uma nova sequência de invasões e intimidações contra as famílias que lutam pela demarcação de seu território em Rondônia. No dia 2, ocupantes de um veículo entraram sem autorização no espaço indígena e seguiram até a Maloca Sagrada. Abordados por um morador, debocharam da comunidade e chegaram a exigir que ele falasse a língua Purubora para “provar” que era indígena. No dia seguinte, uma bomba foi detonada diante da Escola Estadual Indígena Ywará Purubora enquanto crianças estavam em aula.

Os ataques sucedem uma ofensiva iniciada no ano passado. Em 18 de outubro de 2025, disparos atingiram as proximidades da casa da cacica Hozana Purubora; dois dias depois, um incêndio destruiu a Maloca Sagrada. O Ministério Público Federal instaurou inquérito civil e acionou a Polícia Federal para investigar os tiros, o incêndio e ameaças difundidas contra a comunidade durante os trabalhos de demarcação.

RO: Organização indígena repudia mentiras sobre TIs e alerta para riscos de violação de direitos  – A Nova Democracia
Opiroma exige retratação pública, respeito à consulta prévia, livre e informada, e a imediata suspensão da disseminação de conteúdos que coloquem em risco os povos originários.
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A disputa pelo território também envolve a expansão da monocultura da soja. Em maio deste ano, o MPF processou produtores rurais que cultivam soja nas proximidades da aldeia Aperoí depois de crianças e adultos Purubora apresentarem lesões atribuídas à pulverização de agrotóxicos em 2024 e 2025. A ação exige R$ 3,6 milhões em indenizações, a interrupção da pulverização e a proibição do cultivo de soja na área atingida. Segundo o MPF, a sucessão de contaminações e ataques integra ações destinadas a pressionar os indígenas a abandonar a terra.

Sem esperar medidas do velho Estado, as próprias famílias passaram a financiar meios mínimos de proteção e autodefesa: instalaram por conta própria uma placa para impedir a entrada de estranhos na área da escola. A Associação Maxajã exige a conclusão da demarcação, esclarecimento dos ataques e proteção para as famílias que permanecem no território.

RO: Agora candidato, Braguin declara guerra ao movimento camponês

O ex-comandante da Polícia Militar de Rondônia (PM-RO) Régis Braguin não abandonou sua obsessão pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP). No lançamento de sua candidatura a deputado federal pelo Republicanos, apareceu em peça de propaganda eleitoral grotesca disparando contra alvos identificados com as siglas “CV”, “PCC” e, ao lado delas, “LCP”, colocando uma organização camponesa na mesma linha de tiro de grupos ligados ao tráfico de drogas. Empunhando um fuzil e com os olhos arregalados, ladrou: “Minha missão continua, mas o inimigo agora é outro”, numa imitação de “Tropa de Elite 2” que a própria campanha levou às últimas consequências ao repetir inclusive a frase “o sistema é foda”, quiçá por preguiça do roteirista ou marqueteiro.

Braguin comandou a PM-RO entre 2023 e janeiro de 2026, período marcado por forte aumento da letalidade policial. Entre janeiro e novembro de 2025, 35 pessoas morreram em intervenções da corporação, contra sete no mesmo período do ano anterior, alta de 400%, segundo dados do Observatório Estadual de Segurança Pública. Tropas da PM participaram ainda de operações letais contra áreas camponesas, como a invasão da Área Valdiro Chagas, em agosto de 2025, que matou Raimundo Nonato, destruiu casas, roças e estruturas produtivas, segundo denúncia da LCP.

Após reivindicar ações de ‘contraguerrilha’ do BOPE contra ‘grupos armados’ camponeses, Braguin lança candidatura e declara guerra à LCP – A Nova Democracia
Ex-comandante afirmou ter colocado tropas especiais na “caça” aos camponeses pobres e reivindicou “contraguerrilha” contra supostos “grupos armados” ligados à LCP. Agora candidato, colocou a organização camponesa na mesma linha de tiro de organizações ligadas ao tráfico de drogas.
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Já fora do comando, em entrevista concedida em 19 de maio, Braguin afirmou ter colocado tropas especiais na “caça” a supostos “grupos armados” associados por ele à LCP e reivindicou o emprego de formação de “contraguerrilha” pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). Na mesma fala, comemorou “neutralizações” e citou nominalmente Adeildo Gonçalves Calheiro, o companheiro “Flecha”, dirigente da LCP morto em janeiro numa operação do BOPE de Rondônia, cabendo à tropa mato-grossense dar cobertura jurídica à operação.

A campanha de demonização de Braguin contra a LCP é anterior à candidatura. Em maio de 2021, durante a inauguração da ponte sobre o rio Madeira, em Abunã, ele ameaçou publicamente a organização: “LCP, se prepare!”. Hoje em dia, Braguin reivindica para si o título de “figura mais emblemática do combate à LCP”, dizendo combatê-la “desde 2010, quando era aspirante na região de Buritis”, e usa a criminalização da luta pela terra para reafirmar seu servilismo aos grandes latifundiários, parasitas da Nação, e para cavar uma cadeira cativa no Congresso de corruptos, buscando retardar o ostracismo à sua espreita. Senão isso, ficará ao menos nos relatos jornalísticos e históricos de campanhas políticas na condição de mais um do oficialato da PM-RO a disputar a farsa eleitoral. O outro foi o coronel Ênedy Dias Araújo – o “paladino do Jaru e do Jamari”, que também perseguiu a LCP e classificou a luta camponesa como “movimento guerrilheiro” –, em 2014. Perdeu.

Reportagem especial de AND sobre a autodefesa camponesa das áreas camponesas que hoje ocupam a ex-fazenda NorBrasil, em Rondônia.

‘Brasil Profundo’ revela advogado de Flávio Bolsonaro na ofensiva contra famílias do Canaã II

A série Brasil Profundo, lançada pelo De Olho nos Ruralistas em 14 de agosto, revelou que Willer Tomaz – amigo de Flávio Bolsonaro, advogado de Arthur Lira e ex-defensor de interesses da J&F – atua na disputa pela Fazenda Paredão, em Machadinho d’Oeste (RO), contra as famílias do Acampamento Canaã II. Em 2024, as 180 famílias do Acampamento Canaã II enfrentaram nova tentativa de despejo dos quase 2 mil hectares da Fazenda Paredão. A própria documentação fundiária utilizada no processo obrigou o Incra a reconhecer que a área integra terras públicas da União, no antigo Seringal União, onde fora criado o Projeto de Assentamento União; a reintegração obtida pelo grupo de Suganuma acabou suspensa.

