Delator premiado, Mauro Cid deve complicar a vida de generais em novo depoimento

Tudo aponta à comprovação da tese, desde há muito levantada por esta tribuna, de que aquelas manifestações de galinhas verdes tinham um núcleo-duro operacional de gente profissional, funcionando como um partido político de extrema-direita e com capacidade militar.

Delator premiado, Mauro Cid deve complicar a vida de generais em novo depoimento

Tudo aponta à comprovação da tese, desde há muito levantada por esta tribuna, de que aquelas manifestações de galinhas verdes tinham um núcleo-duro operacional de gente profissional, funcionando como um partido político de extrema-direita e com capacidade militar.
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O novo depoimento de Mauro Cid, ex-ajudante-de-ordens de Bolsonaro, não deve trazer nada que modifique completamente o curso dos acontecimentos. Como não pode mentir e nem omitir diante das indagações – já que é um delator oficial –, podendo perder os benefícios da alcaguetagem premiada, é certo que Cid produzirá novas fricções na crise militar, revelando com maior clareza o papel de certos personagens. Um deles é o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

Até aqui, Paulo Sérgio – que é também ex-comandante do Exército – vem sendo poupado, segundo os próprios aliados do Bolsonaro. Todavia, é fato que ele esteve na linha de frente de várias iniciativas para acidentar o terreno institucional do País em 2022, sendo, por exemplo, responsável pela confecção do “relatório” das Forças Armadas sobre a tal confiabilidade das urnas eletrônicas, no qual, embora não houvesse provas coletadas de fraude, manifestou-se de forma ambígua enquanto estouravam ações armadas de extrema-direita no interior do País clamando por uma intervenção militar. Em reunião, esse mesmo general foi flagrado se referindo à sua participação na Comissão de Transparência Eleitoral como operação “nas linhas de contato com o inimigo”. A inocência não é o caso deste general.

Embora não seja o mais provável, também é possível que algo mais seja dito sobre o então comandante do Exército, general Freire Gomes. Ele, que se apresenta como o “santinho” da república, por ter recusado “embarcar” no golpe na “hora H”, não é imaculado. Em dezembro de 2022, por exemplo, o ex-militar bolsonarista Ailton Barros trocou as seguintes mensagens com Mauro Cid: “Houve mudança no vento? FG [Freire Gomes] voltou a negar porta?”, a que Cid respondeu: “Voltou…” e Ailton replicou: “Fdp”. Como se vê, Freire Gomes não era o exemplo de democrata, senão que, até o último instante, flertou, foi permissivo e esperou até o último instante para a “parada” se decidir e ele tomar sua decisão; chegou a mudar da opinião, gerando a raiva no núcleo-duro bolsonarista. Talvez por isso tenha mantido os acampamentos golpistas, emitido “notinhas” saudando os acampamentos de “galinhas verdes” como “democráticos” e outras manobras mais, até o último dia do mandato de Bolsonaro. Talvez por isso tenha sido chamado de cagão por Braga Neto.

Por fim, Cid provavelmente será perguntado sobre a troca de mensagens com o major das Forças Especiais, Rafael Martins de Oliveira, nas quais ambos fazem transações de valores para custear “despesas de manifestantes” em Brasília. Tudo aponta à comprovação da tese, desde há muito levantada por esta tribuna, de que aquelas manifestações de galinhas verdes, tanto em Brasília quanto no resto do País, tinham um núcleo-duro operacional de gente profissional, funcionando como um partido político de extrema-direita e com capacidade militar. Essa gente, em que pese ter perdido a iniciativa e passado à defensiva tática, não desapareceu: segue com as suas opiniões, matutando e esperando a primeira oportunidade para colocar-se novamente na ofensiva. E não há conciliação que possa varrer essa ameaça golpista do mapa.

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