Carta do leitor: ‘Sobre o Trotskismo’

Carta do leitor: ‘Sobre o Trotskismo’

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Um dos maiores canceres do Brasil hoje é o trotskismo e esse tema necessita urgentemente ser abordado e esclarecido. Não há a mínima hipérbole nessa reta colocação.

Tão nocivo quanto o fascismo na prática, o revisionismo marxista hoje se faz arqui-inimigo do povo e da causa popular. Tal como o fascismo é o adversário voraz e notável, o revisionismo marxista se faz o inimigo sorrateiro e camuflado e precisa ser com a mesma vivacidade e força combatido. E nesse ponto o trotskismo emerge a grande doença ideológica que é – dentre todas as facetas do revisionismo, de longe o trotskismo é o mais presente e influente no Brasil.

O trotskismo não pode ser concebido integralmente enquanto uma doutrina ideológica, tampouco uma diretriz de pensamento visto que seu precursor, Leon Trotsky, jamais teve um pensamento direcionado e coeso e regularmente transitava entre posições políticas diversas e as vezes até divergentes. A única “posição” (se é que assim pode ser entendida) que Trotsky manteve do início ao fim de sua vida política fora a de aversão completa à Lenin e ao leninismo de maneira geral – contrariando completamente muitos que hoje lideram partidos políticos “socialistas” no Brasil (e que essas aspas sejam enfatizadas, pois nada são além de partidos burgueses, revisionistas e derrotistas, que somente anseiam por uma cadeira no parlamento burguês).

A história, todavia, destruiu completamente Trotsky. Os fatos históricos foram eficazes por pôr abaixo todas suas ideias e teorias mirabolantes e idealistas:

Antes das revoluções de 1917 a teoria da revolução permanente de Trotsky pressupunha um descaso natural para com a classe camponesa, focando exclusivamente o proletariado urbano. Não só isso apresenta contradição com o próprio Karl Marx, que em sua fase madura já enxergava a necessidade da aliança proletária-camponesa visualizada após os acontecimentos da Comuna de Paris (1871), como a história, V.I. Lênin e os bolcheviques provaram o quão errônea era tal tese ao liderarem as revoluções de Fevereiro e Outubro na Rússia, que só fora eficaz devido à tal aliança. Infelizmente até hoje há, como herança trotskista nata, um gigantesco descaso de partidos ditos socialistas e até comunistas para com a questão campesina – nada além de revisionismo burguês cuja função é redirecionar as forças populares para as eleições e para o sindicalismo pelego, domesticando a revolta popular.

Também anterior as revoluções de 1917 se fazem nítidos os ataques de Trotsky à Lênin. Desde 1903 à poucos meses antes de da revolução de Outubro de 1917, a Revolução Bolchevique, Trotsky era um menchevique e fazia franca oposição às teses leninistas que lideravam o POSDR. Durante simplesmente 14 anos Leon não era mais do que um grande opositor do partido operário-camponês, o vindouro PCUS que elevou nação soviética ao socialismo e a condição de superpotência mundial. Se faz uma gigantesca incongruência histórica, totalmente desconexa e impossível de se encaixar, a figura de Trotsky como “líder do exército vermelho”, dados tais fatos históricos. Fora a iminência da revolução proletária, liderada pelo maior dos bolcheviques, Lênin, que forçou Trotsky a renunciar temporariamente suas teses e juntar-se, quase que forçosamente, as linhas bolcheviques. Nada mais que puro oportunismo ideológico trotskista, também refletido em muitos partidos trotskistas hoje no Brasil e no mundo.

Entrando no período pós-revolução de 1917, o tratado de Brest-Litovisk fora a próxima artimanha de sabotagem de Trotsky, que possuindo uma incapacidade diplomática de negociação (proposital ou não), fez a jovem nação soviética render-se ao imperialismo alemão de uma forma extremamente humilhante, concedendo-o territórios inclusive. Esse fato histórico, simplesmente incontestável pela sua própria natureza, provou uma entre duas possibilidades: ou Trotsky era um péssimo diplomata ou ótimo sabotador. Haveria possibilidade de comparar tais evidentes insuficiências de diplomacia e liderança com Josef Stálin? Nenhuma.

No pequeno período das revoluções de 1917 à morte de Lênin em 1924, Trotsky de um opositor se transformou em um aparente apoiador da causa leninista, o que era de se esperar, visto a colossal notoriedade da figura de Lênin no cenário não só soviético como mundial. Pois logo após a morte de Lênin, Trotsky novamente encontra espaço para expor sua verdadeira face e volta todas suas forças para oposição ainda mais ferrenha aos bolcheviques, centralizados e liderados pela figura de Josef Stálin. Nesse período ressurgem duas de suas teses mais absurdas à causa operária-camponesa: o multipartidarismo/fracionismo e a revolução permanente.