Tomaz representa o latifundiário Sérgio Sussumu Suganuma, da Paredão Agro, que reivindicou a posse da área e obteve em 2023 uma decisão estadual de reintegração com apoio policial. A disputa acabou remetida à esfera federal após a intervenção do Incra e do MPF. Documentos judiciais registram Willer Tomaz entre os advogados dos Suganuma em processos relacionados à Fazenda Paredão.

O Canaã II possui uma história anterior à atual disputa judicial. Em fevereiro de 2012, Gilberto Tiago Brandão, dirigente do acampamento, foi emboscado e baleado pelas costas quando voltava da área; morreu dois dias depois. Poucos dias mais tarde, Ercias Martins de Paula, também dirigente do Canaã II, foi assassinado. A CPT vinculou os dois crimes ao conflito com a Fazenda Paredão. Em 2016, camponeses de Canaã II e Paredão participaram de uma atividade da Abrapo realizada em espaço cedido pela LCP em Jaru, ao lado de dirigentes e ativistas da organização camponesa.

A luta pelo Canaã II já custou sangue camponês. Em 23 de fevereiro de 2012, Gilberto Tiago Brandão, dirigente do acampamento, foi emboscado quando retornava da área em disputa com a Fazenda Paredão e alvejado pelas costas com uma espingarda calibre 12; morreu dois dias depois. No início de março, Ercias Martins de Paula, outra liderança do Canaã II, também foi assassinado. Os dois crimes ocorreram em plena disputa pela Fazenda Paredão e permaneceram sem esclarecimento efetivo; mais de uma década depois, o assassinato de Gilberto ainda figurava entre os crimes contra dirigentes rurais cuja investigação teve de ser federalizada diante da inércia do aparato estadual.

Além disso, De Olho nos Ruralistas recuperou a condenação de Suganuma, em 2017, por três tentativas de homicídio contra camponeses da Fazenda Tucumã, em Cujubim. A investigação apontou que ele contratou um grupo armado para expulsar famílias do Acampamento Terra Nossa. Em 31 de janeiro de 2016, Alysson Henrique de Sá Lopes, de 23 anos, foi encontrado carbonizado durante uma perseguição descrita pela CPT como uma “caçada humana”; outros quatro camponeses conseguiram fugir e um deles foi assassinado posteriormente. Willer Tomaz não atuou como advogado de Suganuma nesse processo.

A investigação também detalha a rede política e empresarial de Tomaz. A Polícia Federal afirma que a esposa do senador Weverton Rocha (PDT-MA) recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado. Em 2024, uma empresa de Weverton adquiriu uma fazenda de 837 hectares em Matões do Norte (MA) por R$ 7 milhões, depois de o senador declarar patrimônio de R$ 4 milhões nas eleições de 2022. Tomaz também representou a Eldorado Celulose, do grupo J&F, e mantém relações públicas com políticos reacionários como Flávio “Rachadinha” Bolsonaro, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco.

AC: Noke Ko’î fecham BR-364 após quatro anos sem manutenção dos acessos às aldeias

Indígenas do povo Noke Ko’î bloquearam a BR-364 no quilômetro 66, em frente à Terra Indígena Campinas Katukina, em Cruzeiro do Sul, desde as 3h do dia 17 de agosto. A mobilização, convocada pela Associação Geral do Povo Noke Ko’î (AGPN), exigiu a recuperação das entradas que ligam a rodovia às aldeias e que, segundo a organização, estão há mais de quatro anos sem manutenção adequada.

As condições dos acessos dificultam o transporte de alimentos, estudantes, idosos e doentes e a entrada de equipes de atendimento nas comunidades, problema que se agrava no período de chuvas. A AGPN já havia encaminhado ao Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), em 16 de julho, o Ofício nº 023/2026. O órgão informou que começaria as obras pelo acesso à aldeia Waninawa e depois avançaria sobre os demais, com previsão para o fim de julho ou início de agosto; até o bloqueio, porém, a associação afirmava não ter recebido confirmação da execução dos serviços.

A própria BR-364 atravessa aproximadamente 18 quilômetros da Terra Indígena Campinas Katukina, onde estão 11 aldeias. Documentos produzidos pelos Noke Ko’î registram que a pavimentação da rodovia deixou passivos que seguem sem solução e afetou recursos de caça, pesca e outras condições materiais de vida no território. O povo também reivindica, desde 2007, a revisão e ampliação dos limites da terra indígena.

PA: 188 famílias ribeirinhas mantêm terras de assentamento diante de projeto portuário da Cargill

O Judiciário federal anulou atos que retiravam parte do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Santo Afonso, em Abaetetuba, para abrir espaço a um terminal portuário privado da Cargill. O assentamento foi criado pelo Incra em 2005 na Ilha do Xingu, também conhecida como Urubuéua, e reúne 188 famílias ribeirinhas.

A área havia sido destinada inicialmente à Brick Logística, posteriormente sucedida pela Cargill. A Secretaria do Patrimônio da União concedeu à empresa o direito de usar a terra da União mediante pagamento, enquanto o Incra alterou os limites do PAE para retirar do assentamento o terreno pretendido pelo terminal. As 188 famílias não foram consultadas antes dessas medidas.

Uma montanha de ouro por trás de Belo Monte – A Nova Democracia
Em janeiro de 2013, uma equipe de reportagem composta por Francisco Vorcaro, Gerson Lima, Mário Lúcio de Paula e Romulo Radichhi viajou até a Volta Grande do
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A sentença anulou a concessão do terreno à empresa e a retirada da área dos limites do assentamento. União e Incra terão 120 dias para apresentar e iniciar um plano de regularização fundiária do PAE Santo Afonso. Caso o velho Estado volte a tentar modificar a destinação da terra, terá de abrir novo procedimento e consultar as comunidades atingidas.

O Ministério Público Federal apontou ainda problemas na cadeia de títulos usada para reivindicar o terreno: os registros tinham origem em transferências feitas pelo município de Abaetetuba sobre terras pertencentes à União, e o principal registro privado apresentado como fundamento já havia sido cancelado administrativamente.

RO: 31 anos depois, sobreviventes reafirmam a Heroica Resistência Camponesa de Corumbiara

Camponeses, advogados populares, professores, estudantes e organizações populares realizaram em Porto Velho uma atividade pelos 31 anos da Heroica Resistência Camponesa de Corumbiara. A mesa “De Santa Elina aos dias de hoje” reuniu Amanda Michalski, da CPT em Rondônia; Raphael Bevilaqua, procurador do Ministério Público Federal (MPF) e professor da Universidade Federal de Rondônia (UNIR); Gervano Vicent, advogado e professor; e Felipe Nicolau, presidente da ABRAPO.

