No dia 28 de fevereiro o serviço de metrô do DF foi completamente interrompido, durante toda a manhã e início da tarde. A pane no sistema ocorreu após o rompimento e furto de cabos. Tal ocorrido deixa ainda mais clara a situação de sucateamento em que o Metrô-DF se encontra, sob ameaça de privatização.
O sistema do Metrô-DF foi paralisado durante toda a manhã da terça, 28, até o início da tarde, por volta das 13h15, devido a um rompimento de cabos de fibra óptica e furto de cabos de energia. Esta paralisação do serviço acabou por prejudicar os mais de 130 mil usuários diários do serviço de transporte metroviário, além de ter contribuído para a ocorrência de congestionamentos no trânsito da Capital, superlotando também o sistema de ônibus.

Este evento evidencia o cenário em que a Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) se encontra: o sucateamento deliberado do serviço com a intenção de privatizá-lo. Nos últimos tempos, fica ainda mais evidente a precarização do Metrô-DF, com episódios, inclusive de princípio de incêndio, que ocorreram mais de uma vez em um curto período.
Outra situação que denuncia a precarização é a falta de funcionários. O Metrô-DF não realiza concurso público desde o ano de 2013. Com isso, faltam bilheteiros para a venda de passagens em algumas estações menos movimentadas, o que ocasiona a liberação temporária das catracas. Ainda há a utilização de dispositivos improvisados para coleta de bilhetes, devido a falhas na implementação do sistema de QR Code nos bilhetes, fazendo com que sejam vendidos bilhetes do padrão antigo, já não mais aceitos pelas catracas.
Tais circunstâncias denunciam a estratégia do governo distrital para agilizar a privatização do serviço, que está em tramitação para ocorrer em Parceria Público Privada desde o início da atual gestão.
Em setembro de 2021, o então governador (agora afastado) Ibaneis Rocha reafirmou sua intenção em privatizar o Metrô-DF, alegando que o serviço precisa de investimentos. No mesmo dia, um carro do metrô havia sofrido um descarrilamento no período da manhã, e tal acidente serviu de argumento para o governador reforçar o discurso de concessão do serviço à iniciativa privada.
Em 2021 os metroviários do Distrito Federal realizaram a maior greve da história da categoria, entre os meses de abril e outubro daquele ano, totalizando 187 dias. A greve conquistou o pagamento dos retroativos, o plano de saúde e a volta do auxílio-alimentação, que fora cortado.