‘Nosso domínio no Hemisfério nunca mais será questionado’: EUA cita agressões e mira controle quase absoluto na América Latina

Essa sanha do imperialismo ianque responde fundamentalmente ao avanço inegável da luta revolucionária e anti-imperialista na América Latina, tratada por Washington como o elo mais débil de sua cadeia de dominação global.
O canibal Donald Trump rodeado de chefetes de governos lacaios latino-americanos na cúpula "Escudo das Américas", em Miami, em 7 de março de 2026. (Foto: Molly Riley/Casa Branca)
O canibal Donald Trump rodeado de chefetes de governos lacaios latino-americanos na cúpula "Escudo das Américas", em Miami, em 7 de março de 2026. (Foto: Molly Riley/Casa Branca)
O canibal Donald Trump rodeado de chefetes de governos lacaios latino-americanos na cúpula "Escudo das Américas", em Miami, em 7 de março de 2026. (Foto: Molly Riley/Casa Branca)

‘Nosso domínio no Hemisfério nunca mais será questionado’: EUA cita agressões e mira controle quase absoluto na América Latina

Essa sanha do imperialismo ianque responde fundamentalmente ao avanço inegável da luta revolucionária e anti-imperialista na América Latina, tratada por Washington como o elo mais débil de sua cadeia de dominação global.

O Departamento de Estado do país Estados Unidos (EUA) divulgou oficialmente em 11 de agosto um vídeo oficial de cinco minutos narrado pelo embaixador ianque no Panamá, Kevin Marino Cabrera, exaltando a Doutrina Monroe e proclamando que o domínio do país no chamado “Hemisfério Ocidental” nunca mais será questionado, tendo o presidente Donald Trump como seu “mais recente defensor”. A divulgação da sinistra campanha publicitária se dá no momento em que o EUA tenta alcançar o objetivo de reafirmar o domínio regional frente aos rivais imperialistas e conter o avanço anti-imperialista, resultando no recrudescimento da intervenção militar e dominação semicolonial no continente.

A peça de propaganda, que ignora as mais elementares normas de autodeterminação, recupera marcos históricos da rapina ianque desde 1823 para validar a atual ofensiva. O vídeo narra que, sob o olhar de Trump, a América seria uma zona vital de segurança, em que a presença de países como a Rússia, China e Irã é inaceitável. O vídeo passa pelo corolário de Theodore Roosevelt (1904), intervenções no Panamá, Porto Rico e a crise dos mísseis em Cuba (1962), culminando na criminosa “Operação Resolução Absoluta”, executada em 3 de janeiro, que resultou no sequestro do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores para uma penitenciária de segurança máxima em Nova York sob falsas acusações de “narcoterrorismo”, ato propagandeado pelo embaixador Cabrera como demonstração inequívoca da força militar do imperialismo ianque e de sua nova Estratégia de Segurança Nacional (ESN) para o “Hemisfério Ocidental”.

‘Doutrina Donroe’: EUA pressiona América Latina a triplicar gastos militares sob pretexto do ‘narcoterrorismo’; política contrarrevolucionária põe o Brasil no eixo da agressão – A Nova Democracia
Em conferência no Peru, representante do Pentágono defendeu orçamentos militares próximos de 3,5% do PIB e operações conjuntas contra organizações chamadas de “narcoterroristas”; José Múcio representou o governo oportunista de Luiz Inácio, enquanto Washington amplia a cooperação repressiva com o País e articula 60 governos contra o “ressurgimento da extrema esquerda”.
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O roteiro propagandístico enfatiza que o governo Trump reeditou as diretrizes intervencionistas formuladas originalmente em 1823 pelo presidente James Monroe, a chamada Doutrina Monroe, para justificar a expansão militar e econômica sobre as semicolônias latino-americanas, mascarando sob falsas premissas de segurança nacional a sanha insaciável do imperialismo ianque por recursos estratégicos e mercados cativos, culminando na frase reproduzida pelo próprio Donald Trump de que o domínio ianque na região “nunca mais será questionado”. Diante da crise de sua hegemonia mundial única e do avanço da contenda interimperialista, o imperialismo ianque tenta desesperadamente reafirmar seu domínio sobre o Hemisfério Ocidental, expressando a incapacidade estrutural de sustentar toda a ordem global e concentrando suas forças na subjugação implacável dos povos latino-americanos que resistem bravamente contra a espoliação estrangeira e a exploração capitalista burocrática.