Elias, sobrevivente de Santa Elina, recordou a ação conjunta de pistoleiros e tropas policiais a soldo do latifúndio durante o massacre. Trinta e um anos depois, afirmou que a luta não terminou e que os camponeses continuarão até conquistar a terra e destruir o latifúndio através da Revolução Agrária. Raphael Bevilaqua relacionou o massacre à histórica concentração fundiária de Rondônia.

Felipe Nicolau recordou que José Hélio Cysneiros Pachá, oficial responsabilizado pelos camponeses pela operação de 1995 e absolvido pela “Justiça” comum, foi posteriormente julgado pelo Tribunal Popular contra os Crimes do Latifúndio em Rondônia. “A sentença foi categórica: as terras de Rondônia pertencem aos povos da terra”, afirmou o presidente da ABRAPO.

Outra atividade ocorreu em 8 de agosto, no Assentamento Alzira Augusto Monteiro. Mais de 90 pessoas participaram de celebração organizada pela Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Rondônia (FETAGRO) junto ao monumento aos camponeses assassinados. Além da memória de Corumbiara, os participantes discutiram titulação dos assentamentos, embargos ambientais e problemas relativos às chamadas reservas em bloco.

Santa Elina: os 31 anos da batalha armada dão um tapa no imperialismo e inspiram a resistência camponesa – A Nova Democracia
O massacre de 9 de agosto de 1995 é tratado pela historiografia e pelo movimento camponês com o mesmo padrão de violência agrária de outras situações de despejo forçado e criminalização de quem ocupa terra em disputa, aponta relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
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RO: Operação Reduto mantém sob investigação rede ligada à cúpula da Assembleia Legislativa

A Operação Reduto, da Polícia Federal, teve novos desdobramentos na última semana. Deflagrada em 9 de julho para investigar suspeitas de “rachadinhas” e apropriação de salários e verbas indenizatórias na Assembleia Legislativa de Rondônia, a operação cumpriu buscas na residência oficial e no gabinete do presidente da Casa, Alex Redano (Republicanos), além da sede do Parlamento estadual. Aproximadamente R$ 9 milhões em ativos e criptoativos dos investigados foram bloqueados.

Em 15 de julho, a Assembleia exonerou o então secretário-geral Rogério Gago da Silva, o “Tigrão”, e outros assessores que haviam sido presos preventivamente ou afastados. Redano, porém, permaneceu na presidência. Na Semana 33, a PF abriu outra investigação envolvendo o advogado Nelson Wilians, amigo de Redano, por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão fiscal relacionadas a uma empresa de jogos; paralelamente, o Judiciário de Rondônia revogou prisões preventivas de secretários e assessores ligados ao grupo do deputado.

Enquanto o núcleo parlamentar atravessa investigações, a Assembleia segue sem apurar o Instituto de Terras de Rondônia (Iteron), criado para a questão fundiária e mantido praticamente inoperante. A Secretaria do Patrimônio Fundiário do estado anunciou uma comissão para arrecadação de terras devolutas, estimadas em cerca de 16 milhões de hectares. O pistoleiro Gesulino Travagine, condenado por assassinatos de camponeses em Buritis e preso em maio, mantém relação pessoal com Redano e com o senador Marcos Rogério (PL).

Silêncio após o escândalo parlamentar mantém o latifúndio apadrinhado em Rondônia – A Nova Democracia
PF prendeu e afastou servidores da Assembleia Legislativa e cumpriu buscas contra o núcleo de Alex Redano, enquanto a Assembleia segue em silêncio diante da grilagem, da pistolagem e da perseguição aos camponeses pobres, sustentadas por representantes políticos do latifúndio em Rondônia.
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MA: camponeses e comunidades tradicionais apoiam luta estudantil pelo passe livre em São Luís

O Comitê de Solidariedade à Luta pela Terra (COMSOLUTE) participou em 13 de agosto da audiência sobre a implantação do passe livre estudantil em São Luís. A ação civil foi movida pela Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) contra o município e a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB).

Em plebiscito realizado em outubro de 2024, 523.711 votantes, equivalentes a 89,91% do total, apoiaram o passe livre. Durante o 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia, o advogado Roniery Rodrigues Machado, integrante da ABRAPO e do COMSOLUTE, destacou que associações indígenas, camponesas e quilombolas do interior assinaram manifestação em apoio à ação dos estudantes.

Roniery afirmou que a atuação dos advogados do povo não deve “frear a luta, mas impulsionar a luta” e destacou a união construída entre estudantes da capital e organizações do campo. A presença do COMSOLUTE na audiência deu continuidade à articulação iniciada durante o 43º ENEPe, realizado em julho em São Luís.

Homicídios de mulheres indígenas aumentam 500% em duas décadas

Estudo de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), divulgado em agosto, identificou 394 homicídios de mulheres e meninas indígenas com dez anos ou mais entre 2003 e 2022 e registrou crescimento de 500% no número anual de mortes ao longo das duas décadas. Quatro em cada dez vítimas tinham entre 15 e 29 anos; outras 19,3% tinham de 30 a 39 anos. O Centro-Oeste apresentou as maiores taxas, com destaque para Mato Grosso do Sul, onde comunidades Guarani e Kaiowá enfrentam sucessivos ataques em retomadas de seus territórios.

Objetos cortantes foram utilizados em 34% dos assassinatos e armas de fogo em 22,1%. Cerca de 28% das mortes ocorreram dentro de casas e 14,7% em vias públicas. Jaqueline Gomes de Moura, do povo Kambiwá e integrante da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), relacionou a violência às invasões dos territórios por grileiros, grandes garimpeiros ilegais e madeireiros, acompanhadas de circulação de armas, assédio, violência sexual e perseguição às mulheres que participam da defesa das terras.

Mais de 240 organizações de mulheres indígenas estão articuladas no País, segundo a reportagem. A ANMIGA prepara um mapa nacional da violência contra mulheres e meninas indígenas para reunir ocorrências que não aparecem integralmente nas bases oficiais.

