Com financiamento estatal, empresa imperialista Suíça firma contrato com latifundiários acusados de pistolagem no Brasil

Uma reportagem produzida pelo veículo de imprensa Repórter Brasil revelou que a empresa imperialista de seguros suíça Swiss Re atua no campo brasileiro em vínculo estreito com latifundiários criminosos.

Com financiamento estatal, empresa imperialista Suíça firma contrato com latifundiários acusados de pistolagem no Brasil

Uma reportagem produzida pelo veículo de imprensa Repórter Brasil revelou que a empresa imperialista de seguros suíça Swiss Re atua no campo brasileiro em vínculo estreito com latifundiários criminosos.
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Uma reportagem produzida pelo veículo de imprensa Repórter Brasil revelou que a empresa imperialista de seguros suíça Swiss Re atua no campo brasileiro em vínculo estreito com latifundiários acusados de pistolagem contra indígenas, trabalhos servis (ou “análogos à escravidão”) contra camponeses e desmatamento. A empresa fornece apólices (tipo de documento emitido por seguradoras) com financiamento estatal que asseguram que um latifundiário não levará prejuízo na ocasião de perda de safras por motivos de eventos climáticos extremos e outros. 

As apólices são bancadas pelo velho Estado brasileiro através do Programa de Seguro Rural, no qual o governo subsidia a maior parte do valor dos contratos feitos pelos grandes fazendeiros. No final das contas, o latifundiário conta com um seguro da safra sem pagar praticamente nada nesse processo.

Assegurando a pistolagem contra indígenas

Um dos mais proeminentes clientes da Swiss Re, dado o seu longo currículo de crimes contra o povo, é o latifundiário Virgílio Mettifogo. As terras de propriedade de Mettifogo estão todas dentro da Terra Indígena (T.I) Dourados-Amambaipeguá I, no Mato Grosso do Sul, cujas apólices contratadas pelo latifundiário foram subsidiadas pelo velho Estado. 

Mettifogo é um dos réus pelo asassinato de Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, indígena Guarani-Kaiowá assassinado em 2016 cujo assassinato foi testemunhado por outros indígenas que afirmam ter sido o próprio latifundiário quem apertou o gatilho. O assassinato de Clodiodi se soma ao ataque outros 6 indígenas que foram covardemente alvejados no mesmo dia, episódio que ficou conhecido como Massacre de Caarapó.

Mesmo que a TI Dourados-Amambaipeguá I tenha sido reconhecida como terra guarani-kaiowá por direito, as propriedades de Mettifogo seguem no local, asseguradas pela empresa imperialista Swiss Re e subsidiadas pelo velho Estado.

Leia também: Após mais de cinco anos de espera, começa o julgamento dos responsáveis pelo Massacre de Caarapó

Assegurando o trabalho servil

Além de fornecer seguro para um notório pistoleiro ladrão de terras indígenas, a Swiss Re também fornece a plantação de café de Fuad Felipe, localizada em São Tomás de Aquino, Minas Gerais, cujo o latifundiário proprietário é denunciado por submeter 39 camponeses a condições de trabalho servil. Dentre os camponeses resgatados dessa condição, três eram adolescentes de apenas 14 anos de idade.

A própria declaração anual dada pela empresa no ano de 2020 (ano em que os camponeses foram resgatados da fazenda de café de Fuad Felipe), afirma hipocritamente que a sua “estrutura de risco empresarial especifica critérios que podem levar a excluir uma empresa de nossas transações de seguros, resseguros e investimentos”, dentre esses critérios, “violações do direitos humanos, trabalhos forçados e escravidão”. 

A empresa imperialista ainda é uma das multinacionais sujeitas ao UK Modern Slavery Act, legislação criada para que grandes empresas imperialistas identifiquem, previnam e mitiguem situações da chamada “escravidão moderna”. No entanto, Fuad Felipe segue sendo cliente da Swiss Re. Se escancara assim, por um lado, que os critérios estabelecidos pelas próprias empresas imperialistas para “fiscalizar” e determinar sua atuação não passam de palavrório demagógico. Por outro, que as próprias legislações de Estados imperialistas e outros mecanismos de controle, como aqueles criados por ongs ou pactos da ONU (a exemplo do “Great Place to Work”, já colocado em empresas e latifúndios ligados a casos de servidão, como a vinícola Aurora, que submeteu mais de 200 camponeses à servidão) também são ineficazes para impedir a exploração máxima e servil contra os trabalhadores, utilizada pelas grandes empresas para garantir o lucro máximo em suas operações.

Assegurando o desmatamento ilegal 

Outro cliente da seguradora suíça é a família Kumasaka, cujas terras de suas fazendas “Manto Verde” e “Santa Isabel” estão sobrepostas à Área de Proteção Ambiental (APA) Serra de Tabatinga e ao Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba. Ambas localizadas na região de mais recente expansão da fronteira do latifúndio, o Matopiba, que abarca a divisa dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. 

A família Kumasaka tem 17 contratos assinados com a Swiss Re entre os anos de 2016 e 2021, período em que a fazenda Manto Verde teve 2,4 mil hectares embargados após fiscalizações ambientais que renderam multas que totalizam R$15 milhões. É ilegal o cultivo de lavouras em áreas embargadas de acordo com a legislação brasileira, entretanto as áreas embargadas estavam produzindo e com contrativo ativo com a seguradora suíça.

O latifundiário pecuarista Jefferson Luiz Bazanella também é cliente da Swiss Re, com 27 cabeças de gado asseguradas em contrato com a mesma. No entanto, sua fazenda está embargada por desmatamento ilegal da floresta amazônica. A propriedade fica localizada em Novo Progresso, Sul do Pará.

A responsabilidade do velho Estado

Todas as apólices de seguro citadas foram subsidiadas em sua grande parte pelo Programa do Seguro Rural, do governo federal. Em 2022, R$ 1 bilhão foi investido em tal programa no ano de 2022, e em 2023, a verba destinada para a medida aumentou para R$ 1,06 bilhão. Hoje, o programa conta com mais de 219,9 mil apólices subvencionadas.

O que ocorre é o aval por parte do velho Estado à perpetuação dos crimes do latifúndio, garantindo a manutenção dos altos lucros de latifundiários ao cobrir a maior parte das despesas dos contratos, garantindo o seguro sobre terras griladas, embargadas e denunciadas pelos chamados trabalhos análogos à escravidão.

Destaca-se também a falta de fiscalização acerca da regularidade das terras asseguradas através do programa. O uso de imagens de satélite e a mera checagem dos registros públicos do Cadastro Ambiental Rural (CAR) seriam suficientes para identificar terras sobrepostas (griladas). No entanto, não há qualquer interesse em fazê-lo, dado o fato de que a irregularidade na apropriação de terras é característica generalizada dos latifundiários em países de capitalismo burocrático, como o Brasil, e o caráter latifundiário-burocrático do velho Estado brasileiro.

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