A nova ESN divulgada em novembro de 2025 declara explicitamente que “os dias em que o Estados Unidos sustentava toda a ordem mundial como Atlas acabaram”. Essa confissão de debilidade reflete o esgotamento do modelo de hegemonia única, forçando Washington a abandonar a pretensão de “parceira” global para atuar como potência que exige “espaço estratégico a ser controlado”. O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, criticou essa postura em 7 de janeiro, afirmando que o governo Trump destrói a ordem mundial e transforma o mundo em um “covil de ladrões, onde os mais inescrupulosos tomam tudo o que querem”, isto é, revela de forma explícita o que sempre foi a ordem mundial imperialista.

Editorial – O fracasso da ofensiva contrarrevolucionária geral do imperialismo – A Nova Democracia
A situação, como se pode notar, requer do movimento revolucionário e anti-imperialista as máximas destreza e decisão: a situação é muito desafiadora e perigosa, e como nunca, extremamente favorável para transformar a História universal e o mundo inteiro.
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As falsificações históricas 

Apesar da pretensão hegemônica exibida no vídeo, o roteiro oficial recobre-se de flagrantes falsificações históricas e omissões deliberadas para encobrir séculos de crimes cometidos contra os povos da região, a começar pela cínica distorção sobre o México. Enquanto o vídeo alega falsamente um heroísmo ianque, afirmando que o EUA expulsou a tropa francesa de Napoleão III do território mexicano (1867) após a tentativa de impor uma monarquia sob Maximiliano de Habsburgo, a realidade factual demonstra que a heroica resistência vitoriosa do povo mexicano foi conduzida exclusivamente pelo presidente Benito Juárez, contando apenas com tardio apoio financeiro ianque, enquanto as massas mexicanas derramavam seu próprio sangue pela soberania nacional.

Além disso, a gravação oficial oculta metodicamente o histórico tenebroso de intervenções diretas e patrocínio a regimes reacionários e sanguinários no Cone Sul e na América Central, omitindo o apoio prestado na Argentina, no Chile, no Uruguai, no Paraguai e no Brasil, bem como fracassadas aventuras militares como a invasão da Baía dos Porcos em Cuba, evidenciando que a violência e o terrorismo sempre foram os pilares da dominação ianque no continente para saquear as riquezas das semicolônias e afastar a “ameaça comunista”.

‘Essa repressão possui um efeito bumerangue’, afirma LAI sobre política contrarrevolucionária ianque contra anti-imperialistas e comunistas – A Nova Democracia
Em desdobramento do A Propósito #369, representante da Liga Anti-imperialista Internacional afirmou que a ofensiva contrainsurgente pode ampliar a repressão imediata, mas não possui condições de derrotar estrategicamente a rebelião das massas.
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O ministerial de Marco Rubio e a pressão por militarização das semicolônias 

Como desdobramento dessa estratégia para o subcontinente, o secretário de Estado ianque, Marco Rubio, convocou em 16 de julho representantes de 66 governos para a chamada Ministerial sobre o “Ressurgimento do Terrorismo Político”, ocasião em que nomeou diretamente como alvos da ofensiva internacional as forças “anticapitalistas, anti-imperialistas, comunistas, anarquistas e marxistas”, exigindo a reconstrução de uma rigorosa arquitetura global de contraterrorismo para mapear, vigiar, bloquear recursos e criminalizar a militância revolucionária.

Essa ofensiva repressiva internacional veio acompanhada de pressões econômicas e militares diretas sobre os governos da região, materializadas na XVII Conferência de Ministros de Defesa das Américas, realizada em Cusco, no Peru, em que Washington exigiu que os países latino-americanos elevassem seus orçamentos militares para a marca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países, impondo operativos conjuntos e forte vigilância fronteiriça. “Não há razão para que qualquer país, particularmente aqueles que enfrentam ameaças narcoterroristas significativas, gaste tão pouco com Defesa”, declarou o representante ianque para as 38 delegações presentes.

Editorial – O Comunismo volta ao centro das preocupações públicas do imperialismo – A Nova Democracia
Trump e Rubio estão certos: o movimento revolucionário “está de volta” ao mundo e ameaça, sim, os interesses do imperialismo. Sua fracassada ofensiva contrarrevolucionária geral não conseguiu extirpar as revoluções, por impossibilidade histórica, pois não existe derrota definitiva para o proletariado, senão que apenas transitória.
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No Brasil, onde os gastos militares corresponderam a aproximadamente 1,1% do PIB em 2025, a exigência imperialista representaria a necessidade absurda de mais do que triplicar os recursos destinados às forças centrais militares de repressão para atender aos interesses estratégicos do Pentágono no combate à presença de interesses imperialistas rivais e à subversão popular na região, além de impulsionar a indústria de guerra ianque. 