Em ‘cenário de ataques’, assassinatos de indígenas crescem 22% e retomadas enfrentam guerra do latifúndio, aponta relatório do Cimi – A Nova Democracia
Levantamento registra 258 assassinatos de indígenas em 2025, número superior à média anual de 199 do governo militar genocida de Jair Bolsonaro e generais golpistas; sob o governo oportunista, houve ainda 169 conflitos territoriais e 210 invasões, enquanto 897 territórios seguem com pendências de regularização.
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RO e MT: STF abre caminho para mineração no território Cinta Larga; APIB rejeita liberação

Em 13 de agosto, o plenário do STF confirmou, no Mandado de Injunção 7.516, o entendimento que estabelece uma solução provisória para exploração minerária no território Cinta Larga mediante consulta e deu ao Congresso prazo de 24 meses para regulamentar a mineração em terras indígenas. A decisão transformou em posição do colegiado aquilo que havia sido definido inicialmente pelo relator, Flávio Dino.

A APIB acompanhou a sessão e realizou sustentação oral. No dia seguinte, reafirmou oposição integral à mineração em terras indígenas e advertiu para a ampliação das invasões, da contaminação dos rios, do desmatamento e das redes do grande garimpo ilegal caso a exploração seja aberta nesses territórios.

A disputa prosseguiu na consulta aberta pelo Ministério de Minas e Energia sobre o Plano de Ação Nacional para a Mineração Artesanal e em Pequena Escala. A APIB exigiu participação indígena, metas para proteção territorial, redução da contaminação por mercúrio e reparação das terras já atingidas pelo grande garimpo ilegal, rejeitando a transformação da questão em mera regularização da atividade.

RR: candidato ao Senado apresenta projeto para liberar garimpo em terras indígenas

O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), que nunca morou em Roraima e transferiu seu domicílio eleitoral ao estado em março a pedido de Jair Bolsonaro, registrou candidatura ao Senado com o nome “Hélio Bolsonaro”. Em 12 de agosto, já em campanha, protocolou o Projeto de Lei 5.029/2026, que permite mineração e lavra garimpeira em terras indígenas.

A proposta não é a primeira investida do deputado. Em abril, Lopes apresentou o PL 1.786/2026 para regulamentar mineração, petróleo, gás e geração de energia em terras indígenas, retirado posteriormente; em 2022, votou pela urgência do PL 191, chamado de PL do Garimpo. Ele também é coautor do PL 2.454/2024, cuja justificativa usa a exploração de ouro na Terra Indígena Yanomami como exemplo e afirma que os indígenas brasileiros vivem no “Paleolítico”.

Roraima foi o estado para onde o clã enviou o candidato depois de anos de expansão do grande garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. A Hutukara Associação Yanomami estimou que, no auge da invasão, cerca de 20 mil garimpeiros atuavam no território. Só em 2022, a área destruída pela atividade cresceu 54%, de 3.272 para 5.053 hectares, com contaminação das águas por mercúrio e presença de homens armados nas aldeias.

Novo genocídio: Luiz Inácio aprova nova obra que atravessa 122 km de território indígena – A Nova Democracia
No dia 4 de agosto, Luiz Inácio assinou uma ordem de serviço para as obras de uma nova linha de transmissão que atravessará cerca de 122 quilômetros do
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MA: bancos destinam R$ 44,3 milhões à soja enquanto extrativistas defendem bacurizais em Chapadinha

Seis operações de crédito rural destinaram R$ 44,3 milhões desde 2022 a empreendimentos do empresário Gustavo Maretto de Barros em Chapadinha, no Maranhão, enquanto cerca de 200 famílias das comunidades Veredão e Vila dos Borges defendem áreas usadas para roças e extrativismo contra o avanço das lavouras de soja. Os financiamentos foram concedidos pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e pelo Itaú.

As famílias organizam acampamentos de vigilância e já formaram cordão humano para impedir máquinas de derrubar bacurizais. Em outra ocasião, moradores retiveram equipamento usado no desmatamento. Dos R$ 44,3 milhões identificados, R$ 39,3 milhões saíram do BNB, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.

O Incra não concluiu em 13 anos o georreferenciamento do assentamento Veredão, enquanto a empresa avançou em processos particulares de usucapião. A Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão autorizou a GMB a suprimir pelo menos 3.834 hectares na área de influência das duas comunidades.

A investigação de O Joio e O Trigo revelou ainda que Oquerlina Maria Costa Silva, que representava a GMB em procedimentos ambientais em 2021, assumiu no ano seguinte o cargo de secretária-adjunta da Sema e assinou, já no órgão, autorização para a mesma empresa desmatar 773 hectares. Ela nega conflito de interesses.

MA: Camponeses realizam assembleia popular em meio a campanha contra a grilagem e mineração no Gurupi – A Nova Democracia
Milhares de camponeses posseiros vêm elevando seu nível de resistência e organização, especialmente a partir da fundação da União das Comunidades em Luta – UCL.
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Amazônia Legal: pesquisa registra avanço de 71% da soja enquanto mandioca perde 28% da área plantada

O Instituto Escolhas divulgou em agosto o estudo “Muita soja e pouca mandioca”, que mede a transformação da produção nas regiões metropolitanas da Amazônia Legal entre 2017 e 2024. Em sete anos, a área plantada com soja saltou de 966.480 para 1.650.908 hectares, crescimento de 71%, e passou de 55% para 62% de toda a área cultivada nessas regiões. A monocultura também se espalhou territorialmente: estava presente em 46% dos municípios analisados em 2017 e em 57% em 2024.

Enquanto a soja avançou, a área da mandioca caiu de 98.620 para 71.048 hectares, redução de 28%, e sua participação na área cultivada foi de 6% para 3%. Em 2017 havia dez hectares de soja para cada hectare de mandioca; em 2024, a relação chegou a 23 para um. Banana perdeu 11% da área, arroz 1% e melancia 51%, enquanto milho cresceu 73%.

Avanço do latifúndio empurra Amazônia a risco de colapso até 2040, apontam estudos – A Nova Democracia
Pesquisa publicada na revista Nature alerta que desmatamento e deterioração do meio natural podem degradar mais de dois terços do bioma; dados do MapBiomas sobre uso da terra mostram pressão da pecuária e da soja do latifúndio agroexportador.
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A expansão se orienta principalmente ao mercado externo. Em 2024, os estados da Amazônia Legal produziram 52 milhões de toneladas de soja e exportaram 38 milhões, ou 72% do total. No País, a proporção exportada foi de 68%. A cultura que mais ocupa terra nas regiões pesquisadas é, portanto, justamente aquela cuja maior parcela é destinada aos corredores de exportação.