Não há muito o que ser dito sobre a ideia multipartidarista/fracionista, essa que por si só se faz dejeto ideológico burguês perante ao centralismo democrático e à concepção de Partido Comunista de Lênin. Qualquer ideia que propõe a existência de múltiplos partidos ou à ideia de frações dentro do Partido Comunista é naturalmente estranha à toda lógica leninista e à ditadura do proletariado marxista. Essas ideias anticomunistas, antimarxistas e antileninistas estão demasiadamente enraizadas na política dos partidos “socialistas” brasileiros e são também aliadas naturais as concepções burguesas de democracia.

Sobre o retorno da revolução permanente: essa agora veio junto com teoria do desenvolvimento desigual e combinado – uma ideia cujo diagnóstico nada mais que um descarado plágio das ideias de Lênin a respeito do imperialismo, porém revestidas com ar burguês para que possam conduzir à um abertamente revisionista prognóstico. Nada além disso, Trotsky simplesmente copiou de Lênin as bases da concepção de imperialismo – a magna opus do premier soviético – e dessas, erroneamente à si apropriadas, retirou prognósticos lamentáveis. O resumo disso se deu na renovação da teoria da revolução permanente, que agora entendia que a revolução russa jamais iria perdurar se não fosse acompanhada de uma revolução europeia. Essa tese também fora pela própria história destruída, visto que a URSS se transformou numa pujante superpotência mesmo perante a ausência das revoluções na Europa ocidental. Mais uma vez, a histórica contradiz completamente Trotsky, e ainda assim há quem até o presente dia enalteça suas estúpidas e já refutadas ideias, vide a brasileira “teoria da dependência” – uma “teoria do desenvolvimento desigual e combinado” adaptada ao Brasil, igualmente revisionista e anticomunista, além de contrarrevolucionária.

Já expulso do PCUS e da URSS, Trotsky – evidentemente financiado pela burguesia e no luxo das mansões que viria a habitar – continuou seu trabalho de oposição ao socialismo, em uma só definição.  Seu próximo passo fora dizer que a URSS iminentemente seria derrotada na Segunda Guerra Mundial. Um pouco depois de sua morte, pela última vez então a história viria novamente a aniquilar Trotsky.

Essa foi a trajetória do sempre menchevique Leon Trotsky: ignorou a classe camponesa e a história provou que essa não deveria ser ignorada, opôs-se os bolcheviques e esses triunfaram, fez um terrível trabalho diplomático (ou excelente trabalho de sabotagem), propôs o multipartidarismo e o fracionismo partidário e a URSS triunfou exatamente contrária a essa tese com um Partido Comunista de cunho leninista, previu que a URSS desmoronaria se a revolução europeia não acontecesse e a URSS se transformou em superpotência sem nenhuma revolução europeia, previu que a URSS perderia a Segunda Guerra e essa foi vitoriosa. Em poucas palavras, a história engoliu Trotsky e hoje quem adere ao trotskismo apenas navega em vômito ideológico.

Há um excelente trabalho, riquíssimo em citações e fatos históricos, que versa sobre o trotskismo chamado “Trotskismo X Leninismo” (2009) de Harpal Brar, provavelmente baseado na obra de Stálin “Trotskismo ou Leninismo?” de 1924. Ambos excepcionais trabalhos, altamente recomendados, ou melhor: necessários à leitura. E por qual razão tais obras seriam assim, tão compulsórias ao estudo? Pelo simples fato de que todos – repito: todos – os partidos de esquerda legalizados (e alguns não-legalizados) no Brasil estão completamente afogados no lamaçal do trotskismo. A academia brasileira está imersa no esgoto do trotskismo e são poucas as divergências realmente marxistas presentes, apesar de Marx ser largamente mencionado.

Por isso necessita-se urgentemente ser compreendido por todo povo brasileiro e mundial – trotskismo é revisionismo, é antimarxismo, reacionário e contrarrevolucionário, é a sabotagem ardilosa na sua face mais podre, o oportunismo quase que sistêmico que permeia essa deturpada e esfacelada política brasileira, deixando-a à mercê da grande burguesia internacional e não nas mãos do povo trabalhador brasileiro. Não há a menor possibilidade de que esse país possa se desenvolver, se industrializar e se democratizar de fato sem que seja travada uma luta ferrenha contra o trotskismo e contra todo revisionismo. Tal luta deverá ser aliada a luta antifascista e anti-imperialista e assim, e tão somente assim, o povo poderá fazer a revolução e implantar uma nova e verdadeira democracia para o nosso tão amado Brasil!

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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