O ministro da Defesa do governo oportunista de Luiz Inácio (PT), José Múcio, esteve presente na conferência em que essa política foi apresentada. O alinhamento do Brasil ocorre pouco mais de um mês depois de o governo ianque classificar grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações “terroristas”, enquanto as forças policiais locais e porta-vozes militares usam os mesmos conceitos para criminalizar a guerra camponesa e a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) como “terrorismo” e “extrema esquerda”. 

Essa pressão visa transformar as Forças Armadas brasileiras e de outros países em um braço estendido da política contrainsurgente ianque, forçando o país a investir em armamentos e tecnologia de vigilância sob o falso pretexto de segurança regional.

‘Trump está certo: o movimento revolucionário está de volta no mundo e ameaça os seus interesses’: Pitillo e Liga Anti-imperialista debatem ‘Doutrina Donroe’ com AND – A Nova Democracia
O A Propósito debateu a reunião de 66 governos contra o chamado “ressurgimento da extrema esquerda” e apontou que a “Doutrina Donroe” organiza uma política contrarrevolucionária preventiva internacional contra comunistas, anti-imperialistas e lutas populares, com a Revolução Agrária no Brasil sob a sua mira.
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O Brasil como alvo central e a guerra camponesa contra o latifúndio 

Essa sanha do imperialismo responde fundamentalmente ao avanço inegável da luta revolucionária e anti-imperialista na América Latina, tratada por Washington como o elo mais débil da cadeia imperialista global. 

Debatendo essa articulação no programa A Propósito #369, transmitido no canal do AND no YouTube, o diretor-geral do jornal, Victor Bellizia, frisou com precisão que os ianques sentem “a necessidade de uma política contrarrevolucionária preventiva”, afirmando que a referência ao “Hemisfério Ocidental” demonstra o pavor diante da instabilidade da velha ordem semicolonial e alertando que o “movimento revolucionário mundial não desapareceu. Não é um fantasma; é concreto e existe”, e que está em pleno desenvolvimento.

Complementando a análise, João Cláudio Pitillo, doutor em História, pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas (Nucleas) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e idealizador do canal Guerra Patriótica, apontou que a “América Latina continua sendo um continente insurgente por sua própria natureza”, denunciando que a voracidade imperialista busca recolonizar o subcontinente para saciar a insaciável máquina de exploração estrangeira.

‘Aqui há uma verdadeira guerra camponesa pela terra’: AND e Pitillo discutem por que o Brasil é a ‘joia da coroa’ da intervenção ianque na América Latina – A Nova Democracia
Em desdobramento do A Propósito #369, Pitillo e AND apontaram que as riquezas estratégicas do País e o crescimento da Revolução Agrária colocam o Brasil no centro da política de recolonização e contrainsurgência impulsionada por Washington.
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O representante da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) – Seção Brasil, Wender, afirmou que o chamado “terrorismo de extrema esquerda” é o nome empregado pelos imperialistas para criminalizar “a inevitável e justa rebelião das massas e dos povos oprimidos”. Conforme salientou Victor Bellizia, a utilização simultânea de terminologias ardilosas como “terrorismo político”, “narcoterrorismo”, “narcoguerrilha” e “crime transnacional” tem o objetivo deliberado de diluir a verdadeira intenção política de Washington, mascarando a guerra reacionária travada contra o anti-imperialismo sob o pretexto falso de combate estrito à criminalidade comum. “Criminaliza-se o movimento e dilui-se a intenção real”, sintetizou o diretor-geral de AND.

A centralidade do Brasil na política intervencionista ianque decorre de suas dimensões, mercados e riquezas naturais, sendo definido por João Cláudio Pitillo como a “joia da coroa” da política de recolonização da América Latina, pois o país ocupa posição central por suas matérias-primas e capacidade de sustentar a máquina do imperialismo, levando o pesquisador a afirmar enfaticamente que o “EUA pode aceitar muitas coisas, menos perder o Brasil”. Além disso, Victor Bellizia destacou que a política contrainsurgente impulsionada pelo imperialismo ianque mira diretamente a luta revolucionária pela terra no Brasil, declarando que “aqui no Brasil, há uma verdadeira guerra camponesa pela terra, e eles também estão de olho nisso”, e que o avanço da Revolução Agrária golpeia diretamente o latifúndio e o capitalismo burocrático, tornando o País um dos eixos centrais dos operativos contrainsurgentes ianques.

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