Ao mesmo tempo, a terra se concentrou. Entre 2017 e 2022, o número de estabelecimentos agropecuários nas regiões pesquisadas caiu de 142.434 para 105.190, redução de 26%, enquanto a área ocupada cresceu 8%, de 11,1 milhões para 12 milhões de hectares. No Pará, a queda no número de estabelecimentos chegou a 49%. São mais terras concentradas em menos mãos e uma parcela crescente delas destinada às monoculturas do latifúndio agroexportador.

A concentração da terra avança sem tornar dispensável a pequena produção camponesa, responsável pelo abastecimento do mercado interno. O sistema a conserva, porém, em permanente ruína: os camponeses vendem sob preços impostos por um mercado monopolizado e compram insumos e mercadorias a preços de monopólio, enquanto terra, crédito e infraestrutura se concentram nas cadeias do latifúndio agroexportador. É essa contradição que aparece nos números: mais soja para exportação, menos estabelecimentos e menos espaço para mandioca, banana, arroz e outros cultivos alimentares.

PIB no 1º trimestre ‘cresce’ pouco e mal, puxado pelo latifúndio e pelo consumo endividado – A Nova Democracia
Resultado de 1,1% veio após três trimestres de quase estagnação; agropecuária avançou com soja, enquanto consumo das famílias se apoiou em crédito, renda conjuntural e endividamento – fatores circunstanciais e que rebentarão em nova crise.
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Mineração já incide sobre 57% dos assentamentos do País

A abertura da Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, no dia 10, incluiu uma plenária sobre mineração, empreendimentos energéticos e infraestrutura de exportação em assentamentos e territórios tradicionais. Durante o encontro foram retomados dados do estudo Assentamentos sob pressão, divulgado em abril.

Existem 18.276 processos minerários incidentes sobre 4.691 projetos de assentamento, equivalentes a 57,1% dos assentamentos brasileiros. As áreas de interesse minerário somam 13,9 milhões de hectares sobrepostos; 9,2 milhões estão no Norte. No Centro-Oeste, as sobreposições correspondem a 36,9% da área dos assentamentos.

Outros 256 assentamentos são atingidos por projetos energéticos e 2.884 por infraestruturas logísticas. Rodovias atravessam 1.818 assentamentos, linhas de transmissão 882 e ferrovias 184. Cerca de 27,2% dos processos minerários incidentes envolvem minerais classificados como críticos para a chamada “transição energética”.

‘Ambientalismo’ como disputa da hegemonia imperialista – A Nova Democracia
Tanto os achaques obscurantistas quanto as demagogices ambientalistas devem ser compreendidas como parte da contenda entre imperialistas, em que instrumentalizam a questão climático-ambiental em sua disputa pela repartilha do mundo, tendo como butim as nações e países oprimidos.
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BA: 24 trabalhadores são resgatados de trabalho escravo em garimpos subterrâneos

Vinte e quatro trabalhadores foram resgatados em maio de condições análogas à escravidão em quatro garimpos subterrâneos de quartzo rutilado em Novo Horizonte, na Chapada Diamantina, segundo investigação publicada em 12 de agosto. As galerias alcançavam mais de cem metros de profundidade sem escoramento ou supervisão técnica; trabalhadores relataram que precisavam pedir dinheiro emprestado até para deixar o local e comprar a passagem de volta para casa.

Os exploradores dos garimpos retinham até 30% do valor bruto da produção. Aos trabalhadores cabiam entre 22% e 26%, divididos entre equipes de até seis pessoas. Eles só recebiam quando encontravam minério e podiam passar mais de um mês sem pagamento. Cerca de R$ 120 por semana eram adiantados para comida e parte das despesas com itens básicos, inclusive água, era descontada posteriormente.

Dezenove dos 24 resgatados trabalhavam em um garimpo administrado pelo empresário Antônio Celso Ribeiro Filho, o Celsinho. O mesmo local havia sido interditado em maio de 2025 por manter 12 trabalhadores sem registro e apresentar “risco extremo de soterramento, fraturas e morte”. Celsinho é réu em ação do Ministério Público Federal sob acusações de submeter trabalhadores a condição análoga à escravidão, associação criminosa, exploração ilegal de minério e tráfico internacional de arma de fogo.

A Polícia Federal já havia investigado em 2012 uma rede de cinco grupos de extração e comércio ilegal de quartzo na região e apontou negociações com compradores chineses instalados em Novo Horizonte. Celsinho foi condenado em 2020, em ação civil, a indenizar a União em quase R$ 1 milhão por danos ambientais e extração ilegal; segundo a Repórter Brasil, ele recorre da sentença. O empresário nega manter relação trabalhista com os resgatados e afirma que o sistema de divisão percentual é prática corrente na região.

Grande garimpo ilegal lava bilhões em ouro com ‘licenças fantasma’ na Amazônia – A Nova Democracia
O que o estudo do Greenpeace revela, em última instância, é que o grande garimpo ilegal na Amazônia é uma forma de saque semicolonial, capitaneado por afortunados que arregimentam trabalhadores pobres como mão de obra servil e às custas da expropriação dos posseiros e comunidades indígenas.
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PA: mineradora é condenada após incêndio contaminar o Igarapé Dendê em Barcarena

A mineradora Artemyn Rio Capim Caulim, antiga Imerys Rio Capim Caulim, foi condenada pelos danos provocados por um incêndio em suas instalações de Barcarena, no nordeste do Pará. O fogo, ocorrido em dezembro de 2021, atingiu recipientes com hidrossulfito de sódio, lançou fumaça tóxica sobre Vila do Conde e contaminou o Igarapé Dendê, afluente do rio Pará.

Laudos da Polícia Científica, análises do Instituto Evandro Chagas e autos de infração da Secretaria estadual de Meio Ambiente registraram poluição atmosférica e contaminação das águas. A empresa terá de elaborar e executar um plano de recuperação que abranja o Igarapé Dendê, a galeria de águas pluviais ligada ao empreendimento e eventuais áreas de solo contaminado identificadas durante os trabalhos.

Enquanto houver risco, a mineradora terá de manter placas de advertência sobre a contaminação no trecho atingido do igarapé. A sentença determinou ainda pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos. O caso se soma ao histórico de contaminações produzidas pelo complexo mineral e industrial de Barcarena sobre águas utilizadas pelas comunidades.

A perpetuação da mineração semicolonial: Brasil, um país saqueado pelos monopólios – A Nova Democracia
A atividade de mineração, levada adiante por grandes monopólios de lucros anuais bilionários e que gerou nos últimos anos pelo menos dois grandes crimes
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AM: seis anos depois, Massacre do Rio Abacaxis chega à ONU e à CIDH

Seis anos após a operação repressiva contra comunidades indígenas e ribeirinhas dos rios Abacaxis e Mari-Mari, entre Nova Olinda do Norte e Borba, nenhum dos agentes envolvidos havia sido responsabilizado. Nesta semana, o caso ganhou novo desenvolvimento com o envio de denúncias à Organização das Nações Unidas e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos diante da paralisação dos processos.

Documentos, depoimentos e perícias registram pelo menos seis mortos, entre eles dois indígenas Munduruku, além de dois desaparecimentos forçados e denúncias de tortura, invasões de casas, espancamentos, ameaças e cárcere privado. Treze pessoas foram denunciadas, incluindo um ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas e um ex-comandante da Polícia Militar, mas as ações permanecem travadas por disputa de competência.

No dia 12, familiares e organizações realizaram ainda uma atividade na Universidade Federal do Amazonas, em Manaus, para denunciar seis anos de impunidade.

‘Longe de uma verdadeira justiça’: Massacre do rio Abacaxis completa 5 anos sem dura punição aos PMs envolvidos na chacina – A Nova Democracia
Até hoje, as investigações sobre o caso seguem em aberto, e os familiares das vítimas não conheceram a justiça pelos crimes cometidos pelos agentes do Estado.
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Sul: indígenas denunciam arrendamentos e monoculturas dentro de territórios

O Cimi publicou em 12 de agosto as denúncias de indígenas reunidos nos dias 5 e 6 para discutir o avanço de arrendamentos de terras indígenas no Sul. A prática transfere, na prática, o uso das áreas para não indígenas que financiam e exploram monoculturas, particularmente soja, e tem provocado expulsões, concentração dos ganhos em poucas mãos, destruição de lavouras próprias e conflitos dentro das comunidades.

Na Terra Indígena Ventarra, do povo Kaingang, no Rio Grande do Sul, informações da Polícia Federal reunidas pelo Cimi registram 24 pessoas assassinadas em dez anos em conflitos relacionados aos arrendamentos. O território vive circulação de armas e disputa pelo controle das áreas cedidas a terceiros. O Cimi denuncia ainda a atuação de financiadores e beneficiários externos, inclusive latifundiários da região, no financiamento de plantios e no assédio a integrantes das comunidades.

Além de Ventarra, o Cimi registra conflitos ligados a arrendamentos também nas terras de Nonoai, Serrinha, Carreteiro e Guarita, no Rio Grande do Sul. Em Nonoai e Serrinha, a entrada de não indígenas como arrendatários remonta a décadas e esteve ligada à perda de terras e a posteriores retomadas Kaingang. A monocultura entra nos territórios por contratos que subordinam o uso coletivo da terra aos interesses dos grandes latifundiários e comerciantes de insumos.

Caiado rumina expansão do latifúndio semifeudal como ‘progresso’, mas dados expõem miséria, servidão e violência reacionária no campo – A Nova Democracia
Candidato do PSD se vende como “agro raiz”, mas expansão do latifúndio agroexportador preserva a concentração da terra e as relações semifeudais, avança com violência e devastação, recebe bilhões do velho Estado e serve ao lucro máximo do imperialismo.
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Cerrado e Amazônia: comunidades mapeiam incêndios usados na grilagem; 2,4 milhões de hectares já queimaram em 2026

Mais de 2,4 milhões de hectares queimaram no País em 2026 até 12 de agosto, segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ apresentados pela Articulação Agro é Fogo. O Cerrado concentrou 1,7 milhão de hectares, seguido pela Amazônia, com 485 mil, pelo Pantanal, com 90 mil, e pela Caatinga, com 52 mil. No dia 12, durante a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, comunidades e organizações discutiram o uso do fogo como arma em conflitos territoriais e lançaram uma ferramenta nacional de denúncia.

Jovecino Pereira, ribeirinho e brejeiro de Barra da Lagoa, em Santa Filomena (PI), relatou quatro dias de incêndio que atingiram casas, roças e vegetação do Cerrado no ano anterior. Barra da Lagoa e as comunidades vizinhas Chupé e Brejo das Meninas estão no centro de uma disputa em que o Ministério Público do Piauí denunciou indícios de grilagem sobre 124 mil hectares. Em 2024, as três comunidades chegaram a receber ordem de retirada sem sequer terem sido previamente citadas no processo, e há registros de mais de 2 mil hectares desmatados em parte da área disputada desde 2021.

O histórico reunido pela Agro é Fogo mostra que o incêndio não é um agente sem sujeito. Dos conflitos envolvendo fogo registrados pela CPT no primeiro semestre de 2024, 85% tinham causador identificado e metade era atribuída a latifundiários. No Pantanal, em 2020, 324 mil dos 480 mil hectares queimados partiram de apenas nove focos iniciais; cinco deles estavam em imóveis rurais privados cadastrados, cujos responsáveis comercializavam gado para grupos que abasteciam JBS, Marfrig e Minerva.

A ferramenta lançada agora reúne localização, situação fundiária, número de famílias atingidas, possíveis responsáveis, coordenadas, fotos e vídeos. A base será usada para cruzar incêndios com desmatamento e grilagem. Em 18 de agosto, veio à tona que apenas Pará e Amazonas haviam entregue no prazo de 7 de agosto os planos estaduais solicitados para o período de seca e El Niño; os demais estados tiveram de ser novamente cobrados pelo Ministério do Meio Ambiente.

O império das ONGs e o loteamento da Amazônia – A Nova Democracia
Registros de saque e pirataria da floresta amazônica, nesta última década, vêm estarrecendo a opinião pública brasileira e mundial. A tal ponto que até mesmo
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Amazônia: quase quatro em cada dez indígenas em terras demarcadas não têm acesso adequado à água

Análise publicada pela InfoAmazonia em 13 de agosto, com dados do Censo de 2022, apontou que quase 40% dos indígenas residentes em terras indígenas da Amazônia Legal não dispõem de acesso considerado adequado à água. Cerca de 114 mil pessoas, ou 27% dessa população, dependem principalmente de rios, lagos e igarapés.

Na Terra Indígena Munduruku, quase 40% dos 9.281 habitantes usam corpos d’água como principal fonte. Ediene Munduruku relacionou a situação aos efeitos do grande garimpo ilegal, responsável pela contaminação de igarapés por mercúrio, e cobrou a perfuração de poços.

Em 13 de agosto terminou um prazo judicial de seis meses para que a União apresentasse cronograma de implantação e recuperação de sistemas de abastecimento no Distrito Sanitário Especial Indígena Tapajós. No Amazonas, 99 das 145 terras indígenas não têm acesso à rede geral de água; 53 não dispõem de poço, fonte, nascente ou mina, e 123 dependem principalmente de rios, lagos e igarapés.

Contaminação imperialista nas lutas indígenas – A Nova Democracia
No contexto da luta indígena é comum escutar que o inimigo dos povos indígenas é a “sociedade do homem branco”, referindo-se a esta como um bloco monolítico
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PA: Belo Monte para de gerar energia enquanto seca estrangula ainda mais a Volta Grande do Xingu

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, chegou a agosto praticamente sem gerar energia em meio à queda da vazão do rio Xingu. A hidrelétrica possui 18 turbinas e capacidade instalada superior a 11 mil megawatts, mas cada unidade, em potência máxima, demanda cerca de 775 metros cúbicos de água por segundo. Com a vazão disponível reduzida a cerca de 300 metros cúbicos por segundo, nenhuma das turbinas principais tinha água suficiente para operar. A Norte Energia solicitou ainda que a passagem fosse reduzida para 100 metros cúbicos por segundo, medida aprovada pelo Ministério de Minas e Energia e pelo Ibama diante do período seco e da previsão dos efeitos do El Niño.

Para alimentar a casa de força principal, parte das águas do Xingu é desviada por um canal para o reservatório intermediário, enquanto cerca de 100 quilômetros do curso natural do rio formam o chamado Trecho de Vazão Reduzida, na Volta Grande do Xingu. Antes mesmo da seca atual, monitoramentos do Ibama já haviam constatado nesse trecho redução da abundância, da diversidade e do tamanho dos peixes, além de prejuízos à pesca artesanal. Povos indígenas e comunidades ribeirinhas dependem dessas águas para pesca e navegação.

Em junho, Belo Monte ainda chegou a produzir mais de 2,4 mil megawatts médios em determinados dias; no fim daquele mês, a produção havia caído para cerca de 370 megawatts médios. Em agosto, a redução da vazão paralisou a geração principal enquanto a própria operação da usina continua desviando parte das águas que antes percorriam a Volta Grande.

Uma montanha de ouro por trás de Belo Monte – A Nova Democracia
Em janeiro de 2013, uma equipe de reportagem composta por Francisco Vorcaro, Gerson Lima, Mário Lúcio de Paula e Romulo Radichhi viajou até a Volta Grande do
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PA: comunidades questionam complexo de resíduos previsto para 565 hectares na zona rural de Santarém

Moradores de Lagoa, Santa Maria e São Pedro, na zona rural de Santarém, passaram a acompanhar o licenciamento de um novo complexo de destinação de resíduos previsto para o km 65 da PA-370, a rodovia Santarém-Curuá-Una. O empreendimento da CGR Santarém, subsidiária da CRI Gestão de Resíduos, está projetado para uma área de aproximadamente 565 hectares, com implantação inicial de 109,6 hectares, capacidade de receber até 240 toneladas de resíduos por dia e vida útil estimada em 25 anos.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente convocou para 15 de agosto uma audiência na sede da Associação dos Moradores e Produtores da Comunidade da Lagoa para apresentação do projeto de engenharia, do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental. Documentos do licenciamento descrevem estrutura para diferentes classes de resíduos, com unidades de reciclagem, autoclavagem e incineração.

Antes da audiência, moradores das três comunidades manifestaram preocupação com a proximidade de nascentes, igarapés e áreas de floresta ainda preservadas e exigiram esclarecimentos sobre contaminação das águas, circulação de veículos e demais efeitos da instalação. A convocação incluiu nominalmente Lagoa, Santa Maria e São Pedro entre as comunidades chamadas a discutir o empreendimento.

Ocupação do Incra em Marabá expôs grilagem, despejos e falência da ‘reforma agrária’ no Pará – A Nova Democracia
Mobilização arrancou compromisso para criação de assentamentos; no sul e sudeste paraense, milhares de famílias seguem ameaçadas por grilagem, reintegrações e pistolagem.
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AC: moradores fecham Estrada do Quixadá e arrancam nova promessa de obras

Moradores da comunidade do Quixadá, na zona rural de Rio Branco, bloquearam a estrada de acesso à região na manhã de 17 de agosto para exigir a recuperação de trechos tomados por buracos e erosões e a manutenção de uma ponte ameaçada pela deterioração. O protesto interrompeu o trânsito até as 9h23 e obrigou um representante da Prefeitura de Rio Branco a comparecer ao local e anunciar o início de uma operação de tapa-buracos para o dia 20.

A mobilização ocorreu três meses depois de a própria prefeitura reconhecer a gravidade da erosão na Estrada do Quixadá. Em 20 de maio, o prefeito Alysson Bestene vistoriou o local com dirigentes da infraestrutura municipal e anunciou que a recuperação seria realizada durante o período seco. A Assembleia Legislativa também já havia encaminhado indicação à prefeitura cobrando operação de tapa-buracos na estrada.

Durante o bloqueio, Raicleudo Silva de Oliveira alertou principalmente para a primeira ponte, situada a cerca de dois quilômetros do início da estrada. Segundo ele, a estrutura está se deteriorando e poderá deixar a comunidade isolada quando aumentarem as chuvas. Representante da prefeitura afirmou que a intervenção no ponto atingido pela erosão ainda depende da chegada de material específico para contenção.

Não é a primeira vez que os moradores precisam bloquear a via para exigir manutenção. Em fevereiro de 2013, camponeses do Quixadá já haviam interrompido o acesso para cobrar reparos em pontes deterioradas e denunciar o risco de isolamento da região; naquele momento, o transporte coletivo já havia deixado de percorrer parte da estrada por causa das condições das estruturas.

AC: camponeses do Bujari fecham BR-364 e obrigam prefeito a negociar melhorias em ramais

No dia 6 de agosto, dezenas de moradores do Projeto de Assentamento Extrativista Canary, no Bujari, bloquearam a BR-364 no km 74 para denunciar o abandono dos ramais, além de problemas em saúde e educação.

As famílias afirmaram que chegaram a custear por conta própria máquinas para tentar manter as estradas transitáveis. A deterioração dos ramais impede o escoamento da produção e dificulta o transporte de estudantes. Diante do bloqueio, o prefeito João Edvaldo Teles, conhecido como Padeiro, compareceu ao local e tentou classificar a manifestação como “fato político”; os camponeses contestaram suas declarações e mantiveram as cobranças.

Camponeses do Acre fecham BR-364 contra abandono dos ramais em Bujari; moradores pagam máquinas do próprio bolso – A Nova Democracia
Entre as principais exigências estão a recuperação das estradas vicinais utilizadas diariamente pelas famílias para circular, levar crianças às escolas e escoar a produção.
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Mulheres quilombolas criam plano próprio de proteção diante de ameaças

Em 11 de agosto, os coletivos de Mulheres e de Comunicação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) apresentaram a órgãos federais o Plano Emergencial de Proteção e Autocuidado para Mulheres Quilombolas – Cafuné. O plano foi construído em oficinas com mulheres de diferentes regiões a partir de ameaças sofridas por aquelas que atuam na defesa e titulação dos territórios.

A iniciativa reúne medidas de segurança comunitária, acompanhamento jurídico, apoio psicológico e redes de acolhimento para que mulheres ameaçadas possam permanecer nos territórios e continuar sua atuação. O projeto ganhou força depois do assassinato de Mãe Bernadete Pacífico, dirigente do Quilombo Pitanga dos Palmares, morta a tiros dentro de casa em agosto de 2023, assassinada pela organização paramilitar latifundista “Invasão Zero”.

Na apresentação do Cafuné, a CONAQ voltou a registrar que as ameaças contra as mulheres se intensificam quando elas denunciam invasões, grilagem, empreendimentos ou cobram a titulação das terras. O plano organiza a proteção a partir das próprias comunidades, em vez de restringi-la aos programas estatais de escolta e acompanhamento.

‘A luta pela terra no Brasil virou uma guerra’: LCP comenta encontro nacional do grupo paramilitar ‘Invasão Zero’ – A Nova Democracia
LCP comentou o encontro de latifundiários, deputados e policiais de forma exclusiva ao AND. É uma “comprovação cabal e incontestável de que a Revolução Agrária em curso avança”, diz a organização.
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BA e TO: quilombolas conquistam licenciaturas permanentes para formação de professores

A CONAQ anunciou em 14 de agosto a aprovação de cursos permanentes de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e na Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Arraias.

Ao contrário de experiências anteriores baseadas sobretudo em turmas temporárias, as licenciaturas deverão contar com ingresso regular, docentes e orçamento contínuo. A implementação ocorrerá gradualmente até 2028. A conquista amplia a formação de professores quilombolas vinculados às comunidades e às condições concretas de seus territórios.

‘Nem que a coisa engrossa: Essa terra é Nossa!’: LCP emite comunicado sobre luta no Acampamento Mãe Bernadete – A Nova Democracia
A LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia emitiu um novo comunicado sobre a luta no Acampamento Mãe Bernadete, onde mais de 100 famílias resistem, com apoio da LCP, aos ataques e tentativas de despejo e expulsão das terras disputadas pelos camponeses contra a mineradora Calsete.
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RO: série registra denúncias e organização de 150 representantes de povos do Vale do Guaporé

O projeto Rádio Educação Cidadania (REC), ligado à Universidade Federal de Rondônia (UNIR), divulgou o primeiro episódio da série especial Rede dos Povos, gravado durante o 6º Encontro da Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais de Rondônia. A atividade reuniu cerca de 150 pessoas na comunidade quilombola Santo Antônio, em São Francisco do Guaporé, com participação majoritária de mulheres.

O encontro reuniu representantes indígenas, quilombolas, seringueiros, extrativistas, camponeses, ribeirinhos, comunidades de terreiro e participantes da Bolívia. O episódio traz, entre outras vozes, Lulu da Paz, dirigente quilombola de Rondônia, e Rosiane Chicuta, da coordenação colegiada da CPT, abordando a defesa dos territórios e as reivindicações das comunidades do Vale do Guaporé.

A produção foi realizada às margens do rio Guaporé por estudantes da UNIR que montaram um “Estúdio-Floresta” durante o encontro. A série pretende registrar, nos próximos episódios, denúncias e experiências das organizações que participaram da articulação regional.

MA: povo Krepym Katejê luta para transmitir língua tradicional às novas gerações

O COMSOLUTE divulgou entrevista sobre o projeto Conexões Amazônicas, desenvolvido com o povo Krepym Katejê na Terra Indígena Geralda Toco Preto, em Itaipava do Grajaú, no Maranhão. A iniciativa reúne as aldeias Esperança, Bonita, Sibirino e Geralda Toco Preto e trabalha com anciãos e jovens para registrar e revitalizar a língua do povo.

Maria Alice Pires Oliveira Van Deursen, pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão e coordenadora da Associação Nacional de Ação Indigenista no Maranhão (ANAÍ/MA), explicou que o projeto nasceu de uma demanda da própria comunidade: restam apenas dois anciãos falantes fluentes da língua. “A língua é um arquivo vivo da memória de um povo”, afirmou.

O projeto prevê registrar cantos, mitos, nomes de plantas e conhecimentos de uso medicinal, produzir materiais didáticos e formar jovens pesquisadores indígenas. A pesquisadora destacou que o acervo não ficará restrito à universidade e deverá retornar às aldeias em materiais usados pelas novas gerações, pois os “os donos do conhecimento são eles”. Crianças já apresentaram três cantigas na língua Krepym durante uma das oficinas do projeto. “Nós não fazemos pesquisa sobre os povos indígenas, mas… com os povos indígenas”, acrescentou Maria Alice.

PA: filme dirigido por mulheres Munduruku leva luta de Sawre Muybu às telas

O documentário “Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe” teve pré-estreia em Santarém no dia 14 de agosto. Filmado na aldeia Sawre Muybu, no Médio Tapajós, o longa foi dirigido por Aldira Akay, Beka Munduruku e Rilcélia Akay, integrantes do Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi, e é apresentado como o primeiro longa do coletivo dirigido por mulheres indígenas.

A produção registra a vida e a luta territorial Munduruku a partir das mulheres de Sawre Muybu, região ameaçada pelo grande garimpo ilegal e por projetos de infraestrutura. Rilcélia Akay afirmou que o filme foi produzido em meio a sucessivos ataques ao território e destacou a participação das mulheres na defesa das aldeias, dos rios e da floresta.

Antes da sessão em Santarém, Mundurukuyü recebeu os prêmios de melhor direção e melhor fotografia no festival Filmambiente. A estreia nacional foi marcada para 20 de agosto, ampliando a circulação de uma obra produzida dentro de um dos territórios centrais da resistência Munduruku no Tapajós.

Pôster ‘Conquistar a terra’
Artista: @versophilia2 Impressão em Papel Couche 250g Tamanhos Disponíveis: A3 (29,7 x 42 cm) – Perfeito para destaque na parede. A4 (21 x 29,7 cm) – O taman…
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